Mostrando postagens com marcador mercado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mercado. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

AS LIÇÕES DE LIBRA

 

(JB) - A mobilização de várias organizações, e a greve dos petroleiros, com a apresentação de dezenas de ações na justiça, não conseguiu impedir que o Leilão de Libra fosse realizado, com a vitória de duas estatais chinesas, duas multinacionais européias, e participação, em 40%, da Petrobras.
Obviamente, do ponto de vista do interesse nacional, o ideal seria que o negócio tivesse ficado totalmente com a Petrobras, ou melhor, com outra empresa, 100% estatal e brasileira (a PPSA não tem estrutura de produção própria) que fosse encarregada de operar exclusivamente essas reservas.
Não podemos esquecer que a Petrobras – por obra e arte sabe-se muito bem de quem - não é mais uma empresa totalmente nacional. Os manifestantes que enfrentaram a polícia, nas ruas do Rio de Janeiro, ontem, estavam – infelizmente - e muitos nem sabem disso, defendendo não a Petrobras do “petróleo é nosso”, mas uma empresa que pertence, em mais de 40%, a capitais privados nacionais e estrangeiros, que irão lucrar, e muito, com o petróleo de Libra nos próximos anos.
De qualquer forma, a lei de partilha, da forma como foi aprovada, praticamente impedia que a Petrobras ficasse com 100% do negócio. Além disso, institucionalmente, a empresa tem sido sistematicamente sabotada, nos últimos anos, pelo lobby internacional do petróleo. E cometeram-se, no Brasil, diversos equívocos que a enfraqueceram empresarialmente, o mais grave deles, o incentivo dado à venda de automóveis, sem que se tivesse assegurado, primeiro, fontes alternativas – e, sobretudo nacionais – de combustível.
A questão geopolítica é, também, bastante delicada. O Brasil lançou-se, com determinação e talento, à pesquisa de petróleo na zona de projeção de nosso território no Atlântico Sul, antes de estar militarmente preparado para defendê-la.
O embate entre certos segmentos da reserva das Forças Armadas - principalmente aqueles que fazem lobby ou estão ligados a empresas de países ocidentais – e militares nacionalistas que propugnam que se busque tecnologia onde ela esteja disponível, como os BRICS, tem atrasado o efetivo rearme do país, que, embora necessário, deve ser conduzido com cautela, para não provocar nem atrair demasiadamente a atenção de nossos adversários.
O mundo está mudando, e o Brasil com ele. Seria ideal se pudéssemos simplesmente virar as costas para os países ocidentais - que sempre exploraram nossas riquezas e tudo fizeram para tolher nosso desenvolvimento - e nos integrarmos, de uma vez por todas, ao projeto BRICS, e a países como a China e a Índia, que estarão entre os maiores mercados do mundo nas próximas décadas.
Esse movimento de aproximação com os maiores países emergentes – lógico e inevitável, do ponto de vista histórico – terá que ser feito, no entanto, de forma paulatina e ponderada. Parte da sociedade ainda acredita – por ingenuidade, interesse próprio ou falta de brio, mesmo – que para sermos prósperos e felizes basta integrarmo-nos e sujeitarmo-nos plenamente à Europa e aos Estados Unidos. E que temos que abandonar toda veleidade de assumir um papel de importância no contexto geopolítico global, mesmo sendo a sexta maior economia e o quinto maior país do mundo em território e população.
É essa contradição e esse embate, que vivemos hoje, em vários aspectos da vida nacional, incluindo a defesa e a exploração de petróleo. É preciso explorar o petróleo do pré-sal e nos armar, para, se preciso for, defendê-lo. Mas, nos dois casos, não podemos esperar para fazê-lo nas condições ideais.
O resultado do Leilão de Libra reflete, estrategicamente, essa contradição geopolítica. Mesmo que esse quadro não tenha sido ponderado para efeito da negociação, ele sugere que se buscou uma solução feita, na medida, para agradar a gregos e troianos. Sem deixar de mandar um recado aos norte-americanos.
Independente da questão de capital e de tecnologia – a da Petrobras é superior à dos outros participantes do consórcio – poderíamos dizer que:
a) Os chineses entraram porque, como membros do BRICS, e parceiros antigos em outros projetos estratégicos, como o CBERS, não poderiam ficar de fora.
b)Os franceses foram contemplados porque são também parceiros estratégicos, no caso, na área bélica, por meio do PROSUB, na construção de nossos submarinos convencionais e atômico.
c) Os anglo-holandeses da Shell – mais os ingleses que os holandeses – entraram não só para reforçar a postura de que o Brasil não estava fechando as portas ao “ocidente”, mas também para tapar a boca de quem, no país e no exterior, dizia que o leilão estaria fadado ao fracasso devido à ausência de capital privado.
O lobby internacional do petróleo, no entanto, não descansa. Antes e depois do resultado do leilão, já podia ser lido em dezenas de jornais, do Brasil e do exterior, que o modelo de partilha, do jeito que está, é insustentável e terá que ser mudado.
Apesar da declaração do Ministro de Minas e Energia de que o governo não pretende alterar nada – e da defesa dos resultados do leilão feita pela Presidente da República na televisão – já se fala na pele do urso e as favas se dão por contadas.
Os argumentos são de que não houve concorrência – interessante, será que o “mercado” pretendia que o governo ficasse com mais petróleo do que ficou? – que a Petrobras não tem escala para assumir os poços que serão licitados no futuro – uma “consultoria” estrangeira disse que a Petrobras já está com “as mãos cheias” com Libra, e as exigências de conteúdo local.
Isso tudo quer dizer o seguinte: a guerra pelo petróleo brasileiro não acaba com o leilão de Libra. Ela está apenas começando, e vai ficar cada vez pior. Já que não podemos ter o ideal, fiquemos com o possível. Os desafios para a Petrobras, daqui pra frente, serão tremendos, tanto do ponto de vista institucional, quanto do operacional, na formação e contratação de mão de obra, no gerenciamento de projetos, no endividamento, no conteúdo nacional.
É hora de cerrar fileiras em torno daquela que é – com todos os seus problemas - a nossa maior empresa de petróleo.

A sorte está lançada. A partir de agora, os adversários do Brasil, e da Petrobras, vão fazer de tudo para que ela se dê mal no pré-sal.

TEXTO ORIGINAL NESTE ENDEREÇO:
http://www.maurosantayana.com/2013/10/as-licoes-de-libra.html

quinta-feira, 22 de março de 2012

Guerra da Água é silenciosa, mas já está em curso


A guerra da água é silenciosa, mas é uma realidade: conflito em Barcelona causado pelo aumento das tarifas, quase guerra na Patagônia chilena por causa da construção de enormes represas e da privatização de sistemas fluviais inteiros, antagonismos em Barcelona e em muitos países africanos pelas tarifas abusivas aplicadas pelas multinacionais. A pérola fica por conta da Coca Cola e de suas tentativas de garantir o controle em Chiapas, México, das reservas de água mais importantes do país.

Eduardo Febbro - De Paris

sábado, 22 de janeiro de 2011

MODERNO E MELHOR, SERÁ ?

Dizem que com o passar do tempo o mundo vai ficando mais moderno e portanto, melhor de viver. Eu nem sempre concordo com essas afirmações. É só ver o caso da Evolução da Música Brasileira.

Esta semana fui ao banco pagar as minhas contas e o caixa eletrônico não estava funcionando (sistema fora do ar!) e então me dirigi ao Caixa (esse de carne e osso) e o mesmo me informou que todo o sistema estava fora do ar e era melhor eu ir efetuar o pagamento em uma Casa Lotérica. Então perguntei, ao funcionário, se ele iria me efetuar o saque do dinheiro para efetuar o pagamento. Ele me olhou e percebeu a minha indignação: é que se o sistema estava fora do ar , não tinha como efetuar o pagamento no Banco e muito menos na Casa Lotérica. É que por questão de modernidade (orientação dada no banco) não tenho Talão de Cheques! Se o sistema estava fora do ar, eu não poderia efetuar o pagamento e também não poderia sacar dinheiro!!!

Depois do ocorrido acima, me lembrei de alguns acontecimentos passados. Quando começaram a colocar Secadores de Mão nos banheiros, eu tive uma surpresa logo no primeiro dia que fui fazer uso dessas máquinas. É que em tempo de calor, eu costumo lavar o rosto para refrescar um pouco e quando fui enxugar as mãos foi que percebi que tinha substituídos as Toalhas de Papel por essas engenhocas eletrônicas (o tal secador de mãos). Quando questionei pela ausência dos papéis, um funcionário da limpeza me informou que estavam modernizando tudo. Foi aí que eu perguntei: então vou ter enxugar o meu rosto nesta máquina de ar quente?

E esses novos telefones celulares chamados pré-pagos. Sabe daquele dia que o telefone não pode falhar de jeito nenhum. Pois bem, como estava sem crédito suficiente, fui a uma dessas casas lotéricas e mandei que se colocasse 50 (cinquenta) reais de crédito. Só que fiquei esperando mais de dez minutos e nada dos créditos serem liberados. Quando questionei junto a lotérica fui informado que ocorreu um problema no sistema e os créditos poderiam levar até 24 (vinte quatro) horas para serem liberados!!!  

Ainda referente aos telefones, me lembro destes chamados pacotes que te oferecem com mil e uma facilidade e utilidades. Em um desses pacotes onde eu poderia incluir o telefone da minha filha e os créditos seriam colocados mensalmente e cobrados em uma única conta. Só que roubaram o telefone, foi onde percebi que a tal facilidade dos pacotes era uma tremenda dor de cabeça. Para retirar a cobrança, do serviço da fatura, foram telefonemas e mais telefonemas (para o telemarketing) e quando perdi a paciência passei a ir diretamente a agência local e mesmo assim foram oito meses para retirar a cobrança da fatura e o serviço deixasse de ser cobrado!!!!

Em outra ocasião, quando estava em um supermercado (Dezembro/2010), ao entrar no carro, deixei cair o celular. Só que eu já tinha ligado o carro e no mesmo momento saí pra pegar o celular, a porta do carro bateu sozinha e o carro automaticamente travou as portas. Fiquei trancado do lado de fora! Resultado, tive de deixar o carro ligado (já que não tinha como entrar), pegar um táxi e ir até em casa pegar a segunda chave. Por sorte! Estava apenas a três quilômetros da minha residência.

Essas engenhocas trás melhoramentos mas, mesmo assim é necessário certos cuidados, em caso de sair dos padrões de funcionamento as dores de cabeça são bem maiores. Já a modernidade na prestação de serviços facilita a vida do cidadão e ao mesmo tempo facilita a sua exploração por essas tais empresas também ditas modernas. Afinal de contas, quanto mais moderna a vida com essas máquinas, mais dinheiro você tem que reembolsar e trabalhar muito mais para ter acesso a tais facilidades! Na realidade é uma das maneiras de se fazer o cidadão trabalhar muito mais pra ter acesso a essas engenhocas e o sujeito se torna praticamente um escravo para tal.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Quando os pobres pagam pelos ricos.

Nosso sistema tributário tem atuado com um Robin Hood às avessas, que tira o dinheiro dos pobres para dar aos ricos. No topo da lista dos privilegiados, estão as grandes corporações (principalmente os bancos) e as multinacionais.


por Clair Hickmann*


Uma conta que poucos gostam de pagar é a dos impostos. Alguns privilegiados conseguem escapar, mas para o cidadão comum a conta aumentou muito nos últimos anos. Em geral, esquecemos que os tributos são também o preço da cidadania, fundamentais para financiar um conjunto de serviços - educação, saúde, previdência e assistência social - que depende da ação do Estado.

Mas não basta o Estado arrecadar tributos, é necessário cobrá-los do cidadão que tem capacidade contributiva. Caso contrário, o sistema tributário acaba sendo um Robin Hood às avessas, pois os tributos sobre o consumo oneram principalmete a classe de renda mais baixa, concentrando renda. O inverso ocorre quando a opção é por um sistema tributário progressivo, taxando mais o patrimônio e a renda. Há quem entenda que distribuição de renda se faz apenas via gastos sociais. Porém, diante da elevada concentração de renda no Brasil, é preciso atacar o mal de todas as formas.


COMO SE OBTEVE O AUMENTO DE ARRECADAÇÃO