Mostrando postagens com marcador bancos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bancos. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de junho de 2017

Entenda porque bancos incentivam a corrupção de governos

De acordo com Hudes, a elite usa um núcleo hermético de instituições financeiras e mega-corporações que dominam o planeta.

Veritas Radio


Karen Hudes é uma graduada da Escola de Leis de Yale e trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial por 20 anos. Na verdade, ela foi demitida pela divulgação de informações sobre corrupção dentro do Banco Mundial, sua posição era “conselheiro legal.”

Ela teve uma perspectiva clara para mostrar como a elite domina o mundo, e a informação que está a revelar ao mundo é absolutamente incrível. De acordo com Hudes, a elite usa um núcleo hermético de instituições financeiras e mega-corporações que dominam o planeta.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Brasil precisa de 'BNDES dos pobres', diz economista vencedor do Nobel da Paz

Para o economista bengali Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz o país precisa de um "BNDES para os pobres" para avançar no combate à pobreza.

Ruth Costas - BBC Brasil

A ideia, segundo o economista, fundador do banco Grameen de microcrédito, é dar apoio para que integrantes das camadas mais pobres da população desenvolvam sua capacidade empreendedora e "criem seu próprio emprego".

"É preciso separar os serviços bancários e financeiros para os pobres daqueles voltados para os ricos, porque se você não faz isso, no final a instituição em questão acaba focando mesmo nos ricos", disse Yunus, referindo-se ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, instituição de fomento a empresas e outros negócios), em entrevista à BBC Brasil.

"Se o BNDES quer fazer isso (financiar as grandes empresas), tudo bem. Mas deve haver um BNDES para os pobres - apenas para os pobres. Assim a coisa não se confunde. Se o banco faz um pouquinho aqui, outro pouquinho ali, não funciona. É importante que as políticas e as intenções sejam claras para o financiamento dos mais carentes."

Yunus veio ao Brasil para participar de uma série de palestras e de encontros da Fundação da ONU, ONG ligada às Nações Unidas da qual é membro-conselheiro. No Insper, em São Paulo, participou de uma mesa de debate sobre a promoção da igualdade de gênero (96% dos clientes do Grameen são mulheres).

Falando à BBC Brasil sobre o Bolsa Família, Yunus opinou que é preciso garantir que as pessoas que recebem recursos do programa possam empreender e "caminhar com suas próprias pernas".

"Ajudar as pessoas que passam necessidade deve ser uma prioridade para a sociedade. Mas depois que você fez isso, há uma segunda tarefa que é garantir que a pessoa que recebe esses recursos possa se manter sozinha", afirmou o economista.

"Pelo que entendi, o Brasil conseguiu dar conta dessa primeira parte do trabalho. Mas agora é preciso começar a enfrentar essa segunda parte: Como fazer essas pessoas saírem do Bolsa Família e se sustentarem sozinhas, contribuindo para a sociedade?"

História

Nascido em um pequeno vilarejo em Bangladesh, Yunus estudou na Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos e começou a carreira como acadêmico, no Departamento de Economia da Universidade de Chittagong.

Em 1976, criou o banco Grameen, que tinha como objetivo dar empréstimos a taxas de juros amigáveis para que pessoas excluídas do sistema financeiro tradicional pudessem abrir pequenos negócios.

A instituição foi pioneira no modelo de microcrédito e hoje empresta anualmente cerca de US$1,5 bilhões, tendo mais de 8 milhões de clientes.

O modelo rendeu a Yunus o prêmio Nobel da Paz em 2006 e inspirou projetos em 40 países.
"Eu não sabia nada sobre bancos. Então comecei a entender o que os bancos faziam - e fazer o oposto. Eles emprestavam para os homens, começamos a emprestar para as mulheres. Eles atuavam no centro da cidade, fomos para as áreas rurais. Pediam garantias, nós não. Tinham muitos advogados, nós não tínhamos nenhum. Somos o único banco no mundo que não tem advogado", contou o bengali em São Paulo.

Em 2011, porém, o economista teve de deixar a direção do banco após uma longa desavença com o governo de Bangladesh, dono de 25% das ações da instituição.

Empresas sociais

Hoje, ele está à frente de dezenas de empresas e fundações que oferecem serviços e produtos para os pobres em seu país, ou procuram difundir as ideias defendidas pelo economista.

Yunus diz que seu objetivo não é obter lucro, mas "resolver problemas sociais".
"Se você sempre faz e pensa as coisas de modo convencional, só consegue resultados convencionais", disse o economista, ao comentar o aumento da desigualdade no mundo.
"Como ter outros resultados? Mude de direção, dê uma marcha ré. Estamos fazendo isso no mundo dos negócios: em vez de adotarmos como objetivo ganhar dinheiro, ter lucro, nosso objetivo agora é resolver problemas. Com isso temos o que chamamos de 'negócios sociais'".

Em 1997, por exemplo, o Prêmio Nobel ajudou a criar uma companhia de telefone para vender a baixo custo celulares a pessoas pobres. Também fundou empresas na área de energia e na área médica.

Além disso, em 2006 o Grameen fez uma parceria com a Danone para criar um iogurte de baixo custo com nutrientes que faltavam na dieta das crianças das áreas rurais de Bangladesh.

Parte do objetivo de Yunus em sua viagem ao Brasil era impulsionar no país esse modelo de “negócio social” — ou seja, empresas sustentáveis que tem como propósito maior melhorar a vida e resolver problemas da população carente.

A Yunus Negócios Sociais atua no Brasil há cerca de dois anos com o objetivo de apoiar técnica e financeiramente empreendedores com propostas nessa linha.

Créditos da foto: University of Salford Press Office

Texto original: CARTA MAIOR

segunda-feira, 24 de março de 2014

Paul Krugman e Banco Mundial sobre o Brasil apesar da sonegação

O Nobel de economia, Paul Krugman, na abertura do Fórum Brasil em São Paulo, destacou a visível e duradoura vitalidade de nosso parque econômico.

José Carlos Peliano (*)

A semana passada foi especialmente rica em declarações sobre a economia brasileira. De 17 a 21 de março fontes insuspeitas e diferenciadas apontaram pelo menos dois pilares que sustentam o desempenho do país e, apesar disso, um vírus que tenta desarticular as contas públicas. Tudo isso a mercê dos vendavais que vira e mexe sacodem as expectativas, as previsões e as manchetes.

De início, o Nobel de economia, Paul Krugman, na abertura do Fórum Brasil em São Paulo, destacou a visível e duradoura vitalidade de nosso parque econômico. Este o primeiro pilar de sustentação. Contrariamente aos arautos oposicionistas de catástrofes iminentes, registrou em especial a capacidade de adaptação da economia brasileira aos trancos e barrancos da crise mundial e às opções e aos rumos seguidos pelo mercado interno. Chamou-lhe a atenção em particular a flexibilidade demonstrada pela política econômica e pela economia em responder aos cenários negativos. E se sair bem.

Enumerou o economista americano três vantagens em relação às demais economias em crise que não se recuperam mesmo em cenários de juros baixos e inflações no chão tampouco conseguem estimular investimentos. 

A primeira vantagem é a nossa menor exposição aos riscos cambiais por conta de uma dívida externa levada a rédeas curtas. E de uma reserva cambial sólida e crescente. O lado externo, portanto, não assusta mais como em décadas anteriores.

As duas vantagens complementares são a inflação controlada e a política fiscal bem administrada. De fato, esses pilares econômicos têm mantido nosso país resistindo a ataques especulativos, a reduções de exportações e a pressão de importações. O lado interno vira gente grande em contraste com administrações federais de períodos passados.

O único senão anunciado por Krugman foi a dinâmica econômica da China cujo motor pode eventualmente desacelerar mais e afetar negativamente nossa pauta de exportações de commodities. E daí conturbar a balança de pagamentos. Enquanto a economia mundial não voltar a crescer, todo o cuidado com a expansão chinesa é pouco. No mais, segundo ele, pista livre para os motores de nossa indústria, serviços e agricultura permanecerem ligados e operando nos limites de suas capacidades.

Nessas condições, portanto, o lado econômico de nosso país caminha bem e ainda com fôlego para continuar roncando motores pelas pistas mesmo experimentando terrenos difíceis e muitas vezes velocidades menores. Mas ainda assim à frente dos motores em ritmo de tartaruga da maioria das demais economias. 

E o lado social? O lado social igualmente vai indo bem e com bons resultados. Este o segundo pilar de sustentação. Repisando caminhos anteriores, o Brasil conseguiu reduzir marcadamente a desigualdade nos últimos 10 anos. Um dos elementos fundamentais dessa conquista foi a retirada de famílias da pobreza para inserção nos mercados de trabalho e consumo. Intento sem precedentes na histórica econômica do país e sem comparação no mundo moderno.

Esse intento foi lembrado também na semana anterior quando ocorreu o lançamento no Rio de Janeiro do Fórum de Aprendizagem Sul-Sul sobre política social. Ministros de 70 países, cerca de 200 responsáveis de políticas públicas e mais peritos internacionais participaram do evento intitulado Mundo Sem Pobreza. A ideia é de viabilizar um Portal Virtual para a obtenção de informações sobre programas e projetos para a redução da pobreza e da desigualdade social.

Apoiado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Banco Mundial, o encontro destacou-se pela apresentação da experiência brasileira com o Programa Bolsa Família que conseguiu viabilizar a entrada na sociedade de consumo de cerca de 50 milhões de pessoas possibilitando melhoria de renda e obtenção de trabalho. 

A ministra de Solidariedade Social de Djibouti destacou ser a ferramenta virtual um dos instrumentos mais importantes para a construção de sistemas de proteção social. Já a diretora do Banco Mundial no Brasil, Deborah Wetzel, afiançou ter sido oferecida uma oportunidade para acelerar e expandir as lições de aplicação de política social no país.

Por fim, a menção ao vírus completa os destaques da semana anterior, quando o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), através da campanha “Quanto custa o Brasil para você?”, divulgou que em quase 100 dias neste ano o país perdeu cerca de R$ 106 bilhões com a sonegação de impostos. Muito dinheiro fora dos cofres públicos que ficou nos caixas de empresas e bolsos dos cidadãos.

O tamanho da sonegação, o Sonegômetro, placar que registra o quanto de tributos devidos não chega aos cofres públicos pelo recolhimento dos contribuintes (pessoas físicas e jurídicas), calculou que em 2013 o total atingiu cerca de R$ 415 bilhões, o que representa perto de 8,6% do PIB.

Argumenta o sindicato com razão que o dinheiro sonegado, que poderia vir a ser investido na saúde ou educação, sai pelo ralo e perde uso coletivo. A administração pública não consegue ir atrás dos grandes devedores sacrificando assim cada vez mais os pobres e a classe média.

Dos três eventos citados acima sobre o desempenho da economia brasileira fica a lição: apesar dos sonegadores minarem os cofres públicos, ao reduzir os recursos que poderiam ser aplicados em ampliação de programas sociais e reforços de gastos de custeio e de investimentos, o país segue economicamente seguro e socialmente responsável. Cumpre bem seu papel entre os países emergentes e dá lição de competência na administração econômica e na proteção social. Mas como santo de casa não faz milagres, é preciso que os de fora tratem o país como gente grande, exemplo a ser referenciado e parceiro confiável.

Imagine se o sonegômetro viesse a registrar valores menores de ano a ano, a economia brasileira continuasse a resistir à crise mundial e a desigualdade social mostrasse uma cara menos sofrida e mais saudável? Com certeza teríamos condições seguras e razoáveis de pensar em nos mostrarmos ao mundo como sociedade mais justa e igualitária e nação mais forte e exemplar.

Texto original: CARTA MAIOR

sábado, 8 de junho de 2013

O latifúndio Multinacional

(HD)- Os grandes bancos já controlam, mediante o sistema constituído dos fabricantes de agrotóxicos, como a Monsanto, intermediários, exportadores, importadores e compradores locais, usinas de beneficiamento, bolsas de futuros, silos e armazéns, o mercado mundial de alimentos. Agora, associados aos governos dos países centrais, estão avançando sobre as terras onde ainda há áreas férteis disponíveis. Só existem dois continentes com essa possibilidade: a África e a América do Sul. A China, cujo espaço territorial é quase todo árido e fragmentado em centenas de milhões de áreas reduzidíssimas, exploradas for famílias numerosas, está hoje à frente dessa conquista territorial nos dois grandes continentes. Seu rival histórico, e que sofre da mesma dificuldade geológica, o Japão, mais antigo nesse movimento, disputa as mesmas áreas. Sobre o assunto, no que se refere à China, vale a pena conhecer o estudo de Dambisa Moyo, Winner Take All ( O vencedor leva tudo). No caso da China não se trata só de empreendedores privados, mas de operação conduzida pelo Estado, como controlador direto de toda a economia do país. Muitos se preocupam com a compra, direta, de jazidas minerais pelos chineses, mas se esquecem do mais estratégico bem da natureza, que é a terra e, com ela, a comida. Ao juntar a agricultura à mineração (a China comprou uma serra inteira ao Peru, uma das maiores reservas de cobre) os chineses buscam controlar o solo rico do planeta.

Empresas multinacionais, além das organizações chinesas e japonesas, estão adquirindo as áreas disponíveis nas margens dos rios africanos, onde é fácil a irrigação. O mesmo ocorre na América do Sul, e mais no Brasil, onde segundo informações oficiosas, já foram investidos 60 bilhões de dólares na compra de terras. Os chineses usam argentinos como laranjas, para constituir firmas agropecuárias de fachada. O projeto chinês é importar tudo o que produzir para seu próprio consumo.

Ainda agora, na discussão, entre o governo e as Farc, na Colômbia, soube-se que lá na há titularidade regular das terras. Bastou que o governo e os guerrilheiros se dispusessem a discutir, em primeiro lugar, o problema da terra, para que o presidente Santos fosse contestado pelas oligarquias, por meio do ex-presidente Uribe.

No caso da África, os compradores se entendem diretamente com os governantes, muitos deles notórios corruptos. Os pobres não têm como resistir aos governos e são expulsos, dando lugaar a trabalhadores chineses. No mundo neoliberal, esse movimento de ocupação estrangeira, impelido pelo agro-negócio, é a globalização do latifúndio. Se, no Brasil, não houver uma reação forte e estratégica, seremos, súditos dos novos donos das terras. E chegará o dia em que só as recuperaremos com sangue.
Texto de Mauro Santayana

terça-feira, 9 de abril de 2013

O que as democracias do Ocidente escondem nos paraísos fiscais

O egoísmo liberal desenhou um monstro de enormes cabeças, cuja identidade mais paradoxal consiste em que, dos 170 países preocupados com as revelações do caso Jérôme Cahuzac (à direita na foto) sobre sonegação e paraísos fiscais, a maioria corresponde às democracias mais adiantadas. É ali que se escondem os ladrões mais astutos e os organismos que organizam a fraude. Por Eduardo Febbro, de Paris.

Eduardo Febbro

Paris – A conta suíça que o ex-ministro do Orçamento e Fazenda Jérôme Cahuzac havia ocultado lança uma sombra que começa a envolver todo o governo do socialista francês François Hollande. Quase uma semana depois que o ex-ministro socialista confessou que tinha evadido divisas para uma conta aberta, primeiro no paraíso dos delinquentes financeiros, que é a Suíça, depois em Cingapura, dois novos elementos fazem tremer mais uma vez os cimentos do governo: a televisão suíça Romanda – RTS – revelou que Cahuzac depositou em torno de 15 bilhões de euros num banco de Genebra. A soma é infinitamente superior aos 600 mil euros que Cahuzac tinha reconhecido, em sua confissão. 

O montante é tão elevado que Dewy Plenel, o diretor do portal Mediapart, que acusou o ministro no ano passado se pergunta se o que está em jogo não é possivelmente “o financiamento do Partido Socialista”. 15 bilhões de euros é demasiado para um só indivíduo. Segundo a televisão suíça, o banco recusou a operação “por temor a que houvesse complicações posteriores, já que Jérôme Cahuzac era uma personalidade politicamente exposta”. A mesma fonte adiantou também que o ex-ministro teria “depositado ou transferido por Genebra somas mais elevadas, e isso antes de 2009”.

A data é importante, porque o ano de 2009 marca uma mudança na política bancária da Confederação Helvética. A partir dessa data a Suíça decidiu cooperar com a União Europeia, em caso de constatação de evasão fiscal. Neste sentido, outra revelação se acrescenta ao escândalo: o diário de Zurique “Tages Anzeiger” assegura que Cahuzac concedeu uma “certificação fiscal falsificada” ao banco suíço Julius Baer, para demonstrar que os fundos que visava a transferir tinham sido declarados ao fisco francês. 

Segundo a versão do Mediapart e da televisão suíça RTS, Cahuzac tentou, em 2009, que o banco que administrava seus fundos desde 1993, Reyl et Co, sacasse o dinheiro que tinha no banco UBS e o depositasse em outros estabelecimentos. O banco se negou e Cahuzac terminou transferindo o dinheiro para uma filial do Julius Baer situada em Cingapura. O advogado do ex-ministro socialista, Jean Veil, declarou que “essa tese não é verossímil. Dizer apenas uma parte da verdade carece de sentido”. No entanto, os analistas põem em questão os montantes declarados por Cahuzac, ou seja, 600 mil euros iniciais, e argumentam que esse tipo de transferência custa muito caro e que, por conseguinte, só é efetuada quando as somas superam dois ou três milhões de dólares. 

Transtornados pelo escândalo Cahuzac, o presidente e o governo socialista se diluíram em silêncio, esperando que a tormenta passasse, enquanto a imprensa francesa, moralista até o extremo, extasia-se na crítica contra o líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, a quem acusam de populismo, porque disse que, agora, seria preciso “passar uma vassourada e varrer tudo”. O certo é que a tormenta não passa e neste domingo o governo saiu para a ofensiva. O ministro de Economia e Finanças, Pierre Mosovici, propôs a instauração de um “Facta Europeu”, que permita “um intercâmbio automático de informações”. Trata-se de uma cópia do projeto de lei estadunidense apresentado em 2010, a Foreign Account Tax Compliance Act. Esta lei impõe aos estabelecimentos financeiros estrangeiros a transição ao fisco dos EUA das informações sobre as contas abertas pelos contribuintes dos Estados Unidos, sejam estadunidenses ou não. 

Paris não é a única capital atingida pelo mega escândalo Cahuzac e a impecável investigação sobre os paraísos fiscais levada a cabo por mais de 30 jornais internacionais, os já famosos Offshore Leaks. Berlim se somou à contra ofensiva através do ministro de Finanças, Wolfgang Shäuble, que anunciou que a Alemanha iria lançar uma cruzada internacional contra a evasão fiscal. Até o mais obscuro Luxemburgo pôs uma pedra no altar da re-moralização. Reconhecido pela opacidade de seu sistema bancário e pelas facilidades que oferece para reciclar o lixo financeiro do mundo, Luzemburgo anunciou que vai limitar “parcialmente” seu decreto bancário, o que, segundo o ministro da Economia, Luc Frieden, vai “reforçar a cooperação internacional”. 

O gigantismo do calote planetário revelado através dos Offshore Leaks é tal que farão falta medidas simples, ou o intercâmbio de informações, para que se acabe com os paraísos fiscais, tanto mais que, à imagem e semelhança das Ilhas Cayman, estes paraísos são, amiúde, colônias ou ex-colônias com cumplicidade estreitas com as capitais centrais. As Ilhas Cayman são uma colônia da Coroa Britânica e também um dos centros Offshores mais prósperas do mundo. A rede anti-evasão fiscal Tax Justice Network acusa as Ilhas Cayman de ser uma “lavanderia”: multinacionais, enormes fortunas privadas, os fundos hedge fizeram dessas ilhas sua pátria preferida. Ilhas Cook, Ilhas Virgens Britânicas, Samoa, Cingapura, Seychelles, Mônaco ou Suíça são autênticas maquinarias para ocultar dividendos. 

Um dado simples dá conta da amplitude dos fundos que esses territórios livres de tributos manejam: Reyl & Cie, a instituição que movimentava o dinheiro de Jérôme Cahuzac, detém no seu portfolio 7,3 bilhões de euros. Intermediários, esquemas jurídicos complexos e leis benignas levam a que os paraísos fiscais contem em seus bancos com o equivalente ao PIB dos Estados Unidos e Japão juntos. 

O exemplo britânico é uma piada escandalosa: por um lado, o primeiro ministro David Cameron interpela ao G8 para o grupo utilize o dinheiro dos impostos para fazer grandes investimentos e, por outro, com suas Ilhas Virgens ou Cayman, oferece um refúgio confortável aos sonegadores do planeta. A linguagem é dupla em toda parte. A investigação levada a cabo pelo Consórcio independente de jornalistas investigativos – ICIJ – que deu lugar ao Offshore Leaks, mostra, por exemplo, com os bancos franceses BNP Pariba y Crédit Agricole ajudam os seus clientes a criarem empresas offshore e como fornecem nomes falsos de contas para que escondam seus rendimentos. 

Ladrões internacionais, dirigentes de multinacionais, colecionadores de arte, empresas globais, financistas, dirigentes políticos de todos os países, milionários de todo o mundo, investidores, a clientela dos paraísos fiscais abarca todas as atividades onde o dinheiro é rei e esses paraísos, refúgios ideais para esconder coroas de diamantes. 

Entre as 13 mil pessoas com contas que figuram no offshore leake estão os filhos do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Tomás e Jerônimo Uribe aparecem como acionistas de uma empresa radicada nas Ilhas Virgens Britânicas em 2008, a Asia America Investment Corporation. No que diz respeito ao Brasil, aparecem na lista os empresários Clarice, Leo e Fabio Steinbruch. Os três são membros de um seleto grupo das famílias mais poderosas do Brasil, proprietário do banco Fibra e das empresas siderúrgica CSN e têxtil Grupo Vicunha. Os Steinbruch criaram em 2007 a Peak Management nas Ilhas Virgens Britânicas. Leo Steinbruch respondeu aos autores da investigação dizendo que “Peak Management existe, está em atividade e foi declarada por seus donos no Imposto de Renda e perante o Banco Central do Brasil como investimento no exterior”.

O total dos impostos filtrados pelos paraísos fiscais bem que poderia servir para criar empregos, infraestruturas, para se investir em saúde, em educação, pesquisa ou desenvolvimento. Nada. O egoísmo liberal desenhou um monstro de enormes cabeças, cuja identidade mais paradoxal consiste em que, dos 170 países preocupados com as revelações sobre a evasão tributária, a maioria corresponde às democracias mais adiantadas. As democracias do Ocidente, que dão lições de todo tipo ao resto do planeta, escondem em suas entranhas os ladrões mais astutos e os organismos que organizam a fraude. 

Tradução: Katarina Peixoto

TEXTO REPLICADO DESTE ENDEREÇO:

domingo, 15 de julho de 2012

Os Bancos e as galinhas



Nos últimos 30 anos os bancos sofreram uma mudança mais do que estranha!!! Quando consegui meu primeiro emprego foi em um banco (BANESE), observando como os serviços eram cobrados, com as cobranças atuais, se vê uma mudança no comportamento dos bancos no mínimo escandalosa!!!

Antigamente quando se abria uma conta corrente ou mesmo uma conta de poupança não se cobrava nenhuma espécie de serviço, apenas se exigia uma certa quantidade em dinheiro no depósito inicial. Hoje, por maior que seja a quantia de dinheiro depositado na conta, no caso banco, no mínimo, ele cobra alguma taxa para o seu dinheiro ficar depositado no banco.

E qual o escândalo nesse procedimento?

Ao se depositar o nosso dinheiro nos bancos, esse dinheiro não fica lá parado no tempo e espaço esperando que o dono vá lá fazer a devida retirada. Os bancos emprestam esse dinheiro para outros clientes do banco e cobram juros (por sinal altos) e cobram taxas (muito altas) do dinheiro que ele utiliza nos emprestimos!!! Se o dinheiro for depositado em uma conta de poupança, ele te paga uma pequena parte dos juros que ele cobra dos outros clientes!!! Traduzindo, ele ganha cobrando taxa do nosso dinheiro quando está sendo depositado e ganha os juros quando empresta o nosso dinheiro. 

A ilustração (me foi passada no facebook) abaixo traduz de maneira simples o que os bancos estão fazendo com o nosso dinheiro (na ilustração as galinhas), ganhando juros com eles (no caso os ovos colocados pelas galinhas) e ganham nas cobrança das taxas (o milho que irá alimentar as galinhas). Você recebe uma pequena parte dos juros que os bancos cobram de outros clientes (se sua conta for de poupança) que é o ovo que o banco promete na ilustração!!!!


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

OS IMPACTOS DA GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA

Controlados pelos rentistas (especuladores)
A globalização financeira tem produzido um conjunto de fenômenos profundamente nocivos para a população em geral e, especialmente, para as nações da periferia e para seus povos. Em todos os países em que a globalização financeira passou a hegemonizar as relações econômicas, o Estado ampliou aceleradamente o seu endividamento para bancar os custos de especulação (juros e amortização da dívida pública), resultado numa enorme transferência de recursos públicos para o setor financeiro. Também em praticamente em todos os países do sistema capitalista ocorreu um aumento da concentração da renda, que beneficiou sobremaneira a riqueza da esfera financeira; observou-se também, ao contrário do contrato social fordista, uma redução acentuada no poder de compra dos salários. Bem verificou-se restrição aos direitos e garantias dos trabalhadores, muitos deles conquistados há cerca de um século ou mais; a crise do Estado teve como consequência a imposição de severos cortes nos gastos sociais, gerando aumento da pobreza e da miséria no mundo, inclusive nos próprios países centrais.

Como podemos observar, tanto os países centrais quanto os países periféricos aumentaram aceleradamente o endividamento público, com impactos profundamente negativos para a sociedade. Se tomarmos os países da OCDE em seu conjunto, como referência, constataremos que o endividamento em relação ao PIB cresceu de 40,2% em 1980 para 71,1% em 1999. Com relação aos países do G-7 o crescimento da dívida foi semelhante: passou de 41,5 para 73,2% no mesmo período. Nos Estados Unidos a dívida cresceu de 37% para 59,7%; na Alemanha de 31,1% para 64,2%; e no Japão, de 51,2% para 99,55%. Nos países da periferia capitalista, o endividamento do Estado também foi crescente: no Brasil, por exemplo, a dívida pública aumentou de 20% para 54% do PIB entre 1994 e 2001 (Beinstein, 2001, p. 188).

Dívida  pública como percentagem do PIB

País
1980
1990
1999
Países do G7
41,5%
58,3%
73,2%
Países da OCDE
40,2%
57,1%
71,1%
Estados Unidos
37,0%
55,5%
59,7%
Alemanha
31,1
45,5
64,2
Japão
51,2%
65,1%
66,5%

Isso significa que o capital financeiro especulativo encontrou um espaço de valorização muito importante, uma vez que os recursos arrecadados pleo Estado compõem-se da mais-valia geral produzida pelos trabalhadores. Anteriormente,parte dos recursos destinados ao pagamento da dívida era acentuadamente menor que no atual período da globalização, além do fato de que grande parte da dívida era resultado de investimentos governamentais tanto na construção de infraestrutura, equipamentos sociais e políticas sociais em geral, típicas do período do Welfare State. Agora o endividamento tem um outro caráter: trata-se de um aumento da dívida em função do aumento das taxas de juros. Em outros termos, o capital financeiro especulativo não só capturou uma parte importante da mais-valia retirada pelo Estado em forma de tributos, como encilhou o orçamento público na armadilha da globalização financeira, retendo para si recursos imprescindíveis que antes eram redistribuídos em forma de bens e serviços para a sociedade.
A política econômica oriunda do processo de globalização neoliberal, ao privilegiar a estabilização monetária em detimento do crescimento econômico, desencadeou o processo especulativo como norma estrutural do sistema. Essa conjuntura resultou numa que no nível da atividade econômica e na estagnação industrial. Podemos aferir uma conjuntura qualitativamente diferente entre o período em que a propriedade econômica era a tônica do desenvolvimento, e o período atual, no qua a estabilidade da moeda é o centro das preocupações macroeconômicas. Entre 1966 e 1973 o crescimento médio do Produto Bruto Mundial foi de 5,3%; entre 194-1980, foi de 3,4%; entre 1981 e 1990, 3,1% e entre 1991 e 1999, 2,8%.

Taxas anuais do crescimento real do Produto Mundial - 1966-1999(%)-
Anos (%)
1966-1973 5,2
1974-1980 3,4
1981-1990 3,1
1991-1999 2,8

O quadro de desaceleração do nível da atividade econômica não só deprime a economia mundial, mas também amplia as taxas de desemprego e de exclusão social nos países de industrialização madura. Na União Europeia, por exemplo, o desemprego aumentou de 8 milhões de trabalhadores em 1980 para 17 milhões em 1999. No conjunto dos países da OCDE, o desemprego subiu de 20 milhões em 1980 para 40 milhões em 2000, refletindo um cenário em que as taxas de desocupação se mantêm rígidas, independentemente do ciclo econômico. Até mesmo no Japão, considerado o paraíso do emprego, em função da estabilidade vitalícia para um setor significativo dos trabalhadores, a taxa de desemprego vem aumentando acentuadamente. Ao longo da década de 1980 o desemprego no país estava na faixa de 2% da população ativa e cresceu na década de 1990 para 2,9%, em 1994, 3,3%, em 1996 e fechou 1998, com uma taxa de desocupação da mais de 4%, ou seja, um índice duas vezes maior que na década de 1980 (Beinstein, 2001, p. 66).

Segundo dados da OCDE, nos Estados Unidos, as agências de trabalho temporário administravam 400 mil assalariados em 1982, passando a 1,3 milhão em 1990 e a 2,1 milhões em 1995. Na Inglaterra, o trabalho temporário abrangia 7% da população ativa. (Beinstein, 2001, p. 68).

De acordo com os dados levantados por este autor, a faixa correspondente aos 40% mais pobres da população ativa empregada dos Estados Unidos, a nação mais rica do planeta, sofreu regressão em seu rendimento, entre 1973 e 1993, enquanto as faixas correspondentes aos 40% mais ricos foram os que mais se beneficiaram com a globalização.

Conforme Beinstein (2001), quanto maior o nível de renda maior o benefício; quanto menor a faixa de renda maior o prejuízo no período. Os 10% mais pobres nos EUA sofreram queda de cerca de 35% dos seus rendimentos, enquanto os 10% mais ricos aumentaram sua renda em mias de 25%. Por sua vez, indica o crescimento absoluto do número de pobres nos Estados Unidos: em 1970, eles correspondiam a 25, 7 milhões; em 1980 cresceram para 29,3 milhões. Em função das políticas neoliberais, o aumento dos pobres cada vez mais crescente: 33,6 milhões, em 1990 e 35,6 milhões, em 1997 (Beinstein, 2001, p. 188).

Pobres nos EUA em milhões de pessoas - 1970 - 1997
1970
25,7
1977
24,7
1980
29,3
1987
32,2
1990
33,5
1997
35,6

Macroeconomicamente, a conjuntura mundial está mais instável do que no período do Welfare State, tanto nos países centrais, quanto nos países da periferia. A crise fiscal dos Estados, aliadas à instabilidade monetária, o desemprego e as crises sociais compõem um quadro de instabilidade sistêmica, no qual a globalização neoliberal vai se aprofundando. Por mais paradoxal que paeça e por mais que muitos dos principais teóricos e antigos operadores do modelo de globalização neoliberal venham alertando (George Soros, Krugman etc.), o que se verifica é uma teimosia cega, principalmente por parte dos Estados Unidos, em aprofundar o modelo, fato que pode acelerar a crise geral do sistema.

Textos relacionados:
Os Apologistas da Globalização
O Comando das Transnacionais
Confissões de um Assassino Econômico.
Aquilo que nos Devora.

TEXTO RETIRADO DO LIVRO
COSTA, Edmilson, A Globalização e o Capitalismo Contemporâneo. Editora Expressão Popular – São Paulo - 2008

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Os Apologistas da Globalização


Para compreendermos o ciclo de mudanças de fundo operadas na vida socioeconômica contemporânea com a globalização, é necessário enfatizar a importância da nova ideologia do grande capital como instrumento especial de consolidação de sua hegemonia mundial. Nenhum sistema se sustenta se não estrutura um corpo de idéias que o justifique e o viabilize social e politicamente. Neste sentido, o grande capital, diante da falta de uma ideologia para o mundo globalizado preferiu retornar ao estatuto ideológico do século 18, buscando adaptá-lo às novas condições de economia globalizada. Por isso o prefixo neo(novo) acrescentado da velha ideologia liberal.

domingo, 4 de setembro de 2011

Comprando a Independência

Por Antônio Carlos Vieira

É muito comum se criticar ao nosso governo referente a nossa dívida (Interna e externa). Mas, será que a grande maioria dos brasileiros sabem como surgiu a Dívida do Estado Brasileiro?

Quando a Família Real Portuguesa veio para o Brasil, fugindo da Invasão Napoleônica, junto foi trazida a Dívida contraída pela Casa Real Portuguesa, que era devedora junto ao Império Inglês.

Para a independência do Estado Brasileiro ser aceita, tivemos que assumir a dívida da Casa Real Portuguesa (é a chamada Herança Maldita), ou seja, compramos a nossa independência por um valor na ordem de 1,3 milhões de Libras Esterlinas, que na época, correspondia a cerca de 30% de nossas exportações.

Embora o Brasil adquirisse (ou comprado) a independência, toda a Estrutura Política, Social e Econômica foram mantidas de maneira igual a época que era colônia. Os escravos continuaram escravos e os senhores de engenhos continuaram senhores de engenho.

O novo império (O Brasil) surgido precisava quitar a dívida assumida e as novas despesas surgidas e para isso teve que tomar mais empréstimos. Durante o Período Imperial Brasileiro foram contraídos 17 empréstimos.

De todo o dinheiro emprestado, 40% foram para pagar dívidas antigas, cobrir comissões de credores e intermediários ( a maioria dos empréstimos foram intermediados pela casa bancária Rothschild & Sons). O restante (60%) vieram para o Brasil em forma de bens – equipamentos militar, provisões, produtos têxteis e ferragens, ou seja, o dinheiro nunca chegou ao Brasil.

Hoje, o Brasil não tem mais a chamada Dívida Externa, parte foi paga e outra foi transformada em Dívida Interna (por sinal gigantesca) clique aqui. E desde aquela época, os empréstimos sempre beneficiou e continuam beneficiando os que controlavam e controlam a máquina do governo, só que a conta é para ser paga por todos que tenham ou não sido beneficiados.

TEXTO RELACIONADO:
Cuba e o imperialismo brasileiro

DADOS BIBLIOGRÁFICOS:
Reinaldo Gonçalves e Valter Pomar, O BRASIL ENDIVIDADO, Editora Fundação Perseu Abramo