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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Delírio criminoso

por Mino Carta — publicado 02/04/2018 00h10, última modificação 29/03/2018 13h40

A tragédia chega ao quarto ato, deixarei de escrever sobre o presente para falar de culinária e do passado ainda esperançoso

Lula depois do atentado. Segundo a mídia nativa ele é o culpado
Nada mais tenho a dizer sobre o Brasil de hoje, a obra-prima da dinastia de Avis atingiu o país (revisão, por favor, toda a palavra em caixa baixa) sem futuro. Um amigo italiano, jornalista, Franco Vaselli, escreveu um livro intitulado Povero Rico Brasile, pobre rico Brasil, entreguei-o a dois editores faz algum tempo, não se dignaram de me dar uma resposta. É um livro interessante de um estrangeiro que vem ao país e ao cabo de uma longa visita se pergunta como se deu que uma terra tão beneficiada pela natureza seja tão atrasada e medieval.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Nova proposta para a Previdência busca votos na bancada da bala

por Redação — publicado 07/02/2018 14h03
Versão da reforma é semelhante à de novembro, mas traz mudanças vantajosas para policiais. Entenda os principais pontos
O governo deixou de fora regras mais flexíveis para juízes, procuradores e demais servidores
O governo apresentou, nesta quarta-feira 7, mais uma versão da reforma da Previdência, a quarta desde a ascensão de Michel Temer ao poder. O projeto traz poucas alterações em relação ao de novembro de 2017, mas busca conquistar apoio principalmente entre deputados da bancada da bala.
O novo texto do relator Arthur Maia (PPS-BA) inclui o pagamento integral da pensão para viúvos e viúvas de policias mortos durante o exercício de sua função. A alteração contempla policiais civis, federais, rodoviários federais e legislativos. Parte deles poderá inclusive furar o teto previdenciário, de 5.645,80 reais. A aposentadoria policiais militares não está sendo tratada no projeto.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Terceirização e a sociedade dos “ilustres desconhecidos”



Ilustração do Blog do farmacêutico Marcio Antoniassi 

Terceirização e a sociedade dos “ilustres desconhecidos”

por Jorge Luiz Souto Maior

Em recente reclamação trabalhista (processo n. 0000979-06.2012.5.15.0096) uma das reclamadas, a tomadora de serviços, para reforçar seu argumento de que não devia nenhum valor ao reclamante porque não era sua empregadora, acabou asseverando que o reclamante era um “ilustre desconhecido”.

Claro que essa afirmação é chocante e ofensiva, mas não se pode deixar de reconhecer que é provida de uma extrema honestidade, bem ao contrário, aliás, do que se verifica na argumentação daqueles que têm defendido, publicamente, a ampliação da terceirização, utilizando-se da retórica de que estão preocupados em melhorar as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores em geral.

Ora, o que se pretende com a terceirização é exatamente o efeito confessado pela reclamada naqueles autos processuais, a transformação do trabalhador em um número, afastando, por conseguinte, qualquer preocupação de natureza humana da relação de trabalho.

Com efeito, quanto ao “ilustre desconhecido” não é preciso ter preocupações que dizem respeito a doenças, gravidez, dificuldades de relacionamento, posicionamentos ideológicos, atuação em defesa de direitos pelo exercício de greve etc. Visualizando a relação entre a empresa tomadora e a prestadora nos limites estritos de obrigações comerciais, voltadas à execução do serviço, ao dito tomador do serviço pouco importa quem realize a atividade e sob quais condições, cumprindo ao prestador de serviço, dito empregador, se submeter às exigências do tomador para “não perder o contrato”.

As consequências serão sentidas, concretamente, na vida do terceirizado, advindo dessas exigências contratuais transferências abruptas de local de trabalho, alterações de horário e dispensas, que são, em verdade, punições pelo comportamento, mas que não aparecem como tais.

A pretendida terceirização também nas atividades-fim amplia, de forma generalizada essa precarização da condição humana do trabalhador, sendo por demais importante perceber que essa situação, se de fato adviesse (pois ainda tenho boas razões para acreditar que não virá) não seria ruim apenas no mundo do trabalho.

De fato, como as relações sociais são determinadas pelo modo de produção, o que se teria com a ampliação da terceirização seria a generalização de relações sociais desprovidas de valores humanos básicos, como a solidariedade, a confiança, que são, sobretudo, decorrentes da socialização no trabalho. Sem esse referencial, as pessoas deixam de se reconhecer nas outras e estas passam a ser vistas apenas como adversárias ou como concorrentes em potencial. Mais que isso, a lógica do modo de produção, estimulada pela terceirização sem limites, que é a da indiferença, tende a dominar o cenário das relações humanas, ou melhor, desumanizadas.

O interessante, ou trágico, é que a humanidade durante longo percurso vem buscando formulações valorativas de natureza humanista, enfrentando, inclusive, o desafio de superar os obstáculos à efetivação desses valores integrados à ordem jurídica dos Direitos Humanos, e, de repente, por ingerência midiática, impulsionada para o atendimento de interesses econômicos determinados, não se tem o menor escrúpulo em preconizar que todo esse esforço histórico seja jogado no lixo.

E é assim que se assiste à deterioração das estruturas que, em algum momento, constituíram alguma esperança para a condição humana na sociedade capitalista. Um sintoma dessa destruição é ver na mesma página de um jornal foto de uma ação policial massacrando estudantes da considerada, por muitos, melhor universidade do país e outra anunciando o triunfo da articulação antidemocrática do “líder” da Câmara de Deputados, para aprovação do financiamento empresarial de campanha.

As pessoas e entidades que estão no comando da sociedade, aplaudindo ação policial contra professores, estudantes e trabalhadores em geral, buscando financiamento empresarial para partidos políticos, defendendo a diminuição da maioridade penal como solução para a segurança pública e preconizando a ampliação da terceirização estão, de fato, destruindo toda possibilidade da construção de uma sociedade pautada pela racionalidade dos Direitos Humanos.

É a sociedade que se diz baseada na meritocracia dando voz e prevalência à mediocridade.

Veja-se que no aspecto específico da terceirização, quando se defende a terceirização da atividade-fim o que se está fazendo é contrariar a própria essência do preconizado empreendedorismo, baseado na ideia de que se deve atuar em ramos nos quais se detenha o conhecimento e se possa agir com maior competência. Ora, se uma empresa terceiriza a sua finalidade ela deixa de ser uma empreendedora, não sendo mais que mera compradora dos serviços de outra empresa, perdendo a dita especialidade e transferindo para a prestadora dos serviços os próprios atributos meritórios.

Diante dessa objeção alguns defensores da terceirização dizem: “mas uma empresa comercialmente responsável, pensando, inclusive, nas escolhas responsáveis feitas pelo consumidor, não irá terceirizar sua atividade-fim”. Mas se não o fará, a defesa da ampliação da terceirização serve a quem? Destina-se às empresas social e economicamente irresponsáveis?

Enfim, para a preservação de interesses econômicos não revelados, os defensores da terceirização estão contribuindo para a desestruturação plena das potencialidades de valores humanos duramente concebidos, estimulando a barbárie, que se verificaria consagrada com a instituição da sociedade dos “ilustres desconhecidos”.

São Paulo, 31 de maio de 2015.

Jorge Luiz Souto Maior é professor livre-docente da Faculdade de Direito da USP.

Leia também:
Os deputados que aprovaram a terceirização em atividade-fim, traindo os traalhadores

Texto original: VI O MUNDO

segunda-feira, 24 de março de 2014

Paul Krugman e Banco Mundial sobre o Brasil apesar da sonegação

O Nobel de economia, Paul Krugman, na abertura do Fórum Brasil em São Paulo, destacou a visível e duradoura vitalidade de nosso parque econômico.

José Carlos Peliano (*)

A semana passada foi especialmente rica em declarações sobre a economia brasileira. De 17 a 21 de março fontes insuspeitas e diferenciadas apontaram pelo menos dois pilares que sustentam o desempenho do país e, apesar disso, um vírus que tenta desarticular as contas públicas. Tudo isso a mercê dos vendavais que vira e mexe sacodem as expectativas, as previsões e as manchetes.

De início, o Nobel de economia, Paul Krugman, na abertura do Fórum Brasil em São Paulo, destacou a visível e duradoura vitalidade de nosso parque econômico. Este o primeiro pilar de sustentação. Contrariamente aos arautos oposicionistas de catástrofes iminentes, registrou em especial a capacidade de adaptação da economia brasileira aos trancos e barrancos da crise mundial e às opções e aos rumos seguidos pelo mercado interno. Chamou-lhe a atenção em particular a flexibilidade demonstrada pela política econômica e pela economia em responder aos cenários negativos. E se sair bem.

Enumerou o economista americano três vantagens em relação às demais economias em crise que não se recuperam mesmo em cenários de juros baixos e inflações no chão tampouco conseguem estimular investimentos. 

A primeira vantagem é a nossa menor exposição aos riscos cambiais por conta de uma dívida externa levada a rédeas curtas. E de uma reserva cambial sólida e crescente. O lado externo, portanto, não assusta mais como em décadas anteriores.

As duas vantagens complementares são a inflação controlada e a política fiscal bem administrada. De fato, esses pilares econômicos têm mantido nosso país resistindo a ataques especulativos, a reduções de exportações e a pressão de importações. O lado interno vira gente grande em contraste com administrações federais de períodos passados.

O único senão anunciado por Krugman foi a dinâmica econômica da China cujo motor pode eventualmente desacelerar mais e afetar negativamente nossa pauta de exportações de commodities. E daí conturbar a balança de pagamentos. Enquanto a economia mundial não voltar a crescer, todo o cuidado com a expansão chinesa é pouco. No mais, segundo ele, pista livre para os motores de nossa indústria, serviços e agricultura permanecerem ligados e operando nos limites de suas capacidades.

Nessas condições, portanto, o lado econômico de nosso país caminha bem e ainda com fôlego para continuar roncando motores pelas pistas mesmo experimentando terrenos difíceis e muitas vezes velocidades menores. Mas ainda assim à frente dos motores em ritmo de tartaruga da maioria das demais economias. 

E o lado social? O lado social igualmente vai indo bem e com bons resultados. Este o segundo pilar de sustentação. Repisando caminhos anteriores, o Brasil conseguiu reduzir marcadamente a desigualdade nos últimos 10 anos. Um dos elementos fundamentais dessa conquista foi a retirada de famílias da pobreza para inserção nos mercados de trabalho e consumo. Intento sem precedentes na histórica econômica do país e sem comparação no mundo moderno.

Esse intento foi lembrado também na semana anterior quando ocorreu o lançamento no Rio de Janeiro do Fórum de Aprendizagem Sul-Sul sobre política social. Ministros de 70 países, cerca de 200 responsáveis de políticas públicas e mais peritos internacionais participaram do evento intitulado Mundo Sem Pobreza. A ideia é de viabilizar um Portal Virtual para a obtenção de informações sobre programas e projetos para a redução da pobreza e da desigualdade social.

Apoiado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Banco Mundial, o encontro destacou-se pela apresentação da experiência brasileira com o Programa Bolsa Família que conseguiu viabilizar a entrada na sociedade de consumo de cerca de 50 milhões de pessoas possibilitando melhoria de renda e obtenção de trabalho. 

A ministra de Solidariedade Social de Djibouti destacou ser a ferramenta virtual um dos instrumentos mais importantes para a construção de sistemas de proteção social. Já a diretora do Banco Mundial no Brasil, Deborah Wetzel, afiançou ter sido oferecida uma oportunidade para acelerar e expandir as lições de aplicação de política social no país.

Por fim, a menção ao vírus completa os destaques da semana anterior, quando o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), através da campanha “Quanto custa o Brasil para você?”, divulgou que em quase 100 dias neste ano o país perdeu cerca de R$ 106 bilhões com a sonegação de impostos. Muito dinheiro fora dos cofres públicos que ficou nos caixas de empresas e bolsos dos cidadãos.

O tamanho da sonegação, o Sonegômetro, placar que registra o quanto de tributos devidos não chega aos cofres públicos pelo recolhimento dos contribuintes (pessoas físicas e jurídicas), calculou que em 2013 o total atingiu cerca de R$ 415 bilhões, o que representa perto de 8,6% do PIB.

Argumenta o sindicato com razão que o dinheiro sonegado, que poderia vir a ser investido na saúde ou educação, sai pelo ralo e perde uso coletivo. A administração pública não consegue ir atrás dos grandes devedores sacrificando assim cada vez mais os pobres e a classe média.

Dos três eventos citados acima sobre o desempenho da economia brasileira fica a lição: apesar dos sonegadores minarem os cofres públicos, ao reduzir os recursos que poderiam ser aplicados em ampliação de programas sociais e reforços de gastos de custeio e de investimentos, o país segue economicamente seguro e socialmente responsável. Cumpre bem seu papel entre os países emergentes e dá lição de competência na administração econômica e na proteção social. Mas como santo de casa não faz milagres, é preciso que os de fora tratem o país como gente grande, exemplo a ser referenciado e parceiro confiável.

Imagine se o sonegômetro viesse a registrar valores menores de ano a ano, a economia brasileira continuasse a resistir à crise mundial e a desigualdade social mostrasse uma cara menos sofrida e mais saudável? Com certeza teríamos condições seguras e razoáveis de pensar em nos mostrarmos ao mundo como sociedade mais justa e igualitária e nação mais forte e exemplar.

Texto original: CARTA MAIOR

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Burguesia inútil diz: “É nordestino querendo fazer coisa em São Paulo”

Um grupo de socialites clientes da Daslu e do JK Iguatemi dão show de arrogância, preconceito e desinformação

Por: Eliseu

Na última terça (7), conforme divulgou o jornal ultraconservador Folha de São Paulo, um grupo empresárias, socialites e “descoladas” integrantes ativas da fétida burguesia paulistana, com sua costumeira desinformação e preconceito comentavam o “mensalão” (Ação Penal 470), enquanto assistiam ao desfile de lançamento da nova coleção de verão da Daslu, no shopping Cidade Jardim. Naquele momento, o STF (Supremo Tribunal Federal) realizava a segunda sessão para ouvir os advogados dos réus do mensalão.

Esqueceram as burguesas que em 2005, no auge do escândalo, a dona da butique, Eliana Tranchesi, foi presa por suspeita de sonegação. A investigação que atingiu a empresária, ícone do luxo, foi interpretada por sua clientela como retaliação, uma forma de o governo desviar a atenção. Eliana morreu em fevereiro, sem que seu julgamento, ao contrário do mensalão, chegasse ao fim. E teve órgãos da imprensa que insinuaram que o culpado pela sua morte seria Lula. A Daslu foi vendida, mas conserva parte da freguesia, que torce, de forma quase unânime, pela prisão dos principais réus.

“Chego em casa à noite e leio quem falou que mentira. Fico nervosa e não consigo dormir”, diz Marcela Tranchesi, 21, filha da empresária. “O ideal é que todos sejam condenados. Não digo os 38 (réus), não sei se todos são culpados. Mas muitos.” diz a burguesa desinformada, que além de sonegar, também é chegada num contrabandozinho, como já foi divulgado sem grande destaque pela nossa mídia golpista.

E o show de preconceito, arrogância e desinformação continua: “Eu tenho nojo! Fico com a Carminha (da novela Avenida Brasil, da Globo), não com o Zé Dirceu!”, diz a socialite Anna Maria Corsi, 71.

Carolina Pires de Campos incentiva a amiga a continuar: “E o que é o mensalão, Anna?”.”Sabe o que é isso? É nordestino querer fazer alguma coisa em São Paulo”,responde Anna. “E é erradíssimo. Eles têm de ficar lá, em Garanhuns (cidade de Lula), lá no fuuundo do Pernambuco, lá no fuuundo do Ceará. Aqui, não, aqui é de paulista e de paulistano. É por isso que isso está acontecendo”, disse a preconceituosa e arrogante senhora.

Ela é lembra que há vários paulistas no mensalão. “Ah, claro...”, diz ela, para arrematar:“Eu não gosto do [José] Serra. Aqui, nós precisamos é de pessoas como o Fernando Henrique!”. diz sem saber que são carne e unha.

A stylist polonesa Ela Pruszynska, 45, é casada com um brasileiro e mora em SP há dois anos. Diz que não tem a menor ideia do que é o mensalão. “É uma coisa grave?”

O marido de uma tradicional cliente da Daslu, empresário que tem concessão do governo e se aproximou do PT na era Lula, relatou à coluna que quase “apanho”" no casamento de um amigo, na igreja Nossa Senhora do Brasil, nos Jardins. “Quase quebrei o pescoço, de tanta tensão”, disse, pedindo que seu nome não fosse revelado. Na festa, ele foi cobrado por ser amigo de alguns dos réus, que eram chamados de “ladrões, bandidos”. “Eu tentava argumentar, mas não deixavam. Principalmente as mulheres.” Elevou a voz e, segundo relata, afirmou: “Vocês querem fazer um bullying na era Lula”.

Diz que não negou a existência do mensalão, mas argumentou que não ocorreu apenas no governo do PT. “Eu disse: 'Gente, nós estamos numa sala de aula. A classe toda tá colando. E agora estamos querendo pegar um aluno, aquele barbudo, com a voz rouca, que não tem um dedo, e expulsá-lo da sala. Isso é bullying puro, bullying da elite branca, que aliás também 'cola' na prova.”

Leia também:

Edson Freitas: Parece mas não é

TEXTO REPLICADO DESE ENDEREÇO:

sábado, 4 de agosto de 2012

A relação da Revista Veja envolvida com o Mensalão!!!!

Acompanhando as capas da Revista Veja se consegue tirar conclusões de que tipo de imprensa temos, será que a Revista Veja serve ao Carlos Cachoeira ou é o Carlos Cachoeira que servia a Revista Veja?????  Será que  o congresso irá chamar o Policarpo Júnior a depor ou ficaram com medo.

Existem boatos de que existe um acordo entre a Rede Globo e o vice-presidente (na realidade com o PMDB) para evitarem que Roberto Civita (Diretor Geral de Revista Veja) e Policarpo Júnior (Diretor da Revista Veja na sucursal em Brasilia).  Assistam ao vídeo abaixo e tirem suas conclusões:


Texto relacionado :
Vinte anos na capa da Revista Veja

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O PAÍS DE TODOS E O CHIQUEIRO DE CADA UM OS FATOS E AS FITAS

Abaixo, algumas das porcarias que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) oferece aos seus leitores e telespectadores.

MENSALÃO: O presidente do PTB, Roberto Jefferson, descontente porque o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, lhe dissera que não havia recursos disponíveis para ajudar o PTB em suas despesas, deu entrevista afirmando que o governo federal comprava o apoio da base aliada no Congresso Nacional pagando uma espécie de mesada aos parlamentares. Pronto. Foi o suficiente para começar o espetáculo midiático. Polícia Federal, Abin, CPI (somente na época foram três trabalhando em cima disso) trataram de investigar as denúncias. Não houve confirmação. Apesar de todo o ódio que a oposição sente de Lula, e apesar de toda a sanha golpista da imprensa corporativa brasileira, que se empenhou fortemente para fazer desse caso um verdadeiro “escândalo”, as investigações mostraram que o mensalão não passou de uma “força de expressão”, como mais tarde viria a admitir o próprio Roberto Jefferson. Os fatos concretos chegam a ser prosaicos: o PT havia feito um acordo com o PTB que consistia em apoiar financeiramente o partido de Roberto Jefferson em suas despesas referentes às campanhas eleitorais nas disputas municipais do ano de 2004. Em troca desse aporte financeiro do PT, o PTB apoiaria o governo federal na Câmara e no Senado. Quando o PTB chegou com a fatura, o PT não dispunha em caixa do dinheiro necessário para cumprir com sua parte no acordo. Para remediar a situação, o tesoureiro do PT, sem a anuência da direção do partido, aceitou um empréstimo de R$ 55 milhões, obtido juntamente ao Banco Rural e BMG, com a mediação do publicitário mineiro Marcos Valério (experiente nessas articulações desde os tempos em que operou recursos para o caixa-2 da campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998). Esse empréstimo não foi declarado à justiça eleitoral. Ao pé da letra, trata-se de um crime eleitoral. Que se julgue o fato, e que se responsabilizem os autores nele envolvidos. Simples assim.

Perguntas: POR QUE A IMPRENSA ESCOLHEU ESSE EPISÓDIO PARA FAZER DELE TODO ESSE ESCARCÉU? POR QUE NUNCA SE ESTABELECEU UM PARALELO ENTRE ISSO A QUE SE DEU O NOME DE “MENSALÃO” E AS COMPRAS DE VOTOS PARA A EMENDA DA REELEIÇÃO QUE FAVORECEU FHC? POR QUE O LINCHAMENTO QUE SE FEZ CONTRA JOSÉ DIRCEU? POR QUE TRATAR TODO O PT COMO QUADRILHA EM VIRTUDE DE UM EPISÓDIO CUJAS RESPONSABILIDADES PESSOAIS SÃO TÃO PUNTUAIS? POR QUE A IMPRENSA NÃO SE INTERESSOU POR DENÚNCIAS DA MESMA NATUREZA FEITAS POR UM DEPUTADO ESTADUAL DE SP, DANDO CONTA DE QUE O GOVERNO ALCKIMIM COMPRA APOIO NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA COM VERBAS DE EMENDAS PARLAMENTARES?

GRAMPO SEM ÁUDIO: Gilmar Mendes, então presidente do STF, declarou à revista Veja que seus telefones haviam sido grampeados sem autorização da Justiça. Uma denúncia grave que foi alardeada pelos demais órgãos de imprensa sem qualquer checagem prévia da materialidade dos fatos. Depois desse episódio, investigações da Polícia Federal não encontraram qualquer vestígio de que houvesse grampos nos telefones de Gilmar Mendes. Resultado: esvaziamento da Operação Satiagraha, que estava no encalço dos maiores criminosos de colarinho branco desse país. Entre eles, o banqueiro Daniel Dantas, figura muito presente nos esquemas de José Serra para lavagem de dinheiro das PRIVATARIAS TUCANAS.

Perguntas: CADÊ O ÁUDIO QUE COMPROVA OS GRAMPOS? COMO PODE UMA GIGANTESCA OPERAÇÃO POLICIAL TER SIDO DESMONTADA EM VIRTUDE DE UMA DENÚNCIA INFUNDADA? POR QUE TODA A IMPRENSA REPERCUTIU A DENÚNCIA DE VEJA SENDO QUE A REVISTA NÃO APRESENTOU AO PÚBLICO AS PRÓVAS QUE AFIRMAVA POSSUIR?

ORLANDO SILVA – Veja divulga matéria afirmando que o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, estava envolvido num esquema de corrupção. A revista fundava suas acusações com base nas declarações de um tal João Dias Ferreira. A suspeição do denunciante já era patente pelo simples motivo de que ele era o representante de uma ONG que havia sido desligada de um programa do Ministério dos Esportes justamente por faltar com a prestação de contas da utilização das verbas que lhe haviam sido destinadas. Some-se a isso o fato de que o tal João, no período em que teve sua ONG beneficiada pelos repasses do programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes, auferiu um inexplicável incremento de seu patrimônio, em proporções absolutamente incompatíveis com sua renda declarada. Como se não bastasse tudo isso, o tal João ostentava, já muito antes de se tornar “fonte” de Veja, uma vasta ficha policial. Apesar desse perfil, Veja tratou seu “informante” como se fosse a pessoa mais ilibada do mundo (assim como trata seus leitores como se eles fossem os maiores idiotas do mundo – nisso talvez até tenha razão). Na matéria, a revista afirmava dispor de imagens que mostravam o ex-ministro recebendo propina na garagem do ministério. Toda a imprensa replicou compulsivamente essa denúncia feita por uma pessoa que, além de suspeita – em virtude de seu interesse pessoal no caso em questão – era também absolutamente desqualificada – em virtude de seu passado criminal.

Perguntas: CADÊ AS IMAGENS QUE COMPROVAM A DENÚNCIA? VEJA AFIRMOU QUE POSSUIA AS TAIS IMAGENS, POR QUE ATÉ HOJE A REVISTA NÃO AS ENTREGOU À POLÍCIA FEDERAL? Se essas imagens aparecessem e comprovassem o que a matéria diz, eu seria o primeiro a querer que Orlando Silva fosse para a cadeia, mas essas imagens simplesmente não existem. Porque se existissem, Veja não perderia a oportunidade de usá-las contra o governo que ela odeia. Em resumo: É POSSÍVEL ADMITIR QUE UMA REVISTA, SE VALENDO DE MENTIRAS TRAVSTIDAS DE DENÚNCIAS, CAUSE INSTABILIDADE INSTITUCIONAL E POLÍTICA A UM GOVERNO ELEITO DEMOCRATICAMENTE PELA AMPLA MAIORIA DA SOCIEDADE BRASIELEIRA?

DOSSIÊ DA CAMPANHA DILMA – José Serra é o maior praticante de jogo sujo em disputa eleitoral que esse país já viu. Além de apelar para discursos obscurantistas que resgatam argumentos medievais para defender seus interesses, o tucano recorre a métodos sabidamente ilegais para levar vantagem sobre seus adversários, inclusive correligionários. Foi isso o que aconteceu nas eleições presidenciais de 2010. Além do vexaminoso episódio da BOLINHA DE PAPEL, que teria lhe causado uma espécie de traumatismo craniano (numa confissão patética do quanto ele é MIOLO MOLE), e do fundamentalismo religioso com que contaminou discussões acerca de temas que mereceriam um tratamento mais sóbrio e racional, José Serra praticou arapongagem na tentativa de obter informações que pudessem ser utilizadas como objeto de chantagem contra seus adversários. Assim ele fez contra Aécio Neves. Sabedor de que o ex-governador mineiro é cercado de boatos a respeito de seu comportamento pessoal que são altamente desabonadores da reputação de uma personalidade política, José Serra contratou serviços de espionagem contra Aécio, com o intuito de montar um dossiê que seria usado como peça de chantagem para que o político mineiro desistisse de disputar as prévias do PSDB que escolheriam o indicado do partido para disputar a presidência. Serra sabia que, sem as prévias, seu caminho seria mais fácil. Quando soube que estava sendo alvo das tramóias de Serra, o então governador de Minas Gerais pediu ao jornal “Estado de Minas” (periódico dócil ao Palácio da Liberdade, e recebedor de polpudas verbas de publicidade oficial do governo tucano) que providenciasse uma “série de reportagens” contra José Serra, explorando a habitual prática de corrupção do político paulista ao longo de sua carreira (desde que era presidente da UNE, quando fugiu covardemente no primeiro avião que decolou do solo pátrio após a tomada do poder pelos militares em 1964, até seus maiores surtos cleptomaníacos e mitomaníacos, que se deram quando foi titular do Ministério do Planejamento no governo FHC, ocasião em que promoveu o maior assalto ao patrimônio público nacional de que se tem notícia na história: mais de 40 BILHÕES, oriundos de propinas e de desvio de dinheiro público, foram evadidos do Brasil com destino a contas bancárias hospedadas em paraísos fiscais, ao mesmo tempo em que as principais empresas públicas brasileiras, como a Vale do Rio Doce, eram alienadas ao capital privado por meio de contratos eivados de toda espécie de ilegalidade). Até aí, tudo não passava de uma disputa interna do PSDB, na qual Serra se valia de suas estratégias ilegais, e Aécio Neves se valia do controle político que exercia sobre os órgãos de imprensa mineiros. Um querendo bicar mais fortemente o seu inimigo-companheiro-de-partido. Até que Veja (sempre ela!) divulga uma reportagem que dizia que o comitê de campanha da candidata Dilma Rousseff era uma “fábrica de dossiês”. SEM MENCIONAR FONTES, a matéria falava na SUPOSTA elaboração e circulação de um dossiê na campanha do PT. O Globo e Folha de SP investiram na história e o Jornal Nacional se encarregou da escandalização de um evento que nunca existiu. Para dar verossimilhança às denúncias, a Folha teve a capacidade de divulgar uma cópia da declaração de imposto de renda do tucano Eduardo Jorge, dando a entender que esses dados protegidos por sigilo faziam parte do tal dossiê montado pela campanha do PT. Porém, essa declaração que a Folha dizia ser um “vazamento” do dossiê era parte de um processo do Ministério Público Federal sobre Eduardo Jorge, e que já havia sido tornada pública pelo Correio Braziliense já em fevereiro de 2009. Resumo da ópera: a revista Veja “descobre” um grupo de inteligência na campanha da Dilma. A Folha publica um “trabalho” desse grupo. E a Globo replica massivamente o factóide. Essa é a ação coordenada dos grupos midiáticos.

Perguntas: POR QUE DEPOIS DE TER DADO TANTO DESTAQUE AO CASO, QUANDO FICOU EVIDENCIADO QUE SE TRATAVA EXCLUSIVAMENTE DE UMA TROCA DE FARPAS ENTRE TUCANOS, A IMPRENSA SE DESINTERESSOU DO ASSUNTO? POR QUE A IMPRENSA NUNCA OUSOU NOTICIAR AS INFORMAÇÕES OBTIDAS PELO EX-REPÓRTER DO “ESTADO DE MINAS”, DESIGNADO PARA REALIZAR A MATÉRIA INVESTIGATIVA SOBRE JOSÉ SERRA E QUE RESULTARAM NUM LIVRO BOMBÁSTICO? POR QUE A IMPRENSA NÃO FALA DA PRIVATARIA TUCANA: POR VERGONHA OU POR MEDO?

PRIVATARIA TUCANA – Leia o livro “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro Jr, Geração Editorial. E faça você mesmo suas próprias perguntas sobre esse crime de lesa-pátria praticado pelo PSDB (Partido Sócio De Bicheiro).

TEXTOS RELACIONADOS:

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A serpente, desde seu ovo



Outro dia, a Ministra Eliane Calmon disse, a propósito dos escândalos no Judiciário, que “todo mundo vê a serpente nascendo pela transparência do ovo, mas ninguém acredita que uma serpente está nascendo”.

Talvez seja a mais precisa definição para aquilo que, há exatas 20 anos, pregava no deserto um cidadão que tinha a coragem, que vai faltando cada vez mais neste país, de enfrentar o monopólio avassalador (de vontades, inclusive) representado pela Rede Globo.

Este indescritível episódio do “BBB”, no qual rasteja na lama a maior emissora de televisão brasileira, que repercute pelo mundo vergonhosamente e, pior, corroi-nos as estranhas a todos os que acreditamos no respeito e na dignidade como essência relações humanas, é apenas um estágio – quais serão os próximos? – de uma jornada para a barbárie, infelizmente consentida por parte de nossa inteligência, por medo, cumplicidade ou simples covardia ante o poder.

O ovo desta serpente, há exatos 20 anos, era transparente. E houve quem lhe apontasse a natureza sibilante, peçonhenta, deformante, mortal para uma sociedade que pretende ser humana.

Por isso, e com a inestimável ajuda do Ápio Gomes – guardião invencível dos textos publicados por Leonel Brizola – republico um de seus textos sobre o tema.

O ovo da serpente
A violência que todos vêem e poucos percebem

Durante uma semana – de 5 a 11 de janeiro de 1992 – uma equipe de pesquisadores acompanhou toda a programação da Rede Globo. Foram examinados meticulosamente 77 programas, entre filmes, seriados, novelas, humorísticos, variedades, noticiários e infantis. Os pesquisadores permaneceram 114 horas e 33 minutos diante da televisão. Da totalização final, foram excluídos os programas jornalísticos para separar o que é noticiário da programação escolhida deliberadamente pela própria emissora.
O que estes pesquisadores encontraram foi uma verdadeira escola do crime e da violência. Naquela semana, a Globo exibiu 244 homicídios tentados ou consumados, 397 agressões, 190 ameaças, 11 seqüestros, 5 crimes sexuais com violência ou ameaça, 26 crimes sexuais de sedução, 60 casos de condução de veículos com perigo para terceiros ou sob efeito de drogas, 12 casos de tráfico ou uso de drogas, 50 de formação de quadrilhas, 14 roubos, 11 furtos, 5 estelionatos, e mais 137 outros, entre os quais: tortura (12), corrupção (4), crimes ambientais (3), apologia ao crime (2) e até mesmo suicídios (3).
E não se diga que isto é veiculado nos chamados programas para adultos. A programação infantil é repleta de imagens de violência, inclusive em desenhos animados, com 58 cenas diárias de violência. Projetando tal constatação, verifica-se que anualmente a Rede Globo propicia às crianças brasileiras a visão de 21.222 cenas de violência. Se considerarmos que a média diária geral da programação é de 166 cenas de violência, chegaremos à conclusão de que a programação infantil detém 34,9% da violência diária transmitida pela TV Globo.
Para os espectadores de novelas estão reservadas 150 cenas de crimes por semana (média diária de 21,4). Já os apreciadores de seriados têm à disposição 79 crimes semanais (média diária de 11,2). E quem acompanha a programação humorística e de variedades vai se deparar com 74 episódios violentos, principalmente agressões (média diária de 10,5).
Os documentos comprobatórios desta pesquisa encontram-se em poder do Dr. Nilo Batista, Secretário de Justiça do Estado, à disposição de quem desejar consultá-los. Estes números estarrecedores nos permitem questionar a autoridade moral da Globo, tevê e rádio, e do jornal O Globo e o papel destrutivo que vêm desempenhando. Já chamei a atenção de meus compatriotas para a instigante coincidência entre o crescimento das Organizações Globo e o crescimento da violência em nosso País. Esta pesquisa revela que não se trata de mera coincidência. Estudos criminológicos – os mais respeitados – advertem para as conseqüências da exposição de cenas de violência às crianças e às pessoas ainda imaturas. As Organizações Globo, quanto a este aspecto, representam uma autêntica e verdadeira escola do crime, reproduzindo e estimulando a cultura da violência, que encontra campo fértil numa sociedade fortemente marcada pela injustiça, pela pobreza e pelo atraso.
A Globo, que comete contra nossas crianças e jovens este crime – que países como os europeus de nenhuma forma admitiriam –, é a mesma que utiliza seus maiores e melhores espaços para destruir um programa educacional como o dos Cieps e dos Ciacs. Minha mensagem aos pais e avós é que defendam seus filhos e netos como puderem, enquanto combatemos – como o pequeno Davi diante de Golias – essa hidra gigantesca, diante da qual tantos se omitem ou, pior ainda, se intimidam e se curvam, submissos.

(Leonel Brizola, 19 de janeiro de 1992, no Jornal do Brasil)

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