O melhor desejo para o ano que começa é que, a cada dia, discordemos mais uns dos outros. O que o ódio separa, o debate aproxima. Quando os dois lados não conversam, o ambiente é toxicamente infértil. Cada parcela da sociedade se relaciona apenas com seu umbigo ideológico, distribui acusações aos adversários e fecha os ouvidos a quem pensa diferente. A democracia agoniza, a política se empobrece, a raiva toma conta da mente.É o terreno em que nos metemos.
No entanto, mesmo em meio a uma crise sem precedentes, alguns sinais parecem apontar que o debate começa a voltar à cena. Se em termos ideológicos e de valores o diálogo tem se dado, compreensivelmente, entre surdos – com mais julgamentos que argumentos – alguns territórios da vida política começam a esboçar outra dinâmica. As pessoas percebem que podem discordar e disputar suas razões. Voltar a fazer política.



















