domingo, 22 de abril de 2018

Inteligência Artificial, novo pesadelo?


Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Em “Vida de Galileu”, provavelmente sua peça mais notável, Bertolt Brecht imagina a fala final do grande cientista do Renascimento a seus pares. A obra foi escrita durante o tormento da II Guerra Mundial, em meio os exílios do autor – por isso, o Galileu de Brecht já não compartilha o entusiasmo automático pela Ciência presente em outras obras da tradição iluminista e mesmo marxista. Diz ele, em tom de advertência quase desesperada: “O precipício entre vocês e a humanidade pode crescer tanto que ao grito alegre de vocês, grito de quem descobriu alguma coisa nova, responda um grito universal de horror”. Há duas semanas, a revista britânica Economist publicou um longo estudo sobre os novos avanços a Inteligência Artificial – especialmente seu uso nos locais de trabalho. Diante da leitura, é impossível não sentir de novo o calafrio que assombrou o dramaturgo alemão.

sábado, 21 de abril de 2018

Os donos da mídia no Brasil pós-golpe

Por André Pasti e Luciano Gallas, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Uma mídia com elevada concentração de propriedade e de audiência, sob crescente controle religioso, com influentes afiliações políticas e guiada por interesses econômicos de grandes grupos. Gravíssima falta de transparência na propriedade e na distribuição da publicidade governamental, concentrada, sobretudo a partir do governo de Michel Temer, nos meios simpáticos à agenda de reformas do governo. Tudo isso possibilitado por um marco regulatório antigo, permissivo e ineficaz. Esses são alguns dos apontamentos deste especial, que traz resultados do Monitoramento da Propriedade da Mídia (Media Ownership Monitor, ou “MOM”) no Brasil.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A marcha do obscurantismo contra o pensamento crítico

O apoio à extinção dos cursos de Humanas das universidades públicas é sintomático e reflete um obscurantismo que se impõe de forma sorrateira e perigosa

REDAÇÃO 13 de Abril de 2018


Por João Batista da Silveira

Chamou a atenção nos últimos dias e ganhou repercussão nas redes sociais uma Ideia Legislativa sob consulta no Portal e-Cidadania, do Senado Federal, que propõe a extinção dos cursos de Humanas nas universidades públicas. Como argumento, o autor da proposta alega se tratarem de “cursos baratos que facilmente poderão ser realizados em universidades privadas”, podendo ser realizados “presencialmente e à distância em qualquer outra instituição paga”, e que não é adequado “usar dinheiro público e espaço direcionado a esses cursos” quando o país precisa de mais médicos e cientistas”.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

1964 e 2016: vislumbres de nossas elites

por Róber Iturriet Ávila e Pedro Vellinho Corso Duval — publicado 06/04/2018 14h00, última modificação 06/04/2018 11h47

Nos dois momentos, o retorno do capital foi ameaçado, provocando rápida articulação entre grupos empresariais, midiáticos e setores da classe média

O eterno medo do comunismo
As destituições presidenciais ocorridas em 1964 e em 2016 possuem distinções em termos de método, instrumento e velocidade. Um olhar mais cuidadoso, entretanto, é capaz de identificar nestes epifenômenos causalidades nos interesses políticos dos respectivos grupos sociais representados e contrários aos então presidentes.

Este breve texto, de forma simplificadora, busca quantificar e qualificar algumas dessas causas por meio da variação real do salário mínimo, da incidência tributária e das políticas sociais distributivistas interrompidas ou restringidas.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O descaminho das humanidades

por Carlos Drummond — publicado 08/04/2018 00h30, última modificação 07/04/2018 22h13

A proposta de eliminação das Ciências Humanas das universidades federais é boa para o setor privado e péssima para o ensino, inclusive o de Economia

Celso Furtado: alicerce em humanidades
Registrada no fim de março no Senado, a proposta de extinção dos cursos de Filosofia, História, Geografia, Sociologia, Artes e Artes Cênicas das universidades públicas contava, na segunda-feira 26, com o apoio de 3.670 indivíduos. Caso essa “ideia legislativa” obtenha ao menos 20 mil adesões no prazo de até quatro meses, será enviada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa para debate e parecer dos senadores e eventual encaminhamento de projeto de lei.

O objetivo declarado da proposta é favorecer o ensino privado. A eliminação dos cursos se justificaria, nos termos da sugestão, por serem “baratos e facilmente realizáveis em universidades privadas, presencialmente e à distância”.

Angela Davis e a abolição que não houve

por Pedro Alexandre Sanches — publicado 08/04/2018 00h30, última modificação 06/04/2018 18h53

A filósofa norte-americana ficou 47 anos inédita no Brasil por afirmar que a escravidão nunca acabou de fato

Angela Davis, a escritora pop foi censurada no Brasil
Muito antes que os Estados Unidos da América começassem a sonhar em construir um muro que os separasse da América Latina, um muro de concreto armado nos separou da estadunidense Angela Davis. Embora propenso a consumir acriticamente tudo que a indústria cultural de lá produz, o Brasil demorou 47 anos para traduzir e publicar qualquer um dos livros da filósofa, professora de estudos feministas, militante antirracista e ativista pelos direitos civis, hoje com 74 anos de idade e em plena produtividade intelectual.

O dique rompeu-se em 2016, quando a editora Boitempo transpôs para o português Mulheres, Raça e Classe, editado na terra natal em 1981. Em 2017, veio Mulheres, Cultura e Política (1990), um compilado do pensamento oitentista de Angela. O novo A Liberdade É uma Luta Constante, de 2015, chega agora pela mesma Boitempo e marca o momento mais importante da descoberta brasileira de uma mulher que foi militante do partido Panteras Negras (fundado em 1966), presa política estadunidense (entre 1971 e 1972) e duas vezes candidata a vice-presidenta da República pelo Partido Comunista deles (em 1980 e 1984).

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O STF pode estar prestes a afastar garantias históricas de todos os servidores públicos

Terça-feira, 3 de Abril de 2018




O Supremo Tribunal Federal  ( STF) previu para o próximo dia 04.04.2018 o julgamento em que será decidido se é possível uma pessoa condenada em 2ª instância ser presa antes do trânsito em julgado da decisão penal.
A expressão trânsito em julgado significa que não há mais possibilidade de o cidadão apresentar qualquer recurso, e a Constituição prevê que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (artigo 5o, LVII).

USP fazia triagem ideológica de estudantes e professores na ditadura

por Tatiana Merlino — publicado 04/04/2018 00h30, última modificação 03/04/2018 18h21

Relatório final da Comissão da Verdade traz documentos que provam a responsabilidade da universidade em violações

O relatório contém documentos que esclarecem a responsabilidade da universidade nas violações
A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) mantinha uma agência de informação que fazia triagem ideológica e fornecia dados aos órgãos de segurança para perseguir alunos, professores e estudantes contrários à ditadura civil-militar (1964-1985). 

O registro de parte dessas violações consta do relatório da final da Comissão da Verdade da USP, concluído e entregue ao reitor da universidade, Vahan Agopyan, no final de março. O relatório é composto de 10 volumes, e contém documentos que trazem luz aos fatos ocorridos na época e esclarecem a responsabilidade da universidade nas violações.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Delírio criminoso

por Mino Carta — publicado 02/04/2018 00h10, última modificação 29/03/2018 13h40

A tragédia chega ao quarto ato, deixarei de escrever sobre o presente para falar de culinária e do passado ainda esperançoso

Lula depois do atentado. Segundo a mídia nativa ele é o culpado
Nada mais tenho a dizer sobre o Brasil de hoje, a obra-prima da dinastia de Avis atingiu o país (revisão, por favor, toda a palavra em caixa baixa) sem futuro. Um amigo italiano, jornalista, Franco Vaselli, escreveu um livro intitulado Povero Rico Brasile, pobre rico Brasil, entreguei-o a dois editores faz algum tempo, não se dignaram de me dar uma resposta. É um livro interessante de um estrangeiro que vem ao país e ao cabo de uma longa visita se pergunta como se deu que uma terra tão beneficiada pela natureza seja tão atrasada e medieval.

terça-feira, 27 de março de 2018

Fraudes e descaso estatal ameaçam inclusão dos negros na universidade

por Victória Damasceno — publicado 26/03/2018 00h10, última modificação 26/03/2018 10h08

Corte e falta de reajuste das bolsas comprometem a permanência de estudantes cotistas no ensino superior

O Brasil adotou as primeiras ações afirmativas nos anos 2000, quatro décadas depois que os Estados Unidos
Último país das Américas a abolir a escravidão, o Brasil tardou a se preocupar com o acesso dos negros ao Ensino Superior, de forma a reduzir as abissais desigualdades perpetuadas no mercado de trabalho. As universidades brasileiras começaram a reservar vagas para pretos, pardos e indígenas somente no início dos anos 2000, mais de quatro décadas depois das primeiras ações afirmativas nos EUA.

domingo, 25 de março de 2018

A vanguarda do atraso saiu da cloaca


Por Jeferson Miola, em seu blog:

O golpe destampou a cloaca que armazena os mais íntimos sentimentos racistas, misóginos e fascistas da elite brasileira.

O golpe abriu a tampa da cloaca por onde saiu a vanguarda do atraso com suas manifestações mais tenebrosas.

A imagem de um latifundiário facínora açoitando um simpatizante da caravana do Lula com um relho – chicote de cabo de madeira com um laço na ponta, usado para tocar animais [Dicionário Houaiss] – só encontra paralelo no suplício que era imposto aos escravos pela oligarquia proprietária de terras e de escravos do século 19.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Com educação a distância, Temer quer privatizar ensino médio

Em artigo, presidenta da APEOESP critica possibilidade do Ensino Médio ter 40% de sua carga horária ofertada no modelo a distância

ANA LUIZA BASILIO
20 de Março de 2018



Não havia exagero nenhum quando dissemos que a reforma do ensino médio do governo golpista de Michel Temer destruiria a formação dos estudantes nesse nível de ensino. A pretexto de resolver os problemas do Ensino Médio, a começar de sua falta de identidade para os estudantes (uma vez que não forma adequadamente para a continuidade dos estudos e tampouco para o mundo do trabalho), Temer optou por transformá-lo em mero estágio de formação de mão de obra, esvaziando-o de todos os conteúdos necessários à formação integral de nossos jovens para o pleno exercício da cidadania.

terça-feira, 13 de março de 2018

Os 42 ricaços do Brasil. Todos golpistas!



Por Altamiro Borges

A revista Forbes, dedicada à cloaca empresarial do planeta, divulgou na última terça-feira (6) a lista dos maiores bilionários do Brasil. O ranking é um autêntico escárnio. Enquanto milhões de brasileiros são lançados na miséria pelas políticas antipovo do vampirão Michel Temer – com sua terceirização selvagem, "deforma" trabalhista, congelamento por 20 anos dos investimentos na saúde e educação, entre outras maldades –, 42 bilionários ostentam fortunas inimagináveis. Não é para menos que a maioria deles, de forma direta ou indireta, esteve envolvida no golpe dos corruptos. São banqueiros, barões do agronegócios, industriais e donos da mídia. Os ricaços querem manter e ampliar suas riquezas. E danem-se os brasileiros. Confira a lista: 

segunda-feira, 5 de março de 2018

Multis querem comprar o Aquífero Guarani



Do blog Nocaute:

As negociações para privatizar o Aquífero Guarani avançam. A segunda maior reserva de água doce do mundo se estende pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O governo Temer e transnacionais, como a Coca-Cola e a Nestlé, estariam discutindo uma forma que garanta aos conglomerados o direito exclusivo ao aquífero e à venda da água.

O verdadeiro inimigo da classe trabalhadora


Por Adilson Araújo, no site da CTB:


O editorial do Jornal Estado de São Paulo publicado nesta quarta-feira (28), com o título os "Sindicatos contra o trabalhador", é mais uma peça venenosa contra o livre direito à organização contido em nossa Constituição. O qual, pelo teor do editorial, deve ser desconhecido pelo autor do famigerado texto.

Ao afirmar que as “centrais sindicais estão aconselhando seus filiados a aprovarem, por votação em assembleia extraordinária, a manutenção da cobrança da contribuição sindical”, o Estadão esquece que tal orientação se baseia no ART. 8º da Constituição Federal, que orienta sobre a autonomia sindical, a livre organização e o direito da fixação da contribuição sindical:

É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Empregos precários e mal remunerados


Por Marize Muniz, no site Vermelho:

O Brasil está gerando mais empregos precários e mal remunerados, aponta Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgado nesta sexta-feira (23) pelo IBGE. 

Em 2017, o número de trabalhadores e trabalhadoras sem carteira assinada, portanto, sem direito a férias e 13º salário, entre outros benefícios, aumentou 5,7% - o de trabalhadores formais caiu 2%. 

Além de não terem direitos, os informais recebem, em média, 44% menos do que o trabalhador que tem carteira assinada. 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Censura: a TV Brasil vetou imagens de críticas feitas pela Tuiuti?

por Intervozes — publicado 20/02/2018 13h00, última modificação 20/02/2018 19h51
Além de denúncias de veto às cenas de críticas ao governo na TV Brasil, crescem especulações sobre ausência da faixa presidencial em desfile das campeãs
Os manifestoches não apareceram na TV Brasil
O País tem assistido desconfiado à intervenção federal proposta pelo governo de Michel Temer no estado do Rio de Janeiro, em decreto assinado na sexta-feira 16. Com ela, a segurança pública fluminense, que antes era responsabilidade estadual, fica submetida ao Exército. Ainda que o expediente de utilizar as Forças Armadas para a área já tivesse sido usado em governos anteriores, desde a redemocratização que o Brasil não passava poderes tão amplos exercidos por civis diretamente para os militares.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Os propagandistas

por Mino Carta — publicado 19/02/2018 00h05, última modificação 16/02/2018 09h40
Epígonos de Goebbels, os heróis da mídia nativa esmeram-se para inconscientizar as suas plateias

Era uma vez o jornalismo
Quando penso nos editorialistas, colunistas, comentaristas, analistas da mídia nativa, ocorre-me automaticamente recordar um filme de Akira Kurosawa, Homem Mau Dorme Bem, protagonista o insubstituível Toshiro Mifune.E pergunto aos meus céticos botões se aqueles perfeitos representantes do jornalismo pátrio têm noção da sua responsabilidade pela inconscientização de quem os lê ou ouve.

Não duvido que muitos, todos talvez, ao deitarem a cabeça sobre o travesseiro noturno, experimentem o sentimento do dever cumprido. De fato, o patrão está satisfeito e retribui com salários, ou emolumentos, de suscitar a inveja dos colegas de países democráticos e civilizados.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Carnaval avisa que a Globo mexe com fogo


Professor de história desfila de vampiro com faixa presidencial na Paraíso do Tuiuti,
 vice-campeã do carnaval - MAURO PIMENTEL / AFP
Por Renato Rovai, em seu blog:

O Carnaval é um momento catártico para o brasileiro. É quando ele explode, solta os bichos, celebra a vida, canta suas tristezas e alegrias e flerta com a morte. Tudo se dá no limite.

Evidente que não é um país inteiro na Sapucai ou qualquer outra metáfora global. Há pessoas em retiro espiritual, gente desfrutando de cachoeiras, dezenas se matando de ver séries e comendo pipoca e outras viajando pra fora do país e fazendo selfies.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Nova proposta para a Previdência busca votos na bancada da bala

por Redação — publicado 07/02/2018 14h03
Versão da reforma é semelhante à de novembro, mas traz mudanças vantajosas para policiais. Entenda os principais pontos
O governo deixou de fora regras mais flexíveis para juízes, procuradores e demais servidores
O governo apresentou, nesta quarta-feira 7, mais uma versão da reforma da Previdência, a quarta desde a ascensão de Michel Temer ao poder. O projeto traz poucas alterações em relação ao de novembro de 2017, mas busca conquistar apoio principalmente entre deputados da bancada da bala.
O novo texto do relator Arthur Maia (PPS-BA) inclui o pagamento integral da pensão para viúvos e viúvas de policias mortos durante o exercício de sua função. A alteração contempla policiais civis, federais, rodoviários federais e legislativos. Parte deles poderá inclusive furar o teto previdenciário, de 5.645,80 reais. A aposentadoria policiais militares não está sendo tratada no projeto.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Projeto de lei sobre avaliação de desempenho ameaça os servidores

por Sergio Tuthill Stanicia* — publicado 01/02/2018 18h15, última modificação 01/02/2018 13h10
Caso aprovada, a proposta da senadora Maria do Carmo Alves, do DEM, irá instituir critérios subjetivos de controle e abrir espaço para abusos de poder
O Senado pode legitimar o assédio moral no setor público
Em sua redação original, a Constituição previa que os servidores públicos se tornassem estáveis após dois anos de exercício efetivo, podendo perder o cargo apenas em virtude de procedimento administrativo ou de sentença judicial transitada em julgado.
A Emenda Constitucional 19, de 1998, ampliou esse período para três anos e incluiu como hipótese de perda do cargo a reprovação em procedimento de avaliação periódica de desempenho, a ser disciplinado por lei complementar (art. 41 §1º III).

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

No Brasil, trabalho informal é a nova regra

por Dimalice Nunes — publicado 01/02/2018 00h20, última modificação 31/01/2018 17h36

Emprego sem carteira assinada superou o formal pela vez em 2017. No ano passado foi a informalidade quem ditou a recuperação do mercado de trabalho

Emprego com carteira assinada encolheu 2% em um ano enquanto o informal cresceu 5,7%
O ano de 2017 apresentou uma contínua redução da taxa de desemprego. Trimestre a trimestre, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal, a PNAD Contínua, do IBGE, mostrou que o número de trabalhadores em busca de uma ocupação foi decrescente: a taxa, que marcou 13,7% de janeiro a março, caiu para 11,8% de outubro a dezembroA qualidade dos postos de trabalho gerados é, no entanto, questionável. A informalidade deu o tom o comportamento do desemprego ao longo de 2017.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Como a televisão brasileira cobriu o julgamento de Lula?

por Intervozes — publicado 25/01/2018 16h00, última modificação 25/01/2018 20h26
Suposto equilíbrio no meio não surgiu do nada: Lula já estava condenado pela mídia antes do relator proferir seu voto
Cristiana Lobo e Gerson Camarotti, na GloboNews: "Dircurso de Lula sobre perseguição acabou"
Por Bia Barbosa*
Nos últimos anos o Intervozes monitorou a cobertura da chamada grande imprensa brasileira em episódios políticos considerados importantes para o país, como o dia em que o ex-presidente Lula foi levado coercitivamente para depor à Operação Lava-Jato, ao longo do processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, nos dias de greve geral convocadas pelos trabalhadores/as contra as reformas trabalhista e da Previdência, entre outros.

O Brasil não tem imprensa de verdade


Por Mario Marona, no site Carta Maior:

O Brasil não tem uma imprensa independente.

O Brasil não tem uma imprensa isenta que não seja pobre, alternativa, e feita com o sacrifício pessoal de uns poucos jornalistas que abrem mão do conforto que poderiam dar às suas famílias para suprir a carência de informação confiável na mídia tradicional.

Como fazia a Última Hora, nos anos 50, como fez a “imprensa nanica” durante a ditadura.

Já é assim há muito tempo.

A imprensa brasileira formal é facciosa, venal e criminosa.

O mercado financeiro vai ao paraíso


Por Laércio Portela, no site Marco Zero:

A cada voto contra Lula no julgamento do TRF 4, em Porto Alegre, as ações da Bolsa de Valores, em São Paulo, subiam e o dólar caia. O invisível (mas onipresente) mercado tem lado. Lá, no outro lado do mundo, no frio suíço de Davos, Michel Temer e Henrique Meireles comemoravam (recatadamente, como manda o figurino) o otimismo dos bilionários gringos com o futuro do Brasil sem o nome de Lula nas urnas das eleições presidenciais.

Mas ao saber do boom da bolsa, Temer não se conteve: “Nossa vinda para cá foi exitosa”. O seu discurso para uma plateia esvaziada de investidores no dia do julgamento de Lula “tranquilizou” o mercado e o jornal O Estado de S. Paulo para quem “Temer se distancia de atalho populista” ao garantir que “não há espaço para retorno, a pauta das reformas será mantida e que ninguém deve recear o resultado das eleições”. Pelo menos ninguém em Davos.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O emprego formal desaparece, a pobreza e a desigualdade avançam

por Rodrigo Martins — publicado 17/01/2018 00h22, última modificação 16/01/2018 17h26

Desde 2014, o Brasil perde 1 milhão de postos de trabalho com carteira assinada por ano. Em dois anos, ganhou 8,6 milhões de miseráveis
O País encerrou 2016 com 24,8 milhões de brasileiros vivendo com menos de um quarto de salário mínimo
A inflação oficial do País fechou 2017 em 2,95%, a menor alta anual desde 1998 e abaixo do piso da meta estabelecida pelo próprio governo. Após a divulgação dos resultados pelo IBGE, na quarta-feira 10, os palacianos anteviram um próspero período de juros baixos e de recomposição do poder de compra do trabalhador.

“Na verdade, a inflação em um patamar tão baixo é mais um sintoma da depressão que vivemos, da forte retração da demanda. Atribui-se o feito à safra agrícola recorde, mas parecem subestimar os efeitos dos sucessivos aumentos no preço da eletricidade, dos combustíveis e do gás de cozinha, estes últimos controlados pelo governo”, alerta João Sicsú, professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Quando cobramos dos mais ricos, não estamos falando de você

Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018


Em novembro de 2017, escrevi um artigo em que fiz muitas críticas ao relatório do Banco Mundial sobre o Brasil. Um dos problemas que apontei foi a completa falta de sentido e a distorção causada pelo relatório quando se utilizava da composição de classes sociais do país. Não parecia racional, científico, muito menos honesto, atribuir o termo “privilégio” a pessoas que estivessem no 40% mais rico da população, por exemplo.

Pois bem, nas semanas que se seguiram, três trabalhos verdadeiramente científicos vieram à tona para acabar de vez com essa narrativa distorcida do Banco Mundial. Dois estudos realizados pela Oxfam e outro pelo World WealthandIncomeDatabase (WID) mostraram a realidade da divisão de classes no Brasil. E a conclusão é de que a desigualdade brasileira atingiu um nível tão alto que apenas uma parcela ínfima da população poderia ser considerada realmente rica.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Nas eleições, o Brasil estará entre um futuro e a mesmice

por Aldo Fornazieri — publicado 11/01/2018 00h26, última modificação 10/01/2018 11h41

Resta saber se neste ano seremos capazes de romper com o círculo que aprisiona o País na mediocridade


A leitura dos intérpretes do Brasil, particularmente de Raymundo Faoro, nos permite concluir que a história brasileira anda em círculo e, a rigor, permanece sempre no mesmo lugar. Não há uma espiral capaz de projetar o País para o futuro. De décadas em décadas ocorrem pequenas rupturas na linha desse círculo, mas logo são recompostas, seja pela via do recurso às armas, seja de arranjos conciliadores ou de golpes parlamentares-judiciais, como foi o último caso.

O caráter circular da história brasileira é impositivo, determinado pela vontade das elites, cujos grupos hegemônicos podem variar, mas mantêm sempre o mesmo objetivo: aprisionar o Estado e usá-lo como instrumento de acumulação de capital, numa relação de extorsão contra a sociedade e contra os trabalhadores, lançando mão de vários mecanismos para alcançar as metas.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Verdades e mentiras sobre Fake News



Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:


Continuo surpreso com o silêncio obsequioso por parte de tantos setores democráticos e progressistas diante da mais nova e perigosa ameaça à liberdade sempre em risco dos mais fracos e mais pobres: o esforço de instalar a censura e novas formas de pressão sobre as redes sociais com a alegação de que é preciso perseguir e condenar as fake news.

Sabemos que o assunto também é relevante nos Estados Unidos de Donald Trump e na França de Emmanuel Macron. Sua importância é mais urgente e maior, contudo, no Brasil. Aqui o pensamento único dos grandes meios de comunicação fez da internet - com todas as falhas e limitações que ela possui - o último refúgio para a expressão dos interesses dos trabalhadores, da população pobre e explorada, dos setores democráticos da sociedade.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Lava-Jato empobrece empresas brasileiras



Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

O problema é que eles, os donos, querem se salvar. Eles não querem salvar a empresa. Eles querem salvar a sua propriedade sobre a empresa. Por que eles não vendem?

(Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador da República, na Folha).
*****

Faz sentido a pergunta feita pelo procurador, um dos expoentes da tropa de choque da Lava Jato.

Quase quatro anos após a deflagração da “maior operação de combate à corrupção da história da humanidade”, eixo central das eleições de 2018 no Brasil e em outros países, um breve balanço dos resultados dá plena razão a Santos Lima, que conhece bem a história.