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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A COPA E O CARNAVAL

Neste ano, de 2014, teremos a realização, no Brasil, da Copa do Mundo de Futebol. É um evento que será transmitido para os países de todo o planeta e colocará o Brasil em destaque durante o período em que o evento estará sendo realizado.

Quando da realização do sorteio para escolha do país que sediaria a copa foi uma grande expectativa e quando da saída do resultado, que seria realizado no Brasil, foi uma grande comemoração. Claro que muitos meios de comunicação achando que o Brasil não iria conseguir o direito a realizar a copa faziam críticas e mais críticas ao governo de plantão!


Da construção dos estádios
Durante o decorrer do tempo para construção dos estádios, a grande maioria das redes de televisão e muitos participantes das chamadas redes sociais faziam críticas e mais criticas dizendo uma vergonha o atraso na construção dos estádios. Só que a fase das construções dos estádios passou e agora já se sabe que estarão prontos no período copa.


Quem ganha com a copa
O evento da copa é feito por iniciativa privada. A FIFA e a CBF são as empresas que são as grandes responsáveis pela realização e são as que mais têm a ganhar com o evento. Uma das empresas que mais criticaram o atraso a construção dos estádios e que agora estimulam o movimento NÃO VAI TER COPA é justamente a Rede Globo e estranhamente será a empresa com o segundo faturamento (por ocasião dos direitos de transmissão e venda de patrocínio) por realização da copa!


O gasto com a copa
Muito se tem questionando os investimentos feitos para construção dos estádios, construção da infraestrutura e prestação de serviços para realização do evento. Alegam que o país tem prioridades muito0 maiores e falta investimento na Educação, Saúde e Segurança. Somente com a construção dos Estádios existe a previsão de gasto de 8,2 bilhões. Claro que depois da realização da copa ficaram os Estádios que terão alguns que serão muitos utilizados e outros que praticamente ficarão sem uso. A infraestrutura continuará servindo a população. Tanto na construção dos Estádios e também na construção da infraestrutura de serviços estão sendo gasto dinheiros dos municípios, Estados e do Governo Federal.


Gastos com o carnaval
Todo ano existe a realização do carnaval, são feitos investimentos de dinheiro público e para tal são usados os mesmos argumentos utilizados para realização da copa, tais como: tras aumento na arrecadação, movimenta a economia e atrai muitos turistas. O gasto com carnaval sempre existiu na construção dos chamados sambódromos, movimentação dos serviços públicos (segurança, saúde, limpeza e iluminação) e sem falar dos chamados investimentos financeiros feitos diretamente, que são o repasse de dinheiro feito para empresas, blocos carnavalescos, escolas de samba, etc.

No Brasil existem 5.570 municípios e vamos supor que os investimentos financeiros diretos sejam em uma média de um milhão de reais por cidade. Isso daria um valor de 5.570.000.000 de investimentos diretos, ou seja, do valor passado em dinheiro por prefeituras, Estados e do Governo Federal (através do Ministério do Turismo). Estou falando em média, porque tem município que gasta menos e tem alguns que gatam muito mais. Lembrar que estou falando dos gastos somente com carnaval e ainda temos as famosas festas pré e pós-carnavalescas. Qual o valor gasto nestas festas? Certamente os valores gastos, nestes carnavais, são de uma copa por ano! Embora depois da copa, o serviço de infraestrutura, irá ficar para serem utilizados posteriormente, enquanto o dinheiro gasto com o carnaval!


Manifestações partidárias
Qualquer cidadão comum sabe muito bem que os serviços públicos na área de Saúde, Educação e Segurança (em todo o território Nacional) sempre foram relegado a segundo plano faz décadas e décadas e somente agora por ocasião da copa aparece essas manifestações exigindo investimentos nestas áreas. Por que não exigiam antes?

Basta assistir aos jornais de diversos rádios e redes de televisão que irá se perceber que a população está indo na onda do noticiário (manipulados) e se diz que o cidadão acordou e passou a ter consciência política, será? Estamos a alguns dias da realização do carnaval e não vi nenhuma manifestação NÃO VAI TER CARNAVAL. Estranhamente já estão acontecendo manifestações NÃO VAI TER COPA! As manifestações são em prol da melhoria dos serviços púbicos ou existem interesse partidário?

Durante o período da realização da copa, o Brasil estará em todos os noticiários pelo mundo e certamente essas manifestações tem o interesse de desmoralizar o Brasil (muitos acham que o governo de plantão) e o prejuízo certamente será para todos independentes de partidos e religiões!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia

Texto relacionado:

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Novos estádios, velho jogo

 
 
No fundo, parece que os novos estádios são mais o pagamento pelas contribuições, futuras ou passadas, de doações de campanhas eleitorais. A Copa e seus estádios não se pagam. E não se pode culpar especificamente um ou outro governo, um ou outro partido, porque os investimentos vieram de todos.

José Roberto Torero

Durante a Copa das Confederações assisti a um jogo em cada um dos seis estádios utilizados.

O pior entre eles, quando realmente estiver acabado e operante, será melhor do que o melhor dos nossos atuais.

Eles são espaçosos, têm ótima visibilidade, segurança, boa acessibilidade para deficientes etc... Mas estão longe de serem à prova de críticas.

Vejamos, por exemplo, o Mané Garrincha. Ele é belo. Mas inútil.

O Distrito Federal não tem futebol para um estádio com capacidade para 72,8 mil pessoas. Ele não tem nenhum time nas séries A e B do Brasileiro. Só tem um na C. Mesmo assim, ele está em penúltimo lugar e corre o risco de cair para a Série D.

Além disso, no último Candangão a média de público foi de 1.191 pessoas. Houve 88 mil pagantes em 84 jogos. Ou seja, é preciso juntar o público de 60 partidas para encher o Mané Garrincha.

Trata-se de um sério candidato à demolição. Acabará sendo útil apenas durante julho de 2014. E, é claro, para quem ganhou dinheiro com sua construção. Afinal trata-se do estádio mais caro construído para a Copa. Segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal, o Mané Garrincha já custou R$ 1,778 bilhão aos cofres públicos. E inicialmente foi orçado em R$ 696 milhões. Por que será que eles sempre acabam custando mais caros?

Arena Pernambuco
De todos os estádios da Copa das Confederações, este foi o pior. E não só na minha opinião, mas segundo pesquisas do UOL e do Estadão. Na verdade, ele ainda não estava acabado. Havia elevadores que não funcionavam, falhas de sinalização e pessoal mal treinado.

Curiosamente, o estádio não fica em Recife, mas sim em São Lourenço da Mata.

A Arena Pernambuco, que já tem nome de cerveja, será a nova casa do Náutico. Mas o Náutico já tinha seu estádio, muito simpático, nos Aflitos. E sua média de público este ano no estadual foi de 7.643 por jogo. Um número bem razoável, mas que não enche 20% das 46 mil cadeiras da Arena Pernambuco.

Na verdade, o estádio parece mais um grande investimento para fazer a região metropolitana de Recife crescer na direção oeste. Só há que ver quem ganha com este investimento.

PPP
O Castelão ficou lindíssimo. E a cidade não tem grandes estádios. Fortaleza e Ceará possuem campos acanhados, menores que suas torcidas, e isso faz com que o Castelão provavelmente tenha utilidade.

O Mineirão, com a torcida do Cruzeiro (o Atlético, por ora, prefere continuar mandando seus jogos no Independência), já deve conseguir uma ocupação razoável.

E a Fonte Nova, caso o Bahia (o Vitória tem seu próprio estádio) se mantenha na primeira divisão do Brasileiro, não deve ter dificuldade de conseguir uma razoável porcentagem de uso.

Mas sobre Salvador pode-se abrir um parêntese.

Para a construção do estádio, o governo fechou uma PPP (Parceria Público-Privada) com o consórcio formado pelas construtoras OAS e Odebrecht. E o trio preferiu demolir o velho estádio e construir um novo, atitude considerada desnecessária por especialistas em estruturas da Universidade Federal da Bahia. O custo da reforma seria menor e poderiam manter a piscina e o ginásio de esportes, diversificando o uso para a população.

O preço da obra girou em torno de R$ 700 milhões, com empréstimo do BNDES. Mas o estranho é que o governo baiano pagará outros quase R$ 700 milhões para subsidiar o funcionamento privado do estádio durante os 35 anos do contrato.

Ou seja, assim o governo acaba pagando toda a obra, e cabe ao consórcio só o risco da administração. As PPPs quase sempre acabam oferecendo pouco risco ao P de Privado.

Maracanã
Já o Maracanã é um caso à parte. O Rio de Janeiro tem quatro grandes clubes na primeira divisão do futebol brasileiro. O estádio ficou belíssimo, tem metrô próximo e é um espaço mítico do futebol brasileiro.

Ou seja, é o estádio com maior potencial e importância no país. Mas, estranhamente, ele foi repassado à iniciativa privada. E depois de uma reforma de 1,2 bilhão de reais (o orçamento inicial era de R$ 650 milhões).

Ora, se o Maracanã, que pode ser o estádio mais rentável do país, é repassado à iniciativa privada, qual a chance de qualquer um dos novos estádios ser lucrativo? Ou será que foi um erro privatizá-lo?

No fundo, parece que os novos estádios são mais o pagamento pelas contribuições, futuras ou passadas, de doações de campanhas eleitorais.

É claro que o país possui o desejo de projeção internacional, o desejo de dar um salto organizacional, etc... Mas os números são muito irracionais. A Copa e seus estádios não se pagam.

E não se pode culpar especificamente um ou outro governo, um ou outro partido. Os investimentos aconteceram a nível federal, estadual e municipal, abrangendo vários partidos.

Os estádios são novos, mas parece que servem ao velho jogo.

Texto replicado: CARTA MAIOR

Texto relacionado: Brasil, a copa (não) é nossa

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Copa do Mundo não reduziu pobreza por onde passou

publicado em 18 de julho de 2012 às 19:17

da Agência Pública, via portal EBC, sugerido por Emerson Luis

Preocupado com o rumo que os preparativos para Copa do Mundo no Brasil em 2014 têm tomado, o jornalista e documentarista Rudi Boon – autor do documentário “A FIFA manda” sobre a Copa de 2010 na África do Sul, que o Copa Pública mostrou, nos mandou uma série de estudos e documentos sobre os impactos dos megaeventos nos países onde ocorreraram.

O primeiro, “Megaeventos como resposta para a Redução da Pobreza: A Copa de 2010 da FIFA e suas implicações no desenvolvimento da África do Sul” que apresentamos hoje, foi realizado por pesquisadores do instituto sul-africano Human Sciences Reserch (Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas), na época em que o país se preparava para receber a Copa de 2010.

Baseando-se na documentação de outros pesquisadores a respeito do legado da Copa em alguns países, o artigo defende que é praticamente impossível que a pobreza seja reduzida com a chegada de um grande evento e que os benefícios propagandeados pelos governos como projetos de mobilidade urbana e aumento do número de empregos são pouco funcionais, efêmeros e concentrados em pequenas áreas, e que muitas vezes acabam gerando crises e prejuízos ainda maiores para os países anfitriões.

O exemplo mais chocante usado no texto, citando um estudo recente feito por Robert Baade & Victor Mathesondois, pesquisadores americanos, talvez seja o da copa de 1994 nos Estados Unidos, que teria gerado um prejuízo entre $5,5 e $ 9,3 bilhões de dólares para as cidades sede, ao invés do lucro estimado em 4 bilhões.

Expectativa

O texto começa explicando que o anúncio da Copa na África do Sul gerou muita expectativa, já que seria o primeiro grande evento em todo o continente. Na época, o presidente Thabo Mbeki, anunciou que aquele não seria apenas um evento sul-africano mas de toda a África.Além disso, o país passava por um momento de reconstrução e a Copa seria o “empurrãozinho” que faltava para o investimento no crescimento das cidades.

Já nesta introdução, os autores alertam que em muitos países que receberam o megaevento, o que se viu como consequência da passagem da FIFA foram graves crises para as economias nacionais, geradas pelo grande volume de investimentos estatais – exatamente como está sendo feito no Brasil, como o ministro do TCU admite em entrevista. A preocupação dos pesquisadores, no caso da África do Sul, era com um crescimento muito rápido porém desordenado e desigual. Havia na época expectativa de crescimento de 65% em cinco anos, porém apenas nas cidades com maior concentração de PIB e ainda assim de forma díspare, com muitos investimentos em áreas nobres e poucos investimentos nas áreas pobres. Isto também já pode ser visto no Brasil, como mostram os dossiês “Mega-eventos e violações de Direitos Humanos no Brasil” e “Megaeventos e violações dos direitos humanos no Rio de Janeiro”

Desta forma, afirmam os pesquisadores, este crescimento é colocado como um “desafio”, pouco importanto se o país ou as cidades sede têm de fato a possibilidade de investir tanto em um megaevento.

As promessas feitas para a África do Sul também eram muito parecidas com as feitas por aqui, segundo o documento: “Em primeiro lugar, o megaevento é colocado como um catalisador para melhorar a condição de vida das pessoas historicamente desfavorecidas. Sugere um novo sistema de transporte público e uma agenda significativa de desenvolvimento, com promessas de geração de emprego”.

O que se viu, segundo esta entrevista com Eddie Cottle, autor do livro “Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?” foi bem diferente disso: “O número de postos de trabalho foi estimado em 695.000 para os períodos pré e durante a Copa do Mundo.

E o que aconteceu na realidade? No segundo trimestre de 2010, as taxas de empregabilidade diminuíram em 4,7%, ou seja, perdemos 627.000 postos de trabalho. No setor da construção civil, onde se tinha a sensação de que os ‘bons tempos’ seriam sentidos por todos, o emprego diminuiu 7,1% (ou 54.000 postos de trabalho) neste período. Na verdade, o ano de 2010 testemunhou com menos 111.000 postos de emprego na construção”

Outras Copas

O texto coloca que um dos pontos mais críticos em sediar um megaevento é a dívida que se cria ao deslocar recursos públicos que iriam para necessidades básicas das cidades – como saneamento, transporte público, educação, etc. – para estádios e obras específicas de mobilidade.

Como exemplo, usa a Copa de 1994 nos Estados Unidos: “Estudos mostram que ao invés do lucro de 4 bilhões esperados com o megaevento, as cidades sofreram perdas que variaram entre $ 5,5 e $ 9,3 bilhões”. E continua: “Em Barcelona, o que se viu depois das Olimpíadas de 1992, foi um aumento significativo do custo de vida [de 20%, segundo pesquisa da Universidade Autônoma de Barcelona]. A cidade também sofreu com o desemprego, porque foram criados muitos postos temporários, com baixos salários. Com o fim do evento, havia uma massa de desempregados.

Nas Olimpíadas de Montreal (1976) além do desemprego, a cidade sofreu com o corte de investimentos em áreas essenciais. Com isso sofrem os pobres, que são os que menos aproveitam os megaeventos”. Em Atlanta, após as Olimpíadas de 1996, o que ficou, segundo o artigo, foi um projeto de mobilidade urbana que não ajudou os cidadãos.

Despejos

“Estima-se que as Olimpíadas de 1988 em Seul resultou no despejo de 700.000 pessoas. Para os Jogos Olímpicos de Pequim, 300.000 foram expulsos de suas casas”, diz o artigo. Em 2010, a ONU também fez um levantamento a respeito destes despejos, como a relatora especial da ONU para a moradia adequada, Raquel Rolnik, escreveu em seu blog em 2010: “Em Seul, em 1988, a Olimpíada afetou 15% da população, que teve de buscar novos locais para morar – 48 mil edifícios foram destruídos. Em Barcelona, em 1992, 200 famílias foram expulsas para a construção de novas estradas. Em Pequim, a ONU admite que 1,5 milhão de pessoas foram removidas de suas casas. A expulsão chegou a ocorrer em plena madrugada. Moradores que se opunham foram presos”.

Dinheiro público, beneficio privado

No Japão, estádios e espaços construídos com dinheiro público para a Copa do Mundo de 1992 foram parar nas mãos da indústria do entretenimento, que hoje os usa para espetáculos e jogos privados com ingressos caros, segundo o documento.

Caso semelhante aconteceu no Rio de Janeiro: criada para sediar jogos do Pan-americano de 2007, a Arena Olímpica, que depois foi renomeada de HSBC Arena, hoje é administrado pelo HSBC e sedia eventos e espetáculos de empresas privadas.

Migração e desemprego

Para os pesquisadores, com pouco ou nenhum recurso sendo destinado às cidades que não sediarão os jogos, muitos migram destes lugares, atrás da oferta de empregos temporários gerados pelos megaeventos. Quando o trabalho temporário acaba, estas pessoas tendem a não voltar para suas cidades de origem, engrossando a massa de desempregados nas cidades.

Este processo é agravado pelo aumento do custo de vida e pelos baixíssimos salários, que muitas vezes não permitem que estas pessoas voltem as cidades de origem.





terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Brasil: a Copa (não) é nossa


ALAI AMLATINA, 26/11/2011.- Para que um país funcione bem é preciso regras. São necessárias leis e aqueles que as façam cumprir, caso contrário, caímos numa anarquia. O Brasil possui mais leis que população. Em princípio, nenhuma delas pode contradizer a lei maior: a Constituição. Só na teoria. Na prática, e no próximo Campeonato de Futebol, a teoria é outra. 

Ante o megaevento do futebol tudo se torna um transtorno. A legislação corre o perigo de ser ignorada e, se acontece assim, as empresas associadas à FIFA ficarão isentas de pagar impostos. 

A lei de responsabilidade fiscal, que limita o endividamento, será flexibilizada para facilitar as obras destinadas ao Campeonato e às Olimpíadas. Como enfatiza o professor Carlos Vainer, especialista em planificação urbana, um município poderá endividar-se para construir um estádio, porém não para efetuar obras de saneamento... 

A FIFA é um cassino. Num cassino muitos jogam, porém poucos ganham. E quem não perde nunca é o dono do cassino. Assim funciona a FIFA, que se interessa mais pela ganância que pelo esporte. Por isso, desembarca no Brasil com sua tropa de choque para obrigar o governo a esquecer leis e costumes. 

A FIFA quer proibir, durante o campeonato, a comercialização de qualquer produto num raio de 2 km ao redor dos estádios. Exceto as mercadorias vendidas pelas empresas associadas a ela. Que fique bem claro: para o comércio local, portas fechadas; para camelôs e ambulantes, a polícia contra eles. Abram alas para a FIFA! Quase 170 mil pessoas serão removidas de suas casas para que sejam construídos estádios. E quem garante que serão devidamente indenizadas? 

A FIFA quer o povo longe do Campeonato. Que se contentem acompanhando pela TV. Entrar nos estádios será privilégio da elite, dos estrangeiros e dos que possuem dinheiro para comprar entradas. Vale ressaltar que uma boa quantidade de entradas será vendida na Europa antecipadamente. 

A FIFA quer impedir o direito à meia-entrada. Fora estudantes e idosos! E nada de entrar nos estádios com as empadinhas da vovó ou o lanche dietético recomendado pelo médico. Até a água será proibida. 

Todos serão revistados na entrada. Só uma empresa de fast-food (lanchonete) poderá vender seus produtos nos estádios. E a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios, que está em vigor no Brasil, será quebrada em prol de uma marca de cerveja produzida nos EUA. 

O prestigioso jornal Le Monde Diplomatique comenta: “A celebração de um megaevento desportivo como este autoriza também a megaviolação de direitos, o megaendividamento público e as megairregularidades”.
A FIFA quer suspender, apenas durante o campeonato, a vigência do Estatuto do Torcedor, do Estatuto do Idoso e o do Código de Defesa do Consumidor. Todas essas propostas ilegais estão contidas no Projeto de Lei 2.330/2011, que se encontra em trâmite no Congresso. No caso de ser aprovado, o Governo poderá fazê-las efetivas através de medidas provisórias. 

Se você quiser fazer uma camiseta com a frase “Copa 2014”, tenha cuidado. A FIFA está solicitando ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro de mais de mil títulos, entre os quais o numeral “2014”. 

(Não) confiem numa desordem como esta: a FIFA quer instituir tribunais de exceção durante o campeonato. Sanções relacionadas com a venda de produtos e com o uso de ingressos e publicidade. No projeto de lei antes citado, o artigo 37 permite criar juizados especiais, grupos e câmaras especializadas para as causas relacionadas aos eventos. Uma justiça paralela! 

Na África do Sul, foram criados 56 Tribunais Especiais do Campeonato. O roubo de uma câmera fotográfica foi sancionado com 15 anos de prisão! E pior ainda: caso gerassem danos e prejuízos para a FIFA, a culpa e a reparação dos mesmos ficariam a cargo do Estado. Ou seja, o Estado brasileiro passa a ser fiador da FIFA em seus negócios particulares.

Já e hora de os torcedores organizados e dos movimentos sociais colocarem a bola em jogo e mirarem o gol. Pressionar o Congresso e impedir a aprovação da lei que deixa a legislação brasileira no banco de reservas. Caso contrário, o torcedor brasileiro vai ter que se conformar em assistir aos jogos pela televisão.

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza

Texto original neste endereço:

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O PÕE FOGO

Esta semana estava dando aula e um dos meus alunos começou a falar com o sotaque de paulista e me lembrei de quando fui fazer um curso em São Paulo (capital). Quando da parada para o lanche (Cofee Break) e em uma das conversas um dos participantes (que não estava no roda da conversa) me interpelou falando alto e com uma certa arrogância: "NÃO É BOTE NÃO, A PALAVRA CORRETA É PÕE, PÕE ANALFABETO". Foi que a partir deste incidente percebi que existia uma separação nítida entre os participantes do Nordeste e do Sul maravilha.