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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

“Os celulares espiam e transmitem nossas conversas, mesmo desligados”

Richard Stallman é uma lenda: criou o primeiro sistema operacional aberto e impulsionou o ‘copyleft’. Acha que os telefones inteligentes nos fizeram regredir dez anos em termos de privacidade

Richard Stallman
Ele nos encontra no apartamento de amigos em Madri. O pai do software livre é um viajante empedernido: difunde os princípios de seu movimento onde o chamam. Dias antes da entrevista, Richard Stallman (Nova York, 1953) participou do Fórum da Cultura de Burgos e retomará sua turnê europeia após dar uma conferência em Valencia. Ele nos recebe com sua característica cabeleira despenteada e com uma de suas brincadeiras de praxe: “Té quiero”, diz em seu espanhol fluente com sotaque gringo, lançando um olhar a sua fumegante xícara de chá quando detecta uma cara de desconcerto no interlocutor. “Ahora té quiero más”, nos dirá quando for buscar mais bebida. (A brincadeira é um jogo de palavras entre a expressão ‘Te quiero’ – te amo em espanhol – e a palavra Té – chá).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O Capitalismo, as facilidades e a dependência V

O controle pela comunicação




Em todos os ramos de nossas atividades se criou as facilidades e consequentemente a dependência. Seja na hora que compramos alguma coisa para consumo próprio, para venda, na realização de nossas tarefas diárias, mas foi na comunicação onde nossa dependência se tornou maior e estranhamente foi nesta área onde as facilidades foram amplamente criadas.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O Capitalismo, as facilidades e a dependência IV

Mais facilidades e mais dependência


O processo de industrialização e mecanização de todas as atividades humanas trouxe facilidades e dependência em todos os sentidos, mas alguns são mais que interessantes. Um grande exemplo é na hora de se consumir os alimentos e para facilitar consumir os alimentos foi criado o liquidificador.

Passamos pelas facilidades de se adquirir vestimentas, máquinas que facilitam e aumentam a produção de alimentos, facilidades de créditos para adquirir os produtos e se criou a máquina para facilitar o consumo dos alimentos.

Antes da criação do liquidificador, as frutas, carnes, legumes, etc eram moídas com máquinas movidas a manivela, os sucos eram feitos espremendo os frutos e por esse motivo não se fazia suco de tudo que é tipo. Mas antes de surgir o liquidificar, surgiu os chamados sucos industriais. Na realidade uma mistura de água, açúcar e corantes (eu sempre chamo a todos de ksuco). Eram as chamadas descobertas dos produtos alimentícios artificiais, mas que foram gradativamente esquecidos, já que com o surgimentos de várias máquinas elétricas foram surgindo novas maneira de se produzir alimentos com melhor qualidade. Qualquer pessoas prefere um suco feito de frutas do que um suco artificialmente fabricado !

domingo, 24 de novembro de 2019

O Capitalismo, as facilidades e a dependência III

A chegada da moda


Nos tempos onde a grande maioria das pessoas viviam em fazenda, o vestuário era simples. As pessoas usavam roupas de trabalho sem preocupação se existia e se estava na moda ou se era cafona. Aliás, não existia a história de era moda e era cafona pelo motivo que os modelos de roupas duravam décadas e passavam por gerações.

As vestimentas eram classificadas em para o trabalho e para festas cívicas e religiosas. As roupas de trabalho não tinha a preocupação com a aparência e sim com a funcionalidade, as roupas das festas a maior preocupação eram com as festas religiosas e essas roupas usadas nas festas religiosas era a chamada Roupa Domingueira.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

O Capitalismo, as facilidades e a dependência II

Nada para dificultar


As facilidades oferecidas pelas novas invenções e técnicas de produção não ficaram somente na hora de se comprar aquilo que precisamos, mas também na hora de produzir aquilo que nós vendemos.



Nos tempos em que a grande maioria da população ainda vivia na Zona Rural, tudo era produzido artesanalmente. As roupas, utensílios domésticos e as ferramentas para o trabalho da agricultura foram substituídos por equipamentos modernos e foi justamente na agricultura onde as máquinas mais substituíram a mão de obra humana. A produção de alimentos e produtos derivados da agricultura tiveram um crescimento excepcional.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

O Capitalismo, as facilidades e a dependência I

A facilidade se tornou difícil


Na década de 60, do século XX, a grande maioria da população brasileira ainda residia na Zona Rural. Nesta época, quase tudo que uma família precisava era produzido nas próprias fazenda onde residiam. Muitos residentes da Zona Rural chegavam a passar mais de seis meses sem irem visitar a cidades !


A alimentação era produzida na fazenda e era muito comum encontrar pessoas trabalhando fazendo fios de algodão para fabrico de tecidos, ou seja, até mesmo a grande maioria das vestimentas eram produzidas na própria Zona rural.

domingo, 17 de junho de 2018

CRISE ARGENTINA ESCANCARA A TRAGÉDIA DA INCOMPETÊNCIA NEOLIBERAL E DESMENTE MAIS UMA VEZ O MITO DE QUE O PT QUEBROU O BRASIL.



(Do blog com equipe) - O pedido de penico da Argentina ao FMI, de 50 bilhões de dólares, uma situação impensável no governo Kirchner, que zerou o passivo do país com a instituição e diminuiu a dívida pública em dois terços, mostra o perigo de se entregar o país aos “analistas” do mercado, que só pensam em manipular investidores e promover a especulação, e em mentir descaradamente a serviço de uma mídia mendaz e hipócrita, na televisão e em outros meios de comunicação.

Quando Nestor Kirchner subiu ao poder, depois do desastroso governo austericida e conservador - na economia - de Fernando De La Rúa, as reservas internacionais argentinas eram de 14 bilhões de dólares e a relação dívida pública-PIB de 135% - uma das mais altas do mundo.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma agenda para destruir um País

Mesmo com um movimento mundial que demonstra que o ajuste fiscal só aprofunda a crise econômica, Meirelles propõe tal ajuste para a retomada do crescimento

Esther Dweck

O governo Temer tem se aproveitado de diversas medidas dos governos Lula e Dilma. A transposição do Rio São Francisco é talvez o exemplo mais emblemático. Outro exemplo é o “Conselhão”, criado por Lula em 2003, para dialogar com a Sociedade Brasileira, com academia, trabalhadores e empresários, foi reconfigurado pelo governo Temer.

Ontem, houve uma apresentação do Ministro Meirelles para o “Conselhão”. A apresentação poderia se chamar como destruir um projeto de desenvolvimento inclusivo, mas segundo ele é a pauta para retomada do crescimento. Os pontos apresentados por ele deixariam os ideólogos do Consenso de Washington com inveja: como não pensaram em tanta maldade junta.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

TRUMP E A FARSA DA GLOBALIZAÇÃO



(RBA- Rede Brasil Atual) - O fato de o IED - Investimento Estrangeiro Direto - ter se mantido históricamente alto na era Lula-Dilma - (na faixa dos 60, 70 bilhões de dólares por ano) e estar conservando o mesmo patamar agora, no atual governo, mostra que o Brasil não precisa rastejar, como um verme, para conseguir capital externo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

AS LIÇÕES DE LIBRA

 

(JB) - A mobilização de várias organizações, e a greve dos petroleiros, com a apresentação de dezenas de ações na justiça, não conseguiu impedir que o Leilão de Libra fosse realizado, com a vitória de duas estatais chinesas, duas multinacionais européias, e participação, em 40%, da Petrobras.
Obviamente, do ponto de vista do interesse nacional, o ideal seria que o negócio tivesse ficado totalmente com a Petrobras, ou melhor, com outra empresa, 100% estatal e brasileira (a PPSA não tem estrutura de produção própria) que fosse encarregada de operar exclusivamente essas reservas.
Não podemos esquecer que a Petrobras – por obra e arte sabe-se muito bem de quem - não é mais uma empresa totalmente nacional. Os manifestantes que enfrentaram a polícia, nas ruas do Rio de Janeiro, ontem, estavam – infelizmente - e muitos nem sabem disso, defendendo não a Petrobras do “petróleo é nosso”, mas uma empresa que pertence, em mais de 40%, a capitais privados nacionais e estrangeiros, que irão lucrar, e muito, com o petróleo de Libra nos próximos anos.
De qualquer forma, a lei de partilha, da forma como foi aprovada, praticamente impedia que a Petrobras ficasse com 100% do negócio. Além disso, institucionalmente, a empresa tem sido sistematicamente sabotada, nos últimos anos, pelo lobby internacional do petróleo. E cometeram-se, no Brasil, diversos equívocos que a enfraqueceram empresarialmente, o mais grave deles, o incentivo dado à venda de automóveis, sem que se tivesse assegurado, primeiro, fontes alternativas – e, sobretudo nacionais – de combustível.
A questão geopolítica é, também, bastante delicada. O Brasil lançou-se, com determinação e talento, à pesquisa de petróleo na zona de projeção de nosso território no Atlântico Sul, antes de estar militarmente preparado para defendê-la.
O embate entre certos segmentos da reserva das Forças Armadas - principalmente aqueles que fazem lobby ou estão ligados a empresas de países ocidentais – e militares nacionalistas que propugnam que se busque tecnologia onde ela esteja disponível, como os BRICS, tem atrasado o efetivo rearme do país, que, embora necessário, deve ser conduzido com cautela, para não provocar nem atrair demasiadamente a atenção de nossos adversários.
O mundo está mudando, e o Brasil com ele. Seria ideal se pudéssemos simplesmente virar as costas para os países ocidentais - que sempre exploraram nossas riquezas e tudo fizeram para tolher nosso desenvolvimento - e nos integrarmos, de uma vez por todas, ao projeto BRICS, e a países como a China e a Índia, que estarão entre os maiores mercados do mundo nas próximas décadas.
Esse movimento de aproximação com os maiores países emergentes – lógico e inevitável, do ponto de vista histórico – terá que ser feito, no entanto, de forma paulatina e ponderada. Parte da sociedade ainda acredita – por ingenuidade, interesse próprio ou falta de brio, mesmo – que para sermos prósperos e felizes basta integrarmo-nos e sujeitarmo-nos plenamente à Europa e aos Estados Unidos. E que temos que abandonar toda veleidade de assumir um papel de importância no contexto geopolítico global, mesmo sendo a sexta maior economia e o quinto maior país do mundo em território e população.
É essa contradição e esse embate, que vivemos hoje, em vários aspectos da vida nacional, incluindo a defesa e a exploração de petróleo. É preciso explorar o petróleo do pré-sal e nos armar, para, se preciso for, defendê-lo. Mas, nos dois casos, não podemos esperar para fazê-lo nas condições ideais.
O resultado do Leilão de Libra reflete, estrategicamente, essa contradição geopolítica. Mesmo que esse quadro não tenha sido ponderado para efeito da negociação, ele sugere que se buscou uma solução feita, na medida, para agradar a gregos e troianos. Sem deixar de mandar um recado aos norte-americanos.
Independente da questão de capital e de tecnologia – a da Petrobras é superior à dos outros participantes do consórcio – poderíamos dizer que:
a) Os chineses entraram porque, como membros do BRICS, e parceiros antigos em outros projetos estratégicos, como o CBERS, não poderiam ficar de fora.
b)Os franceses foram contemplados porque são também parceiros estratégicos, no caso, na área bélica, por meio do PROSUB, na construção de nossos submarinos convencionais e atômico.
c) Os anglo-holandeses da Shell – mais os ingleses que os holandeses – entraram não só para reforçar a postura de que o Brasil não estava fechando as portas ao “ocidente”, mas também para tapar a boca de quem, no país e no exterior, dizia que o leilão estaria fadado ao fracasso devido à ausência de capital privado.
O lobby internacional do petróleo, no entanto, não descansa. Antes e depois do resultado do leilão, já podia ser lido em dezenas de jornais, do Brasil e do exterior, que o modelo de partilha, do jeito que está, é insustentável e terá que ser mudado.
Apesar da declaração do Ministro de Minas e Energia de que o governo não pretende alterar nada – e da defesa dos resultados do leilão feita pela Presidente da República na televisão – já se fala na pele do urso e as favas se dão por contadas.
Os argumentos são de que não houve concorrência – interessante, será que o “mercado” pretendia que o governo ficasse com mais petróleo do que ficou? – que a Petrobras não tem escala para assumir os poços que serão licitados no futuro – uma “consultoria” estrangeira disse que a Petrobras já está com “as mãos cheias” com Libra, e as exigências de conteúdo local.
Isso tudo quer dizer o seguinte: a guerra pelo petróleo brasileiro não acaba com o leilão de Libra. Ela está apenas começando, e vai ficar cada vez pior. Já que não podemos ter o ideal, fiquemos com o possível. Os desafios para a Petrobras, daqui pra frente, serão tremendos, tanto do ponto de vista institucional, quanto do operacional, na formação e contratação de mão de obra, no gerenciamento de projetos, no endividamento, no conteúdo nacional.
É hora de cerrar fileiras em torno daquela que é – com todos os seus problemas - a nossa maior empresa de petróleo.

A sorte está lançada. A partir de agora, os adversários do Brasil, e da Petrobras, vão fazer de tudo para que ela se dê mal no pré-sal.

TEXTO ORIGINAL NESTE ENDEREÇO:
http://www.maurosantayana.com/2013/10/as-licoes-de-libra.html

sábado, 21 de setembro de 2013

Lei da terceirização derruba salário em até 30%

Ministro do TST estima que renda do trabalhador caia até 30% terceirização regulamentada

da Agência Brasil, via site da CUT
Centrais sindicais protestam na entrada da Câmara.
Foto: Layrce Tomaz/ Câmara dos Deputados
A aprovação do Projeto de Lei (PL) 4.330/2004, que regulamenta a terceirização no Brasil, terá “efeito avassalador” nas conquistas dos trabalhadores e reduzirá a renda em até 30%, disse hoje (18) o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Mauricio Godinho Delgado.

Em comissão geral para debater o projeto no plenário da Câmara dos Deputados, Delgado ressaltou que a saúde dos trabalhadores poderá ficar em risco com a massificação da terceirização de serviços. O ministro destacou a necessidade de regulamentar o trabalho terceirizado, mas de forma a restringir esse tipo de contratação. A proposta em debate estimula a terceirização, disse ele.

“O projeto, claramente, generaliza a terceirização. Na concepção de 19 ministros do TST, que têm, cada um, 25 anos, no mínimo, de experiência no exame de processos, o projeto generaliza, sim, a terceirização trabalhista no país. Em vez de regular e restringir a terceirização, lamentavelmente, o projeto torna-a um procedimento de contratação e gestão trabalhista praticamente universal no país.”

Para o ministro, o aumento desse tipo de contratação provocará o rebaixamento da renda do trabalho em cerca de 20% a 30% de imediato, “o que seria um mal absolutamente impressionante na economia e na sociedade brasileira.”

Além disso, ao se generalizar a terceirização, acrescentou, as categorias profissionais tenderão a desaparecer no país, porque todas as empresas, naturalmente, vão terceirizar suas atividades. E o desaparecimento das categorias profissionais terá um efeito avassalador sobre as conquistas históricas.”

Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, a regulamentação do trabalho terceirizado resultará em mão de obra mais precária. “A UGT é a favor de se aprimorar [o projeto], mas é preciso ser extirpado aquele item que permite que todos os trabalhadores sejam terceirizados. Nos Estados Unidos, a atividade de TI [tecnologia da informação] tem muitos indianos terceirizados, que recebem um décimo do que ganha o americano. É o que vai acontecer no Brasil”, afirmou.

Antes de discutir a regulamentação da terceirização, ressaltou Patah, é preciso debater a Convenção 158 [da Organização Internacional do Trabalho, que trata da dispensa arbitrária], a redução da jornada e o crescimento econômico do Brasil. “Por que nós temos sempre que debater e discutir o que é ruim para a classe trabalhadora?”, questionou.

Ex-ministro do Trabalho, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), considerou o projeto de lei inconstitucional. “Não há nada que se acrescentar à lei para respeitar a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] e a Constituição. O que se está propondo, na verdade, é legalizar a interposição fraudulenta de mão de obra, prática de setores empresariais irresponsáveis, que não têm compromisso com este país”, disse Berzoini.

A comissão geral foi convocada para debater o projeto depois de sucessivos cancelamentos de votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) devido a manifestações favoráveis e contrárias à proposta.

Edição: Nádia Franco

Texto replicado: VI O MUNDO

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O sol foi privatizado na Espanha

A busca por fontes de energia renovável é uma das opções indicadas pelos especialistas em sustentabilidade, como alternativa para diminuir o impacto no meio ambiente e ao mesmo tempo proporcionar uma redução no custo gerado pelo consumo de eletricidade nas residências e indústrias.

Por outro lado, estas fontes renováveis são vistas como "ameaças" aos negócios das companhias energéticas, que temem uma provável queda no consumo de energia caso os cidadãos resolvam adotar fontes alternativas de energia como painéis fotovoltaicos (energia solar) ou geradores de energia eólica (usando a força dos ventos).

O primeiro país a se incomodar com isso foi à Espanha, ao definir um controle sobre a instalação de sistemas fotovoltaicos, por pressão das empresas elétricas espanholas.

Quem instalar placas solares para geração de energia doméstica sem a autorização do governo espanhol poderá ser multado em até 30 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões).

O Governo espanhol quer manter o controle das fontes renováveis e implantar o auto-consumo energético aos poucos, sem causar impactos no sistema tradicional. Para isso, quer implantar "pedágios" para a luz solar. "Vamos implantar um "pedágio" para a energia recebida do sol", resume Mario Sorinas, da empresa Electrobin.

"De cada 50 chamadas telefônicas recebidas, 35 são de particulares interessados no auto-consumo", diz Francesc Mateu, gerente da Sol Gironés, empresa especializada em energia renovável.

A União Espanhola Fotovoltaica (UNEF), que agrupa 300 empresas e representa 85% do setor, assegura que se alguém resolve implantar receptores de luz do sol isso sairia mais caro do que recorrer ao consumo convencional.

Se antes do "pedágio solar" era necessário 12 anos para recuperar o investimento em uma instalação residencial de 2,4 quilowatts de potência agora vai exigir 23, de acordo com estimativas da UNEF.

Será esta a melhor forma de administrar os recursos naturais?

Fonte: El País

Texto replicado neste endereço:

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

NÃO DÊ O PEIXE, ENSINE A PESCAR!

Antes do chamado Descobrimento da América, os nativos já viviam nas terras desconhecidas. Eles viviam da pesca, caça, coleta e praticava uma agricultura rudimentar, mas essas atividades eram suficientes para propiciar o sustento das tribos existentes.

Nos primeiros contatos, com os povos vindo da Europa, as relações eram de escambo (troca) de mercadorias trazidas da Europa com o fornecimento do Pau Brasil. Nessa relação comercial, os nativos cortavam e colocavam toda a madeira dentro dos navios para o posterior transporte. Em troca, eles recebiam quinquilharias para enfeite e ferramentas como: facas, machados e enxadas. Alias, as ferramentas era a parte que mais interessava para os nativos, pois essas ferramentas permitiam executar uma melhor agricultura, caçar e pescar de maneira mais eficaz.

De posse dessas ferramentas, os nativos demoravam a fazer escambo com os europeus, só apareciam quando surgiam a necessidade de novas ferramentas. Afinal de contas, eles tinham como prover o próprio sustento sem a necessidade do contato permanente e do escambo entre eles e os europeus.

Só que o Pau Brasil perdeu preço no mercado europeu e portanto o comércio, realizado a partir do escambo, praticamente ficou paralisado. Os Portugueses que se diziam os descobridores das novas terras (na realidade estavam invadindo e tomando posse) ficaram na necessidade de explorarem uma nova maneira de tirar riqueza das terras que se apossaram. Mas, como convencer os nativos a trabalharem para eles? Lembrar que os nativos proviam o próprio sustento e não tinham necessidades de trabalharem para os supostos donos da terra. Alias, nem mesmo a ideia de posse da terra eles tinham, para eles a terra pertencia a todos e todos poderiam andar e viver sobre elas.

Para obrigarem os nativos trabalharem para os europeus só tinha um jeito: tirar as condições que os mesmos tinham de prover o próprio sustento. E isso foi feito se apossando da terra, só que o problema é que muitos nativos reagiram a perda de liberdade e acesso a terra. Os que reagiram foram mortos, outros foram capturados e muitos fugiram para o interior do país.

Como os nativos que foram capturados não produziam da maneira que satisfizesse os novos donos dos meios de produção, os portugueses tiveram de trazer outros dominados (os negros africanos!) para serem explorados e gerarem riquezas para os invasores europeus!!! Para piorar a situação, os nativos americanos, que estavam sendo obrigados a fazerem trabalhos forçados, resistiam em realizar os trabalhos na agricultura até por questões morais. Era tradição os nativos dividirem os trabalhos agrícolas da seguinte maneira: os homens faziam a limpeza e semeadura da terra e as mulheres faziam a coleta e produção do alimento. Portanto, muitos dos homens nativos preferiam morrer do que fazerem trabalhos femininos.

Essa apropriação das terras do novo continente continua até os nossos dias. Só que durante todo esse tempo de invasão e devastação das riquezas do continente, os índios foram sendo eliminados (continuam sendo eliminados), alguns foram incorporados ao novo mundo e juntamente com os negros, já “libertos”, estão cada vez mais sendo espremidos nas poucas terras (geralmente as sem valor) que tiveram acesso. Devido a essa apropriação por parte dos exploradores, os que não conseguiram se apropriar dos meios de produção (incluem-se alguns descendentes dos europeus) tem de conseguir o próprio sustento trabalhando para esses que se apossaram dos meios de produção e consequente controlam os meios de sustento dos que deles dependem!

Só que a chamada modernidade nos novos meios de produção obrigam aos explorados terem de aprenderem manipularem esses novos equipamentos para produção (aprenderem uma nova profissão) e isso nem sempre ocorre. Muitos ficam a mercê de se receber o peixe para não passarem fome. Resultado, muitos dos que conseguem trabalhar (emprego) e conseguir o próprio sustento não querem que se dê o peixe aos que não foram absorvidos nos novos meios de produção. Alegam que não se deve dar o peixe ( os sustento) e sim, ensinar a pescar, ou seja, trabalharem para conseguirem o próprio sustento.

Ironicamente, quando os invasores aqui chegaram, os que aqui viviam proviam o próprio sustento, cultivavam a própria roça, caçavam e pescavam. Só que agora aparecem os descendentes, dos invasores, exigindo que se aprenda a pescar! Retiraram o acesso a terra, poluíram os rios, prenderam os poucos animais que sobreviveram e até para se respirar está ficando cada vez mais difícil, devido a poluição, e querem ensinar a pescar! Ou seja, essa frase de efeito é uma das maneiras de se convencer que os dominados trabalhem nas condições impostas para os que se apossaram dos meios de sustento da grande maioria da população!!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

domingo, 4 de agosto de 2013

Nós somos a alta tecnologia da espionagem global

Todas as fantasias dos adeptos das teorias conspiratórias que imaginavam os EUA espionando cada canto do planeta com satélites e dispositivos ultra tecnológicos viraram fumaça em um par de dias. A alta tecnologia da espionagem global somos nós mesmos, não satélites espiões, nem raios invisíveis. Nós entregamos nossos correios, nossos segredos, as fotos e os nomes de nossos filhos e irmãos, de nossos amigos, envoltos em um papel de presente transparente. Especialistas em tecnologias da informação concordam: é imperativo mudar nossa cultura na rede. Por Eduardo Febbro, de Paris .

Eduardo Febbro

Paris – Só nos resta o espelho do nosso próprio desencanto. E certa tristeza humana e “geopolítica” ao constatar que, frente ao grande espião universal norte-americano vestido com a roupagem da democracia, os europeus não só deram mostras de uma espantosa covardia frente aos Estados Unidos, como também que, toda sua potência econômica, todo seu espaço comunitário, todo seu Banco Central e seu euro, não serviram sequer para criar um contrapeso numérico ao lado do alucinante poderio norte-americano.

O jornalista investigativo e especialista em internet e em novas tecnologias da informação, Jaques Henno, autor de dois livros sobre espionagem (“Todos fichados” e “Sillicon Valley, o Vale dos Predadores”), comenta: “Nós, enquanto europeus, estamos na periferia do império norte-americano. Enviamos informações a ele porque não fomos capazes de criar o equivalente do Google, Apple ou Facebook para conservar na Europa essas informações”. Kavé Salamantian, professor de informática e telecomunicações na Universidade de Lancaster, expressa certa amargura quando diz: “A NSA nos enganou. Era previsível que nos espionasse. Fomos enganados pelas empresas privadas, Google, Facebook, Apple, Microsoft. Elas nos espionam de uma forma muito simples: utilizam as informações que nós proporcionamos e a confiança que tivemos nas empresas que oferecem serviços informáticos. Esses atores se tornaram parte tão cotidiana de nossa vida que nos esquecemos das informações essenciais que disponibilizamos”.

A espionagem organizada a partir do dispositivo Prisma revelado pelo ex-membro da NSA norte-americana, Edward Snowden, é de uma simplicidade infantil. Stéphane Bortzmeyer, especialista em segurança informática e arquiteto de sistemas e redes, explica que Prisma “é só uma parte da espionagem norte-americana. A ideia consiste em se conectar com os grandes serviços de intercâmbio, as grandes redes sociais que estão nos Estados Unidos, ou seja, entre outros, Google e Facebook. O grande interesse de atuar neste nível consiste em ter acesso a uma informação que já está estruturada e tratada”.

Todas as fantasias dos adeptos das teorias conspiratórias que imaginavam os EUA espionando cada canto do planeta com satélites e dispositivos ultra tecnológicos viraram fumaça em um par de dias: “Prisma”, acrescenta Bortzmeyer, “é uma tecnologia simples, que já existia e que, além disso, é a mesma que utilizamos”. Em resumo, a alta tecnologia somos nós mesmos, não satélites espiões, nem raios invisíveis. Não. Nós entregamos nossos correios, nossos segredos, as fotos e os nomes de nossos filhos e irmãos, de nossos amigos, envoltos em um papel de presente transparente. Nicolas Arpagian, especialista em cyber-segurança, professor no Instituto de Altos Estudos de Segurança e Justiça, ressalta justamente que “o problema com os dados reside em que se toma uma informação de um servidor informático que está aí permanentemente. Não há roubo. Pode-se operar sem que a vítima se dê conta. A força desse tipo de espionagem radica no fato de que a vítima ignora seu estatuto de vítima”.

Os brinquedos conhecidos que a NSA emprega para acessar nossas intimidades são três: o olho é Prisma, seus aliados são Boundless Informant e X-Keyscorey. Prisma se conecta aos servidores das redes sociais, Google, Microsoft, Apple, Twitter, Skype, Facebook e outros. Boundless Informant é um software dirigido em grande parte ao ataque extraterritorial. O dispositivo mede o nível de segurança que cada país aplica a seus sistemas ao mesmo tempo em que consolida os meta-dados das conversações telefônicas (quem fala com quem) e das comunicações informáticas, as IP. X-Keyscorey é, nesta montagem, o cérebro do chamado Big Data, ou seja, o conjunto dos dados armazenados e analisáveis. X-Keyscorey é uma espécie de “Google” interno da NSA, ou seja, um analisador de conteúdos que abre as portas de tudo: histórico de navegações de uma pessoa, buscas realizadas na internet, conteúdos dos e-mails, conversações privadas no Facebook, cruzamento de informações segundo o idioma, o país de origem e de destino dos dados e dos intercâmbios.

Se a NSA quiser, com o X-Keyscorey nossa vida digital é um livro aberto. Comprar um congelador de grande capacidade (podem ser usados para armazenar explosivos), viajar de primeira classe aos Estados Unidos (os assentos ficam próximos da cabine dos pilotos), ou comprar uma panela de pressão pode levantar suspeitas na NSA. Prisma e seus programas associados realizam perfis matemáticos para detectar eventuais suspeitos segundo as navegações na rede ou os dados. “Tudo é analisado em massa”, diz Stéphane Bortzmeyer. Como destaca Kavé Salamantian, o problema está em que “isso não é a realidade, mas sim pura virtualidade construída a partir de uma aparência de racionalidade matemática”.

“Google e as ferramentas que oferece pode nos seguir em escala planetária e de forma permanente”, explica Nicolas Arpagian. Somos, de fato, filhos da “rastreabilidade”. Jacques Henno fala de uma “rastreabilidade política, sexual, ideológica e religiosa”. Os números falam por si próprios: Google e Facebook têm mais de um bilhão de usuários em todo o mundo; 80% das comunicações através da internet passam pelos Estados Unidos; no Facebook são publicadas 350 milhões de fotos por dia, o que dá 3,5 bilhões de fotos em dez dias e 35 bilhões em cem dias. A mágica ocorre quando nos inscrevemos no Google ou Facebook. Poucas pessoas leem as condições de utilização, mas estas explicitam claramente que o usuário “autoriza” o armazenamento das informações no território norte-americano. Os dados, por conseguinte, dependem do direito dos EUA, tanto mais que a lei Patriot Act, aprovada logo depois dos atentados de 11 de setembro, permite aos governos estadunidenses requerer o conteúdo dos arquivos das pessoas suspeitas.

Mais ainda. Como explica Nicolas Arpagian, “a lei norte-americana se aplica às empresas quando 51% do capital das mesmas está em mãos de capitais norte-americanos, seja qual for sua localização”. Isso inaugura uma espécie de extensão do direito doméstico dos Estados Unidos para o resto do planeta. Arpagian analisa este dado e observa que “a particularidade deste emprego ofensivo das tecnologias da informação está em que já não se estabelece mais a diferença entre o mundo civil e o militar”.

Houve vários sistemas globais de espionagem. O mais conhecido e que precedeu o Prisma foi o Echelon. Este dispositivo de espionagem instalado no Canadá, Estados Unidos, Grã Bretanha, Nova Zelândia e Austrália se limitava a coletar comunicações telefônicas. Prisma, por sua vez, tem acesso a tudo e com uma distinção maior: “a diferença entre Echelon e Prisma passa pelo fato de que o Echelon era uma estrutura unicamente do Estado, enquanto que Prisma exige a colaboração das empresas privadas”.

No meio disso tudo, estão os britânicos e seu quartel general de espionagem, onde filtram quase exclusivamente tudo o que passa pela fibra ótica. Os teóricos do ocaso do império se equivocaram por muito. “Não resta dúvida alguma que, por meio do controle das tecnologias da informação, os Estados Unidos contam com um elemento de considerável potência. E esse poder norte-americano corresponde ao que nós deixamos nas mãos desta sociedade de informação”.

Os europeus têm muita literatura diplomática, mas carecem de contrapeso tecnológico. Por uma razão misteriosa, não quiseram jogar o xadrez digital. Seus cidadãos e suas empresas – e até os serviços públicos – são clientes de Google e Microsoft como qualquer habitante deste planeta. Seus dados estão na nuvem e seus e-mails nos operadores estadunidenses. Incrédulos, inocentes ou passivos, o certo é que terminamos fazendo parte de uma gigantesca armazenagem de dados para onde foram parar nossos pecados e nossas virtudes. Um horror absoluto.

A hora da mudança chegou. Todos os especialistas consultados confluem na mesma análise: é imperativo mudar nossa cultura na rede, precisamos ser mais responsáveis e, da mesma maneira que ocorre com o ambiente físico, tomar consciência do perigo virtual que nos cerca e nos proteger dele. A era do sonho virtual coletivo e da inocência ante o computador chegou ao fim. Snowden, que era parte do sistema, desgarrou a imensidade da verdade intuída. Agora sabemos.

Tradução : Katarina Peixoto

Texto replicado : CARTA MAIOR

Texto relacionado: Estamos sob vigilância

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Dia da Abolição !!!


O dia 13 de maio é considerado o Dia da Abolição da Escravidão Negra no Brasil. Será que realmente acabou a escravidão no Brasil?

O mais estranho é que esse dia passou praticmaente despercebido nos grandes meios de comunicação! Alias, até mesmo nas salas de aulas muito poucos porfessores se lembrou que existe esse dia.
Para melhor falar sobre a Abolição da Escravatura eu escolhi o pronunciamento do Senador José Requião (PR) , visto no vídeo postado abaixo:

OBSERVAÇÃO: Eu estenderia o pronunciamento do senador também em relação aos índios que estão sendo massacrados e que estão lutando para ficarem com a pouca terra que tiveram o direito de viverem.

Textos relacionados:
Soltando os negros e libertando os animais
A Fábrica de Bandidos

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O silêncio sobre U$ 675 bilhões extraídos dos brasileiros

Escola Margareth Thatcher

Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 12/04/13

por Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia, por e-mail

Determinado bem pertencente ao povo brasileiro, que vale no mercado em torno de US$ 1,5 trilhão, vai ser repassado, no próximo mês de maio, a empresas estrangeiras pelo pagamento de US$ 225 bilhões de royalties durante um período de 30 anos.

Pode ser suposto que, para colocar o bem no mercado, as empresas precisam recuperar investimentos e custos realizados, além de ter um bom lucro, ou seja, elas precisam retirar US$ 600 bilhões do negócio.

Em outras palavras, nosso povo deveria receber pelo bem em torno de US$ 900 bilhões (= US$ 1,5 trilhão – US$ 600 bilhões). Como recebe só US$ 225 bilhões, ele vai ter seu patrimônio subtraído exatamente em US$ 675 bilhões, parcela esta que irá para os caixas das empresas como superlucro.

O PIB do Brasil em 2012 foi de US$ 2,3 trilhões. Assim, esta subtração do patrimônio do nosso povo é igual a cerca de 30% do PIB brasileiro.

No entanto, nenhum meio de comunicação tradicional, quer sejam os jornalões ou as revistas semanais ou as TV abertas ou por assinatura, falou sobre este fato.

A população brasileira nada sabe sobre uma ação que representará uma gigantesca subtração de patrimônio público.

Este silêncio é a comprovação da parcialidade da grande mídia, que oculta as verdadeiras questões de interesse da sociedade.

Por outro lado, fica patente também a falta de compreensão da classe política, com raras exceções, com relação às prioridades da nossa sociedade.

Se não for falta de compreensão, pode ser algo bem pior.

É preciso deixar claro que tudo será feito e o patrimônio será entregue estritamente dentro da lei. Uma lei extremamente injusta para com a sociedade e muito benéfica para as empresas, principalmente as estrangeiras. Mas é a lei vigente para blocos fora da área do Pré-sal, de número 9.478 de 1997.

A referida subtração é aprovada a partir da entrega de áreas do território nacional como concessões para empresas explorarem e produzirem petróleo e gás, que ocorrerá na 11ª Rodada de leilões de blocos, promovida pelo governo brasileiro nos dias 14 e 15 de maio.

A estimativa de petróleo a ser descoberto nestes blocos foi fornecida pela própria diretora-geral da ANP em seminário de promoção da Rodada.

Vou repetir argumentações de outros artigos meus sobre este assunto, para explicar sumariamente como esta Rodada é pouco atraente.

As empresas estrangeiras arrematarão grande número de blocos e irão exportar todo petróleo descoberto nestes blocos in natura. Na fase de investimentos, quase não irão comprar no país, não irão contratar desenvolvimento tecnológico nem engenharia no Brasil, quase não irão empregar mão de obra local e deixarão no Brasil o royalty, que é, em comparação com o lucro, uma parcela bem menor.

Também, o Brasil perde a possibilidade de uso do fornecimento garantido de petróleo de médio prazo a outros países como instrumento de ação geopolítica. A lei 9.478 permite todas estas injustiças e usurpação da nossa riqueza.

À primeira vista, a alegria devido à morte de um ser humano pode ser considerada uma desumanidade. No entanto, pode também significar uma explosão de alívio, pois a fonte de opressão e insensibilidade, representada pelo morto, foi extinta. Foi o que aconteceu com a morte de Margareth Thatcher.

Ou seja, o povo comemorou a execução pela Justiça divina, ou pelo acaso, daquilo que a Justiça terrestre foi incapaz de corrigir.

Injustiças causadas pelo preposto do capital, com ajuda da mídia subalterna, tristemente suportadas pelo povo, oprimem tanto que a morte do algoz pode ser comemorada.

Apesar da inegável realização social dos governos Lula e Dilma, fica uma pergunta na nossa mente: qual o legado a presidente Dilma quer deixar neste setor? Ser lembrada como membro da Escola da privatista Margareth Thatcher?

Se você estiver convencido sobre o que foi explicado e quiser fazer valer seu desejo, mesmo porque a Constituição afirma que todo poder emana do povo, remeta um recado para a presidente Dilma através do endereço: https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php.

Com relação aos deputados e senadores, mandar mensagens é mais complicado, porque teria que ser através de e-mails individuais.

Um e-mail para cada um dos 513 deputados e cada um dos 81 senadores. No entanto, não deixe de mandar para aqueles nos quais você acredita. Sugiro, também, que você se defenda, pois estará sendo lesado. Lute como puder para esta usurpação ser barrada.


Tedxto replicado deste blog: VI O MUNDO (Luiz Carlos azenha)

quarta-feira, 20 de março de 2013

DE TRILHOS E SUBMARINOS

(HD) - A Presidente Dilma Roussef, inaugurou há dias, o estaleiro que produzirá os nossos submarinos. A primeira encomenda é de quatro belonaves convencionais e uma nuclear, cujo casco será construído com a parceria da estatal francesa DNCS, com o reator a cargo da Marinha. O Brasil talvez pudesse poderia chegar ao mesmo resultado – o submarino atômico só irá ao mar em 2023 – com menos dinheiro, se contratasse técnicos aposentados com o fim da URSS - e ainda disponíveis, às centenas, na Rússia e na Ucrânia.

Isso poderia ter sido feito desde o início do projeto, há quase 20 anos, coincidindo com a crise do socialismo, mas, infelizmente, o Brasil tem tido, a partir do governo Fernando Henrique, dificuldade para pensar e coordenar seus projetos de longo prazo. Esse é o caso, por exemplo, das duas licitações da VALEC para a compra de 250 mil toneladas de trilhos, destinados à Ferrovia Norte-Sul e à FIOL – Ferrovia de Integração Oeste-Leste - suspensas, depois de intervenção do TCU, neste início de ano. Um só consórcio se apresentou para as duas concorrências, o que espanta, diante da dimensão do negócio. É estarrecedor que só agora, na etapa da conclusão das obras, os trilhos estejam sendo encomendados à China.

Não é possível entender que se comece uma ferrovia sem saber de onde virão suas peças mais óbvias, como são os trilhos. E, menos ainda no país que é o maior produtor de minério de ferro do mundo, e com capacidade ociosa em sua indústria de aço. É inadmissível que - com um grande empresário da área, o Sr. Jorge Gerdau, atuando como articulador do governo com o setor privado – o Brasil não seja capaz de produzir seus próprios trilhos. Se nossas usinas siderúrgicas estatais – com sua importância estratégica, como vemos agora - não tivessem sido irresponsavelmente privatizadas, até o ponto de não sobrar nem uma sequer, bastaria, como ocorre na China, que o Governo convocasse uma delas e determinasse a execução da tarefa.

Como isso não é possível – até mesmo pela resistência cada vez maior do governo em defender qualquer medida que possa ser interpretada como estatizante – o problema poderia ser resolvido, apesar da proverbial chiadeira, dentro das “regras” do mercado. O BNDES, em vez de ficar financiando multinacionais que mandam bilhões para fora todos os anos, poderia ir às compras no Bovespa, para fortalecer o controle do Estado em áreas estratégicas, recomprando, por exemplo, as ações que pertenciam à Previ, na Embraer, e que foram vendidas no governo Lula. O preço das ações – por obra da campanha de sabotagem da imprensa econômica internacional contra o governo – está em baixa. A aquisição de papéis da Petrobras e da Vale ajudaria a recuperar seu valor, e eles poderiam ser vendidos, com lucro, no futuro.

TEXTO RETIRADO DESTE ENDEREÇO:
http://www.maurosantayana.com/2013/03/de-trilhos-e-submarinos.html

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A MALDIÇÃO DA ABUNDÂNCIA

A “maldição da abundância” é uma expressão usada para caracterizar os riscos que correm os países pobres onde se descobrem recursos naturais objeto de cobiça internacional.

A promessa de abundância decorrente do imenso valor comercial dos recursos e dos investimentos necessários para o concretizar é tão convincente que passa a condicionar o padrão de desenvolvimento econômico, social, político e cultural.

Os riscos desse condicionamento são, entre outros: crescimento do PIB em vez de desenvolvimento social; corrupção generalizada da classe política que, para defender os seus interesses privados, se torna crescentemente autoritária para se poder manter no poder, agora visto como fonte de acumulação primitiva de capital; aumento em vez de redução da pobreza;

Polarização crescente entre uma pequena minoria super-rica e uma imensa maioria de indigentes; destruição ambiental e sacrifícios incontáveis às populações onde se encontram os recursos em nome de um “progresso” que estas nunca conhecerão;

Criação de uma cultura consumista que é praticada apenas por uma pequena minoria urbanamas imposta como ideologia a toda a sociedade; supressão do pensamento e das práticas dissidentes da sociedade civil sob o pretexto de serem obstáculos ao desenvolvimento e profetas da desgraça. Em suma, os riscos são que, no final do ciclo da orgia dos recursos, o país esteja mais pobre econômica, social, política e culturalmente do que no seu início.

Nisto consiste a maldição da abundância.

Depois das investigações que conduzidas em Moçambique entre 1997 e 2003 visitou-se o país 
várias vezes.

Em uma das visitas colheu-se uma dupla impressão que a solidariedade com o povo 
moçambicano transforma em dupla inquietação.

A primeira tem precisamente a ver com a orgia dos recursos naturais. 

As sucessivas descobertas (algumas antigas) de carvão (Moçambique é já o sexto maior  produtor de carvão a nível mundial), gás natural, ferro, níquel, talvez petróleo anunciam um El Dorado de rendas extrativistas que podem ter um impacto no país semelhante ao que teve a independência.

Fala-se numa segunda independência.

Estarão os moçambicanos preparados para fugir à maldição da abundância?

Duvido!

As grandes multinacionais, algumas bem conhecidas dos latino-americanos, como as empresas Rio Tinto e a brasileira Vale do Rio Doce (Vale Moçambique) exercem as suas atividades com muito pouca regulação estatal.

Celebram contratos que lhe permitem o saque das riquezas moçambicanas com mínimas contribuições para o orçamento de estado (em 2010 a contribuição foi de 0,04%); violam impunemente os direitos humanos das populações onde existem recursos, procedendo ao seu reassentamento (por vezes mais de um num prazo de poucos anos) em condições desumanas, sem respeito para com o os lugares sagrados, como é o caso dos cemitérios e dos ecossistemas.

Sempre que as populações protestam são brutalmente reprimidas pelas forças policiais e militares.

A Vale é hoje um alvo central das organizações ecológicas e de direitos humanos pela sua arrogância neocolonial e pelas cumplicidades que estabeleceu com o governo. 

Tais cumplicidades assentam por vezes em perigosos conflitos de interesses, entre os interesses do país governado pelo Presidente Guebuza e os interesses das empresas do empresário Guebuza donde podem resultar graves violações dos direitos humanos como quando o ativista ambiental Jeremias Vunjane, que levava consigo para a Conferência da ONU, Rio+20, denúncias dos desmandos da Vale, quando foi arbitrariamente impedido de entrar no Brasil e deportado (e só regressou depois de muita pressão internacional), ou quando, às organizações sociais é pedida uma autorização do governo para visitar as populações reassentadas como se estas vivessem sob a alçada de um agente soberano estrangeiro.

São muitos os indícios de que as promessas dos recursos começam a corromper a classe política de alto a baixo e os conflitos no seio desta são entre os que “já comeram“ e os que “querem também comer”.

Não é de esperar que nestas condições, os moçambicanos no seu conjunto beneficiem dos recursos.

Pelo contrário, pode estar em curso a angolanização de Moçambique.

Não será um processo linear porque Moçambique é muito diferente de Angola: a liberdade de imprensa é incomparavelmente superior; a sociedade civil está mais organizada; os novos-ricos têm medo da ostentação porque ela é exposta semanalmente na imprensa e também pelo medo dos seqüestros;

O sistema judicial, apesar de tudo, é mais independente para atuar; há uma massa crítica de acadêmicos moçambicanos credenciados internacionalmente capazes de fazer análises sérias que mostram que “o rei vai nu”.

A segunda impressão e inquietação, relacionada com a anterior, consiste em verificar que o impulso para a transição democrática que observara em estadias anteriores parece estancado ou estagnado.

A legitimidade revolucionária da FRELIMO sobrepõe-se cada vez mais à sua legitimidade democrática (que tem vindo a diminuir em recentes atos eleitorais) com a agravante de estar agora a ser usada para fins bem pouco revolucionários;

A partidarização do aparelho de estado aumenta em vez de diminuir. 

A vigilância sobre a sociedade civil aperta-se sempre que nela se suspeita dissidência; a célula do partido continua a interferir com a liberdade acadêmica do ensino e investigação universitários.

Mesmo dentro da FRELIMO, e, portanto, num contexto controlado, a discussão política é vista como distração ou obstáculo ante os benefícios indiscutidos e indiscutíveis do “desenvolvimento”.

Um autoritarismo insidioso disfarçado de empreendedorismo e de aversão à política (“não te metas em problemas”) germina na sociedade como erva daninha.

Ao partir de Moçambique, uma frase do grande escritor moçambicano Eduardo White é marcante: “nós que não mudamos de medo por termos medo de o mudar” (Savana, 20-7-2012).

Uma frase talvez tão válida para a sociedade moçambicana como para a sociedade portuguesa e para tantas outras acorrentadas às regras de um capitalismo global sem regras.

Autor: Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Publicado no jornal: GAZETA VALEPARAIBANA

quinta-feira, 22 de março de 2012

Guerra da Água é silenciosa, mas já está em curso


A guerra da água é silenciosa, mas é uma realidade: conflito em Barcelona causado pelo aumento das tarifas, quase guerra na Patagônia chilena por causa da construção de enormes represas e da privatização de sistemas fluviais inteiros, antagonismos em Barcelona e em muitos países africanos pelas tarifas abusivas aplicadas pelas multinacionais. A pérola fica por conta da Coca Cola e de suas tentativas de garantir o controle em Chiapas, México, das reservas de água mais importantes do país.

Eduardo Febbro - De Paris

sábado, 31 de dezembro de 2011

John Perkins - Confissões de um Assassino Econômico


Capa do livro
De maneira bem resumida, Confissões de um Assassino Econômico é um relato da trajetória de John Perkins, ele mesmo um assassino econômico, que fala com o conhecimento de causa de quem já fez uso de métodos escusos para defender os interesses econômicos (e políticos) dos Estados Unidos em terras estrangeiras.

Vamos direto à sinopse que consta no site da Editora Cultrix, detentora dos direitos da obra no Brasil.

Como o próprio título do livro sugere, em tom confessional, o autor revela os mecanismos secretos do controle do imperialismo norte-americano nos países pobres estrategicamente importantes. A história do próprio autor se mescla à história contemporânea de países onde esteve, como Indonésia, Panamá, Colômbia, Arábia Saudita, Equador e Irã.

Já de início John Perkins relata como, ainda jovem, foi recrutado secretamente pela Agência de Segurança Nacional americana e incluído na folha de pagamento da empresa internacional de consultoria chamada Chas. T. Main, empresa pela qual conheceu esses países. Sua função nesses gigantescos bolsões de miséria era maquiar os números, servindo exclusivamente aos interesses da corporatocracia norte-americana, ou seja, uma coalizão entre governo, bancos e corporações.

John Perkins
Autodenominados "Assassinos Econômicos" ou simplesmente AEs, John Perkins e seus colegas eram instruídos a sair desses países com algum "projeto mirabolante", como a construção de redes elétricas por exemplo. O objetivo era deixar esses países cada vez mais endividados. "Assassinos econômicos são profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países ao redor do mundo. Entre seus instrumentos de trabalho, incluem-se relatórios adulterados, pleitos eleitorais fraudulentos, subornos, extorsões, sexo e assassinato", afirmou.

Decidido a mudar o curso de sua vida e motivado pelos acontecimentos da história recente como o 11 de Setembro, o autor levou adiante o seu plano de revelar os bastidores do imperialismo norte-americano. "Por várias vezes fui convencido a deixar de escrever este livro. Recomecei-o mais de quatro vezes durante vinte anos. Na época, as ameaças e os subornos sempre me convenciam a parar", disse.

Não sei por que, mas essa história me parece familiar. E você, ficou curioso? Não fique, leia o livro. Mas se a ansiedade é grande, acompanhe aqui mesmo o que o autor tem a dizer sobre a sua função como agente a serviço do Tio Sam.


TEXTO REPLICADO DO BLOG: Geografia eTal