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sábado, 20 de outubro de 2012

A retórica do ódio na cobertura - PARA ALÉM DO MENSALÃO

Por Jaime Amparo Alves em 02/10/2012 na edição 714

Os brasileiros no exterior que acompanham o noticiário brasileiro pela internet têm uma impressão de que o país nunca esteve tão mal. Explodem os casos de corrupção, a crise ronda a economia, a inflação está de volta e o país vive imerso no caos moral. Isso é o que querem nos fazer crer as redações jornalísticas do eixo Rio-São Paulo. Com seus gatekeepers escolhidos a dedo, Folha de S.Paulo,Estado de S.Paulo,Veja e O Globo investem pesadamente no caos com duas intenções: inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e destruir a imagem pública do ex-presidente Lula da Silva. Até aí, nada novo. Tanto Lula quanto Dilma sabem que a mídia não lhes dará trégua, embora não tenham – nem terão – a coragem de uma Cristina Kirchner de levar a cabo uma nova legislação que democratize os meios de comunicação e redistribua as verbas governamentais para o setor. Pelo contrário, a Polícia Federal segue perseguindo as rádios comunitárias e os conglomerados de mídia Globo e Abril celebram os recordes de cotas de publicidade governamentais. O PT sofre da síndrome de Estocolmo (aquela em que o sequestrado se apaixona pelo sequestrador) e o exemplo mais emblemático disso é a posição de Marta Suplicy como colunista de um jornal cuja marca tem sido o linchamento e a inviabilização política das duas administrações petistas em São Paulo.

O que chama a atenção na nova onda conservadora é o time de intelectuais e artistas com uma retórica que amedronta. Que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso use a gramática sociológica para confundir os menos atentos já era de se esperar, como é o caso das análises de Demétrio Magnoli, especialista sênior da imprensa em todas as áreas do conhecimento. Nunca alguém assumiu com tanta maestria e com tanta desenvoltura papel tão medíocre quanto Magnoli: especialista em políticas públicas, cotas raciais, sindicalismo, movimentos sociais, comunicação, direitos humanos, política internacional... Demétrio Magnoli é o porta-voz maior do que a direita brasileira tem de pior, ainda que seus artigos não resistam a uma análise crítica.

Jornalismo lombrosiano

Agora, a nova cruzada moral recebe, além dos já conhecidos defensores dos “valores civilizatórios”, nomes como Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro. A raiva com que escrevem poderia ser canalizada para causas bem mais nobres se ambos não se deixassem cativar pelo canto da sereia. Eles assumiram a construção midiática do escândalo, e do que chamam de degenerescência moral, como fato. E, porque estão convencidos de que o país está em perigo, de que o ex-presidente Lula é a encarnação do mal, e de que o PT deve ser extinto para que o país sobreviva, reproduzem a retórica dos conglomerados de mídia com uma ingenuidade inconcebível para quem tanto nos inspirou com sua imaginação literária.

Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro fazem parte agora daquela intelligentsia nacional que dá legitimidade científica a uma insidiosa prática jornalística que tem na Veja sua maior expressão. Para além das divergências ideológicas com o projeto político do PT – as quais eu também tenho –, o discurso político que emana dos colunistas dos jornalões paulistanos/cariocas impressiona pela brutalidade. Os mais sofisticados sugerem que, a exemplo de Getúlio Vargas, o ex-presidente Lula se suicide; os menos cínicos celebraram o “câncer” como a única forma de imobilizá-lo. Os leitores de tais jornais, claro, celebram seus argumentos com comentários irreproduzíveis aqui.

Quais os limites da retórica de ódio contra o ex-presidente metalúrgico? Seria o ódio contra o seu papel político, a sua condição nordestina, o lugar que ocupa no imaginário das elites? Como figuras públicas tão preparadas para a leitura social do mundo se juntam ao coro de um discurso tão cruel e tão covarde já fartamente reproduzido pelos colunistas de sempre? Se a morte biológica do inimigo político já é celebrada abertamente – e a morte simbólica ritualizada cotidianamente nos discursos desumanizadores – estaríamos inaugurando uma nova etapa no jornalismo lombrosiano?

O espetáculo da punição

Para além da nossa condenação aos crimes cometidos por dirigentes dos partidos políticos na era Lula, os textos de Demétrio Magnoli, Marco Antonio Villa, Ricardo Noblat, Merval Pereira, Dora Kramer, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Eliane Cantanhêde, além dos que agora se somam a eles, são fontes preciosas para as futuras gerações de jornalistas e estudiosos da comunicação entenderem o que Perseu Abramo chamou apropriadamente de “padrões de manipulação” na mídia brasileira. Seus textos serão utilizados nas disciplinas de deontologia jornalística não apenas como exemplos concretos da falência ética do jornalismo tal qual entendíamos até aqui, mas também como sintoma dos novos desafios para uma profissão cada vez mais dominada por uma economia da moralidade que confere legitimidade a práticas corporativas inquisitoriais vendidas como de interesse público.

O chamado “mensalão” tem recebido a projeção de uma bomba de Hiroshima não porque os barões da mídia e os seus gatekeepers estejam ultrajados em sua sensibilidade humana. Bobagem. Tamanha diligência não se viu em relação à série de assaltos à nação empreendida no governo do presidente sociólogo. A verdade é que o “mensalão” surge como a oportunidade histórica para que se faça o que a oposição – que nas palavras de um dos colunistas da Veja “se recusa a fazer o seu papel” – não conseguiu até aqui: destruir a biografia do presidente metalúrgico, inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e reconduzir o projeto da elite “sudestina” ao Palácio do Planalto.

Minha esperança ingênua e utópica é que o Partido dos Trabalhadores aprenda a lição e leve adiante as propostas de refundação do país abandonadas como acordo tácito para uma trégua da mídia. Não haverá trégua, ainda que a nova ministra da Cultura se sinta tentada a corroborar com o lobby da Folha de S.Paulopela lei dos direitos autorais, ou que o governo Dilma continue derramando milhões de reais nos cofres das organizações Globo e Abril via publicidade oficial. Não é o PT, o Congresso Nacional ou o governo federal que estão nas mãos da mídia. Somos todos reféns da meia dúzia de jornais que definem o que é notícia, as práticas de corrupção que merecem ser condenadas e, incrivelmente, quais e como devem ser julgadas pela mais alta corte de Justiça do país. Na última sessão do julgamento da Ação Penal 470, por exemplo, um furioso ministro-relator exigia a distribuição antecipada do voto do ministro-revisor para agilizar o trabalho da imprensa (!). O STF se transformou na nova arena midiática onde o enredo jornalístico do espetáculo da punição exemplar vai sendo sancionado.

Coragem de enfrentar o monstro

Depois de cinco anos morando fora do país, estou menos convencido por que diabos tenho um diploma de jornalismo em minhas mãos. Por outro lado, estou mais convencido de que estou melhor informado sobre o Brasil assistindo à imprensa internacional. Foi pelas agências de notícias internacionais que informei aos meus amigos no Brasil de que a política externa do ex-presidente metalúrgico se transformou em tema padrão na cobertura jornalística por aqui. Informei-os que o protagonismo político do Brasil na mediação de um acordo nuclear entre Irã e Turquia recebeu atenção muito mais generosa da mídia estadunidense, ainda que boicotado na mídia nacional. Informei-os que acompanhei daqui o presidente analfabeto receber o título de doutor honoris causa em instituições europeias e avisei-os que por causa da política soberana do governo do presidente metalúrgico, ser brasileiro no exterior passou a ter uma outra conotação. O Brasil finalmente recebeu um status de respeitabilidade e o presidente nordestino projetou para o mundo nossa estratégia de uma América Latina soberana.

Meus amigos no Brasil são privados do direito à informação e continuarão a ser porque nem o governo federal nem o Congresso Nacional estão dispostos a pagar o preço por uma “reforma” em área tão estratégica e tão fundamental para o exercício da cidadania. Com 70% de aprovação popular e com os movimentos sociais nas ruas, Lula da Silva não teve coragem de enfrentar o monstro e agora paga caro por sua covardia. Terá Dilma coragem com aprovação semelhante, ou nossa meia dúzia de Murdochs seguirão intocáveis sob o manto da liberdade de e(i)mpre(n)sa?

***

[Jaime Amparo Alves é jornalista e doutor em Antropologia Social, Universidade do Texas, Austin]

TEXTO REPICADO DESTE ENDEREÇO:

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Burguesia inútil diz: “É nordestino querendo fazer coisa em São Paulo”

Um grupo de socialites clientes da Daslu e do JK Iguatemi dão show de arrogância, preconceito e desinformação

Por: Eliseu

Na última terça (7), conforme divulgou o jornal ultraconservador Folha de São Paulo, um grupo empresárias, socialites e “descoladas” integrantes ativas da fétida burguesia paulistana, com sua costumeira desinformação e preconceito comentavam o “mensalão” (Ação Penal 470), enquanto assistiam ao desfile de lançamento da nova coleção de verão da Daslu, no shopping Cidade Jardim. Naquele momento, o STF (Supremo Tribunal Federal) realizava a segunda sessão para ouvir os advogados dos réus do mensalão.

Esqueceram as burguesas que em 2005, no auge do escândalo, a dona da butique, Eliana Tranchesi, foi presa por suspeita de sonegação. A investigação que atingiu a empresária, ícone do luxo, foi interpretada por sua clientela como retaliação, uma forma de o governo desviar a atenção. Eliana morreu em fevereiro, sem que seu julgamento, ao contrário do mensalão, chegasse ao fim. E teve órgãos da imprensa que insinuaram que o culpado pela sua morte seria Lula. A Daslu foi vendida, mas conserva parte da freguesia, que torce, de forma quase unânime, pela prisão dos principais réus.

“Chego em casa à noite e leio quem falou que mentira. Fico nervosa e não consigo dormir”, diz Marcela Tranchesi, 21, filha da empresária. “O ideal é que todos sejam condenados. Não digo os 38 (réus), não sei se todos são culpados. Mas muitos.” diz a burguesa desinformada, que além de sonegar, também é chegada num contrabandozinho, como já foi divulgado sem grande destaque pela nossa mídia golpista.

E o show de preconceito, arrogância e desinformação continua: “Eu tenho nojo! Fico com a Carminha (da novela Avenida Brasil, da Globo), não com o Zé Dirceu!”, diz a socialite Anna Maria Corsi, 71.

Carolina Pires de Campos incentiva a amiga a continuar: “E o que é o mensalão, Anna?”.”Sabe o que é isso? É nordestino querer fazer alguma coisa em São Paulo”,responde Anna. “E é erradíssimo. Eles têm de ficar lá, em Garanhuns (cidade de Lula), lá no fuuundo do Pernambuco, lá no fuuundo do Ceará. Aqui, não, aqui é de paulista e de paulistano. É por isso que isso está acontecendo”, disse a preconceituosa e arrogante senhora.

Ela é lembra que há vários paulistas no mensalão. “Ah, claro...”, diz ela, para arrematar:“Eu não gosto do [José] Serra. Aqui, nós precisamos é de pessoas como o Fernando Henrique!”. diz sem saber que são carne e unha.

A stylist polonesa Ela Pruszynska, 45, é casada com um brasileiro e mora em SP há dois anos. Diz que não tem a menor ideia do que é o mensalão. “É uma coisa grave?”

O marido de uma tradicional cliente da Daslu, empresário que tem concessão do governo e se aproximou do PT na era Lula, relatou à coluna que quase “apanho”" no casamento de um amigo, na igreja Nossa Senhora do Brasil, nos Jardins. “Quase quebrei o pescoço, de tanta tensão”, disse, pedindo que seu nome não fosse revelado. Na festa, ele foi cobrado por ser amigo de alguns dos réus, que eram chamados de “ladrões, bandidos”. “Eu tentava argumentar, mas não deixavam. Principalmente as mulheres.” Elevou a voz e, segundo relata, afirmou: “Vocês querem fazer um bullying na era Lula”.

Diz que não negou a existência do mensalão, mas argumentou que não ocorreu apenas no governo do PT. “Eu disse: 'Gente, nós estamos numa sala de aula. A classe toda tá colando. E agora estamos querendo pegar um aluno, aquele barbudo, com a voz rouca, que não tem um dedo, e expulsá-lo da sala. Isso é bullying puro, bullying da elite branca, que aliás também 'cola' na prova.”

Leia também:

Edson Freitas: Parece mas não é

TEXTO REPLICADO DESE ENDEREÇO:

sábado, 4 de agosto de 2012

A relação da Revista Veja envolvida com o Mensalão!!!!

Acompanhando as capas da Revista Veja se consegue tirar conclusões de que tipo de imprensa temos, será que a Revista Veja serve ao Carlos Cachoeira ou é o Carlos Cachoeira que servia a Revista Veja?????  Será que  o congresso irá chamar o Policarpo Júnior a depor ou ficaram com medo.

Existem boatos de que existe um acordo entre a Rede Globo e o vice-presidente (na realidade com o PMDB) para evitarem que Roberto Civita (Diretor Geral de Revista Veja) e Policarpo Júnior (Diretor da Revista Veja na sucursal em Brasilia).  Assistam ao vídeo abaixo e tirem suas conclusões:


Texto relacionado :
Vinte anos na capa da Revista Veja

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O PAÍS DE TODOS E O CHIQUEIRO DE CADA UM OS FATOS E AS FITAS

Abaixo, algumas das porcarias que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) oferece aos seus leitores e telespectadores.

MENSALÃO: O presidente do PTB, Roberto Jefferson, descontente porque o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, lhe dissera que não havia recursos disponíveis para ajudar o PTB em suas despesas, deu entrevista afirmando que o governo federal comprava o apoio da base aliada no Congresso Nacional pagando uma espécie de mesada aos parlamentares. Pronto. Foi o suficiente para começar o espetáculo midiático. Polícia Federal, Abin, CPI (somente na época foram três trabalhando em cima disso) trataram de investigar as denúncias. Não houve confirmação. Apesar de todo o ódio que a oposição sente de Lula, e apesar de toda a sanha golpista da imprensa corporativa brasileira, que se empenhou fortemente para fazer desse caso um verdadeiro “escândalo”, as investigações mostraram que o mensalão não passou de uma “força de expressão”, como mais tarde viria a admitir o próprio Roberto Jefferson. Os fatos concretos chegam a ser prosaicos: o PT havia feito um acordo com o PTB que consistia em apoiar financeiramente o partido de Roberto Jefferson em suas despesas referentes às campanhas eleitorais nas disputas municipais do ano de 2004. Em troca desse aporte financeiro do PT, o PTB apoiaria o governo federal na Câmara e no Senado. Quando o PTB chegou com a fatura, o PT não dispunha em caixa do dinheiro necessário para cumprir com sua parte no acordo. Para remediar a situação, o tesoureiro do PT, sem a anuência da direção do partido, aceitou um empréstimo de R$ 55 milhões, obtido juntamente ao Banco Rural e BMG, com a mediação do publicitário mineiro Marcos Valério (experiente nessas articulações desde os tempos em que operou recursos para o caixa-2 da campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998). Esse empréstimo não foi declarado à justiça eleitoral. Ao pé da letra, trata-se de um crime eleitoral. Que se julgue o fato, e que se responsabilizem os autores nele envolvidos. Simples assim.

Perguntas: POR QUE A IMPRENSA ESCOLHEU ESSE EPISÓDIO PARA FAZER DELE TODO ESSE ESCARCÉU? POR QUE NUNCA SE ESTABELECEU UM PARALELO ENTRE ISSO A QUE SE DEU O NOME DE “MENSALÃO” E AS COMPRAS DE VOTOS PARA A EMENDA DA REELEIÇÃO QUE FAVORECEU FHC? POR QUE O LINCHAMENTO QUE SE FEZ CONTRA JOSÉ DIRCEU? POR QUE TRATAR TODO O PT COMO QUADRILHA EM VIRTUDE DE UM EPISÓDIO CUJAS RESPONSABILIDADES PESSOAIS SÃO TÃO PUNTUAIS? POR QUE A IMPRENSA NÃO SE INTERESSOU POR DENÚNCIAS DA MESMA NATUREZA FEITAS POR UM DEPUTADO ESTADUAL DE SP, DANDO CONTA DE QUE O GOVERNO ALCKIMIM COMPRA APOIO NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA COM VERBAS DE EMENDAS PARLAMENTARES?

GRAMPO SEM ÁUDIO: Gilmar Mendes, então presidente do STF, declarou à revista Veja que seus telefones haviam sido grampeados sem autorização da Justiça. Uma denúncia grave que foi alardeada pelos demais órgãos de imprensa sem qualquer checagem prévia da materialidade dos fatos. Depois desse episódio, investigações da Polícia Federal não encontraram qualquer vestígio de que houvesse grampos nos telefones de Gilmar Mendes. Resultado: esvaziamento da Operação Satiagraha, que estava no encalço dos maiores criminosos de colarinho branco desse país. Entre eles, o banqueiro Daniel Dantas, figura muito presente nos esquemas de José Serra para lavagem de dinheiro das PRIVATARIAS TUCANAS.

Perguntas: CADÊ O ÁUDIO QUE COMPROVA OS GRAMPOS? COMO PODE UMA GIGANTESCA OPERAÇÃO POLICIAL TER SIDO DESMONTADA EM VIRTUDE DE UMA DENÚNCIA INFUNDADA? POR QUE TODA A IMPRENSA REPERCUTIU A DENÚNCIA DE VEJA SENDO QUE A REVISTA NÃO APRESENTOU AO PÚBLICO AS PRÓVAS QUE AFIRMAVA POSSUIR?

ORLANDO SILVA – Veja divulga matéria afirmando que o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, estava envolvido num esquema de corrupção. A revista fundava suas acusações com base nas declarações de um tal João Dias Ferreira. A suspeição do denunciante já era patente pelo simples motivo de que ele era o representante de uma ONG que havia sido desligada de um programa do Ministério dos Esportes justamente por faltar com a prestação de contas da utilização das verbas que lhe haviam sido destinadas. Some-se a isso o fato de que o tal João, no período em que teve sua ONG beneficiada pelos repasses do programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes, auferiu um inexplicável incremento de seu patrimônio, em proporções absolutamente incompatíveis com sua renda declarada. Como se não bastasse tudo isso, o tal João ostentava, já muito antes de se tornar “fonte” de Veja, uma vasta ficha policial. Apesar desse perfil, Veja tratou seu “informante” como se fosse a pessoa mais ilibada do mundo (assim como trata seus leitores como se eles fossem os maiores idiotas do mundo – nisso talvez até tenha razão). Na matéria, a revista afirmava dispor de imagens que mostravam o ex-ministro recebendo propina na garagem do ministério. Toda a imprensa replicou compulsivamente essa denúncia feita por uma pessoa que, além de suspeita – em virtude de seu interesse pessoal no caso em questão – era também absolutamente desqualificada – em virtude de seu passado criminal.

Perguntas: CADÊ AS IMAGENS QUE COMPROVAM A DENÚNCIA? VEJA AFIRMOU QUE POSSUIA AS TAIS IMAGENS, POR QUE ATÉ HOJE A REVISTA NÃO AS ENTREGOU À POLÍCIA FEDERAL? Se essas imagens aparecessem e comprovassem o que a matéria diz, eu seria o primeiro a querer que Orlando Silva fosse para a cadeia, mas essas imagens simplesmente não existem. Porque se existissem, Veja não perderia a oportunidade de usá-las contra o governo que ela odeia. Em resumo: É POSSÍVEL ADMITIR QUE UMA REVISTA, SE VALENDO DE MENTIRAS TRAVSTIDAS DE DENÚNCIAS, CAUSE INSTABILIDADE INSTITUCIONAL E POLÍTICA A UM GOVERNO ELEITO DEMOCRATICAMENTE PELA AMPLA MAIORIA DA SOCIEDADE BRASIELEIRA?

DOSSIÊ DA CAMPANHA DILMA – José Serra é o maior praticante de jogo sujo em disputa eleitoral que esse país já viu. Além de apelar para discursos obscurantistas que resgatam argumentos medievais para defender seus interesses, o tucano recorre a métodos sabidamente ilegais para levar vantagem sobre seus adversários, inclusive correligionários. Foi isso o que aconteceu nas eleições presidenciais de 2010. Além do vexaminoso episódio da BOLINHA DE PAPEL, que teria lhe causado uma espécie de traumatismo craniano (numa confissão patética do quanto ele é MIOLO MOLE), e do fundamentalismo religioso com que contaminou discussões acerca de temas que mereceriam um tratamento mais sóbrio e racional, José Serra praticou arapongagem na tentativa de obter informações que pudessem ser utilizadas como objeto de chantagem contra seus adversários. Assim ele fez contra Aécio Neves. Sabedor de que o ex-governador mineiro é cercado de boatos a respeito de seu comportamento pessoal que são altamente desabonadores da reputação de uma personalidade política, José Serra contratou serviços de espionagem contra Aécio, com o intuito de montar um dossiê que seria usado como peça de chantagem para que o político mineiro desistisse de disputar as prévias do PSDB que escolheriam o indicado do partido para disputar a presidência. Serra sabia que, sem as prévias, seu caminho seria mais fácil. Quando soube que estava sendo alvo das tramóias de Serra, o então governador de Minas Gerais pediu ao jornal “Estado de Minas” (periódico dócil ao Palácio da Liberdade, e recebedor de polpudas verbas de publicidade oficial do governo tucano) que providenciasse uma “série de reportagens” contra José Serra, explorando a habitual prática de corrupção do político paulista ao longo de sua carreira (desde que era presidente da UNE, quando fugiu covardemente no primeiro avião que decolou do solo pátrio após a tomada do poder pelos militares em 1964, até seus maiores surtos cleptomaníacos e mitomaníacos, que se deram quando foi titular do Ministério do Planejamento no governo FHC, ocasião em que promoveu o maior assalto ao patrimônio público nacional de que se tem notícia na história: mais de 40 BILHÕES, oriundos de propinas e de desvio de dinheiro público, foram evadidos do Brasil com destino a contas bancárias hospedadas em paraísos fiscais, ao mesmo tempo em que as principais empresas públicas brasileiras, como a Vale do Rio Doce, eram alienadas ao capital privado por meio de contratos eivados de toda espécie de ilegalidade). Até aí, tudo não passava de uma disputa interna do PSDB, na qual Serra se valia de suas estratégias ilegais, e Aécio Neves se valia do controle político que exercia sobre os órgãos de imprensa mineiros. Um querendo bicar mais fortemente o seu inimigo-companheiro-de-partido. Até que Veja (sempre ela!) divulga uma reportagem que dizia que o comitê de campanha da candidata Dilma Rousseff era uma “fábrica de dossiês”. SEM MENCIONAR FONTES, a matéria falava na SUPOSTA elaboração e circulação de um dossiê na campanha do PT. O Globo e Folha de SP investiram na história e o Jornal Nacional se encarregou da escandalização de um evento que nunca existiu. Para dar verossimilhança às denúncias, a Folha teve a capacidade de divulgar uma cópia da declaração de imposto de renda do tucano Eduardo Jorge, dando a entender que esses dados protegidos por sigilo faziam parte do tal dossiê montado pela campanha do PT. Porém, essa declaração que a Folha dizia ser um “vazamento” do dossiê era parte de um processo do Ministério Público Federal sobre Eduardo Jorge, e que já havia sido tornada pública pelo Correio Braziliense já em fevereiro de 2009. Resumo da ópera: a revista Veja “descobre” um grupo de inteligência na campanha da Dilma. A Folha publica um “trabalho” desse grupo. E a Globo replica massivamente o factóide. Essa é a ação coordenada dos grupos midiáticos.

Perguntas: POR QUE DEPOIS DE TER DADO TANTO DESTAQUE AO CASO, QUANDO FICOU EVIDENCIADO QUE SE TRATAVA EXCLUSIVAMENTE DE UMA TROCA DE FARPAS ENTRE TUCANOS, A IMPRENSA SE DESINTERESSOU DO ASSUNTO? POR QUE A IMPRENSA NUNCA OUSOU NOTICIAR AS INFORMAÇÕES OBTIDAS PELO EX-REPÓRTER DO “ESTADO DE MINAS”, DESIGNADO PARA REALIZAR A MATÉRIA INVESTIGATIVA SOBRE JOSÉ SERRA E QUE RESULTARAM NUM LIVRO BOMBÁSTICO? POR QUE A IMPRENSA NÃO FALA DA PRIVATARIA TUCANA: POR VERGONHA OU POR MEDO?

PRIVATARIA TUCANA – Leia o livro “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro Jr, Geração Editorial. E faça você mesmo suas próprias perguntas sobre esse crime de lesa-pátria praticado pelo PSDB (Partido Sócio De Bicheiro).

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A serpente, desde seu ovo



Outro dia, a Ministra Eliane Calmon disse, a propósito dos escândalos no Judiciário, que “todo mundo vê a serpente nascendo pela transparência do ovo, mas ninguém acredita que uma serpente está nascendo”.

Talvez seja a mais precisa definição para aquilo que, há exatas 20 anos, pregava no deserto um cidadão que tinha a coragem, que vai faltando cada vez mais neste país, de enfrentar o monopólio avassalador (de vontades, inclusive) representado pela Rede Globo.

Este indescritível episódio do “BBB”, no qual rasteja na lama a maior emissora de televisão brasileira, que repercute pelo mundo vergonhosamente e, pior, corroi-nos as estranhas a todos os que acreditamos no respeito e na dignidade como essência relações humanas, é apenas um estágio – quais serão os próximos? – de uma jornada para a barbárie, infelizmente consentida por parte de nossa inteligência, por medo, cumplicidade ou simples covardia ante o poder.

O ovo desta serpente, há exatos 20 anos, era transparente. E houve quem lhe apontasse a natureza sibilante, peçonhenta, deformante, mortal para uma sociedade que pretende ser humana.

Por isso, e com a inestimável ajuda do Ápio Gomes – guardião invencível dos textos publicados por Leonel Brizola – republico um de seus textos sobre o tema.

O ovo da serpente
A violência que todos vêem e poucos percebem

Durante uma semana – de 5 a 11 de janeiro de 1992 – uma equipe de pesquisadores acompanhou toda a programação da Rede Globo. Foram examinados meticulosamente 77 programas, entre filmes, seriados, novelas, humorísticos, variedades, noticiários e infantis. Os pesquisadores permaneceram 114 horas e 33 minutos diante da televisão. Da totalização final, foram excluídos os programas jornalísticos para separar o que é noticiário da programação escolhida deliberadamente pela própria emissora.
O que estes pesquisadores encontraram foi uma verdadeira escola do crime e da violência. Naquela semana, a Globo exibiu 244 homicídios tentados ou consumados, 397 agressões, 190 ameaças, 11 seqüestros, 5 crimes sexuais com violência ou ameaça, 26 crimes sexuais de sedução, 60 casos de condução de veículos com perigo para terceiros ou sob efeito de drogas, 12 casos de tráfico ou uso de drogas, 50 de formação de quadrilhas, 14 roubos, 11 furtos, 5 estelionatos, e mais 137 outros, entre os quais: tortura (12), corrupção (4), crimes ambientais (3), apologia ao crime (2) e até mesmo suicídios (3).
E não se diga que isto é veiculado nos chamados programas para adultos. A programação infantil é repleta de imagens de violência, inclusive em desenhos animados, com 58 cenas diárias de violência. Projetando tal constatação, verifica-se que anualmente a Rede Globo propicia às crianças brasileiras a visão de 21.222 cenas de violência. Se considerarmos que a média diária geral da programação é de 166 cenas de violência, chegaremos à conclusão de que a programação infantil detém 34,9% da violência diária transmitida pela TV Globo.
Para os espectadores de novelas estão reservadas 150 cenas de crimes por semana (média diária de 21,4). Já os apreciadores de seriados têm à disposição 79 crimes semanais (média diária de 11,2). E quem acompanha a programação humorística e de variedades vai se deparar com 74 episódios violentos, principalmente agressões (média diária de 10,5).
Os documentos comprobatórios desta pesquisa encontram-se em poder do Dr. Nilo Batista, Secretário de Justiça do Estado, à disposição de quem desejar consultá-los. Estes números estarrecedores nos permitem questionar a autoridade moral da Globo, tevê e rádio, e do jornal O Globo e o papel destrutivo que vêm desempenhando. Já chamei a atenção de meus compatriotas para a instigante coincidência entre o crescimento das Organizações Globo e o crescimento da violência em nosso País. Esta pesquisa revela que não se trata de mera coincidência. Estudos criminológicos – os mais respeitados – advertem para as conseqüências da exposição de cenas de violência às crianças e às pessoas ainda imaturas. As Organizações Globo, quanto a este aspecto, representam uma autêntica e verdadeira escola do crime, reproduzindo e estimulando a cultura da violência, que encontra campo fértil numa sociedade fortemente marcada pela injustiça, pela pobreza e pelo atraso.
A Globo, que comete contra nossas crianças e jovens este crime – que países como os europeus de nenhuma forma admitiriam –, é a mesma que utiliza seus maiores e melhores espaços para destruir um programa educacional como o dos Cieps e dos Ciacs. Minha mensagem aos pais e avós é que defendam seus filhos e netos como puderem, enquanto combatemos – como o pequeno Davi diante de Golias – essa hidra gigantesca, diante da qual tantos se omitem ou, pior ainda, se intimidam e se curvam, submissos.

(Leonel Brizola, 19 de janeiro de 1992, no Jornal do Brasil)

TEXTO RETIRADO NESTE ENDEREÇO: