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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Nós e os britânicos

A principal diferença entre o sistema eleitoral brasileiro e o britânico é que o eleitor britânico pelo menos é consultado a respeito de como prefere votar

Antonio Lassance

Nem tudo está oquei no UK

O Brasil é uma República Federativa. O Reino Unido é uma monarquia parlamentar unitária. O Brasil usa o sistema proporcional e de coligações para eleger parlamentares. Os britânicos não fazem ideia do que isso seja. Seu sistema é majoritário e de eleição por distritos (650 ao todo).

A principal vantagem do sistema eleitoral britânico é o fato de ser simples. O eleitor saber exatamente que seu voto vale naquele distrito e que o eleito será quem for o mais votado individualmente.

O processo eleitoral, porém, é arcaico. Os eleitores votam em cédulas de papel, depositam o voto em uma urna que não é eletrônica e a apuração é feita no braço por pessoas que conferem voto a voto.

De vez em quando, as filas para votar são tão demoradas que, quando se encerra o horário, as pessoas que estavam do meio para o final veem as portas das seções eleitorais serem fechadas antes de chegar a sua vez. Depois de horas no frio e na chuva, voltam para casa sem terem conseguido votar.

Outro problema: quando termina a eleição, nem sempre se sabe quem governará o Reino Unido. Um partido precisa ter maioria suficiente para escolher o primeiro-ministro e formar um governo, ou deverá recorrer a uma coligação com um partido que cuspiu cobras e lagartos contra esse que agora lhe convida para montar um gabinete.

Yes, nós também temos distorções

No Brasil, não apenas os partidos, mas os especialistas se contradizem sobre os remédios a serem adotados para melhorar a qualidade da representação.

Diante de tantas incertezas e desavenças, o debate tende ao exagero. Algumas mudanças são defendidas como capazes de operar milagres, enquanto outras são vistas como o fim do mundo.

Debater apenas as regras eleitorais de votação (como se vota e como se define quem são os eleitos) é apenas tratar da ponta desse iceberg que é a política, sem descuidar da importância da ponta de qualquer iceberg.

As eleições britânicas mostraram uma clara distorção. Os conservadores formaram uma folgada maioria no Parlamento, mesmo não tendo maioria dos votos populares. Assim foi porque a regra dos britânicos é dada pela maioria dos distritos.

Não adianta criticá-los por isso com um raciocínio de sistema proporcional. No passado, antes do sistema de dois turnos, elegíamos prefeitos em um único turno mesmo que eles não tivessem a metade mais um dos votos. E é ainda assim para todas as cidades com menos de 200 mil habitantes.

São exemplos de supostas distorções, mas não existe sistema eleitoral sem risco de distorção. O Brasil tem uma regra da representação congressual, dada pelo fato de que somos um país federalista, que alguns podem considerar uma distorção. É e não é.

Estados pequenos e o Distrito Federal têm, no mínimo, oito deputados e, no Senado, qualquer um tem três senadores igualmente, independentemente da quantidade de eleitores de cada uma dessas unidades da Federação (UFs).

Há quem alerte: "o sistema distrital joga votos fora". Calma, gente. Se é assim, nós também fazemos isso. Nossa Constituição diz, em seu artigo 45, § 1º, que nenhuma unidade da Federação terá menos de oito ou mais de setenta Deputados.

Quando limitamos o mínimo e o máximo de deputados que uma UF pode ter na Câmara, distorcemos a representação e jogamos fora o voto de um monte de gente.

Isso se chama federalismo e democracia. Chama-se federalismo porque respeita o princípio de que unidades menores devem ter um mínimo, e as gigantes, um máximo, justamente para evitar uma distorção que torne os pequenos irrelevantes, e os grandes, dominadores.

Isso também se chama democracia, que não é só governo da maioria, mas respeito às minorias. A ideia de que o voto de cada pessoa é igual não funciona nem aqui, nem em democracia alguma. Sempre haverá algum tipo de distorção - o importante é que se saiba de que tipo. Cada sistema escolhe a distorção que considera mais positiva e menos prejudicial.

Lendas urbanas

Em 2002, o médico Enéas Carneiro, de um partido chamado Prona, de voz rascante e discurso raivoso, recebeu 1,55 milhão de votos. Nosso sistema deu ao fenômeno Enéas o prêmio de levar consigo mais cinco correligionários raquíticos de voto e, portanto, nada representativos.

Os menos votados do PRONA tiveram, um deles, menos de 400 votos, e outro, apenas míseros 275 votos. Ainda bem que o estado de São Paulo só pode ter 70 deputados, ou o estrago seria pior. Enéas levaria mais gente sem voto em sua cauda meteórica.

O sistema majoritário (distrital) personaliza a eleição? E o proporcional, não? O que o "exemplo" Enéas nos mostra? A força de um partido? Convenhamos.

O voto distrital aumenta o peso do poder econômico nas eleições? Mais do que o nosso sistema proporcional? Comparem os gastos de campanha no Reino Unido e no Brasil.

Sejamos realistas e busquemos argumentos mais robustos. O poder econômico não se importa se o sistema é proporcional ou majoritário. O poder econômico e seus candidatos arrumam um jeito e riem dessas filigranas.

O voto distrital vai tornar o eleito mais próximo do cidadão? Não necessariamente. A depender de outros aspectos, é improvável. Não é o tipo de sistema eleitoral que torna o eleito mais próximo do cidadão. Prefeitos de alguns municípios pequenos são eleitos por voto majoritário e muitas vezes nem moram lá. Governam morando na capital.

Os defensores do sistema proporcional dizem que o sistema distrital majoritário promove a eleição de celebridades. E o sistema proporcional, não? Clodovil, Tiririca, Romário, Popó, Marta Suplicy (que ganhou fama no programa TV Mulher, da Globo, sendo uma espécie de Ana Maria Braga para assuntos de sexualidade) e toda uma legião de futebolistas, radialistas e apresentadores de programas de tevê são o quê? Vamos falar mal de celebridades, sendo que cada partido tem as suas? E há celebridades, não muitas, que dão bons representantes - Jean Wy%u20Bllys, por exemplo, que é ex-BBB.

E quanto aos italianos, que chegaram a eleger a famosa atriz pornô, Cicciolina? Também foi pelo sistema proporcional. Ela era uma celebridade e representou um irônico voto de protesto. No Brasil, Tiririca é nossa Cicciolina.

O detalhe, ainda na comparação entre sistemas eleitorais, é que Cicciolina, que é húngara (naturalizada italiana), tentou depois a carreira política na sua Hungria, que tem sistema distrital. Não conseguiu apoio suficiente de eleitores do distrito de Kobánya para se candidatar.

Distritos e detritos eleitorais

Seria bom um debate menos apelativo e apoteótico sobre um tema que é muito restrito e que não trará nem um remédio milagroso, nem um veneno mortal. Quando se propõe a mudança do sistema proporcional para o distrital, se está falando simples e restritamente nas eleições para vereadores, deputados estaduais e federais.

Antes de se mudar o sistema de proporcional para o distrital, seria bom e prudente testarmos como ficariam as coisas se apenas acabassem as coligações em eleições proporcionais - essas que permitem que uma dezena de partidos se junte para eleger vereadores e deputados.

O sistema de lista aberta é aberto demais, %u20Be o tal do coeficiente eleitoral, que é um cálculo nebuloso demais para ser minimamente razoável, não é%u20B uma boa forma de se aproveitar os votos dados a todos os candidatos. Funciona mais como uma montanha de detritos que ajuda a eleger os candidatos mais improváveis e imprestáveis para a missão parlamentar.

O Senado brasileiro recentemente aprovou a proposta do tucano José Serra de voto distrital para vereadores em cidades acima de 200 mil habitantes. A proposta de Serra é mais uma asa de morcego na confusão que é a geleia geral do sistema político brasileiro.

E o povo assiste a tudo sem ser consultado

Todo sistema eleitoral tem vantagens e desvantagens. O britânico tem distorções? O brasileiro também. A principal diferença é que o eleitor britânico pelo menos foi consultado a respeito de como prefere votar e eleger representantes.

Ingleses, galeses, escoceses e irlandeses (da Irlanda do Norte) decidiram, em 2011, se gostariam de mudar ou de manter seu sistema. Preferiram deixar como está. Certos ou errados, os britânicos não quiseram outra coisa no lugar.

No nosso caso, a maioria dos cientistas políticos, dos políticos, dos partidos e dos comentaristas de imprensa acha que o assunto é "muito complexo" para ser decidido em plebiscito - no máximo, quem sabe, poderia rolar um referendo. Mas nem referendo acontece.

Votos e distritos são um assunto que diz respeito ao eleitor. É dele o voto. É ele quem mora no distrito. É ele quem vota e elege. Mas os congressistas ignoram esse princípio solenemente. Acham que o voto é um assunto apenas deles, de seu umbigo eleitoral.

Por isso, toda e qualquer proposta de reforma mais ampla acaba sendo sabotada pela maioria dos que acham que plebiscito, referendo, reforma e mudanças são palavras muito perigosas - bolivarianas, cubanas, poderíamos até dizer, para chocar, suíças, em homenagem ao país que mais gosta de plebiscitos e referendos.

São mesmo ideias muito perigosas. Se o povo começar a se meter mais na política, corre-se o sério risco de as coisas melhorarem. E aí, o que seria de muitos políticos e suas legendas?

Créditos da foto: Jose Maria Cuellar / Flickr

Texto original: CARTA MAIOR

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A COPA E O CARNAVAL

Neste ano, de 2014, teremos a realização, no Brasil, da Copa do Mundo de Futebol. É um evento que será transmitido para os países de todo o planeta e colocará o Brasil em destaque durante o período em que o evento estará sendo realizado.

Quando da realização do sorteio para escolha do país que sediaria a copa foi uma grande expectativa e quando da saída do resultado, que seria realizado no Brasil, foi uma grande comemoração. Claro que muitos meios de comunicação achando que o Brasil não iria conseguir o direito a realizar a copa faziam críticas e mais críticas ao governo de plantão!


Da construção dos estádios
Durante o decorrer do tempo para construção dos estádios, a grande maioria das redes de televisão e muitos participantes das chamadas redes sociais faziam críticas e mais criticas dizendo uma vergonha o atraso na construção dos estádios. Só que a fase das construções dos estádios passou e agora já se sabe que estarão prontos no período copa.


Quem ganha com a copa
O evento da copa é feito por iniciativa privada. A FIFA e a CBF são as empresas que são as grandes responsáveis pela realização e são as que mais têm a ganhar com o evento. Uma das empresas que mais criticaram o atraso a construção dos estádios e que agora estimulam o movimento NÃO VAI TER COPA é justamente a Rede Globo e estranhamente será a empresa com o segundo faturamento (por ocasião dos direitos de transmissão e venda de patrocínio) por realização da copa!


O gasto com a copa
Muito se tem questionando os investimentos feitos para construção dos estádios, construção da infraestrutura e prestação de serviços para realização do evento. Alegam que o país tem prioridades muito0 maiores e falta investimento na Educação, Saúde e Segurança. Somente com a construção dos Estádios existe a previsão de gasto de 8,2 bilhões. Claro que depois da realização da copa ficaram os Estádios que terão alguns que serão muitos utilizados e outros que praticamente ficarão sem uso. A infraestrutura continuará servindo a população. Tanto na construção dos Estádios e também na construção da infraestrutura de serviços estão sendo gasto dinheiros dos municípios, Estados e do Governo Federal.


Gastos com o carnaval
Todo ano existe a realização do carnaval, são feitos investimentos de dinheiro público e para tal são usados os mesmos argumentos utilizados para realização da copa, tais como: tras aumento na arrecadação, movimenta a economia e atrai muitos turistas. O gasto com carnaval sempre existiu na construção dos chamados sambódromos, movimentação dos serviços públicos (segurança, saúde, limpeza e iluminação) e sem falar dos chamados investimentos financeiros feitos diretamente, que são o repasse de dinheiro feito para empresas, blocos carnavalescos, escolas de samba, etc.

No Brasil existem 5.570 municípios e vamos supor que os investimentos financeiros diretos sejam em uma média de um milhão de reais por cidade. Isso daria um valor de 5.570.000.000 de investimentos diretos, ou seja, do valor passado em dinheiro por prefeituras, Estados e do Governo Federal (através do Ministério do Turismo). Estou falando em média, porque tem município que gasta menos e tem alguns que gatam muito mais. Lembrar que estou falando dos gastos somente com carnaval e ainda temos as famosas festas pré e pós-carnavalescas. Qual o valor gasto nestas festas? Certamente os valores gastos, nestes carnavais, são de uma copa por ano! Embora depois da copa, o serviço de infraestrutura, irá ficar para serem utilizados posteriormente, enquanto o dinheiro gasto com o carnaval!


Manifestações partidárias
Qualquer cidadão comum sabe muito bem que os serviços públicos na área de Saúde, Educação e Segurança (em todo o território Nacional) sempre foram relegado a segundo plano faz décadas e décadas e somente agora por ocasião da copa aparece essas manifestações exigindo investimentos nestas áreas. Por que não exigiam antes?

Basta assistir aos jornais de diversos rádios e redes de televisão que irá se perceber que a população está indo na onda do noticiário (manipulados) e se diz que o cidadão acordou e passou a ter consciência política, será? Estamos a alguns dias da realização do carnaval e não vi nenhuma manifestação NÃO VAI TER CARNAVAL. Estranhamente já estão acontecendo manifestações NÃO VAI TER COPA! As manifestações são em prol da melhoria dos serviços púbicos ou existem interesse partidário?

Durante o período da realização da copa, o Brasil estará em todos os noticiários pelo mundo e certamente essas manifestações tem o interesse de desmoralizar o Brasil (muitos acham que o governo de plantão) e o prejuízo certamente será para todos independentes de partidos e religiões!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia

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domingo, 21 de julho de 2013

Se o Brasil estivesse em crise a sua vida já teria piorado

Quem melhor definiu a atual conjuntura política do país foi, de forma surpreendentemente, o correspondente do diário espanhol El País no Brasil, Juan Arias, em meados do mês passado. Antes de abordar o que ele disse, vale explicar que a opinião desse jornalista chega a surpreender porque há anos ele vem sendo um dos grandes críticos dos governos Lula e Dilma.

Abaixo, alguns trechos do artigo de Arias em questão, publicado no diário espanhol.

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” (…) Por enquanto, o que existe é um consenso de que o Brasil, invejado internacionalmente até agora, vive uma espécie de esquizofrenia ou paradoxo que ainda deve ser analisado ou explicado.

(…)

Agora surge um movimento de protesto quando, ao longo dos últimos dez anos, o Brasil viveu como que anestesiado por seu êxito compartilhado e aplaudido mundialmente.

(…)

O Brasil está pior do que há dez anos? Não, está melhor. Está mais rico, tem menos pobres e testemunha o crescimento do seu número de milionários. É mais democrático e menos desigual.

(…)

Por que então saem às ruas para protestar contra a alta dos preços dos transportes públicos jovens que normalmente não usam esses meios porque já têm carros, algo impensável há dez anos?

(…)

Por que protestam estudantes de famílias que até pouco tempo não tinham sonhado em ver seus filhos pisarem na universidade? (…)”

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Quando se analisa a situação do país até ao menos o mês de maio, ganha sentido o uso do termo “esquizofrenia” pelo jornalista espanhol, de forma a caracterizar o sentimento que se formou entre grande parte dos brasileiros.

As pessoas parecem acreditar que as suas vidas estão piorando, daí as manifestações de insatisfação, ainda que restritas a um setor minoritário da sociedade, a classe média. Contudo, o mero olhar para indicadores sobre os setores que mais afetam a vida do cidadão comum mostra que o país vem melhorando, sim, e muito.

Vejamos os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE sobre o índice de desemprego no país de 2002 (quando foi adotada a atual metodologia de mensuração do problema) até hoje.

O gráfico abaixo foi extraído do site do IBGE e mostra que em um mundo em que a falta de postos de trabalho se tornou uma epidemia, no nosso país o nível de emprego caminha no sentido inverso, com geração de cada vez mais postos de trabalho e de salários mais altos.


Alguns dizem que a inflação teria parte da responsabilidade pelo aumento da insatisfação com o país. Contudo, ao analisarmos um dos indicadores mais usados para mensurar o impacto dos preços sobre a vida das pessoas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), percebe-se que tampouco o aumento de preços chegou a um nível que possa explicar alguma coisa.

Abaixo, os índices anuais do IPCA entre 1998 a 2012 e os dos meses de 2013.

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Quadro inflacionário medido pelo IPCA cheio, no período 1998-2013:

1998 = 1,95%

1999 = 9,52%

2000 = 6,59%

2001 = 8,23%

2002 = 12,53%

2003 = 9,3%

2004 = 7,6%

2005 = 5,69%

2006 = 3,14%

2007 = 4,46%

2008 = 5,90%

2009 = 4,31%

2010 = 5,91%

2011 = 6,5%

2012 = 5,84%

2013 = 3,15% no ano e acumulado em 12 meses (entre janeiro e junho deste ano) é de 6,7%.

Fonte IBGE

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Como se vê, não há nenhum estouro da inflação. O nível de inflação atual permanece no patamar histórico. Contudo, o que se vê na mídia sobre o assunto induz à crença de que estaríamos à beira de uma crise de hiperinflação.

Em relação aos salários, o valor deles nunca foi tão alto. Abaixo, dados da última PME do IBGE, que mostra que, em relação a 2012, os salários continuam crescendo.

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Pessoas Ocupadas (abril 2012) 1.949,81 - (maio 2013) 2.010,69

Empregados no Setor Privado (abril 2012) 1.749,34 - (maio 2013) 1.841,51

Empregados no Setor Público (abril 2012) 2.701,27 - (maio 2013) 2.572,53

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O que mais impressiona é que, em 2002, o salário médio do trabalhador teve declínio de 8,3% em relação a 2001, passando a corresponder a R$ 889, valor 28,3% menor do que o registrado em 1997.

Ou seja: o Brasil de 2013 é um país infinitamente melhor do que o de 2003, quando o PT chegou ao poder.

E além dos ganhos para todos, relatório sobre as cidades latino-americanas feito pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), divulgado no ano passado, mostrou que o Brasil diminuiu a desigualdade social como nenhum outro país ao longo da última década.

Nos anos 1990, o Brasil era o mais desigual na região. Nesta década, foi o país que mais reduziu a desigualdade enquanto em outros países ela cresceu.

Nos últimos anos, a renda dos brasileiros mais pobres cresceu 70% e a dos mais ricos, cerca de 10%. E esses 10% mais pobres tiveram a renda aumentada justamente por causa do trabalho, ou seja, dos novos empregos que estão sendo gerados. E pelos aumentos reais do salário mínimo, claro.

A despeito de tudo isso, o grupo político que promoveu melhora tão expressiva na vida deste povo se encontra diante de um paradoxo que, usando o adequado termo do corresponde do jornal espanhol supracitado, pode ser considerado “esquizofrênico”.

Uma parcela imensa do povo brasileiro está sendo enganada tanto por grandes meios de comunicação quanto por partidos políticos de oposição. As pessoas acham que o país está “indo mal” apesar de estar acontecendo justamente o oposto.

Pesquisa recente do instituto MDA, feita para a Confederação Nacional dos Transportes, mostra que 84% dos brasileiros aprovam protestos de rua que desembocaram em uma imensa queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff.

Essa grande maioria dos brasileiros, que até dois ou três meses atrás dava enorme apoio ao grupo político que fez o país melhorar tanto, de repente passou a achar que vive em um país à beira da ruína.

Tudo isso decorre de um artificialismo que, conforme entrevista de Marcos Coimbra (sociólogo e diretor do instituto Vox Populi) concedida a este Blog na última quinta-feira e conforme a mesma pesquisa MDA citada acima, implantou na cabeça das pessoas uma sensação de mal-estar.

Ora, como o país pode estar indo bem se vemos cenas de guerra como as que vimos recentemente na zona Sul do Rio de Janeiro? São cenas que só se explicam por um grave descontentamento social que só poderia decorrer de o país, de fato, estar “indo mal”. É isso que o povo pensa.

Contudo, você, leitor, tem visto muita gente reclamando de ter perdido o emprego ou de seu salário não estar comprando mais o que comprava antes? A sua própria vida piorou? Muito pelo contrário. O Brasil vive uma febre de consumo porque as pessoas têm dinheiro no bolso.

As ruas estão cada vez mais entupidas de carros zero quilômetro. As residências mais humildes, hoje, estão sendo reformadas e entupidas de bens de consumo como televisões, computadores, novos móveis etc. E, hoje, só não encontra emprego quem não quer trabalhar.

O que é preciso, portanto, é fazer os brasileiros refletirem que quando um país vai mal a vida das pessoas piora. Entretanto, quem pode dizer que sua vida tem piorado? Só o que tem piorado é a percepção sobre o futuro.

Essa percepção se fundamenta, basicamente, na informação. As pessoas vêm sendo bombardeadas pelos meios de comunicação de massa com cenas de guerra e previsões catastrofistas e, juntando umas e outras, construíram essa percepção pessimista.

Urge, portanto, que seja levada a cabo uma campanha de comunicação governamental que faça os brasileiros refletirem sobre a realidade. O povo brasileiro foi posto em pânico por ação de concessões públicas de rádio e televisão que estão sendo usadas com fins políticos.

É mais simples do que parece desmontar a campanha insidiosa que foi construída na mídia e nas ruas para apavorar a sociedade. Há fartura de dados que comprovam que o país vai bem. Mas se uma campanha em sentido contrário não for feita, o brasileiro, ano que vem, irá votar por mudança daquilo que, como se vê neste texto, está dando muito certo.

Fica a dica.

Texto replicado : BLOG DA CIDADANIA

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MANIFESTAÇÕES E CONTRADIÇÕES!

Manifestantes na Cidade de São Paulo (17-06-2013)
Falando em manifestações, me vem a memória a lembrança das greves dos professores nos últimos 20 anos no Estado de São Paulo. Alguém se importou com as greves dos professores nos 20 anos no Estado de São Paulo? Aquelas greves anuais onde os professores eram chamados de arruaceiros pela mídia e pelos eleitores paulistas? Será que nas manifestações irão defender os professores paulistas ou irão exigir que punam os professores arruaceiros? Agora muitos do que chamaram os professores de arruaceiros estão nas ruas sentindo como é a atuação da polícia militar!

Precisamos acabar com esse governo que só vive aumentando impostos! O que tem ocorrido ultimamente é o governo desonerando a folha de pagamento e retirando impostos de muitos produtos, como foi o caso da retirada dos impostos da Cesta Básica. Claro que a retirada dos impostos federais dos carros e da chamada linha branca (eletrodomésticos) é apenas para impulsionar o consumo (em termos ecológicos deixa muito a desejar). Foram eliminados os impostos incidentes sobre o consumo de óleo diesel destinados aos transporte urbano e ferroviário.

Muitos manifestantes estão pedindo para acabar com o Bolsa Família e argumentam que a mesma só serve de cabo eleitoral para eleger políticos corruptos e sustentar um bando de vagabundos! E quando se fala em Bolsa Família, as opiniões sobre os nordestinos não são das melhores! Alguns manifestantes mandaram essas mensagens informando que estão tentando mudar o Brasil em nome do povo. Será que eles consideram os milhões de beneficiados do Bolsa Família e os milhões de nordestinos,  povo ou vagabundos?

Quantas vezes fui chamado de petista, comunista e de está defendendo bandidos e outros adjetivos quando criticava atuação da Polícia Militar, principalmente nas periferias de São Paulo e Brasília! Quando critiquei a atuação da polícia, em pinheirinhos, encontrei muita gente defendendo a atuação do Polícia Militar (muitos ficaram no silêncio do anonimato). Só que agora a Polícia Militar está reprimindo as manifestações violentamente!!! Muitos desses estão nas atuais manifestações, será que se sentem bandidos ou se sentem defendendo bandidos?

Os manifestantes gritam palavra de ordem criticando os salários dos políticos que são exagerados (e são)!!! E os salários exagerados só existem no Poder Executivo e Legislativo? Ninguém vai contestar os salários do Poder Judiciário que são tão altos quanto dos outros poderes?

E o pessoal que vive cobrando defesa do índio por parte do Governo Federal? Conheço alguns que foram a favor de se derrubar o Museu do índio (Rio de Janeiro) para construção de estacionamentos! Sem falar que muitos acham que os índios deveriam ser expulsos da própria terra por não produzirem nada!!!! E agora?

Não existem partidos envolvidos nas manifestações

O que mais se houve é que as manifestações são anti partidárias. Isso é o que se ouve quando se questiona os manifestantes! O difícil é explicar as diversas bandeiras de partidos nas manifestações, principalmente na Cidade de São Paulo!

Precisamos tirar do governo esses comunistas!!! Para a oposição, que se dizem de direita, a Dilma Russef e o PT são comunista e para os partidos ditos de esquerda a Dilma é neoliberal!!! Sem falar que para esse pessoal, qualquer reivindicação em nome da população é coisa de comunista e fazem o que podem para as reivindicações sociais não avançarem.

Precisamos acabar com esse governo e tirar esse partido corrupto! Estão brigando para acabar com a corrupção ou querendo tirar um partido para colocar outro? Sem falar que tirar partido ou trocar os candidatos, a corrupção irá continuar, simplesmente por que o sistema é corrupto por si só. Ou se faz uma mudança estrutural no sistema ou a corrupção continuará independente de partido ou candidato!

OBSERVAÇÃO: não sou contra a participação de qualquer partido nas manifestações, mas é irônico a pessoa afirmar que não existem partidos nas manifestações com tantas bandeiras dos partidos desfilando no meio da multidão.

Reivindicações que estão ficando fora da pauta

Os manifestantes que estão querendo mudar o país em nome do povo e não estão se manifestando os seguintes itens:

Alguém viu algum manifestante ou algum grupo exigindo REFORMA AGRÁRIA? Estou falando manifestações a favor, por que manifestações contra o MST e a Reforma Agrária apareceram muitas!!! Você acredita que eles defendem a causa do MST? Esqueceu-se do pau que o MST levou da Globo e dos paulistas que em sua maioria é conservador? Quem vai bater no CUTRALE? Para alguns manifestantes o pessoal do MST são bandidos!!! E agora, o que pensam da Rede Globo?

E as manifestações em defesa do nosso petróleo? Nada? Tem de se levar em conta que entre os manifestantes existem muitos que são a favor das privatizações e pior, de preferência que as empresas privatizadas sejam entregues a multinacionais. Lembrar que a Petrobras (empresa brasileira) está impedida, pela justiça, de participar dos atuais leilões do petróleo!!!!

Você acha que o serviço de telefonia está uma maravilha? Cadê as cobranças por melhoria no sistema telefônico de nossas operadoras? Segundo o Procon, as operadoras são as empresas campeãs em queixas e recordistas em processos em pequenas causas!!!! Não vi nenhum manifestante se pronunciando sobre esse assunto!!!

O que mais eu ouço é reclamações sobre o nosso sistema de comunicação televisivo que é altamente concentrado  e é quase que um monopólio. Nessas manifestações, as redes de TVs (principalmente a Rede Globo), passaram a mostrar somente as ações violentas dos manifestantes. E as reivindicações não vão mostrar? Não vão mostrar quem são os grupos participantes e o que cada grupo reivindica? Se estamos em um sistema democrático, os meios de comunicação tem de dá voz a todos e não somente a alguns e mostrar as reivindicações de todos os setores do sociedade e não somente o que os donos dos meios de comunicação querem!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Afinal, quem tem medo da democracia no Brasil?

Uma imensa disputa ideológica e politica se dá em torno da democracia? Quem é democrático e quem não é? Uma disputa para se apropriar do termo, com a pretensão de que quem apareça como democrático, será automaticamente hegemônico.

Ocorre que tudo depende do conceito predominante de democracia. Quem poderia dizer que as oligarquias familiares, proprietárias monopolistas dos meios de comunicação tradicionais no Brasil, apareçam como as mais defensoras da democracia, supostamente ameaçada pelo Estado que promove o maior processo de democratização na sociedade brasileira, com o apoio maçico da grande maioria da população, em consultas eleitorais amplas e abertas, com a participação majoritária da população?

Isso ocorre porque falamos de coisas distintas quando falamos de democracia. A concepção dominante, de que se valem aqueles órgãos e os partidos da oposição, remete à concepção liberal de democracia. Esta nasceu fundada nos direitos dos indivíduos, contra o Estado, considerado a maior ameaça à liberdade e à democracia.

É uma concepção fundada nos indivíduos, considerados a única realidade efetiva nas sociedades. Margareth Thatcher chegou a afirmar que: “Não há mais sociedade, só indivíduos”- utopia maior do liberalismo. É em torno dos direitos individuais que se estruturaria a sociedade.

Numa sociedade como a norteamericana, entre os direitos inalienáveis expressos na Constituição, está o direito do porte de armas, para que os indivíduos se defendam do Estado. (Não importa se as armas terminam nas mãos de crianças, que matam os colegas na escola ou o seu irmãozinho.) De tal forma os direitos individuais se sobrepõem aos direitos coletivos, que Obama não conseguiu, mesmo esgrimindo o massacre de crianças naquela escola dos EUA, limitar esse direito inalienável que os norteamericanos se reservam.

Segundo os preceitos liberais, se há separação de poderes, se há eleições periódicas, se há pluralidade de partidos, se há imprensa livre (atenção: para eles imprensa livre quer dizer imprensa privada), então haveria democracia. O liberalismo utiliza critérios institucionais, políticos, formais, para definir democracia. O próprio Brasil foi, durante muito tempo, o país mais desigual do mundo, porém passou a ser considerado democrático, quando passou a respeitar aqueles cânones, não importando que fosse uma ditadura econômica, social e cultural.

Hoje, quando o Brasil passa por um processo inédito de democratização social, as oligarquias se sentem ameaçadas. Já não controlam o governo nacional, perdem sistematicamente as eleições em nível nacional, sentem que camadas sociais que eram sempre postergadas por eles veem reconhecidos seus direitos e reagem de forma violenta.

Para que se torne efetivamente uma democracia, o Brasil precisa passar por um processo de democratização econômica, política e cultural. Precisa democratizar a economia, quebrando a hegemonia do capital especulativo, promovendo o predomínio dos investimentos produtivos, que gerem bens e empregos. Precisa promover amplamente a pequena e a média produção no campo, aquela que gera empregos e produz alimentos para o mercado interno.

Precisa democratizar as estruturas de representação política, promovendo o financiamento público das campanhas eleitorais, para que os parlamentos representam efetivamente a população, sem a intermediação falseadora do dinheiro.

Precisa democratizar o Judiciário, para que seja um órgão eleito e controlado pela cidadania e não pelas oligarquias do poder e da riqueza.

Precisa democratizar os processo de formação da opinião pública, quebrando o monopólio privado das poucas famílias que dominam de forma monopolista os meios de comunicação. Não se trata de que se impeça alguém de falar mas, ao contrário, que se permita que todos falem, pela multiplicação e diversificação dos distintos meios de comunicação.

A democracia é a maior ameaça ao poder das oligarquias tradicionais. Por isso reagem de maneira tão irada aos processos de democratização em curso na sociedade brasileira.

Texto retirado do blog: Emir Sader