sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A Classe Média e a Manutenção da Desigualdade




A classe média brasileira é, atualmente, a mais numerosa entre as classes sociais existentes hoje. Nossa divisão social atualmente é representada pela seguinte tabela: 
Fonte: http://controle-financeiro.blogspot.com.br/2008/01/diviso-de-classes-sociais-no-brasil.html

De acordo com o site R7 “Mais de 29 milhões de pessoas entraram para a classe C entre 2003 e 2009. Com isso, a chamada classe média passou a ser composta por 94,9 milhões de pessoas, representando 50,5% da população brasileira, segundo estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas)”. (fonte:http://noticias.r7.com/economia/noticias/classe-media-do-brasil-ja-representa-mais-da-metade-da-populacao-20100910.html)

Tal classe média tem importantes representações. Economicamente representa a classe mais consumidora. O principal público do consumismo de massa. É a mola propulsora do capitalismo industrial, dos meios de comunicação em massa e de entretenimento. Politicamente, a classe média representa o que temos de mais conservador em nossa sociedade. São milhões de pessoas com baixo e médio nível educacional. Além disso, particularmente no Brasil, de baixo e baixíssimo nível de instrução política, ética e social.

Ao mesmo tempo essa classe compreende a maioria dos eleitores assim como os mais influenciados telespectadores dos programas de entretenimento tais como novelas, reality shows, humor estilo Pânico. São também aqueles que têm condições de pagar um convênio médico, uma escola privada para os filhos, contratar TV e internet, ter carros e pagar seguros e alarmes para os mesmos, financiar uma casa ou um apartamento, viajar duas, três ou quatro vezes por ano por lazer, consumir fast foods toda semana, ou todos os dias, ter um aparelho celular de última geração, viajar de avião uma, duas ou três vezes por ano, ter um computador em casa e um notebook, ter acesso às universidades privadas, ou a escolas e cursinho que dê condições para ingressar em uma pública, dentre outras vantagens em relação as classes D e E. Portanto é a classe C que menos sente necessidade de grandes mudanças sociais, a não ser aquelas mudanças que melhorem sua própria condição, lhe dê mais conforto e aumente seu poder de consumo. Essa parcela, que não anseia transformações sociais de base compreende mais de 90 milhões de pessoas. Contudo, essa mesma classe se considera pobre, mesmo tendo casa própria, um ou dois carros, tecnologias de informação, convênio médico e uma churrasqueira em casa em bom e constante funcionamento.

As classes D e E compreendem aproximadamente 30% da população. E 30% de 190 milhões significa, aproximadamente, 60 milhões de pessoas. Desse montante 3 ou 4 milhões são indigentes, miseráveis, que sobrevivem com até 100 reais por mês. Todos esses números citados aqui são referentes aos últimos anos. Antes disso, até 2002, as diferenças eram muito mais intensas. As classes A, B e C eram menores em número de pessoas, e as classes D e E eram muito mais numerosas.

Atualmente, vivemos um período de ascensão econômica em todas as classes sociais. Especialmente a média (C). Tal ascensão econômica da sociedade é concomitante a uma época de inúmeras medidas para inclusão social, políticas de cotas em instituições educacionais e empresas, programas assistencialistas que buscam integrar a população mais pobre no processo de produção e consumo capitalista. Essa alta porcentagem de pessoas que ascenderam das classes D e E para a C foram beneficiadas pelas políticas econômicas dos últimos dois mandatos de governo que, de maneira sintética, promoveu o aumento do poder de consumo da população em geral. Do mesmo modo tais programas beneficiaram as pessoas que se moveram da classe C para a B. Um exemplo simples que relaciona tal promoção de poder de consumo aos programas assistencialistas é o fato de as pessoas que receberam bolsas puderam se tornar mais consumidoras. O consumo aquecido exige aumento de produção. Aumento de produção gera emprego. Motiva a qualificação profissional e, conseqüentemente, aumenta o nível salarial. Todo o processo é mais complexo do que isso, envolve mais particularidades, porém o ciclo é algo bem próximo a isso. De qualquer forma, o importante é que a mobilidade social ocorrida nos últimos 10 anos beneficiou a todos, especialmente a classe média.

Essa classe média (C e B) é o segmento social mais conservador de todos, como já citado. São, na maioria, profissionais liberais do terceiro setor, ou seja, comerciantes, funcionários públicos dos mais variados cargos, bancários, pequenos empresários, médicos, enfermeiros, professores, engenheiros, gerentes de setores comerciais e administrativos, entre outros. Essa população é o motor de sustentação e manutenção das estruturas políticas do país. Estruturas que tem como alicerce um sistema administrativo em que o poder legislativo é representado por uma elite de latifundiários, empresários, religiosos fundamentalistas e todo tipo de engravatado conservador. Poder diretamente eleito por essa classe média que vota de acordo com a capacidade de campanha política e apoio midiático. Poder que apoiou a ditadura militar iniciada em 1964, simbolizado pela Marcha da Família com Deus pela Liberdade, isso por que tal ditadura protegia-os da violência urbana e conservava seus padrões de moral estabelecidos. Essa mesma classe social, que diante, de nossas injustiças nuas e cruas, defende o retorno de um regime autoritário que acabe com a violência na mesma proporção em que acabe com as oportunidades de conquista material de quem sempre foi excluído.

As pessoas das classes C e B, tem a sensação e um discurso que afirmam que sua condição econômica (renda familiar em torno de R$ 3.000) é de pobreza. Argumentam dizendo que seus salários não dão para pagar as contas e que compras em supermercados estão cada vez mais caras. Porém, não incluem em seus discursos que suas contas que mal dão para ser pagas incluem plano de saúde, escola particular dos filhos, seguros de automóveis, combustível, dispensas e geladeiras cheias, inclusive de refrigerantes, doces, guloseimas e afins, açougue para o mês todo, manicure, churrasco e cerveja nos fins de semana, idas ao shopping e ao cinema dos filhos adolescentes, ração para os bichinhos de estimação, dentre outros gastos. Não que ninguém tenha o direito de gastar e consumir. Mas gastar e consumir nessas proporções e se achar pobre no Brasil, não é algo sensato. 

De fato, para tal classe, os problemas de nosso país se resumem àqueles que mexem com os saldos de suas contas bancárias. As cotas que diminuem suas chances de ingressar no ensino superior público (pois aumenta a concorrência dando chance a quem nunca teve até então), as bolsas de assistência que saem de suas contribuições em impostos (impostos que todas as classes também pagam, inclusive a D e E), a violência social não reprimida com mais violência que atinge os muros de suas casas e rompem os alarmes de seus carros. Também se incomodam muito com a popularização do acesso à cultura e ao lazer que permitiu com que pessoas pobres andassem de avião, freqüentassem escolas, fossem ao cinema e estudassem na USP, UFMG, UNB, UFRJ e outras universidades públicas. Perturba também tal classe a conquista pelo direito de amar e se relacionar com liberdade, ou seja, com pessoas do mesmo sexo. Perturba o fato de pessoas negras poderem ter a chance de compartilhar todos os espaços e oportunidades com menos desigualdades.
O mal do Brasil é a classe média. A classe que mais se beneficia das ações públicas assistencialistas sem perceber. A classe que mais aumenta seu conforto e seu poder de consumo, e por isso mesmo a classe mais alienada aos meios de comunicação em massa, ao consumismo exacerbado e à manipulação política. É a classe que elege o que há de mais podre em nossa administração, que é o grosso do poder legislativo. Engravatados racistas, latifundiários, neoliberais, especuladores, conservadores, reacionários, homofóbicos, elitistas, capitalistas, individualistas, fascistas, fundamentalistas.

Texto original neste endereço: 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ucrânia e Venezuela: lutar com palavras

“Lutar com palavras é a luta mais vã. No entanto lutamos mal rompe a manhã.” (Drummond)

por Rodrigo Vianna

Não se trata de poesia. Mas de política. A edição da “Folha” desta sexta-feira é mais uma demonstração de que a batalha nas ruas de Kiev ou Caracas não é feita só de coquetéis molotov, bombas e fuzis. A batalha se dá na mídia, na TV, na internet, nas páginas envelhecidas dos jornais. São Paulo, Caracas, Kiev, Moscou e Washington. A batalha é uma só. 

Reparemos bem. Ao lado, temos a primeira página do jornal conservador paulistano – o mesmo que apoiou o golpe de 64 e emprestou seus carros para transporte de presos durante a ditadura militar. Na capa da “Folha”, ucranianos escalam uma montanha de entulho no centro de Kiev, e a legenda avisa: “Manifestantes antigoverno usam pneus e entulho para montar barricadas…” Logo abaixo, uma chamada sobre reintegração de posse em São Paulo: “Em SP, invasores destroem imóveis do Minha Casa”. Numa página interna, o jornal informa que esse “invasores resistiram e, até a noite, praticavam atos de vandalismo”. (página C-1)

Ucranianos não praticam “vandalismo”. São tratados de forma heróica. Ainda que se saiba que parte dos manifestantes em Kiev tem um discurso racista, próximo do nazismo. Brasileiros são “vândalos”. Ucranianos são “manifestantes”.

Mas sigamos adiante. Nas páginas internas, a “Folha” traz vários textos do enviado especial a Kiev. Num deles, o repórter mostra uma pequena fábrica para produção de coquetéis Molotov, dentro do Metrô de Kiev. O cidadão que produz as bombas é descrito assim: “Sem afiliação a partidos ou uma proposta ideológica clara, o cidadão diz ter sido atraído pela praça e pelas manifestações a partir da ideia de que é necessário mudar o sistema político na Ucrânia.” 

Mudar o sistema político. Hum. Não fica claro se o cidadão quer uma ditadura. A Ucrânia não é uma democracia? O governo não foi eleito pela maioria? Hum… “Sem afiliação a partidos” – essa parece ser a chave para legitimar tudo nos dias que correm. A CIA, os EUA, a CNN, a Folha não tem filiação a partidos. Não. Nem o nobre manifestante de Kiev.

Ao lado da reportagem sobre os molotov, um texto opinativo assinado por Igor Gielow (sobrenome “eslavo”, muito bom! Isso dá credibilidade ao comentário). Basicamente, Gielow diz que a crise na Ucrânia é “reflexo da estratégia de Putin para a região”. Ele não está errado. Pena que esqueça de contar uma parte da história. “O importante não é o que eu publico, mas o que deixo de publicar”, dizia Roberto Marinho.

Gielow e a “Folha” ensinam: Putin é um líder malvado, que pretende manter na Ucrânia “a esfera de poder dos tempos imperiais e soviéticos”. Aprendam: só a Rússia tem interesses imperiais na Ucrânia. Do outro lado, há cidadãos sem afiliação partidária, lutando contra um insano governo pró-Moscou. Os EUA e a Europa não têm interesses na Ucrânia. Só Putin. A culpa é dos russos.

Na “Folha” luta-se com as palavras muito antes da manhã começar. Luta-se com as palavras em Kiev, em São Paulo, Moscou. Washington fica invisível. E toda a estratégia passa por aí. O poder imperial só existe por parte da Rússia. Washington não tem qualquer projeto imperial: nem na Ucrânia, nem na Síria, nem tampouco na América Latina…

Falando nisso, a cobertura sobre a Venezuela é também grandiosa no diário da família Frias. Declarações de Maduro aparecem entre aspas. Velho truque jornalistico para desqualificar, colocar no gueto da suspeição, qualquer fala dos chavistas. Segundo a Folha, o governo de Maduro afirma que o movimento (golpista? Isso a Folha não diz) é uma armação de “forças de ultradireita da Venezuela e de Miami”. No texto original a expressão está assim, entre aspas. Por que? Para dar a impressão de que Maduro é um lunático, e que não há forças de ultradireita lutando nas ruas. Não. Há só “estudantes” e “manifestantes” (e agora sou eu que coloco entre aspas).

A legenda da foto ao lado (também publicada pelo jornal conservador paulistano) diz: “Estudantes queimam lixo em atos contra Nicolás Maduro”. Primeiro, como se sabe que o sujeito é um “estudante”? Depois, reparem que queimar lixo na Venezuela é “ato contra Maduro“. Queimar prédios em desapropriação, em São Paulo, vira “vandalismo”.

Em Caracas não há “vândalos”.

Ao lado da foto, um texto assinado por repórter (que está em São Paulo!!!!!) narra roubo de equipamento da CNN em Caracas: “o ataque à CNN se assemelha a inúmeros relatos de motociclistas intimidando manifestantes, com tolerância e até respaldo das forças de segurança do governo”. O roubo ocorreu em manifestação da oposição. Mas o roubo certamente é coisa dos chavistas. Claro. Nem é preciso ir até Caracas pra saber (registro a bem da verdade factual que o repórter - a quem conheço, ótima pessoa – foi correspondente em Caracas).

No mesmo texto (assinado, de São Paulo) os grupos que defendem o governo são chamados de “milícias”. Ok. Já estive em Caracas cinco ou seis vezes. E há grupos chavistas que se assemelham mesmo a milícias. Mas do lado da oposição há o que? Não há milícias? A turma de Leopoldo, que deu golpe em 2002, é formada por cidadãos inocentes. E só.

Quem lê a “Folha” aprende que, em Caracas, há de um lado “milícias chavistas”. De outro, só “estudantes” e “manifestantes”. 

Não há neutralidade no uso das palavras. Nunca houve. Nunca haverá. E quanto mais agudas as crises, mais isso fica claro. Há escolhas. A “Folha” faz as suas. A CNN, a Telesur, a VTV – ou esse blogueiro. A diferença é que uns assumem que têm lado. Outros fingem que estão “a serviço do Brasil”. 

Lutemos, com as palavras. Não há saída. O outro lado luta todos os dias, todas horas.

“Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate” (Drummond).

Texto original ; O ESCREVINHADOR

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O eurocentrismo ataca novamente

Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva. Aliás, dentro e fora da América Latina.

Flávio Aguiar

Desde que a América Latina ‘saiu do lugar’ – implementou programas consistentes de rompimento do ciclo da pobreza – os pensamentos, todos, de esquerda e de direita, se sentiram extremamente incomodados.
Perderam o primo pobre que os ajudava a se manter no próprio lugar. E auto-centrado, com premissas e conclusões inamovíveis. A Europa era a pátria-mãe do pensamento revolucionário. E o resto era comosto por seus discípulos. Mas a Europa deixou de ser um modelo, tanto para a esquerda, quanto para a direita.

Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva.

Aliás, dentro e fora da América Latina.

À direita, o caso é negar a pertinência das alternativas de Estado à política de privilégios dos mercados.

The Economist, Financial Times et alii, inclusive em publicações como The Guardian, tomam a dianteira. No Brasil – diamante da América do Sul – nada funciona. É o caos. Citam apenas – Guardian inclusive – a velha mídia. A mídia alternativa não existe para eles. Só têm parâmetros eurocêntricos para pensar isto. Mídia alternativa aqui é coisa de paróquia, igreja, sindicato (aaargh!), não existe, e, se existe, não é respeitável. São políticas-bolha, evanescentes, desaparecerão com o tempo.

Mas há a esquerda. As políticas de combate à pobreza são irrelevantes. Oferecer melhor e mais alternativas às populações pobres é uma falácia. Constróem seu discurso sobre uma Europa que deixou de existir. Hoje, na Espanha, Portugal, Itália, Irlanda, Ucrânia, Bósnia-Herzegovina, França, Chipre, Esolvênia, Lituânia, etc., etc., destróem-se direitos como chupa-se picolé na praça. Esta é que é a verdade.

Entretanto, os pensadores do eurocentrismo continuam a achar que darão as cartas do milênio em matéria de ‘combate ao capitalismo’ – combate no qual se renderam. Renderam-se na frente política, onde partidos de esquerda são minorias bombardeadas continuamente na mídia e fora dela, e sem acomodaram a esta situação ‘cômoda-incômoda’, renderam-se na frente acadêmica, onde são minorias departamentais sem expressão institucional, e renderam-se na frente midiática: nada existe aqui equivalente à Carta Maior, Rede Brasil Atual, TVT, sites de Nassif, Amorim, etc., nem mesmo Democracy Now ou Al-Monitor. Nada.

Para este pensamento, tirar milhões da pobreza é extremamente incômodo. Pobre, afinal, é um bom argumento de discurso. Ao vivo, e saindo da pobreza em dimensões continentais, é um problema.

Rouba-lhe uma razão de ser, talvez até de pensar.

Que pensarão depois?

Não sabem.

Talvez nem nós. Ainda bem. Teremos de pensar tudo de novo. Na contra-mão deste povo.

Texto original : Carta Maior

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A COPA E O CARNAVAL

Neste ano, de 2014, teremos a realização, no Brasil, da Copa do Mundo de Futebol. É um evento que será transmitido para os países de todo o planeta e colocará o Brasil em destaque durante o período em que o evento estará sendo realizado.

Quando da realização do sorteio para escolha do país que sediaria a copa foi uma grande expectativa e quando da saída do resultado, que seria realizado no Brasil, foi uma grande comemoração. Claro que muitos meios de comunicação achando que o Brasil não iria conseguir o direito a realizar a copa faziam críticas e mais críticas ao governo de plantão!


Da construção dos estádios
Durante o decorrer do tempo para construção dos estádios, a grande maioria das redes de televisão e muitos participantes das chamadas redes sociais faziam críticas e mais criticas dizendo uma vergonha o atraso na construção dos estádios. Só que a fase das construções dos estádios passou e agora já se sabe que estarão prontos no período copa.


Quem ganha com a copa
O evento da copa é feito por iniciativa privada. A FIFA e a CBF são as empresas que são as grandes responsáveis pela realização e são as que mais têm a ganhar com o evento. Uma das empresas que mais criticaram o atraso a construção dos estádios e que agora estimulam o movimento NÃO VAI TER COPA é justamente a Rede Globo e estranhamente será a empresa com o segundo faturamento (por ocasião dos direitos de transmissão e venda de patrocínio) por realização da copa!


O gasto com a copa
Muito se tem questionando os investimentos feitos para construção dos estádios, construção da infraestrutura e prestação de serviços para realização do evento. Alegam que o país tem prioridades muito0 maiores e falta investimento na Educação, Saúde e Segurança. Somente com a construção dos Estádios existe a previsão de gasto de 8,2 bilhões. Claro que depois da realização da copa ficaram os Estádios que terão alguns que serão muitos utilizados e outros que praticamente ficarão sem uso. A infraestrutura continuará servindo a população. Tanto na construção dos Estádios e também na construção da infraestrutura de serviços estão sendo gasto dinheiros dos municípios, Estados e do Governo Federal.


Gastos com o carnaval
Todo ano existe a realização do carnaval, são feitos investimentos de dinheiro público e para tal são usados os mesmos argumentos utilizados para realização da copa, tais como: tras aumento na arrecadação, movimenta a economia e atrai muitos turistas. O gasto com carnaval sempre existiu na construção dos chamados sambódromos, movimentação dos serviços públicos (segurança, saúde, limpeza e iluminação) e sem falar dos chamados investimentos financeiros feitos diretamente, que são o repasse de dinheiro feito para empresas, blocos carnavalescos, escolas de samba, etc.

No Brasil existem 5.570 municípios e vamos supor que os investimentos financeiros diretos sejam em uma média de um milhão de reais por cidade. Isso daria um valor de 5.570.000.000 de investimentos diretos, ou seja, do valor passado em dinheiro por prefeituras, Estados e do Governo Federal (através do Ministério do Turismo). Estou falando em média, porque tem município que gasta menos e tem alguns que gatam muito mais. Lembrar que estou falando dos gastos somente com carnaval e ainda temos as famosas festas pré e pós-carnavalescas. Qual o valor gasto nestas festas? Certamente os valores gastos, nestes carnavais, são de uma copa por ano! Embora depois da copa, o serviço de infraestrutura, irá ficar para serem utilizados posteriormente, enquanto o dinheiro gasto com o carnaval!


Manifestações partidárias
Qualquer cidadão comum sabe muito bem que os serviços públicos na área de Saúde, Educação e Segurança (em todo o território Nacional) sempre foram relegado a segundo plano faz décadas e décadas e somente agora por ocasião da copa aparece essas manifestações exigindo investimentos nestas áreas. Por que não exigiam antes?

Basta assistir aos jornais de diversos rádios e redes de televisão que irá se perceber que a população está indo na onda do noticiário (manipulados) e se diz que o cidadão acordou e passou a ter consciência política, será? Estamos a alguns dias da realização do carnaval e não vi nenhuma manifestação NÃO VAI TER CARNAVAL. Estranhamente já estão acontecendo manifestações NÃO VAI TER COPA! As manifestações são em prol da melhoria dos serviços púbicos ou existem interesse partidário?

Durante o período da realização da copa, o Brasil estará em todos os noticiários pelo mundo e certamente essas manifestações tem o interesse de desmoralizar o Brasil (muitos acham que o governo de plantão) e o prejuízo certamente será para todos independentes de partidos e religiões!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia

Texto relacionado:

sábado, 1 de fevereiro de 2014

MOBILIDADE URBANA, IMÓVEL! (X)

Analisando as pressões dos setores da sociedade

Especulação imobiliária
O plano diretor sofre influência por parte das construtoras e imobiliárias para valorizar certas regiões em detrimento de outras visando a valorização proposital as áreas ondem possuem terras e imóveis. Basta observar que, na grande maioria das cidades, os investimentos das prefeituras ocorrem justamente nas áreas direcionadas a venda de imóveis,instalação de shoppings e grandes empresas de serviços. É comum nas cidades brasileiras se gastar grande parte do dinheiro arrecadado nos chamados bairros nobres enquanto a periferia fica deficiente em serviços púbicos com ruas e praças abandonadas.

Interesses comerciais
Os comerciantes tem algo em comum com os donos de construtoras e imobiliárias. Eles tentam influenciar a construção de novas ruas e avenidas, só que diferentemente das imobiliárias e construtoras, o interesse é criar fluxo de pessoas e veículos nos locais de suas casas comerciais visando a concentração de pessoas para a práticas do comércio. Acreditam que quanto maior o número de pessoas próximas a essas casa s comerciais, mas conseguem aumentar as vendas. Quando a concentração é muito alta os clientes ficam sem ter onde estacionar ou mesmo trafegar como pedestres, isso faz com que a clientela procure outras áreas mais sossegadas. O exagero acaba tendo efeito contrário.

Pressão da impressa
A imprensa é o meio utilizado par convencer a população qual o modelo de cidade que seria melhor para os munícipes. Claro que a imprensa vende o produto de acordo com os patrocinadores, entres oss patrocinadores estão: grandes lojas, construtoras, imobiliárias e bancos. Os bancos geralmente trabalham em conjunto com construtoras e imobiliárias. Conseguem grandes lucros financiando a construção, venda dos imóveis e também são responsáveis e influenciam em muito o fluxo do comércio.

Basta ligar qualquer televisão, ler qualquer revista, ler jornais e escutar as rádios e irá perceber que eles falam e mostrar as grandes cidades, com grandes obras, como sinal de modernidade e progresso, mas por trás está o interesse de valorizar e vender serviços e produtos ligados as informações passadas como verdadeiras.

Interesses políticos
Geralmente os interesses políticos estão muitos ligados aos interesses imobiliários e comerciais, mas em alguns ocasiões os políticos dão prioridade a construção de determinadas obras visando o eleitorado. Se existirem duas obras a serem construídas, certamente o político irá construir primeiramente a que tiver maior visibilidade. Um exemplo bem clássico é quando se tem uma ponte para construir dentro da cidade e uma em uma rodovia fora dos olhos da população. Certamente a ponte da cidade irá ser construída primeiramente por está aos olhos da população e certamente irá influenciar-se pela ocasião da inauguração se for próximo as eleições.

Formação cultura
Culturalmente somos levados a pensar o que é ou não moderno vendo o que é divulgado pela nossa imprensa, nossos livros didáticos, por nosso parentes e amigos que viajam. 

Na realidade se tenta resolver o problema da mobilidade urbana criando condições para que nas atuais vias passem o maior número de carros possíveis quando o correto seria criar as condições para que só se trafegassem os carros que houvessem necessidade. Parece ser a mesma coisa, mas se observar, em algumas cidades, irá notar que em algumas ocasiões os motoristas são obrigados a trafegar por determinadas vias por que não tem alternativas para o caminho para o trabalho, para sair da cidade ou mesmo para ir a praia. Como exemplo, podemos citar a Cidade de Aracaju onde todos os moradores da Zona Sul da cidade são obrigados a passar por apenas quatro pontes para se deslocarem para as outras zonas da cidade ou mesmo sair da cidade.

Para se tentar resolver o problema são construídos viadutos e pontes sobre o rio e a avenida que divide a cidade! Em um desses viadutos (fica no Distrito Industrial de Aracaju) se concentra grande maioria do tráfego de quem mora na Zona Sul da cidade e deseja sair da cidade, ir para zona norte, zona sul e até mesmo para o centro da cidade. Faz tempo que existe sugestões para se construir uma ou duas vias ligando a Zona Sul a Zona oeste da cidade (seriam novas avenidas para contornar a cidade) e também para fara do município, direcionando todo o fluxo de veículos diretamente para as rodovias fora da cidade (BR-101) e mesmo para zona oeste do município. Por que não fazem?

Para a população esses projetos de construção de viadutos (três em apenas um quilometro) e pontes sobre o rio que divide a cidade em duas é sinal de modernidade e progresso!!! Muitos se orgulhar de dizer que acidade tem vários viadutos e diversas pontes e nunca pararam para pensar que modernidade é ter conforto e poder se movimentar com rapidez e tranquilidade. Claro que a população é levada a pensar devidos aos meios de comunicação, livros didáticos e jornais que vivem mostrando as grande cidades com seus viadutos e pontes como sinal de cidade moderna!

A construção de viadutos apenas demonstra uma visão atrasada e necessidade de mostrar serviço a uma população que acha que ruas cheias de carros e construção de viadutos são sinais de progresso, modernidade e demonstrando um processo cultural que foi criado ao longo do tempo pelos diversos meios de informação.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)


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