quarta-feira, 25 de abril de 2018

MC Loma, Kondzilla, MC Beijinho: o Brasil se emancipa nas telas?

por Felipe Arrojo Poroger* — publicado 24/04/2018 00h30, última modificação 23/04/2018 18h23

Os alertas e as consequências políticas da popularização de câmeras digitais

O trio de meninas MC Loma, de quinze anos, e as Gêmeas Lacração ganhou clipe de Kondzilla
“Filho, não é incrível como, daqui a mil anos, as pessoas poderão assistir a vídeos de nossas vidas?”. Era 2007, no Museu de Arte de São Paulo, quando meu pai lançou a questão e seguiu para o próximo quadro. Eu, paralisado, ainda me debato com ela.

Por mais simples que a pergunta possa parecer em um primeiro momento, suas implicações não são triviais: afinal, muito mais do que um exercício divertido de imaginação, vislumbrar um passado integralmente conservado em registros filmados concretiza a obsessão humana em armazenar – e portanto controlar – a experiência que a memória não pôde reter.

domingo, 22 de abril de 2018

Inteligência Artificial, novo pesadelo?


Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Em “Vida de Galileu”, provavelmente sua peça mais notável, Bertolt Brecht imagina a fala final do grande cientista do Renascimento a seus pares. A obra foi escrita durante o tormento da II Guerra Mundial, em meio os exílios do autor – por isso, o Galileu de Brecht já não compartilha o entusiasmo automático pela Ciência presente em outras obras da tradição iluminista e mesmo marxista. Diz ele, em tom de advertência quase desesperada: “O precipício entre vocês e a humanidade pode crescer tanto que ao grito alegre de vocês, grito de quem descobriu alguma coisa nova, responda um grito universal de horror”. Há duas semanas, a revista britânica Economist publicou um longo estudo sobre os novos avanços a Inteligência Artificial – especialmente seu uso nos locais de trabalho. Diante da leitura, é impossível não sentir de novo o calafrio que assombrou o dramaturgo alemão.

sábado, 21 de abril de 2018

Os donos da mídia no Brasil pós-golpe

Por André Pasti e Luciano Gallas, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Uma mídia com elevada concentração de propriedade e de audiência, sob crescente controle religioso, com influentes afiliações políticas e guiada por interesses econômicos de grandes grupos. Gravíssima falta de transparência na propriedade e na distribuição da publicidade governamental, concentrada, sobretudo a partir do governo de Michel Temer, nos meios simpáticos à agenda de reformas do governo. Tudo isso possibilitado por um marco regulatório antigo, permissivo e ineficaz. Esses são alguns dos apontamentos deste especial, que traz resultados do Monitoramento da Propriedade da Mídia (Media Ownership Monitor, ou “MOM”) no Brasil.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A marcha do obscurantismo contra o pensamento crítico

O apoio à extinção dos cursos de Humanas das universidades públicas é sintomático e reflete um obscurantismo que se impõe de forma sorrateira e perigosa

REDAÇÃO 13 de Abril de 2018


Por João Batista da Silveira

Chamou a atenção nos últimos dias e ganhou repercussão nas redes sociais uma Ideia Legislativa sob consulta no Portal e-Cidadania, do Senado Federal, que propõe a extinção dos cursos de Humanas nas universidades públicas. Como argumento, o autor da proposta alega se tratarem de “cursos baratos que facilmente poderão ser realizados em universidades privadas”, podendo ser realizados “presencialmente e à distância em qualquer outra instituição paga”, e que não é adequado “usar dinheiro público e espaço direcionado a esses cursos” quando o país precisa de mais médicos e cientistas”.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

1964 e 2016: vislumbres de nossas elites

por Róber Iturriet Ávila e Pedro Vellinho Corso Duval — publicado 06/04/2018 14h00, última modificação 06/04/2018 11h47

Nos dois momentos, o retorno do capital foi ameaçado, provocando rápida articulação entre grupos empresariais, midiáticos e setores da classe média

O eterno medo do comunismo
As destituições presidenciais ocorridas em 1964 e em 2016 possuem distinções em termos de método, instrumento e velocidade. Um olhar mais cuidadoso, entretanto, é capaz de identificar nestes epifenômenos causalidades nos interesses políticos dos respectivos grupos sociais representados e contrários aos então presidentes.

Este breve texto, de forma simplificadora, busca quantificar e qualificar algumas dessas causas por meio da variação real do salário mínimo, da incidência tributária e das políticas sociais distributivistas interrompidas ou restringidas.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O descaminho das humanidades

por Carlos Drummond — publicado 08/04/2018 00h30, última modificação 07/04/2018 22h13

A proposta de eliminação das Ciências Humanas das universidades federais é boa para o setor privado e péssima para o ensino, inclusive o de Economia

Celso Furtado: alicerce em humanidades
Registrada no fim de março no Senado, a proposta de extinção dos cursos de Filosofia, História, Geografia, Sociologia, Artes e Artes Cênicas das universidades públicas contava, na segunda-feira 26, com o apoio de 3.670 indivíduos. Caso essa “ideia legislativa” obtenha ao menos 20 mil adesões no prazo de até quatro meses, será enviada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa para debate e parecer dos senadores e eventual encaminhamento de projeto de lei.

O objetivo declarado da proposta é favorecer o ensino privado. A eliminação dos cursos se justificaria, nos termos da sugestão, por serem “baratos e facilmente realizáveis em universidades privadas, presencialmente e à distância”.

Angela Davis e a abolição que não houve

por Pedro Alexandre Sanches — publicado 08/04/2018 00h30, última modificação 06/04/2018 18h53

A filósofa norte-americana ficou 47 anos inédita no Brasil por afirmar que a escravidão nunca acabou de fato

Angela Davis, a escritora pop foi censurada no Brasil
Muito antes que os Estados Unidos da América começassem a sonhar em construir um muro que os separasse da América Latina, um muro de concreto armado nos separou da estadunidense Angela Davis. Embora propenso a consumir acriticamente tudo que a indústria cultural de lá produz, o Brasil demorou 47 anos para traduzir e publicar qualquer um dos livros da filósofa, professora de estudos feministas, militante antirracista e ativista pelos direitos civis, hoje com 74 anos de idade e em plena produtividade intelectual.

O dique rompeu-se em 2016, quando a editora Boitempo transpôs para o português Mulheres, Raça e Classe, editado na terra natal em 1981. Em 2017, veio Mulheres, Cultura e Política (1990), um compilado do pensamento oitentista de Angela. O novo A Liberdade É uma Luta Constante, de 2015, chega agora pela mesma Boitempo e marca o momento mais importante da descoberta brasileira de uma mulher que foi militante do partido Panteras Negras (fundado em 1966), presa política estadunidense (entre 1971 e 1972) e duas vezes candidata a vice-presidenta da República pelo Partido Comunista deles (em 1980 e 1984).

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O STF pode estar prestes a afastar garantias históricas de todos os servidores públicos

Terça-feira, 3 de Abril de 2018




O Supremo Tribunal Federal  ( STF) previu para o próximo dia 04.04.2018 o julgamento em que será decidido se é possível uma pessoa condenada em 2ª instância ser presa antes do trânsito em julgado da decisão penal.
A expressão trânsito em julgado significa que não há mais possibilidade de o cidadão apresentar qualquer recurso, e a Constituição prevê que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (artigo 5o, LVII).