terça-feira, 22 de dezembro de 2009

É PRECISO TER AMIZADE

Para quem é funcionário público, mais especificamente professor da Secretaria de Estado da Educação, aprende com o tempo que no Estado é importante ter amizade. Para melhor entender, melhor a situação, vou relacionar alguns exemplos:

- Quando era diretor (fui por apenas três meses) uma das professoras (a de Português) foi removida e precisei enviar oficio solicitando outra professora para ocupar o lugar. Entretanto, quando cheguei à Diretoria percebi que tinha esquecido de levar o ofício. Então, falei para a funcionária (da DEA) que depois do almoço iria levar o tal oficio. Pois bem, depois do almoço passei no colégio para pegar o tal ofício. Qual a minha surpresa! É que ao chegar ao colégio, já tinha uma professora esperando par ocupar a referida vaga. Eu perguntei a professora: mas eu nem oficializei a vaga e você já está aqui com ofício de apresentação e tudo mais? A professora respondeu que uma das funcionárias era sua amiga e lhe telefonou avisando e tomou a providência pra que a vaga fosse dela. Então foi que me lembrei que dois anos antes quando fui pedir remoção perdi uma vaga, em um colégio próximo a minha residência, por ter esquecido de levar o tal ofício. Quando retornei para entregar o tal ofício já tinha uma professora ocupando a tal vaga! E eu tive que ocupar uma vaga em um colégio do Bairro Terra Dura (Santa Maria).

- Outra ocasião, que notei que as amizades são imprescindíveis, foi quando entreguei o cargo de diretor. Apresentei-me e solicitei que me fosse lotado em um Laboratório de Informática, já que tinha conhecimento de informática e sou programador. A resposta da funcionária: nos laboratórios só podem ser lotados os professores que tenham feito o curso da DITE de cem horas. Eu perguntei: o que é DITE? A resposta: é a Divisão responsável de capacitar os professores para utilização dos laboratórios nos colégios. Por ironia da vida, quando sair da DEA, fui para o centro da cidade e me encontrei com uma colega que já tinha trabalhando com ela na DER3. Ela simplesmente me chamou para trabalhar na DITE por entender de computadores!

- Então, fui trabalhar na DITE (outubro de 2007). Chagando lá, qual a minha surpresa! Muitas das professoras que eram responsáveis de dá capacitação não sabiam sequer utilizar o Microsoft World corretamente (centralizavam os títulos dos textos utilizando a barra de espaços). Depois de algum tempo, trabalhado na DITE, foi então que descobrir que muitas das professoras e professores vão para o laboratório sem terem o tal curso de cem horas e somente quando estão lotados no laboratório é que vão fazer o referido curso!

Como vocês viram, temos que ter amizade. A professora que conseguiu a vaga antes mesmo de ser oficializada, os professores que vão para o laboratório e só depois fazem o curso exigido e até mesmo eu fui para na DITE por ter amizade com uma das funcionárias que lá trabalhava.

OBSERVAÇÃO.: se alguém duvidar se alguns professores vão para os laboratórios, antes de fazer o tal curso de cem horas, é só pesquisar a data de lotação e as data dos certificados dos cursos de cem horas feitos por eles que irão perceber que alguns professores fizeram o curso depois de serem lotados.

EM NOME DA AMIZADE UM FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A SECA NA AMAZÔNIA


Todos os telejornais falam da estiagem que vem causando problemas de falta d'agua na Região Amazônica e a mortalidade dos peixes pelo baixo volume de água dos rios locais. O estranho mesmo é que se lê nos livros de Geografia é que na Região Amazônica os rios tem enchentes no verão e baixam o nível do leito no inverno. Este fenómeno é devido em grande parte das águas dos rios da região (principalmente o Rio Amazonas) serem formadas pelo derretimento do gelo que se encontram nas grandes altitudes da Cordilheira dos Andes. Mas, por que os telejornais ou a chamada grande imprensa não tocam no assunto e ficam a especular que os rios estão secando por falta de chuvas.
Esses mesmo telejornais, no decorre deste mês (dezembro de 2009), mostrou claramente o derretimento das camadas de gelo no Polo Norte e na Cordilheira do Himalia. E porquê os grandes jornais não falam do mesmo problema na Cordilheira dos Andes e passam a ideia que os rios amazônicos estão começando a desaparecer por falta de chuvas? Será que estão querendo esconder que o aquecimento global também está afetando os padrões de cheia e consequentemente toda vida animal e florestal da Amazônia?
Vale ressaltar que os rios da Amazônia tem cheias no verão. Com o aquecimento da Atmosfera Terrestre e consequentemente o derretimento do gelo, que se acumula nas grandes altitudes da Cordilheira dos Andes, os rios da Amazônia irão ter secas no Verão e cheias no inverno, semelhantes ao rios das outras regiões brasileiras. As cheias e as secas, embora em sentidos opostos, serão cada vez mais destruidoras.

domingo, 29 de novembro de 2009

OS PAGADORES DE IMPOSTOS

Na internet se comenta muito sobre os Estados do Nordeste ter uma arrecadação pequena dos impostos em relação aos Estados da Região Sul e Sudeste do país. Entrando nesse assunto procurei saber por que ocorre tanto essa diferença (mesmo proporcional ao número de habitantes) que os “sulistas” se cansam de acusar os nordestinos de sonegadores. Só que analisando atentamente, quem paga e não paga impostos no Nordeste, se descobre, sobre essa arrecadação desproporcional, duas coisas interessantes: uma é que as empresas “sulistas” quando se instalam no Nordeste não pagam impostos e a outra é sobre quem fica com o pagamento de impostos dos produtos comprados pela internet.

No primeiro caso, as empresas do sul do país que vêm para o Nordeste, são isentas por algum período dos impostos (geralmente por dois anos) e quando termina tal período ameaçam se transferir para outra cidade ou outro Estado se a renovação de isenção não for renovada. O caso mais típico é da Fábrica de Calçados Azaléia. Embora os nordestinos sejam acusados de não pagarem impostos, na realidade as empresas quem vêem do sul do país é quem menos pagam impostos no nordeste.

No segundo caso, o problema é ainda maior. Imaginem se as pessoas começarem a comprar em massa produtos pela internet e essas empresas que vendem os produtos pela internet estiverem em um único Estado (no Brasil elas se concentram em São Paulo). Toda a arrecadação com imposto irá para um único Estado, já que a NF (Nota Fiscal) é emitida no Estado de Origem da compra (embora a compra seja realizada em qualquer lugar do território do Brasil). Isso irá provocar uma concentração na arrecadação de ICMS (já está ocorrendo) fortalecendo a Administração Estadual de São Paulo em detrimento dos restantes. Os paulistanos vangloriam de serem os maiores pagadores de impostos do país e reparando bem, neste caso, quem paga os impostos são os consumidores de todo e qualquer parte do Brasil que compra pela internet.

Por enquanto os governadores estão comentando este fato de maneira ainda tímida. Mas, é bom começarem a pensar numa legislação mais apropriada para as novas tecnologias e repararem essa distorção na má distribuição de renda entre os Estados.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A EDUCAÇÃO DO FUTURO

Por Antônio Carlos Vieira

          Na minha profissão de professor (Geografia) costumo me preocupar com o tema educação. Não poderia ser diferente, já que minha formação é de professor. Só que observando os meios de comunicação e os diversos seminários em que participo, sempre tenho a informação que a educação deve ser valorizada para o bem e futuro de nosso país. Não discordo que a educação é uma das molas propulsoras da evolução ou manutenção das estruturas da sociedade. Mas, nesses seminários e encontros de professores que participo, observo algumas situações interessantes:

Este é um exemplo que não deve ser seguido.
Professores e alunos sentando em cima das
 mesas e das carteiras !!!
a) Nesses seminários  é comum o barulho tomar conta do ambiente, barulho esse provocado pelas conversas dos professores presentes em plena apresentação dos assuntos e durante os debates. Eu fico me perguntando: será que esses professores pedem silêncio aos seus alunos e ficam indignado com a conversa deles em plena sala de  aula como eles fazem nos seminários?

b) Em alguns desses encontros e seminários é servido almoço. Os presentes ficam em filas para irem se servindo. O interessante é que a grande maioria, dos professores e professoras, não respeitam as filas! (clique aqui) Será que esses professores quando estão educando seus alunos e filhos dizem que furar fila é falta de respeito com os cidadãos que estão a esperar a vez?

c) O mais interessante, é que depois que se encerram esses eventos a sujeira espalhada pelo chão é uma coisa só! Será que esses professores ensinam os seus alunos a não poluírem o meio ambiente não jogando lixo no chão?

d) Em todos os ambientes que participei desses eventos as salas eram arejadas, artificialmente, com ar condicionado. O interessante é que, na maioria dos casos, esses professores não fecham a porta ao entrar e sair da sala. No último seminário, do qual participei, foi mais interessante, eu fui chamado a atenção, por um grupo de professoras, por fechar a porta!!! É bom lembrar que em todos esses ambientes a propriedade era do estado! Será que esse grupo de professoras possuem ar condicionado em casa e usa com as portas de suas casas abertas?

e)E o respeito ao horários de início e encerramento destes eventos? Não existe! Até hoje nunca presenciei um desses seminários e fóruns começarem no horário marcado (incluam os que assisti quando era aluno na universidade). 

OBSERVAÇÃO: se os professores são o futuro da educação de qualquer país, não seria conveniente que dessem o bom exemplo? Ou eles acham que os alunos só aprendem o que se fala na sala de aula? Ou então são adeptos daquele ditado: faça o que eu  digo e não faça o que faço! Só que esses ditado é feito por pessoas que costumam desrespeitar as regras da boa convivência social.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

HONDURAS E O JOGO DAS PALAVRAS

Como que a mídia está informando os fatos de maneira corretar e verdadeira. Vejamos o caso do Golpe Militar. Senão, vejamos: algumas emissoras de televisão informam que o presidente Zelaya foi deposto por tentar mudar a Constituição Hondurenha, para tentar um novo mandato, para isso estava propondo um Plebiscito para pedir autorização a população para efetuar tal mudança.

Pelo que eu entendi pelas notícias passada pela grande imprensa o plebiscito seria realizado no mesmo dia da eleição para presidente. Ou seja, seria colocada uma quarta urna PA que o eleitor votasse se deveria ser feita tal mudança ou não na constituição. Pelo visto já se vê que o motivo do Golpe não era esse. Como o Presidente iria conseguir uma autorização (com o plebiscito) junto a população no mesmo dia que seria realizado a eleição. Ou o mesmo teria que fazer o para depois sair candidato ou o plebiscito seria realizado juntamente com a eleição e o mesmo não seria candidato já que o plebiscito pedindo a autorização estaria sendo realizado no mesmo dia (pelo menos o que foi passado pela imprensa). Por esse caminho já se vê que existe uma contradição nessas informações passada pela imprensa.

Mas o que me chamou a atenção nas notícias e comentários dos diversos Blogs (principalmente os chamados de direita) foi à criação e mudança de alguns vocabulários. Vamos ver o significado dos mais usado:

PRESIDDENTE INTERINO: No nosso país é quando o presidente deixa o cargo temporariamente e o outro assume provisoriamente até o outro poder reassumir o cargo. Agora o termo também é utilizado para golpistas que se tornaram presidente pelo uso da força.

PRESIDENTE DE FATO: antigamente era chamado de ditador. Tipo General Médici, Stalin e outros. Agora é o nome que se dá aos presidentes que assume ditaduras militares.

DEMOCRATICAMENTE DEPOSTO: antigamente Presidente Deposto significava que o mesmo foi retirado a força. Agora já se retira um presidente a força pelo quais meios democráticos é que não sei!!!

OBSERVAÇÃO: O estranho é que alguns repórteres fazem suas transmissões diretamente de Honduras, em pleno centro da capital de Honduras, em horário com toque de recolher, sem serem incomodados. Será que eles entram e saem em Honduras com autorização PRESIDENTE DE FATO? Estranho essa relação!!!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Quando os pobres pagam pelos ricos.

Nosso sistema tributário tem atuado com um Robin Hood às avessas, que tira o dinheiro dos pobres para dar aos ricos. No topo da lista dos privilegiados, estão as grandes corporações (principalmente os bancos) e as multinacionais.

por Clair Hickmann*

Uma conta que poucos gostam de pagar é a dos impostos. Alguns privilegiados conseguem escapar, mas para o cidadão comum a conta aumentou muito nos últimos anos. Em geral, esquecemos que os tributos são também o preço da cidadania, fundamentais para financiar um conjunto de serviços - educação, saúde, previdência e assistência social - que depende da ação do Estado.

Mas não basta o Estado arrecadar tributos, é necessário cobrá-los do cidadão que tem capacidade contributiva. Caso contrário, o sistema tributário acaba sendo um Robin Hood às avessas, pois os tributos sobre o consumo oneram principalmete a classe de renda mais baixa, concentrando renda. O inverso ocorre quando a opção é por um sistema tributário progressivo, taxando mais o patrimônio e a renda. Há quem entenda que distribuição de renda se faz apenas via gastos sociais. Porém, diante da elevada concentração de renda no Brasil, é preciso atacar o mal de todas as formas.

COMO SE OBTEVE O AUMENTO DE ARRECADAÇÃO

A política tributária brasileira, a partir de 1995, foi determinante para as ações macroeconômicas que deram sustentação ao Plano Real. A superação da crise fiscal e a formação de superávit primário foram viabilizadas pelo aumento da arrecadação de impostos cumulativos sobre o consumo, agravando a regressividade do sistema tributário. A carga tributária subiu de 26% para 35%, de 1996 a 2006(1). Os tributos federais sobre o consumo aumentaram 110%, em termos reais, nos últimos dez anos.(2)

Esse aumento foi obtido, basicamente, com a majoração de alíquotas e base de cálculo de tributos sobre bens e serviços, como a Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), o PIS (Programa de Integração Social) e a criação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), além do aumento não legislado do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), congelando a tabela e as deduções do Imposto de Renda.

Atualmente, os tributos sobre o consumo representam 67% da arrecadação total, o imposto sobre a renda, 29%, e os impostos sobre o patrimônio, apenas 4% (3). Nos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ocorre o contrário: a arrecadação de impostos sobre consumo é menor do que a arrecadação de impostos sobre a renda, enquanto 7% recaem sobre o patrimônio (4).

Recente estudo realizado pela Fipe comprova a elevação da carga tributária das famílias de menor renda (5). Em 1996, a carga indireta sobre uma renda familiar de até dois salários mínimos representava 26,5% de sua renda; em 2004, esse número pulou para 45,8%. Para uma família com renda superior a trinta salários mínimos, a carga tributária foi de 7,3% e 16,4%, em 1996 e 2004, respectivamente.

O clamor por uma reforma tributária é grande, mas o debate gira em torno apenas da redução do tamanho da carga e não da melhor distribuição entre as bases de incidência. A participação nas discussões sobre o tema limita-se ao empresariado e ao governo, nos âmbitos municipal, estadual e federal. O cidadão comum participa muito pouco desse debate, apesar da "derrama" atual ser bem maior que os "quintos" dos tempos da Inconfidência Mineira.

O CONGELAMENTO DA TABELA DO IMPOSTO DE RENDA

Também pesou no bolso do brasileiro o congelamento da tabela do Imposto de Renda (IR), que deixou de ser corrigida no período de 1996 a 2001. Com isso, milhares de trabalhadores passaram a pagar IR. O cidadão que ganhava até 10,48 salários mínimos, em 1996, estava isento de Imposto de Renda. Em 2007, está isento apenas quem recebe até 3,46 salários mínimos.

O rendimento do trabalho do cidadão comum é taxado de forma implacável, na tabela progressiva, em até 27,5%, enquanto o rendimento do capital é isento ou sofre uma incidência bem mais suave e não é submetido à tabela progressiva. Os lucros e dividendos distribuídos aos sócios ficaram isentos, os rendimentos e ganhos de capital são tributados com alíquotas de 15% ou no máximo 20%. O tratamento diferenciado é gritante.

É preciso resgatar o Imposto de Renda como instrumento de distribuição de renda, aumentando a progressividade e tributando todos os rendimentos na tabela, independente da origem da renda.

BENEFÍCIO QUE FAVORECE GRANDES CORPORAÇÕES

Ao contrário do contribuinte comum (pessoa física), que tem sofrido a ação implacável do fisco para pagar a conta do ajuste fiscal, grandes grupos econômicos e rendas de capital receberam privilégios tributários. A maioria desses benefícios nem mesmo é computada como

renúncia fiscal no orçamento da União, apesar da exigência prevista no parágrafo 6º do artigo 165 da Constituição. Um dos benefícios fiscais, criado no final de 1995, é a permissão legal (6) para deduzir do lucro tributável uma despesa fictícia denominada "juros sobre o capital próprio", reduzindo com isso os tributos sobre o lucro - Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Essa inovação permite à empresa remunerar o capital próprio, pagando juros aos sócios e acionistas e deduzindo a suposta despesa do lucro. Grandes empesas com lucros fabulosos deixam de distribuir dividendos nos moldes típicos do sistema capitalista para distribuir juros aos sócios e aos acionistas, visando unicamente à redução do pagamento de tributos na empresa. Os maiores beneficiários desse incentivo são as grandes corporações, capitalizadas e lucrativas, principalmente bancos. Em 2005, os cinco maiores bancos brasileiros distribuíram aos seus acionistas R$ 6,1 bilhões de juros sobro o capital próprio, o que representou uma redução nos seus encargos tributários da ordem de R$ 2 bilhões (7).

Para os cofres públicos, somente em 2006, a distribuição de juros sobre o capital próprio significou uma renúncia fiscal da ordem de R$ 4,24 bilhões.

ISENÇÃO QUE PRIVILEGIA AS MULTINACIONAIS

Outro privilégio criado durante o governo FHC é a isenção de Imposto de Renda dos lucros e dividendos distribuídos. O lucro passou a ser tributado apenas na pessoa jurídica. Até 1995, os dividendos eram taxados na fonte ou na declaração anual de IR dos beneficiários. Na verdade, criou-se um privilégio para os rendimentos de capital. O princípio da isonomia foi ignorado.

Com essa isenção, os cofres públicos deixaram de arrecadar aproximadamente R$ 5,4 bilhões em 2006 (8).

Isentou-se também de imposto de renda a remessa de lucros e dividendos ao exterior (9). Até 1995, essas remessas eram tributadas em 15%. Estima-se a renúncia fiscal em R$ 4 bilhões para o ano de 2006 (10).

Esse benefício estimulou a remessa de lucros e dividendos ao exterior pelas multinacionais, batendo recorde em 2005, no valor de R$ 12,7 bilhões, maior montante desde 1947, segundos dados do Banco Central.

A soma desses três benefícios mencionados, em 2006, significa uma renúncia tributária a favor da renda do capital da ordem de R$ 13,4 bilhões.

Esses privilégios são desconhecidos pela maioria da populaçnao e os recursos que o Estado deixa de arrecadar com eles são omitidos do orçamento público (11).

O contrário acontece com os gastos que o cidadão comum deduz do imposto de renda. As despesas com saúde, educação e dependentes são computadas no orçamento da União como renúncias fiscais. Isso é um equívoco completo, porque tais gastos representam o mínimo existencial e, portanto, não podem ser considerados renda potencial a tributar. Como se vê, são dois pesos e duas medidas.

A estimativa do governo federal com desonerações de natureza tributária, para o ano de 2007, é de R$ 52,7 bilhões. Isso representa 2,29% do PIB e 12,79% da arrecadação tributária adminstrada pela SRF. Esses números são bastante questionáveis, visto haver renúncias tributárias expressivas não computadas, enquanto outras, que não representam potencial arrecadação, são consideradas benefícios fiscais. Além disso, há também benefícios e isenções concedidos pelos governos estaduais e municipais que têm gerado forte discussão, porque, muitas vezes, provocam guerra fiscal entre os entes federados. Mas esse é assunto para outro artigo. Meu objetivo aqui foi apenas mostrar que o privilégio de alguns é pago pelo cidadão comum.

*Clair Hickmann é auditora fiscal da Receita Federal. Foi diretora de Estudos Técnicos do Unafisco Sindical de agosto de 2001 a julho de 2003 e de agosto de 2005 a julho de 2007.

Notas:
(1) Cálculo feito com o novo PIB, reclaculado pelo IBGE.
(2) Hickmann, Clair Maria, e Salvador, Evilásio da Silva. Dez anos de derrama: a distribuição da carga tributária no Brasil. Brasília: Unafisco Sindical, 2006, p.30
(3) Fonte: Unafisco Sindical
(4) Dados da OCDE disponíveis em www.oecd.org
(5) Ver Dez anos de derrama: a distribuição da carga tributária no Brasil, cit., p.28.
(6) Artigo 9 da Lei 9.249/95.
(7) Dez anos de derrama: a distribuição da carga tributária no Brasil, cit., p.36
(8) Foi considerada apenas a isenção de lucros e dividendos distribuídos das empresas que adotam o regime de apuração de lucro real. Valores estimados com base no DIPJ de 2000, aplicando a variação do IPCA.
(9) Artigo 10 da Lei 9.249/95.
(10) Remessa de lucros para o exterior convertidas à taxa de câmbio comercial média de 2006, aplicando a alíquota de 15% que vigorava até 1996.
(11) Ver www.receita.fazenda.gov.br: Demonstrativo de Benefícios Fiscais 2006 - SRF.

TEXTO
RETIRADO DO BLOG: Boca no Trombone (http://muitasbocasnotrombone.blogspot.com)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

CORRUPÇÃO SE APRENDE NA ESCOLA




Por Antônio Carlos Vieira
Quando vemos os noticiários sobre corrupção de alguns administradores, políticos ou mesmo funcionários públicos sempre nos perguntamos: onde nós estamos. Estamos cercados de corrupção por todos os lados! Em um grau maior ou menor! Sim! Às vezes chegamos a nos indagar: mas fulano quando estudava, trabalhava ou mesmo era de nossa convivência não era assim. Será? Já parou pra pensar que nós aprendemos corrupção no dia e dia e não estamos sequer percebendo? Percebemos apenas quando a mídia divulga algum político de um ou outro partido, nas esferas dos poderes constituídos, que cujo interesse às vezes é partidário e não pra se resolver o problema.
Vamos ver alguns fatos que ocorrem no dia a dia de uma escola, que demonstrará claramente que a corrupção existe no dia a dia do cidadão, e o que é pior, a mesma é aprendida e copiada também nas escolas. Poderíamos tomar como exemplos outros ambientes, tais como: uma igreja, uma avenida movimentada ou mesmo um clube social.
Mas, o fato de se ter escolhido uma escola, é que esse ambiente é singular no aprendizado do cidadão para a cidadania, e, portanto, perfeito para se entender onde aprendemos e aperfeiçoamos a corrupção. E pior, na maioria das vezes, nem percebemos que tais coisas estão sendo ensinadas ou copiadas pelos nossos alunos e professores.
Vejamos alguns exemplos:
Quando passamos trabalhos em grupo, pra se fazer em sala de aula ou mesmo em casa, geralmente, um ou outro aluno não faz nada e coloca o nome no grupo de trabalho e recebe a nota como se tivesse participado do mesmo. O grupo não questiona a participação do mesmo, e ainda o defende perante o professor, mesmo se ele for argüido e não souber explicar nem uma linha do trabalho. Vocês já perceberam que no trabalho alguns colegas batem o ponto por outro pra que não fique registrado o atraso, ou mesmo a ausência, e às vezes é defendido pelos colegas como se o mesmo realmente compareceu ao trabalho naquele horário. Tanto no exemplo do Trabalho em Grupo na Escola e do funcionário que não bateu o ponto, ambos as pessoas que não fizeram nada serão beneficiadas. Isso não é corrupção? Interessante, os nossos representantes nas Câmaras Legislativas Municipais, Estaduais e Deputados Federais e Senadores fazem a mesma coisa. Será coincidência? Qual a diferença?
E aqueles alunos que nem sabe seu nome direito e vive a lhe trazer presentes? Quando chega numa avaliação, o mesmo não sabe nada e chega para o professor e diz: aí professor! Sabe como é? Sou seu amigo e coisa e tal! Aí o professor faz vista grossa e passa um trabalho (dá um jeitinho) e coisa e tal e os alunos são aprovados. Isso quando não vem a ordem dos nossos coordenadores e diretores de escolas (às vezes o aluno é amigo do diretor e coordenador) pra passar um trabalho (dar um jeitinho) pra ajudar o aluno. No funcionalismo público, acontece uma coisa interessante. Às vezes, temos que marcar uma consulta em um posto médico, tirar um documento em uma secretaria, ou mesmo estamos numa lista pra conseguir a casa própria ou de um concurso. Não é que, em muitos casos, dando algum presentinho as pessoas que são responsáveis por tais coisas e tal pendenga se resolve! Lembram quando o político lhe oferece facilidades na coisa pública, lhe dá um emprego ou a alguém da sua família e você vota nele. Ou, quando você, vai ao gabinete de tais políticos pedirem pra que ele lhe facilite a vida em algum órgão publico de alguma coisa pendente ou mesmo arranjar um empreguinho (e você nem sempre precisa a se submeter a este tipo de coisa). No congresso os deputados votam em projetos do governo dependendo se terem ou não um ministério, uma secretaria ou uma diretoria, ou um emprego para um parente. Qual a diferença? Estão vendo a semelhança?
E quanto às leis que dão vários direito aos alunos. É recuperação da recuperação, provão da recuperação e acaba alguns alunos sendo aprovado sem sabe ler e nem escrever direito. Fora da escola temos aquelas leis que o cara vai preso e tem direito a tanta coisa que a gente tem a impressão que o mesmo nunca foi e nunca será punido. E quando nossos políticos são pegos com a mão na botija? Ai vem o tal de foro privilegiado, imunidade parlamentar, só pode ser julgado pelo supremo e por ai vai. Engraçado! Será pura coincidência a semelhança de tais facilidades ou impunidades?
E os alunos que são matriculados um mês ou mais depois de terem começado as aulas? E aquele funcionário público que foi contratado na época da eleição? Em ambos os casos são proibidos por lei. Mas, os nossos diretores de escolas e Administradores públicos fazem isso pra agradar o aluno e o eleitor. Tudo é pra agradar o aluno e também eleitor.
E as eleições para o Conselho Comunitário e Grêmio Escolar? Já perceberam que os participantes dos mesmos geralmente são alunos não muito chegados ao estudo em sala de aula e que os mesmo geralmente defendem alunos que não fazem nada e vivem a perturbarem os querem alguma coisa, só para ganharem os votos. Chegam, inclusive, a pressionar os professores para ajudarem os colegas, que estão muito ruins de nota. Sem dizer que em alguns casos os candidatos são indicados por diretores e coordenadores do colégio. Será que a semelhança com as eleições dos nossos representantes nas câmaras legislativas municipais, estaduais, deputados federais e senadores é pura coincidência? Ou os adultos já vieram das escolas com esse aprendizado?
Eu pergunto mais uma vez: será que nossas escolas não é um bom exemplo de como aprendemos a ser corruptos? Ou será apenas imaginação fértil de mais um professor tolo?
O pior, é que nossos alunos são os primeiros a exigir ética dos políticos e fazem as coisas, iguaizinhas aos mesmos. Agora, faz o seguinte, pegue esse texto e passe para alunos de qualquer escola e peça pra ele dar uma opinião sobre isso. Certamente, eles irão dizer que você é um calunioso, pois, nas nossas escolas não existe nada disso. É pura imaginação de um professor de escola pública!

OBSERVAÇÃO: Este texto é uma redição de 2007. Foi utilizado inicialmente em sala de aula e postado no Grupo Cidadania Brasil em 2008.

sábado, 20 de junho de 2009

Sergipe, o país do Forró. Será?


Quando vim morar aqui em Aracaju fiquei impressionado com a quantidade de arraiás nordestinos na época dos Festejos Juninos. Eram colocados os chamados Trios Pé de Serra nesses arraiás e em praticamente todas as ruas existiam bandeirolas distribuídas por tudo que era lugar. O mias interessante é que na maioria das vezes eram os próprios moradores destas ruas que as enfeitavam. Acendiam-se fogueiras em praticamente todas as ruas. A grande maioria das pessoas fazia questão de irem as estas festas vestidas de caipira. As rádios tocavam músicas nordestinas durante todo o mês de junho. Esse cenário se repetia praticamente em todas as cidades do interior sergipano. Devido a esse quadro, Sergipe passou a ser chamado o “país do forró”.

Com a modernização dos aparelhos eletrônicos, principalmente de aparelhos de sons, apareceram os chamados grupos de forró elétrico e a criação destes Shows em grandes proporções, com grandes concentrações de pessoas e geralmente patrocinando em quase toda sua totalidade pelo poder público e se fazendo necessário um grande uso os serviços públicos (segurança, saúde, transporte e espaço público) devido aos problemas surgidos como grande número de pessoas se concentrando e seu deslocamento.

Hoje, as rádios praticamente não tocam forró em pleno mês de junho, ou melhor, não tocam forró em plena semana das festas juninas. Os arraiás praticamente sumiram. As pessoas praticamente não se vestem de caipira e as poucas que se vestem se parecem com cowboys americanos! As fogueiras deixaram de serem utilizadas (embora eu considere isso uma atitude ecologicamente correta) Pelo visto o apelido dado terá que ficar assim: Sergipe, que foi o país do forró.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O PÕEFOGO

Esta semana estava dando aula e um dos meus alunos começou a falar com o sotaque de paulista e me lembrei de quando fui fazer um curso em São Paulo (capital). Quando da parada para o lanche (Cofee Break) e em uma das conversas um dos participantes (que não estava no roda da conversa) me interpelou falando alto e com uma certa arrogância: "NÃO É BOTE NÃO, A PALAVRA CORRETA É PÕE, PÕE ANALFABETO". Foi que a partir deste incidente percebi que existia uma separação nítida entre os participantes do Nordeste e do Sul maravilha.
Diante disso, peço aos cariocas, torcedores do BOTAFOGO, que alterem o nome do time pra não deixar os brasileiros do Sul Maravilha irritados. De onde os cariocas tiraram a idéia de colocar o nome do time com este erro absurdo. Por isso corrigam imediatamente: é PÕEFOGO.
Aproveitando, corrigam também o Hino do Clube que deverá ficar assim: Põe Fogo, Põe Fogo campeão....

OBSERVAÇÃO: O nome Botafogo foi primeiramente usado para apelido do maior navio de guerra da marinha portuguesa (na época o maior do mundo) e passou a ter esse apelido pelo poder de fogo de sua artilharia (300 canhões).  O responsável pela artilharia do navio passou a adotar o nome do navio no próprio sobrenome. Depois veio morar  em Copacabana no Rio de Janeiro. O bairro onde residiu recebeu o nome de Botafogo e depois foi criado o time de Botafogo de Futebol Regatas.

Informação conseguida neste endereço:
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Botafogo_%28gale%C3%A3o%29


domingo, 17 de maio de 2009

O petróleo é nosso, Serra !

17/maio/2009 12:30


Em defesa da Petrobrás

O petróleo é nosso, PSDB!

O bordão “O petróleo é nosso” foi criado pela Campanha do Petróleo, desencadeada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e por nacionalistas. Daquela campanha nasceu a estatal petrolífera nacional, a Petrobras, em 1953.

O Brasil, desde aquela época, vem se dividindo entre nacionalistas e defensores do capital estrangeiro. Em 1938, o governo Getúlio Vargas determinou a exploração de uma jazida de petróleo em Lobato, na Bahia, dando origem ao Conselho Nacional do Petróleo. Desde então, as jazidas minerais passaram a ser propriedade do povo, sendo vedada a propriedade privada.

Criar a Petrobrás, no início dos 50, foi uma decisão acertada. Naquela época, o Brasil importava 93% dos derivados de petróleo que consumia. Hoje, somos autossuficientes.

O monopólio estatal do petróleo durou 44 anos. Foi quebrado em 16 de outubro de 1997 justamente pelo governo Fernando Henrique Cardoso e pelo partido que lhe dava sustentação, o PSDB, que agora, diante da maior descoberta petrolífera da história do país, novamente avança sobre o petróleo a fim de entregá-lo ao monopólio estrangeiro.

A CPI da Petrobrás, recém-criada no Senado Federal por iniciativa do PSDB e a mando evidente da eminencia parda da agremiação, o governador José Serra, é o mais novo avanço dos entreguistas de que falava Getúlio Vargas, aos quais o país se opôs e criou a empresa petrolífera.

Como disse recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a descoberta e o início das operações de exploração do pré-sal constitui a “Segunda Independência” do Brasil. Através dessa riqueza imensa que jaz em nosso litoral Sudeste, o Brasil poderá ascender ao Primeiro Mundo talvez em uma década, se conseguirmos manter a riqueza a salvo das garras tucanas.

Não é por outra razão que venho propor a criação da nova campanha em defesa das riquezas minerais brasileiras, sugerindo o bordão “O petróleo é nosso, PSDB!”

E, sem titubear, começo propondo o início dessa campanha num ato público em defesa da Petrobrás a se realizar o quanto antes diante do diretório estadual do PSDB em São Paulo, no bairro de Indianópolis, na avenida que leva o mesmo nome, pois o ataque à Petrobrás vem do mesmo partido que começou a entregar o petróleo brasileiro há 12 anos e que quer voltar ao poder no ano que vem para continuar sua obra nefasta.

Como sempre, dependerei de vocês para saírem pela internet propondo em sites e blogs a medida que anuncio aqui em defesa dos interesses nacionais.

Será um ato ao qual se pretende a adesão de partidos, sindicatos, movimentos sociais e da sociedade civil de forma geral. Diante do previsível bloqueio que a imprensa dará a esta iniciativa, só podemos contar com vocês, leitores, e com a força da internet.

Na semana que vem, novamente iniciarei contatos para difundir o ato público proposto. Desta vez, porém, será no âmbito maior de uma campanha que se espera que se espalhe pelo país.

Caso esta proposta receba as adesões minimamente necessárias dos leitores deste blog, novamente o Movimento dos Sem Mídia assumirá o compromisso de organizar outro ato em defesa da cidadania. E vocês, ao aderirem, comprometer-se-ão a difundir esta proposta onde possam na internet - nas ruas, entre a familia, entre os amigos, onde cada um puder.

Primeiro em São Paulo, na terra da mente criminosa que está por trás de tudo isso, na mente obscura de José Serra. Depois, pelo país inteiro. A campanha deverá durar enquanto durar a CPI da Petrobrás, com atos públicos espalhando-se pelo país até chegarmos a um ato maior, que sugiro que seja feito em Brasília diante do Congresso Nacional.

Pronto, a sorte foi lançada. A reação, agora, dependerá de cada um de nós, de nosso empenho em difundir e defender os interesses do Brasil. Que Deus nos ilumine e ajude a manter as garras tucanas e reacionárias longe das riquezas nacionais.

retirado do blog de Eduardo Guimarães, presidente do Movimento dos Sem Mídia:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/

terça-feira, 17 de março de 2009

USO DE MÍDIAS EM SALA DE AULA

A cada dia os recursos eletrônicos invadem o nosso cotidiano. Mas, na educação esse cotidiano vem sendo mudado um pouco tardiamente. E como existisse uma resistência por parte dos professores em relação ao uso das novas tecnologias. Lembro-me da época que se distribuiu milhares de aparelhos de reprodução de vídeos e televisores, que foram utilizados muito pouco. Distribuíram tantos aparelhos e esqueceram que os professores precisam tempo e condições de material para produzir os vídeos que necessitam para serem utilizados em sala de aula.


Agora, com o advento do computador, os professores contam com uma ferramenta dá mais facilidade na criação de vídeos, áudios e criação e montagens para se fazer as aulas. Além, dessas facilidades, o governo está facilitando cada vez mais o acesso ao computador para que as condições sejam criadas para sua utilização.

Hoje (15/03/2009), criei meu primeiro vídeo para cumprimento de tarefa do Curso PROINESP pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Vejam a obra de arte abaixo:

video

segunda-feira, 2 de março de 2009

O PROFESSOR E A MAIS VALIA RELATIVA

Recentemente a sociedade vem denunciando a má qualidade de ensino público e cobrando do estado uma postura em relação ao problema. O interessante é que o Estado, a sociedade e os meios de comunicação colocam como único e principal responsável pelo problema os professores. Mas, ninguém chegou paras meios de comunicação pra mostrar como o ensino público chegou onde está.

Vamos pegar apenas dois aspectos (de vários) de como a estrutura de ensino vinha e vem sendo modificado para atender aos nossos alunos. Estou me referindo: 
1) carga horária das disciplinas e dos professores
2) a quantidade de alunos por sala de aula..
Primeiramente, vamos analisar a carga horária das disciplinas. Para tanto, vamos pegar a disciplina de Geografia (já que sou professor de Geografia). Quando comecei a ensinar, a disciplina possuía três aulas por semana para cada turma. Como eu tinha e tenho que cumprir uma Carga Horária de 25 horas semanais, eu tinha 8 turmas e cada turma aproximadamente com 40 alunos. Isso quer dizer que eu tinha 320 alunos para passar e corrigir avaliações no decorrer do ano letivo. O que ocorreu no decorrer dos anos: a carga horária da disciplina encolheu em uma aula, ficando portanto com uma Carga Horária de 2 aulas por semanas. Isso quer dizer que o professor agora tem que ter 12 turmas para cumprir sua Carga Horária de 25 horas semanais e agora passou a ter 480 alunos (40 x 12) para avaliar. Sendo que houve uma aumento de 50% nas atividades de correção de avaliações e encerramentos de cadernetas. Imaginem os senhores que em alguns colégios estão planejando se colocar as disciplinas História e Geografia com apenas uma aula por semana. Isso quer dizer que o professor terá que ter 25 turmas para completar sua carga horária e 1.000 alunos (40 x 25) para corrigir testes e exercícios.

Para piorar a situação, durante os últimos anos, se pegou as turmas de 40 alunos e se juntou para formarem turmas de 50 alunos Agora, os professores ficarão com doze turmas de 50 alunos (cada turma) que dá um total de 600 alunos e se implantarem a tal idéia de algumas disciplinas ficarem com uma aula por semana, o professor de 25 horas terá um total de 1250 alunos para avaliar e fazer as devidas correções do testes e exercícios..

Pra quem sabe o que é Mais Valia tem-se uma idéia de como fazer um operário produzir muito mais e pagando o mesmo salário. O problema é que educação não é produção industrial e as conseqüências são as piores possíveis: 
1) os professores têm que lecionarem em vários colégios para cumprir sua Carga Horária (principalmente os professores de 25 horas);
2) são obrigados a trabalharem mais de um turno (isso tira a possibilidade dele possuir dois empregos para complementar a renda familiar); 
3) os professores passam a corrigir os teste e exercícios em sala de aula para ganhar tempo (didaticamente isso é considerado errado); 
4) para ganhar mais tempo ainda eles passam a fazer trabalho (e haja trabalho extra classe) e avaliações em grupo; 
5) atualmente o professor tira do salário para pagar o transporte (ele recebe ajuda transporte para apenas cinco viagens de ida e volta por semana).
Agora, vocês imaginem que os professores não têm poderes de decisão sobre esses problemas e são tidos como os grandes e principais responsáveis pelos grandes problemas da educação. E é bom lembrar que existem muitos outros problemas que estão afetando a educação.

TEXTO REPLICADO NESTE ENDEREÇO:
http://debatendo-a-educacao.blogspot.com.br/2011/02/o-professor-e-mais-valia-relativa.html

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Defendendo o Brasil

          Recentemente fiz uma viagem para o interior, mas especificamente para Propriá(SE) , e passando por um desses acampamentos do MST, que ficam a beira das rodovias, me veio a lembrança de um acontecimento em sala de aula, no qual o assunto era População. Nesse texto se falava sobre conceito de nação, população, país, pátria, etc.
          No silêncio da aula, um aluno, daquele pertubador  lendo o texto na parte que falava sobre pátria, deu uma risada e perguntou: que dizer se o Brasil entrar em guerra nós brasileiros seriamos chamados a defender a pátria??
          Quem está lendo esses texto agora poderia perguntar: o que tem a ver um acampamento do MST com uma aula de Geografia? Muito simples! É que o aluno indagou o que ele iria defender no Brasil: mas professor, eu moro aqui na Terra Dura (Bairro Santa Maria- Aracaju-SE), as escolas não prestam, faltam professores, os postos de saúde geralmente não tem médicos, moro em uma casa que o terreno é de invasão e não tenho escritura, quando a polícia vem aqui é pra baixar a madeira. O que é que eu vou defender? É claro que o aluno fazia essas perguntas em um tom de deboche.
          Mas, passando em frente a esses acampamento, do MST, na BR 101, nas proximidades de Propriá(SE) observei que os mesmo não tem escolas, postos de saúde, não possui um pedaço de terra e em vez em quando estão invadindo alguma fazenda pra vê se conseguem tal intento e foi que eu lembrei de tal fato. Qual o motivo que esses pessoal teria pra defender o Brasil em caso de guerra conta uma outra nação?
          É bom lembrar que a constituição garante Educação, Saúde, direito a propriedade, etc,etc. Esses itens é o que transforma uma pessoa nascida no Brasil em um cidadão brasileiro. Se esses itens falta a pessoa isso quer dizer que tal pessoa não é um cidadão brasileiro, mesmo nascido no Brasil. Faltam-lhe os itens pra que seja um cidadão de fato. Essa pessoa teria motivos pra defender o Brasil? Quais?