quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Os Apologistas da Globalização


Você acredita na mão
invisível do mercado???
Para compreendermos o ciclo de mudanças de fundo operadas na vida socioeconômica contemporânea com a globalização, é necessário enfatizar a importância da nova ideologia do grande capital como instrumento especial de consolidação de sua hegemonia mundial. Nenhum sistema se sustenta se não estrutura um corpo de idéias que o justifique e o viabilize social e politicamente. Neste sentido, o grande capital, diante da falta de uma ideologia para o mundo globalizado preferiu retornar ao estatuto ideológico do século 18, buscando adaptá-lo às novas condições de economia globalizada. Por isso o prefixo neo(novo) acrescentado da velha ideologia liberal.

Os apologistas da globalização estruturaram a partir de alguns fundamentos básicos: o mercado como instrumento regulador da vida social, a iniciativa privada côo operadora do sistema, e o Estado mínimo desregulado como instrumento de garantia da propriedade e dos contratos. O mercado seria uma espécie de entidade mítica, um demiurgo capaz de regularem desde as trocas de mercadorias nas mais distantes aldeias até o comércio internacional, passando pela oferta e procura de trabalho, oferta e procura de saúde, de previdência social, educação, lazer, entre outros.

Como instrumento mítico, impessoal e apolítico, teria a capacidade de harmonizar os conflitos de interesses, a liberdade de trocas e os interesses coletivos. O Estado, ao se retirar da economia, e vender as propriedades públicas para a iniciativa privada, passaria a cuidar das funções que lhes seriam específicas: proteger os contratos privados, promover os mercados competitivos, garantir a propriedade. Com a iniciativa privada operando os instrumentos do sistema, haveria mais competição e maior eficiência econômica.

Esses postulados, que passaram a ser conhecidos como neoliberalismo representam a síntese ideológica da globalização. Funcionam como uma espécie de gerenciador ideológico no plano político, econômico, social e cultural dessa nova fase da globalização. Funcionam como uma espécie de gerenciador ideológico no plano político, econômico, social e cultural dessa nova fase do capitalismo. Apesar de primitiva, a ideologia neoliberal conseguiu uma atração espantosa não apenas do senso comum, mas em todas as camadas sociais das sociedades capitalistas. Irradiada à exaustão pelos meios de comunicação nos quatro cantos da terra, esta ideologia penetrou no âmago da consciência das pessoas, desde o mais simples cidadão às mais sofisticadas elites financeiras. Quebrou valores e tradições longamente estabelecidos, tais como a solidariedade, a ética nas relações sociais e econômicas, a busca de soluções coletivas para os problemas humanos, as culturas regionais.

Com a retaguarda da mídia, o neoliberalismo realizou um intenso processo de manipulação, procurando distorcer o significado das coisas e até mesmo as palavras de ordem da esquerda, além de manipular a linguagem e reduzir os fenômenos socioeconômicos à sua aparência (Petras, 1997). Buscou ainda estimular os sentimentos mais atrasados das massas, revigorando preconceitos, exacerbando o xenofobismo, de forma a impor o individualismo mais mesquinho e a lógica do mercado e da iniciativa privada como normas para a vida social. Diariamente, o jornal, o rádio e a televisão realizaram uma batalha ideológica contumaz no sentido de transformar o neoliberalismo em referência para o mundo de vida da humanidade, de forma a que o grande capital tenha espaço aberto para atingir seus objetivos estratégicos.

A título de exemplo, a desregulamentação da economia nas privatizações e a ofensiva contra os direitos e garantias dos trabalhadores são difundidas como reformas modernizadoras, O corte nos gastos públicos, o aperto no crédito, a retirada do Estado da economia são apresentados como ajustes estruturais e a própria palavra liberdade, tão cara as forças de esquerda, especialmente na América Latina, é manipulada para servir as interesses do grande capital (Petras, 1997). Até mesmo invasões a países soberanos, como ocorreu na Yusguslávia e no Iraque, é justificada em nome dosa direitos humanos e da democracia. 

No que se refere à política propriamente dita, o neoliberalismo não tem nenhum escrúpulo. Desde que o governante cumpra os objetivos do capital financeiro especulativo dos países centrais, esses dirigentes, por mais corruptos e desmoralizados que sejam, são tolerados e seus governos defendidos em fóruns internacionais e na mídia. Assim, o neoliberalismo pode se utilizar de um bêbado moribundo na antiga |União Soviética, como Yeltsin; um dançarino de tango brega, como Menem na Argentina; um nissei histriônico e fascista, como Fujimori no Peru; um corrupto sofisticado, como Salinas de Gortari, no México; ou ainda um intelectual que deu adeus ao proletariado, como Fernando Henrique Cardoso, no Brasil.

Os neoliberais podem ser considerados hoje os fundamentalistas do Ocidente, tendo em vista que, para estes, não importa os meios e os métodos empregados para atingir seus objetivos. O que importa mesmo é garantir a hegemonia neoliberal em todos os países. O dirigente que não se enquadrar na nova ordem é satanizado, desmoralizado internacionalmente e, na maioria das vezes, destituído do poder – pelas armas, pelo poder econômico ou pelo poder manipulador dos meios de comunicação. O neoliberalismo busca também desmantelar o mais rapidamente possível tudo o que foi construído no período anterior à globalização. Essa ânsia para fazer o trabalho o mais rápido possível está na raiz da intolerância e da agressividade com que os governos dos países centrais, especialmente os Estados Unidos, procuram atingir e desqualificar seus adversários.

No entanto, se analisarmos pormenorizadamente, poderemos detectar uma enorme insegurança entre os defensores dessa ideologia, talvez pelo fato de que esta doutrina sempre que é confrontada com o real, perde a substância. Um balanço do neoliberalismo nestes últimos 25 anos pode ser considerado um desastre para a humanidade, tanto em termos econômicos, sociais, políticos quanto ecológicos. Em todos os países em que implantado, ocorreu a concentração de renda e aumento da pobreza; o mundo se tornou mais instável e as crises econômicas, sócias e políticas mais constantes, os trabalhadores perderam direitos e garantias conquistados há séculos, precarizou-se o trabalho e reduziram-se os salários. Só o grande capital, e os especuladores em especial, podem comemorar o advento do neoliberalismo.

Valie ressaltar, entretanto, que o conjunto das mudanças de fundo operadas pelo neoliberalismo na sociedade contemporânea só foram possíveis porque ocorreu, a partir do final da década de 1970, e posteriormente com a eleição de Regan e Tatcher, respectivamente nos Estados Unidos e na Inglaterra, uma mudança quantitativa na composição das classes dominantes dos países centrais. O velho bloco de poder ligado ao antigo capitalismo monopolista de Estado, cujo poder se consolida a partir dos anos 1930 nos Estados Unidos e, especialmente após a II Guerra Mundial, foi substituído no centro do poder da Tríade Imperial (EUA, EU, e Japão) por um novo bloco de forças sociais mais agressivas e mais reacionárias.

Estas forças subordinaram política e economicamente todos os outros setores da burguesia e impuseram a nova ordem mundial, baseada no neoliberalismo, como forma de organização socioeconômica da sociedade e o rentismo como instrumento particular de auto-acrescentamento do capital, aprisionando inclusive o sector produtivo e o Estado e se orçamento à lógica da especulação financeira. Este novo bloco no centro do poder mundial, buscando configurar o mundo à sua imagem e aplicando uma espécie de vingança histórica de classe contra os trabalhadores. 

TEXTO RETIRADO DO LIVRO
COSTA, Edmilson, AGlobalização e o Capitalismo Contemporâneo. Editora Expressão Popular – São Paulo - 2008

domingo, 23 de outubro de 2011

A ONG SUSPEITA!!!


O programa Fantástico, da Rede Globo, fez uma matéria e levantou suspeitas contra a ONG "Pra Frente Brasil" (pertencente a ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues). Esta ONG atua 18 cidades e apenas uma é do PC do B, algumas do PSDB, PPS e até DEM) e atende 18.000 alunos como meta. 

Mas, a Rede globo também é proprietária da Fundação Roberto Marinho que recebeu R$17 milhões, do Ministério do Turismo, para treinar 80 mil pessoas no dioma Inglês e Espanhol e parece que treinou alguns gatos pingados. 

A ONG Pra Frente Brasil tem um elevado grau de transparência pública. Disponibiliza na internet balanços anuais, relatórios de auditoria, contrato do convênio, certidões negativas, e até declaração de renda de pessoa jurídica. A ONG da Globo não tem transparência nenhuma. Não disponibiliza nenhuma prestação de contas em seu site, apesar de receber dinheiro público das mais diversas origens. 

A Fundação Roberto Marinho recebeu, do Ministério do Turismo, R$ 17 milhões do projeto Olá, Turista, atividades, do projeto, já estão encerradas, e no entanto não existe na internet e no site da Fundação, qualquer prestação de contas do dinheiro gasto (cadê a transparência da Rede Globo???) Até o momento, nem no site do Tribunal de Contas da União (TCU) existe a prestação de contas para o cidadão ficar sabendo onde foram gastos e se foram treinados as 80 mil pessoas. 

Depois dessa, o Fantástico está devendo uma reportagem sobre a suspeita ONG Fundação Roberto Marinho, principalmente com relação aos R$ 17 milhões recebidos do Ministério do Turismo.



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Aeroportuários dizem NÃO a privatização


Uma luta na agenda de todos os trabalhadores...Informe-se, este é um movimento político de enorme significado frente aos mais legítimos interesses do trabalhador brasileiro. Coloca no foco da luta política o tipo de Estado que queremos.


TEXTO REPLICADO DESTE ENDEREÇO:
http://alexprado33.blogspot.com/2011/10/aeroportuarios-dizem-nao-privatizacao.html

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PALAVRAS VAZIAS


Na semana passada, pretendi colocar em discussão o uso indevido da palavra “democracia”, vocábulo que nos é muito caro, mas que vem sendo abastardado pela sua pretensa identificação semântica com“capitalismo” ou “liberalismo” .

Será que realmente estamos em uma democracia só porque vivemos debaixo de um sistema que garanta a livre expressão?

Se o que nos cerca são desigualdades históricas, crônicas, onde a fome e a miséria estão presentes, essa é , realmente, uma “democracia”?

Algumas outras expressões consagradas, no campo da política ou da economia, sempre me incomodaram.

Lembro que, quando jovem, o pessoal da direita se referia aos exploradores – aí entendidos os latifundiários, os coronéis do açúcar, os grandes capitalistas, etc – como a “classe produtora”, desprezando totalmente, no processo de produção da riqueza nacional, os trabalhadores do campo e da cidade, numa demonstração clara, pela seleção vocabular, de segregação social.
Hoje esse termo é menos usado, mas encontra um certo substituto na palavra “empreendedor”, que parece querer referir-se tão somente aos que, detendo o capital, podem criar empresas.

Outra palavra que não me cai bem aos ouvidos, pela generalização com que hoje é empregada, é o termo “consumidor”.
Parece que se está extinguindo o “cidadão”, palavra que remete a todos os direitos e deveres do ser humano em uma sociedade democrática, trocada por esse vocábulo que revela claramente a essência de uma economia “de mercado”, na qual as pessoas valem pelo que possuem ou podem possuir e só nessa condição devem agir.

Aliás, a palavra “mercado” também é incomodativa, porque ocupa, hoje, destaque equivalente ao dos magos e demiurgos de antigamente, quase um deus a comandar o espetáculo da desigualdade social.
Quando ouço declarações de que “o mercado está nervoso”, confesso que eu é que fico, diante desse disparate metonímico.
Nem vou dizer aqui, ainda no plano da economia, o que penso da “lei da oferta e da procura”, pois certamente seria trucidado verbalmente pelo pessoal do economês.

Mas sempre me pareceu estranho que, havendo maior procura por um bem, este tenha que ter seu valor aumentado: é o mesmo bem, sua produção demandou o mesmo custo, mas ele passa a “valer mais” porque há mais gente que o tem como objetivo.
Confortável para quem produz, não? Mas e o outro lado, como é que fica? Fica pagando mais...

Na relação de palavras ou conjunto de palavras que me parecem exotéricas, está a expressão “segredo de Estado”.

Afinal, que é o Estado, quem é o Estado?

Em boa hora, em episódio recente, o Governo parece que acabou entendendo que não poderia declinar da divulgação dos fatos da história brasileira , para o conhecimento geral do povo.

Sei que certas recalcitrâncias se fazem ainda em nome de uma malfadada “governabilidade”, mais uma palavra perversa que coloca certos políticos ou grupos em condição de, velada ou escancaradamente, chantagear o Governo, condicionando seu apoio a medidas sérias em troca de decisões não tão sérias, como, por exemplo, a de condenar ao silêncio fatos significativos de nossa história.

É coisa petrificada na política nacional: nenhum partido governa sem o PMDB, essa aberração política que pode estar á esquerda ou à direita, desde que atendidas suas conveniências de desfrute do poder.

E a esse processo de submissão se dá o nome de“governabilidade”...

No campo da política, e em outros, a mídia usa e abusa de uma palavra que me causa espécie: “o especialista”.

Você pode apostar que, quando a mídia tem interesse em disseminar tal ou qual opinião, sempre há de mencionar um “especialista” que, ouvido, diz exatamente o que se pretende que ele diga. Trata-se de especialistas por conveniência...

O que me lembra Darcy Ribeiro, que, ao falar sobre especialistas, dizia que há pessoas que, quanto mais se aprofundam no saber do que sabem, mais ignorante ficam no resto.

Estava no meio desta coluna quando ouvi alguém falar na tal de“falta de vontade política”, para justificar a ausência de uma atitude por parte de um determinado governo.

Ora, quando qualquer governo não faz alguma coisa é porque não quer fazer , ou porque não acredita naquilo, ou porque pretende outra coisa.

Sendo assim, “vontade política de não fazer” seria uma expressão melhor... Fazendo aqui uma autocrítica, porque eu mesmo já usei muitas vezes essa expressão, cá para nós, “vontade política” é eufemismo vazio, tão vazio quanto a palavra “atitude”, impiedosamente usada hoje por cronistas esportivos para mostrar que o atleta X ou Y deve agir no sentido W ou Z...

O que você acha da expressão “clamor da opinião pública”, quando utilizada pela mídia a serviço de seus objetivos nem sempre confessados?

A “opinião pública” é , quase sempre, a opinião que se publica, ou seja, a opinião que segue a linha político-ideológica do órgão midiático que a apregoa.

Seguimos , assim, nesse cotidiano repleto de palavras vazias, ou enganosas, ou falsas. E este texto não tem o propósito ou a pretensão de vê-las banidas, que essa é uma luta inglória, mas quer propor, pelo menos, um convite ao enfrentamento.

Afinal, em outro contexto, Drummond já havia afirmado: “Lutar com as palavras é a luta mais vã. No entanto, lutamos”.



Sobre o autor deste artigo



Rodolpho Motta Lima



Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro.
Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado .

FONTE:  DIRETO DA REDAÇÃO  

e replicado em

domingo, 9 de outubro de 2011

Quem mudou, foi o Jô Soares ou foi a Rede Globo?

Esse vídeo ganhou repercussão recentemente, mas foi gravado em 1988 no programa Troféu Imprensa (SBT - Programa Silvio Santos), publicado recentemente na página do SBT, sessão Troféu Imprensa, onde Jô Soares  fala sobre a Ética da Rede Globo. Ouvindo o vídeo, fica a seguinte perginta: quem mudou, foi a Rede Globo ou foi o Jô Soares? Assistam o vídeo abaixo:
Texto relacionado:
A MÍDIA IMPARCIAL III

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A “gastança pública” com os juros

Por Altamiro Borges



Num discurso unificado e enfadonho, diariamente os líderes da oposição demotucana, os “agentes do mercado” e a mídia rentista repetem que o Brasil precisa cortar gastos públicos. A “gastança”, segundo eles, estaria concentrada na Previdência Social e no “inchaço” da máquina pública. Em síntese, eles propõem a redução dos direitos previdenciários e a demissão de servidores.

A malandragem é evidente. É certo que o país desperdiça dinheiro com gastos desnecessários. Mas a culpa não é dos aposentados ou do funcionalismo. O sangramento se dá, principalmente, pelo pagamento dos juros aos rentistas. Neste ponto, porém, o deus-mercado silencia. Ele quer cortar gastos dos mais necessitados para sobrar mais dinheiro – o tal superávit primário – para os ricaços.

R$ 160 bilhões torrados com juros

Segundo relatório do Banco Central, o superávit primário do setor público consolidado – governo federal, estados, municípios e empresas estatais – chegou a R$ 4,561 bilhões em agosto. Mas a economia não foi suficiente para cobrir os gastos com juros, que atingiram R$ 21,663 bilhões. Com isso, o déficit nominal ficou em R$ 17,101 bilhões, contra R$ 10,699 bilhões de agosto de 2010.

Nos oito meses do governo Dilma, o superávit primário atingiu R$ 96,540 bilhões. No mesmo período, o gasto com juros chegou a R$ 160,207 bilhões, ante R$ 125,045 bilhões de janeiro a agosto de 2010. Segundo o próprio relatório do BC divulgado na sexta-feira (30), o aumento do sangramento se deu “principalmente, pelo patamar mais elevado da taxa Selic acumulada no ano”. 

Contra a “gastança” dos juros

Isto sim é que é “gastança pública”. O esforço produtivo nacional é assaltado para beneficiar 0,01% de rentistas do Brasil. O certo seria desencadear uma campanha pela imediata redução da “gastança” com juros, exigindo a sua drástica queda e outras medidas mais duras de combate à especulação financeira. Evidente que a oposição demotucana e a mídia rentista não vão topar!

Texto original neste endereço: Blog do Miro

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domingo, 2 de outubro de 2011

Quem são os caloteiros no Brasil?

Por Paulo Daniel, na CartaCapital:

Nos últimos oito anos, o montante de crédito concedido às pessoas físicas, com recursos livres, cresceu de forma expressiva, passando do equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro de 2003 para 15,5% do PIB em julho de 2011.

Neste sentido, o Banco Central do Brasil (BC) realizou uma análise das características dos tomadores de empréstimos de quatro grandes bancos que, juntos, detinham 74% do mercado em julho de 2011. Entre as informações analisadas nos dados cadastrais, estão gênero, idade, estado de residência, tipo de ocupação e inadimplência.

Segundo o levantamento, em todas as regiões do Brasil clientes com a ocupação “profissional liberal” ocupam o desconfortável primeiro lugar na lista de inadimplentes. Na região Centro-Oeste, é onde há o pior indicador: 5,2% dos profissionais liberais estão com pagamentos de dívidas com atraso superior a 90 dias. Em seguida, estão as regiões Sudeste (5,1%), Sul (4,6%), Nordeste (4,5%) e, por último, os Estados do Norte (4,4%).

A segunda categoria com mais calotes é a dos empresários, cujas taxas de inadimplência oscilam entre a máxima de 4,3% no Centro-Oeste e a mínima de 3,7% no Sudeste. No restante do Brasil, a taxa de atrasos entre os empresários é de 4% no Nordeste e Norte e de 3,8% no Sul do Brasil.

Conforme a análise do BC, os empregados do setor privado são, proporcionalmente, mais caloteiros do que funcionários públicos. Em quatro das cinco regiões brasileiras, clientes que trabalham na iniciativa privada têm taxas de inadimplência maiores que os que estão no setor público. A única exceção é o Sul do Brasil, onde o quadro se inverte.

Na região Sudeste, enquanto a taxa de calote entre os devedores que trabalham no setor privado é de 3,3%, o porcentual entre os trabalhadores do serviço público é de 2,1%. No Nordeste, estão os servidores públicos que melhor pagam as dívidas no Brasil, com inadimplência de apenas 0,6%. Nessa mesma região, o indicador dos empregados privados está em 2,1%.

Entre os brasileiros que deixaram de trabalhar, os nordestinos são os melhores pagadores, com taxa de inadimplência de 0,8%. Os aposentados que estão no Centro-Oeste brasileiro, possuem uma taxa de 1,9% de inadimplência, e do Sudeste e Sul, ambos com índice de inadimplência de 2,3%.

Portanto, o BC desmistificou que pobre, aposentado, trabalhadores do serviço público e até mesmo sem emprego não pagam suas dívidas – e deu mais um argumento de que não vivemos uma bolha de crédito com riscos de inadimplência.

Texto retirado no Blog do Miro.

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