segunda-feira, 27 de junho de 2011

Serviçais voluntários da publicidade

A publicidade é mestra em moldar nossos comportamentos. E não é a toa: tal habilidade é  muito útil aos ricaços do grande comércio.
Na década de 80 no Brasil, tinha uma propaganda de caneta que mostrava uma pessoa       com dúvida de Português, perguntando sobre alguma palavra: Como é que se escreve?. Mais que depressa, outro personagem do comercial respondia: Se escreve com Bic! Pronto, isso gerou uma febre na sociedade brasileira. Bastava alguém perguntar pra outro como se escrevia alguma coisa para obter como resposta um jocoso se escreve com Bic.
Também houve um comercial de molho de tomate, em que alguém, incerto sobre a data, indagava: Que dia é hoje?. E o outro respondia: Hoje é dia de Pomarola! Logo, um bando de otários nas ruas, escolas e no trabalho, começou a responder também hoje é dia de Pomarola, sempre que alguém perguntava a data.
Num comercial de eletrodomésticos um personagem falava que tal aparelho não é assim uma Brastemp. Prontamente, um monte de pessoas passou a usar tal expressão para caracterizar tudo o que não era de excelente qualidade.
Todo esse público repetidor de bordões publicitários não se dá conta de que está trabalhando de graça para os capitalistas, ao reproduzir slogans comerciais nas suas conversas cotidianas. Fazem papel de bobo, divulgando propaganda sem serem remunerados.
De maneira semelhante agem aqueles que fazem questão de ostentar etiquetas de marcas chiques em suas roupas. Divulgam a marca e  ao invés de receber, e  ainda pagam por isso. E muitas vezes pagam bem caro, pois o valor da marca para grande parte das pessoas está exatamente em demonstrar que se tem dinheiro bastante para comprar seus produtos (compra-se justamente porque é caro, e para mostrar pros outros que se tem grana).
A publicidade robotiza os indivíduos, tornando-os serviçais do capital. Promove consumismo, marcas, slogans, futilidades, etiquetas, rótulos, produtos, símbolos de status… A lógica do mercado acaba invadindo e envenenando nossas relações cotidianas, bate-papos e formas de expressão. Mas não somos obrigados a aderir a isso.
Por: Correio do Brasil

TEXTO RETIRADO DO BLOG: O Carcará (Eliseu)

4 comentários:

  1. Sobre este assunto, eu me lembro de que na década de 70 o programa antecessor do Globo Repórter veiculou vários dias um documentário sobre a longevidade de pessoas de várias partes do mundo, tais como a Sibéria, Trigogó das Emas, vários outros lugares praticamente inacessíveis. E o que estas pessoas tinham em comum? Consumiam muito iogurte. Terminada a série de desdocumentários, a Danone entrou de sola no mercado. E está aí ainda, firme e forte.

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  2. Pois é meu amigo, infelizmente o brasileiro é facilmente manipulável.
    Passo também para lhe dizer que indiquei seu blog para receber um selo, se quiser é só apanhá-lo por lá.
    Abraços.

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  3. E o salário .... ó! (bordões dos programas de humor e das novelas também viram moda). Eu tô pagaaando ... (qualquer coisa vira bordão - é só repetir bastante). Justamente! (diria o Juvenal Antena). A tv imbeciliza um pouco o povão.

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  4. Sou formado em Publicidade e propaganda, mas nao acredito mais no curso, a impressao que da é que vc trabalha publicidade em conluio coom o capeta prestando desserviços a comunidade, oferencendo coisas que nao prestam pra quem nao pode comprar.
    Sou a favor da criaçao de uma disciplina no ensino medio: Para discernimento da Midia, isso serve pra sabermos analisar uma propaganda, consumismo e também para interpretar textos jornalisticos tendenciosos.
    Uma dica é conhecer o grupo da revista Adbusters, que por anos a fio, veem detectando o crime que é a propaganda de produtos nocivos.
    Saudaçoes e Obrigado pelo tema, sugiro que escreva mais sobre o assunto

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