domingo, 16 de março de 2014

De garis e entulhos racistas: quem varre o quê

O brasileiro tem vergonha de se demonstrar racista, mas está perdendo essa vergonha. O Brasil é tão racista quanto qualquer outro país. (Joel Rufino dos Santos)

Jacques Gruman

Antigamente, a gente ia ao cinema para ver mais do que o filme. Dentro dos cinejornais, aguardávamos com ansiedade a hora do Canal 100. Numa época em que as televisões engatinhavam, com tecnologias a lenha, as imagens do Carlinhos Niemeyer nos permitiam quase entrar nos estádios, com closes espetaculares, detalhes impossíveis de captar com as paquidérmicas câmeras de TV.

E não se diga que a paixão rubro-negra do Carlinhos privilegiava o Mais Querido. Tudo ao som viciante do Na cadência do samba (Que bonito é/as bandeiras tremulando/a torcida delirando/vendo a rede balançar...). Na era romântica do futebol, o Canal 100 foi um banquete. Tudo devagar, sem essa incontinência digital, que está fazendo o planeta nadar em informação e patinar em ignorância. Dizem que, até 2020, a produção de dados no mundo dobrará a cada dois anos. A criançada está cada vez mais conectada em máquinas e mais carente de contatos e conversas. Um psicólogo que escreveu sobre o assunto disse que já tinha visto um garoto escrevendo uma mensagem enquanto andava de bicicleta. Não é por nada não, mas isso é uma definição precisa de filme de terror, que as novas gerações já estão protagonizando. Eu, hein, Rosa?

Voltando à vaca fria. Inspirado em velhos cinejornais, escolho dois assuntos para exibir à distinta plateia. Não são tão voláteis quanto as inaugurações de estradas e os concursos de miss, arroz de festa das Atualidades Atlântida. O primeiro, se me permitem o bairrismo, foi a greve de garis no Rio. Em meio a declarações policialescas do prefeito Paes, nada espantosas na praia do engomado alcaide, creio que há algumas questões subterrâneas, estruturais, que merecem um olhar menos enviesado. Vamos a elas.

Antes de mais nada, o nível de desrespeito ao espaço público no Rio é descomunal. Não se trata apenas dos porcalhões, que, como o prefeito Paes, jogam restos de tudo no chão. Trafegar em automóveis nos acostamentos das estradas e nas faixas seletivas exclusivas de transportes coletivos, caminhar em ciclovias, pedalar em áreas de lazer restritas a pedestres, fumar e ouvir música em ônibus, estacionar em locais proibidos, pagar propina ao guarda de trânsito, pedir ao motorista de ônibus para dar um “jeitinho” e parar fora do ponto. São tantas as “pequenas” delinquências diárias que sumiram as fronteiras para elas se expandirem. Estamos em pleno vale tudo. Muitos cariocas, muitíssimos aliás, se julgam ixpertos, quando, em realidade, não passam de agentes conscientes da destruição da cidade. O que parece uma escala molecular, evolui em ondas e resulta numa convivência irrespirável. Neste contexto, reclamar do lixo acumulado durante uma greve pode parecer legítimo, mas não passa de ruído da multidão que tem enorme telhado de vidro.

Também me chamou a atenção um aspecto hipocritamente ignorado pelos meios de comunicação: as péssimas condições de trabalho dos garis. Ganhando menos de dois salários mínimos mensais, muitos deles são obrigados a inalar permanentemente lixo orgânico em decomposição, sem qualquer equipamento de proteção. Não há adicional de insalubridade que compense esta alimentação involuntária. Sim, alimentação. Tive um professor na faculdade que demonstrou que, ao cheirarmos, nosso organismo reage como durante o processo de ingestão de alimentos. Os garis comem, literalmente, porcaria.

São esses os trabalhadores que jornalistas inidôneos pediam, aos gritos, que voltassem logo ao trabalho, sem dar a eles o direito de defenderem suas reivindicações. Uma cobertura desprezível, patronal, de uma greve com aspectos complexos. Deu-se a palavra ao presidente da Comlurb e ao alcaide. O microfone e os monitores, no entanto, foram negados às lideranças grevistas. Qual foi o jornalista que pautou, por exemplo, uma reportagem sobre a rotina dos garis, para mostrar à população os que estavam sendo forçados a cruzar os braços, ameaçados de demissão?

Apesar de serem concessões públicas, os canais de televisão se comportaram, como de praxe, como braço intelectual da ideologia privada. O direito à informação abrangente foi sonegado.

Quando dois sindicatos, o dos petroleiros e o dos professores, hipotecaram solidariedade ativa aos grevistas, veio a tradicional reação pavloviana: estão politizando o movimento! Parece um déjà-vu da época da ditadura civil-militar. Política é crime, já diria o célebre filósofo-de-quepe Newton Cruz, o Nini de sei-lá-quantas estrelas. Ora, bolas, por que a burguesia pode internacionalizar-se, organizar-se horizontal e verticalmente, constituir organismos de autoproteção globalizados, e os trabalhadores devem restringir-se aos limites de suas categorias profissionais? Mais uma vez, a mídia reverbera, muito mais do que um preconceito, os imperativos de classe dos patrões.

Por fim, a greve atualizou uma velha questão do movimento sindical, abordada com propriedade por Lenin em Esquerdismo: a doença infantil do comunismo. O que fazer quando um sindicato se fossiliza e deixa de representar os interesses dos trabalhadores? Historicamente, se apresentavam duas alternativas. A primeira, tentadora, era abandonar o sindicato e trabalhar exclusivamente por fora da institucionalidade (o que Lenin criticava). A segunda impunha a luta dentro do aparato legal, único reconhecido pelos trabalhadores em condições não revolucionárias. Os garis que divergiram da direção sindical conseguiram uma importante vitória ao serem reconhecidos como interlocutores na negociação com a prefeitura. Agora, enfrentarão o dilema: conquistam o sindicato pelego e mudam sua orientação ou criam uma estrutura paralela? Qual será a melhor forma de organizar a massa de garis?

Passo ao segundo assunto. Desde moleque ouço dizer que o Brasil não é racista, que os casos detectados são isolados, que aqui a discriminação racial não sentou praça. Como se já não existissem provas fartas de que isso não passa de uma perigosa bobagem, agora vem o futebol para confeitar o bolo venenoso. Em poucos dias, um juiz e um jogador foram insultados por idiotas racistas. Não faz muito, um jogador do Cruzeiro foi vítima de racismo no Peru. Será uma escalada? O ódio racial nos estádios brasileiros terá saído do armário ? Difícil dizer. Como o futebol tem raízes fundas no imaginário brasileiro e, bem ou mal, reflete o que somos, cabe dar um trato na matéria.

A exclusão social, que, não raro, se confunde com vários preconceitos, está na origem do futebol no Brasil.

Em São Paulo, os primeiros times foram todos compostos pela elite branca, especialmente os oriundos das colônias inglesa e alemã. Quando o povo começou a organizar suas peladas em várzeas e pensou em aderir a uma proposta liga metropolitana, os clubes dos abonados se recusaram a misturar-se com os “canelas negras”, como desdenhosamente chamavam os varzeanos.

No Rio de Janeiro, há o caso da torcida do Fluminense. Em 1914, um século pois, chegou ao clube um jogador do América. Negro. Temeroso da reação dos torcedores, gente de nariz empinado, cobriu-se com pó de arroz para disfarçar a cor de sua pele. Foi só com muita luta que essas barreiras foram rompidas. Como, aliás, acontece com todas as causas populares.

Dos episódios recentes, sobram muitas constatações e perguntas. Os técnicos, mal chamados de “professores”, se omitem. A exceção é Muricy Ramalho. Felipão prefere distância indecente dos acontecimentos, achando que melhor é ignorar o racismo. Os cartolas fingem indignação, mas a revolta fica na retórica vazia de sempre. Os jogadores, sem lideranças reconhecidas e totalmente despolitizados (onde está o Bom Senso F. C. ?), vão a reboque dos acontecimentos.

Se tivessem um pouco de organização, não esperariam pelas nunca tomadas providências e se recusariam a continuar os torneios enquanto não se punissem as ofensas. Yaya Touré, da seleção de Costa do Marfim, propôs que os jogadores negros boicotem a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, por conta do racismo de torcidas locais. Será que isso não devia valer para qualquer país? Não se combate a intolerância racial com bons modos. No país da Copa das Copas (sic), este não é um assunto menor.

Abraço.

Texto original em: CARTA MAIOR

quinta-feira, 13 de março de 2014

Transpetro alcança marca de 10 navios lançados ao mar

A Transpetro lançou ao mar nesta sexta-feira (28/02) o navio Irmã Dulce, a décima embarcação do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) a atingir essa fase em um prazo de quatro anos. O navio foi transferido ao cais do estaleiro, onde passará por acabamentos antes da entrega para o início das operações. Logo depois do lançamento do petroleiro, foi realizado o batimento de quilha do terceiro navio da série de quatro panamax encomendados pelo Promef.

O Irmã Dulce é o segundo de uma série de quatro petroleiros do tipo panamax que serão batizados em homenagem a mulheres que ajudaram a construir a História do Brasil. O primeiro foi o Anita Garibaldi, que está na fase de acabamentos no mesmo estaleiro. Utilizados para o transporte de petróleo e derivados escuros, os navios desse tipo têm 228 metros de comprimento e capacidade de transportar 90,2 milhões de litros.

Das dez embarcações do Promef lançadas ao mar, sete já foram entregues à Transpetro: os navios de produtos Celso Furtado, Sérgio Buarque de Holanda, Rômulo Almeida e José Alencar, construídos pelo Mauá; e os suezmax João Cândido, Zumbi dos Palmares e Dragão do Mar, feitos pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca (PE). Desse total, seis estão em operação. O Dragão do Mar fará a sua primeira viagem ainda neste primeiro trimestre.

“Com a décima embarcação do Promef lançada ao mar, conseguimos mostrar que a indústria naval brasileira alcança, cada vez mais, o patamar da produtividade e da produção em série. O Promef garante a encomenda de navios no Brasil e o conteúdo nacional mínimo de 65%. Agora, estamos perseguindo a competitividade internacional para colocar de novo o nosso país na posição de player mundial na produção de navios”, afirma o presidente da Transpetro, Sergio Machado.

O Promef

O Promef impulsionou a reconstrução da indústria naval brasileira após uma crise de décadas, com investimento de R$ 11,2 bilhões na encomenda de 49 navios e 20 comboios hidroviários. O Brasil tem, atualmente, a terceira maior carteira mundial de encomendas de petroleiros e a quarta maior de navios em geral. A indústria naval, que chegou a ter menos de dois mil operários na virada do século, hoje emprega 78 mil pessoas, segundo dados do Sinaval.

Com os sete navios entregues, o índice de conteúdo nacional é superior a 65%, quantitativo estipulado para a primeira fase do programa, garantindo geração de emprego e renda no país. Apenas no Estaleiro Mauá, onde o Irmã Dulce está sendo construído, foram gerados 3.400 postos de trabalho.

O Promef tem três pilares:

- construir navios no Brasil;

- alcançar índice de conteúdo nacional mínimo de 65% na primeira fase, e de 70% na segunda fase;

- atingir competitividade internacional, após a curva de aprendizado.

Os dois primeiros pilares já foram alcançados. E, com eles, o Promef ajudou a retirar a indústria naval brasileira do abandono em que se encontrava há décadas.

O terceiro pilar, a busca por competitividade internacional, é o atual foco. Para atingir este objetivo, a Transpetro criou o Sistema de Acompanhamento da Produção (SAP), que tem como função avaliar os processos produtivos dos estaleiros e sugerir alternativas para melhoria da produtividade.

Os principais players da indústria naval internacional, como Japão, Coréia do Sul e China levaram, respectivamente, 63, 53 e 23 anos para atingir a maturidade do setor. Em apenas 13 anos, o Brasil já obteve resultados comparáveis aos do mercado chinês.

Perfil de Irmã Dulce (26/05/1914 – 12/03/1992)

Irmã Dulce (Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes) foi uma das mais importantes ativistas humanitárias brasileiras do Século XX. Também conhecida como Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, a baiana de Salvador morreu em 1992, em sua cidade natal. Ela realizou obras de caridade para presidiários, mães lactantes, doentes, crianças, operários e pobres em geral, atividades que ganharam notoriedade no Brasil e no mundo.

Irmã Dulce pertencia à Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e pode se tornar a primeira santa católica nascida no Brasil. A cerimônia de beatificação (última etapa antes da canonização), realizada em 2011, foi presidida pelo arcebispo emérito de Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, designado para o evento pelo então papa Bento XVI.

Ficha técnica/navio Irmã Dulce:

· Tipo: petroleiro panamax
· Porte bruto: 72.900 Toneladas de Porte Bruto (TPB)
· Comprimento total: 228 m
· Boca: 40 m
· Calado:12 m
· Altura: 48,3 m
· Velocidade: 15 nós
· Transporta: petróleo e derivados escuros
· Capacidade para transportar 90,2 milhões de litros
· Característica: navio "shallow draft" (calado reduzido)

Etapas da construção de um navio

Segundo tradição da indústria naval mundial, a construção de um navio tem cerimônias que marcam etapas fundamentais das obras: o corte da primeira chapa de aço, o batimento de quilha, o lançamento ao mar e a entrega ao armador.

É importante ressaltar, sobretudo, a diferença entre o lançamento ao mar e a entrega ao armador:

Lançamento ao mar - Depois de concluída a edificação do casco, o navio é batizado e lançado ao mar, para os acabamentos finais. O lançamento libera o dique para o início das obras de uma nova embarcação. O navio em construção é transferido para o cais do estaleiro.

No cais, são feitas as obras de acabamento, as interligações dos vários sistemas e os últimos testes em equipamentos. Antes da entrega, o navio é geralmente levado de novo ao dique, para a limpeza do casco. Por fim, são feitas as provas de mar – viagens de curta duração que testam o desempenho geral da embarcação.

Entrega - Após a conclusão de todas as obras e testes, o navio é certificado por uma sociedade classificadora independente e entregue ao armador, para o início das operações.

Texto relacionado:

segunda-feira, 10 de março de 2014

Metade dos brasileiros já se informa pela internet

97% das pessoas assistem TV pelo menos uma vez por semana, 61% ouvem rádio e 47% acessam a internet, mas só 6% leem jornais e 1%, revistas.

Najla Passos


Brasília - A internet já é o principal meio de informação para metade dos brasileiros (47%), segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2014, da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. A TV continua como o meio de comunicação que mais atinge a população do país (97%), seguida pelo rádio (61%), mas ambos perdem terreno entre o público mais jovem, justamente onde a internet avança. Já os veículos impressos patinam em todas as faixas etárias: só 6% dos brasileiros leem jornal diariamente e apenas 1%, revistas.

A internet ganha mais peso quando os entrevistados indicam o meio de comunicação preferido, ainda que a quase totalidade deles usem mais de um para se informar. A TV continua na dianteira (76,4%), seguida pela internet (13,1%), pelo rádio (7,9%), pelos jornais impressos (1,5%) e pelas revistas (0,3%). Na internet, 32% dos entrevistados apontam as redes sociais como meio preferido, inclusive, para se informar.

“Todos nós tínhamos ideia clara que a importância da internet na informação vinha crescendo. Como não temos pesquisa anterior do mesmo tamanho, não se pode fazer uma comparação, mas se pode hoje dizer que sim, quase metade dos brasileiros se informa e usa a internet como meio cotidiano e rotineiro da informação. Isso é muito importante tanto para as políticas de comunicação quanto como retrato de como o brasileiro se informa”, afirmou o ministro-chefe da Secom, Thomas Traumann.

A pesquisa é a maior do gênero já realizada no país e a primeira que mostra de forma clara em que meio o brasileiro busca informações. O trabalho de campo deu-se entre os dias 12 de outubro e 6 de novembro de 2013, quando 200 pesquisadores aplicaram 75 perguntas a 18.312 brasileiros em 848 municípios, de todas as unidades da federação. A elaboração do questionário, a coleta de dados, a checagem e o processamento dos resultados estiveram a cargo do IBOPE Inteligência, contratado pela Secom, por meio de licitação.

O estudo mostra que a maior parte dos brasileiros assiste TV todos os dias da semana (65%). A pesquisa aponta também que 31% dos lares brasileiros são atendidos por um serviço pago de TV, em contraste com a ampla presença da TV aberta, que está em 91% dos domicílios. Em 24% dos casos, há os dois serviços.

No caso do rádio, um em cada cinco brasileiros (21%) ouve todos os dias, enquanto dois quintos (39%) nunca o fazem. Tal como a TV, o hábito é maior entre os mais velhos: sobe de 15% entre os mais jovens para 26% entre a população com mais de 65 anos.

O estudo mostra ainda que a mídia impressa desaparece aceleradamente da preferência dos brasileiros: 76% nunca leem jornais e 85%, revistas. Enquanto 24% ainda leem jornais pelo menos uma vez por semana, no caso das revistas o índice cai para 7%. Entre os jornais mais citados pelos entrevistados, figuram os meios regionais, que priorizam notícias locais. O Extra, do Rio de Janeiro, foi o mais lembrado, contando com 7,5% dos leitores. O Globo foi citado por apenas 3,5% dos entrevistados, a Folha de S. Paulo, por 1,3%, e o Estado de São Paulo, por 1,1%. Dentre as revistas, a Veja foi lembrada por 25,5% dos leitores, seguida pela Caras, citada por 9,3%.

Texto original : CARTA MAIOR

Texto relacionado: A GUERRA DOS SOFTWARES

sexta-feira, 7 de março de 2014

A GUERRA DOS SOFTWARES


(Hoje em Dia) - Na reunião da Cúpula Brasil-União Europeia, em Bruxelas, a Presidente Dilma discutiu, entre outros assuntos, a construção de um novo cabo ótico ligando diretamente a América do Sul à Europa, sem passar pelos EUA.

Teoricamente, a intenção é aumentar a segurança das comunicações entre os dois continentes, evitando que os dados sejam facilmente interceptados pelos norte-americanos. 

O cabo teria participação da Telebras, pelo lado brasileiro, e da empresa espanhola Islalink. Redes de comunicação de alta velocidade para se conectar com o mundo são, hoje, uma necessidade estratégica. 

O Brasil já se associou a outros países sul-americanos, para a construção do Anel Ótico da UNASUL. 

E, infelizmente, a Telebras, por falta de recursos – argumento inaceitável quando o BNDES empresta bilhões para multinacionais como a Vivo – acaba de retirar-se de uma parceria com a Angola Cables para construir um cabo ótico entre o Brasil e o continente africano.

O cabo Brasil-Europa pode ser uma boa ideia, mas teria sido melhor se a Telebras tivesse se associado a uma companhia estatal do outro lado do oceano, no lugar de escolher uma empresa privada, e ainda por cima espanhola, país que ficou conhecido nos últimos anos por sua abjeta sujeição aos EUA. 

Para dificultar o trabalho dos espiões norte-americanos, no entanto, não basta que cabos como esse deixem de passar pelos EUA.

Dados são interceptados com o uso de vírus e malwares a todo momento, e só se pode vencer um software com o uso de outro software para combatê-lo.

Esse é o caso do Sikur, um sistema desenvolvido por uma empresa gaúcha do mesmo nome, que está sendo usado pelo Ministério da Justiça e que deverá se estender para outros órgãos do governo.

Ele atua como uma plataforma online para escrever e receber recados que avisa por e-mail quando o usuário recebe uma mensagem. Como a mensagem só pode ser lida dentro da plataforma, vírus ou o serviço de e-mail do usuário não conseguem abrir, copiar ou interceptar os dados.

Além dessa plataforma, a empresa criou mais dois programas, o SK Vault, para guarda e intercâmbio de arquivos, e o SK Mobile, disponíveis na PlayStore e na Apple Store.

Se quisermos dar trabalho aos hackers que operam nas agências norte-americanas de inteligência e em instituições similares de outros países, teremos que desenvolver permanentemente nossos próprios programas e aplicativos. 

Para que iniciativas como o Sikur se multipliquem, será preciso que o governo faça pesados investimentos em software nacional, desenvolvido por programadores brasileiros que tenham lealdade para com quem encomendou o trabalho e amor pelo Brasil.

O software é o rifle de assalto, o submarino, o caça, o míssil, a ogiva nuclear da Guerra Eletrônica.

Se não pudermos passar à frente de nossos concorrentes, tentemos ao menos nos manter correndo.

Texto original : Mauro Santayana

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A Classe Média e a Manutenção da Desigualdade




A classe média brasileira é, atualmente, a mais numerosa entre as classes sociais existentes hoje. Nossa divisão social atualmente é representada pela seguinte tabela: 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ucrânia e Venezuela: lutar com palavras

“Lutar com palavras é a luta mais vã. No entanto lutamos mal rompe a manhã.” (Drummond)

por Rodrigo Vianna

Não se trata de poesia. Mas de política. A edição da “Folha” desta sexta-feira é mais uma demonstração de que a batalha nas ruas de Kiev ou Caracas não é feita só de coquetéis molotov, bombas e fuzis. A batalha se dá na mídia, na TV, na internet, nas páginas envelhecidas dos jornais. São Paulo, Caracas, Kiev, Moscou e Washington. A batalha é uma só. 

Reparemos bem. Ao lado, temos a primeira página do jornal conservador paulistano – o mesmo que apoiou o golpe de 64 e emprestou seus carros para transporte de presos durante a ditadura militar. Na capa da “Folha”, ucranianos escalam uma montanha de entulho no centro de Kiev, e a legenda avisa: “Manifestantes antigoverno usam pneus e entulho para montar barricadas…” Logo abaixo, uma chamada sobre reintegração de posse em São Paulo: “Em SP, invasores destroem imóveis do Minha Casa”. Numa página interna, o jornal informa que esse “invasores resistiram e, até a noite, praticavam atos de vandalismo”. (página C-1)

Ucranianos não praticam “vandalismo”. São tratados de forma heróica. Ainda que se saiba que parte dos manifestantes em Kiev tem um discurso racista, próximo do nazismo. Brasileiros são “vândalos”. Ucranianos são “manifestantes”.

Mas sigamos adiante. Nas páginas internas, a “Folha” traz vários textos do enviado especial a Kiev. Num deles, o repórter mostra uma pequena fábrica para produção de coquetéis Molotov, dentro do Metrô de Kiev. O cidadão que produz as bombas é descrito assim: “Sem afiliação a partidos ou uma proposta ideológica clara, o cidadão diz ter sido atraído pela praça e pelas manifestações a partir da ideia de que é necessário mudar o sistema político na Ucrânia.” 

Mudar o sistema político. Hum. Não fica claro se o cidadão quer uma ditadura. A Ucrânia não é uma democracia? O governo não foi eleito pela maioria? Hum… “Sem afiliação a partidos” – essa parece ser a chave para legitimar tudo nos dias que correm. A CIA, os EUA, a CNN, a Folha não tem filiação a partidos. Não. Nem o nobre manifestante de Kiev.

Ao lado da reportagem sobre os molotov, um texto opinativo assinado por Igor Gielow (sobrenome “eslavo”, muito bom! Isso dá credibilidade ao comentário). Basicamente, Gielow diz que a crise na Ucrânia é “reflexo da estratégia de Putin para a região”. Ele não está errado. Pena que esqueça de contar uma parte da história. “O importante não é o que eu publico, mas o que deixo de publicar”, dizia Roberto Marinho.

Gielow e a “Folha” ensinam: Putin é um líder malvado, que pretende manter na Ucrânia “a esfera de poder dos tempos imperiais e soviéticos”. Aprendam: só a Rússia tem interesses imperiais na Ucrânia. Do outro lado, há cidadãos sem afiliação partidária, lutando contra um insano governo pró-Moscou. Os EUA e a Europa não têm interesses na Ucrânia. Só Putin. A culpa é dos russos.

Na “Folha” luta-se com as palavras muito antes da manhã começar. Luta-se com as palavras em Kiev, em São Paulo, Moscou. Washington fica invisível. E toda a estratégia passa por aí. O poder imperial só existe por parte da Rússia. Washington não tem qualquer projeto imperial: nem na Ucrânia, nem na Síria, nem tampouco na América Latina…

Falando nisso, a cobertura sobre a Venezuela é também grandiosa no diário da família Frias. Declarações de Maduro aparecem entre aspas. Velho truque jornalistico para desqualificar, colocar no gueto da suspeição, qualquer fala dos chavistas. Segundo a Folha, o governo de Maduro afirma que o movimento (golpista? Isso a Folha não diz) é uma armação de “forças de ultradireita da Venezuela e de Miami”. No texto original a expressão está assim, entre aspas. Por que? Para dar a impressão de que Maduro é um lunático, e que não há forças de ultradireita lutando nas ruas. Não. Há só “estudantes” e “manifestantes” (e agora sou eu que coloco entre aspas).

A legenda da foto ao lado (também publicada pelo jornal conservador paulistano) diz: “Estudantes queimam lixo em atos contra Nicolás Maduro”. Primeiro, como se sabe que o sujeito é um “estudante”? Depois, reparem que queimar lixo na Venezuela é “ato contra Maduro“. Queimar prédios em desapropriação, em São Paulo, vira “vandalismo”.

Em Caracas não há “vândalos”.

Ao lado da foto, um texto assinado por repórter (que está em São Paulo!!!!!) narra roubo de equipamento da CNN em Caracas: “o ataque à CNN se assemelha a inúmeros relatos de motociclistas intimidando manifestantes, com tolerância e até respaldo das forças de segurança do governo”. O roubo ocorreu em manifestação da oposição. Mas o roubo certamente é coisa dos chavistas. Claro. Nem é preciso ir até Caracas pra saber (registro a bem da verdade factual que o repórter - a quem conheço, ótima pessoa – foi correspondente em Caracas).

No mesmo texto (assinado, de São Paulo) os grupos que defendem o governo são chamados de “milícias”. Ok. Já estive em Caracas cinco ou seis vezes. E há grupos chavistas que se assemelham mesmo a milícias. Mas do lado da oposição há o que? Não há milícias? A turma de Leopoldo, que deu golpe em 2002, é formada por cidadãos inocentes. E só.

Quem lê a “Folha” aprende que, em Caracas, há de um lado “milícias chavistas”. De outro, só “estudantes” e “manifestantes”. 

Não há neutralidade no uso das palavras. Nunca houve. Nunca haverá. E quanto mais agudas as crises, mais isso fica claro. Há escolhas. A “Folha” faz as suas. A CNN, a Telesur, a VTV – ou esse blogueiro. A diferença é que uns assumem que têm lado. Outros fingem que estão “a serviço do Brasil”. 

Lutemos, com as palavras. Não há saída. O outro lado luta todos os dias, todas horas.

“Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate” (Drummond).

Texto original ; O ESCREVINHADOR

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O eurocentrismo ataca novamente

Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva. Aliás, dentro e fora da América Latina.

Flávio Aguiar

Desde que a América Latina ‘saiu do lugar’ – implementou programas consistentes de rompimento do ciclo da pobreza – os pensamentos, todos, de esquerda e de direita, se sentiram extremamente incomodados.
Perderam o primo pobre que os ajudava a se manter no próprio lugar. E auto-centrado, com premissas e conclusões inamovíveis. A Europa era a pátria-mãe do pensamento revolucionário. E o resto era comosto por seus discípulos. Mas a Europa deixou de ser um modelo, tanto para a esquerda, quanto para a direita.

Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva.

Aliás, dentro e fora da América Latina.

À direita, o caso é negar a pertinência das alternativas de Estado à política de privilégios dos mercados.

The Economist, Financial Times et alii, inclusive em publicações como The Guardian, tomam a dianteira. No Brasil – diamante da América do Sul – nada funciona. É o caos. Citam apenas – Guardian inclusive – a velha mídia. A mídia alternativa não existe para eles. Só têm parâmetros eurocêntricos para pensar isto. Mídia alternativa aqui é coisa de paróquia, igreja, sindicato (aaargh!), não existe, e, se existe, não é respeitável. São políticas-bolha, evanescentes, desaparecerão com o tempo.

Mas há a esquerda. As políticas de combate à pobreza são irrelevantes. Oferecer melhor e mais alternativas às populações pobres é uma falácia. Constróem seu discurso sobre uma Europa que deixou de existir. Hoje, na Espanha, Portugal, Itália, Irlanda, Ucrânia, Bósnia-Herzegovina, França, Chipre, Esolvênia, Lituânia, etc., etc., destróem-se direitos como chupa-se picolé na praça. Esta é que é a verdade.

Entretanto, os pensadores do eurocentrismo continuam a achar que darão as cartas do milênio em matéria de ‘combate ao capitalismo’ – combate no qual se renderam. Renderam-se na frente política, onde partidos de esquerda são minorias bombardeadas continuamente na mídia e fora dela, e sem acomodaram a esta situação ‘cômoda-incômoda’, renderam-se na frente acadêmica, onde são minorias departamentais sem expressão institucional, e renderam-se na frente midiática: nada existe aqui equivalente à Carta Maior, Rede Brasil Atual, TVT, sites de Nassif, Amorim, etc., nem mesmo Democracy Now ou Al-Monitor. Nada.

Para este pensamento, tirar milhões da pobreza é extremamente incômodo. Pobre, afinal, é um bom argumento de discurso. Ao vivo, e saindo da pobreza em dimensões continentais, é um problema.

Rouba-lhe uma razão de ser, talvez até de pensar.

Que pensarão depois?

Não sabem.

Talvez nem nós. Ainda bem. Teremos de pensar tudo de novo. Na contra-mão deste povo.

Texto original : Carta Maior

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A COPA E O CARNAVAL

Neste ano, de 2014, teremos a realização, no Brasil, da Copa do Mundo de Futebol. É um evento que será transmitido para os países de todo o planeta e colocará o Brasil em destaque durante o período em que o evento estará sendo realizado.

Quando da realização do sorteio para escolha do país que sediaria a copa foi uma grande expectativa e quando da saída do resultado, que seria realizado no Brasil, foi uma grande comemoração. Claro que muitos meios de comunicação achando que o Brasil não iria conseguir o direito a realizar a copa faziam críticas e mais críticas ao governo de plantão!


Da construção dos estádios
Durante o decorrer do tempo para construção dos estádios, a grande maioria das redes de televisão e muitos participantes das chamadas redes sociais faziam críticas e mais criticas dizendo uma vergonha o atraso na construção dos estádios. Só que a fase das construções dos estádios passou e agora já se sabe que estarão prontos no período copa.


Quem ganha com a copa
O evento da copa é feito por iniciativa privada. A FIFA e a CBF são as empresas que são as grandes responsáveis pela realização e são as que mais têm a ganhar com o evento. Uma das empresas que mais criticaram o atraso a construção dos estádios e que agora estimulam o movimento NÃO VAI TER COPA é justamente a Rede Globo e estranhamente será a empresa com o segundo faturamento (por ocasião dos direitos de transmissão e venda de patrocínio) por realização da copa!


O gasto com a copa
Muito se tem questionando os investimentos feitos para construção dos estádios, construção da infraestrutura e prestação de serviços para realização do evento. Alegam que o país tem prioridades muito0 maiores e falta investimento na Educação, Saúde e Segurança. Somente com a construção dos Estádios existe a previsão de gasto de 8,2 bilhões. Claro que depois da realização da copa ficaram os Estádios que terão alguns que serão muitos utilizados e outros que praticamente ficarão sem uso. A infraestrutura continuará servindo a população. Tanto na construção dos Estádios e também na construção da infraestrutura de serviços estão sendo gasto dinheiros dos municípios, Estados e do Governo Federal.


Gastos com o carnaval
Todo ano existe a realização do carnaval, são feitos investimentos de dinheiro público e para tal são usados os mesmos argumentos utilizados para realização da copa, tais como: tras aumento na arrecadação, movimenta a economia e atrai muitos turistas. O gasto com carnaval sempre existiu na construção dos chamados sambódromos, movimentação dos serviços públicos (segurança, saúde, limpeza e iluminação) e sem falar dos chamados investimentos financeiros feitos diretamente, que são o repasse de dinheiro feito para empresas, blocos carnavalescos, escolas de samba, etc.

No Brasil existem 5.570 municípios e vamos supor que os investimentos financeiros diretos sejam em uma média de um milhão de reais por cidade. Isso daria um valor de 5.570.000.000 de investimentos diretos, ou seja, do valor passado em dinheiro por prefeituras, Estados e do Governo Federal (através do Ministério do Turismo). Estou falando em média, porque tem município que gasta menos e tem alguns que gatam muito mais. Lembrar que estou falando dos gastos somente com carnaval e ainda temos as famosas festas pré e pós-carnavalescas. Qual o valor gasto nestas festas? Certamente os valores gastos, nestes carnavais, são de uma copa por ano! Embora depois da copa, o serviço de infraestrutura, irá ficar para serem utilizados posteriormente, enquanto o dinheiro gasto com o carnaval!


Manifestações partidárias
Qualquer cidadão comum sabe muito bem que os serviços públicos na área de Saúde, Educação e Segurança (em todo o território Nacional) sempre foram relegado a segundo plano faz décadas e décadas e somente agora por ocasião da copa aparece essas manifestações exigindo investimentos nestas áreas. Por que não exigiam antes?

Basta assistir aos jornais de diversos rádios e redes de televisão que irá se perceber que a população está indo na onda do noticiário (manipulados) e se diz que o cidadão acordou e passou a ter consciência política, será? Estamos a alguns dias da realização do carnaval e não vi nenhuma manifestação NÃO VAI TER CARNAVAL. Estranhamente já estão acontecendo manifestações NÃO VAI TER COPA! As manifestações são em prol da melhoria dos serviços púbicos ou existem interesse partidário?

Durante o período da realização da copa, o Brasil estará em todos os noticiários pelo mundo e certamente essas manifestações tem o interesse de desmoralizar o Brasil (muitos acham que o governo de plantão) e o prejuízo certamente será para todos independentes de partidos e religiões!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia

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