terça-feira, 15 de maio de 2018

Brasil da carochinha

por Mino Carta — publicado 14/05/2018 00h10, última modificação 11/05/2018 12h45
Os ricos não se enxergam, os pobres não enxergam e o País, patético e demente, desmorona
Como Bottom, ele também acordou do sonho
Lévy-Strauss, que em São Paulo lecionou na Universidade recém-fundada e sobre o Brasil escreveu seu magistral Tristes Trópicosem 1954, dizia dos senhores paulistanos: “Eles se acham muito civilizados e não sabem como são típicos”.
Referia-se a um grupelho de cavalheiros enchapelados que enxergavam em Paris o umbigo do mundo. Valeria também dizer, então e sempre: são da Idade Média e se acham modernos, embora, hoje, em lugar de Paris, prefiram Miami e adjacências. O Brasil vive a ficção que a minoria cria em seu proveito, enquanto a maioria não sai do limbo.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Quais as consequências da aquisição da Somos Educação pela Kroton?

Em artigo, educadores falam sobre a descaracterização da educação como direito do cidadão e dever do Estado e a criação de mercados educacionais diversos

 
A aquisição do SOMOS Educação pela Kroton evidencia mais uma consequência da equivocada política de desregulamentação da oferta educacional por grupos privados efetivada pelo governo brasileiro que induz a presença de corporações associadas ao capital financeiro como fornecedores prioritários, tanto da oferta direta da educação, quanto na de insumos educacionais, descaracterizando a educação como direito do cidadão e dever do Estado e alimentando a criação de mercados educacionais diversos.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Play it again, Sam: a falta de autonomia da política externa brasileira

por Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais — publicado 10/05/2018 00h10, última modificação 09/05/2018 13h22

Como em Casablanca, o Brasil, potencialmente mobilizador de uma nova de integração, sempre volta a chamar Sam para tocar a sua música no subcontinente

'A história do Brasil republicano continua a repetir nossa incapacidade de construção de um projeto efetivo de política externa autônoma'
Por Fernando Santomauro*

É inegável notar que, pelo menos desde o presidente Monroe, os Estados Unidos tenham uma clara noção de suas prioridades regionais para o continente americano. Seja pelo porrete (“Big Stick”) ou pela sedução (“Soft Power”), o grande irmão do Norte nunca deixou de dedicar energia, foco e fundos para uma presença constante em seus vizinhos ao Sul, conforme seus interesses.

domingo, 6 de maio de 2018

Os Tipos de Analfabetismo

Por Antônio Carlos Vieira

 Segundo o IBGE, no Brasil existem, atualmente, em torno de 14 milhões de analfabetos. Esses analfabetos são aquelas pessoas que não sabem ler e escrever coisa alguma e essas estatísticas, quando divulgada, passam a ideia que se conseguirmos fazer com que toda a população aprenda a ler e escrever, estaremos livre do analfabetismo .
Se formos analisar, de maneira mais profunda, iremos notar que a coisa não é bem assim. Eu costumo classificar o analfabetismo em quatro categorias, que são: o Analfabeto Total, o Analfabeto Funcional, o Analfabeto de Conteúdo e o Analfabeto de Cidadania (ou político).

O Analfabeto Total

Esse é o tipo de analfabetismo mais fácil de se diagnosticar e é também o mais fácil de se mensurar e quantificar efetuando estatísticas. É claro que se deve tomar o cuidado ao analisar e efetuar essas pesquisas. Costuma-se classificar as pessoas que sabem ler e escrever o próprio nome como alfabetizadas e não é bem assim. Tem algumas pessoas que conseguem desenhar o próprio nome com certa facilidade e não sabem ler e nem escrever ou no máximo conseguem soletrar algumas palavras o suficiente para identificar o próprio nome.

O Analfabeto Funcional

terça-feira, 1 de maio de 2018

Imprensa brasileira na segunda divisão


Por João Paulo Cunha, no jornal Brasil de Fato:

A divulgação do Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa, publicado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras, confirma o Brasil na zona de rebaixamento. Amargando mais uma vez a 102ª posição entre 180 países, o país confirma a falta de sintonia existente entre o nível econômico, cultural e político do país e sua afirmação no campo da liberdade de imprensa.

Qualquer comparação que se faça desse índice com outros indicadores evidencia uma desconfiança de que, no Brasil, civilização e imprensa não caminham na mesma estrada. O país está léguas à frente de sua comunicação. O mais curioso – e que não deixa de ser uma comprovação da indigência da nossa imprensa – é que as explicações dadas pelos próprios jornais sobre o papelão brasileiro no setor, no mínimo omitem o significado dessa derrota moral.

Os EUA e a volta da Guerra Fria


Por Marcelo Zero, no site Brasil Debate:

Passou praticamente despercebido, no Brasil, o anúncio da Nuclear Posture Review, a nova política nuclear norte-americana, divulgada agora em fevereiro.

A omissão não se justifica, pois a nova política nuclear norte-americana assume claramente mudanças geoestratégicas de peso, com profundas implicações para todo o mundo.

Em primeiro lugar, a nova política prevê gastos da ordem US$ 1,2 trilhão, nos próximos 30 anos, para “modernizar” o arsenal nuclear norte-americano. Muitos analistas consideram que, na verdade, tais gastos, para cumprir os objetivos amplos propostos, deverão chegar ao redor de US$ 2 trilhões, sem levar em conta a inflação. Trata-se de uma ampliação gigantesca dos US$ 70 bilhões que Obama já havia disponibilizado para a modernização do arsenal nuclear dos EUA.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

MC Loma, Kondzilla, MC Beijinho: o Brasil se emancipa nas telas?

por Felipe Arrojo Poroger* — publicado 24/04/2018 00h30, última modificação 23/04/2018 18h23

Os alertas e as consequências políticas da popularização de câmeras digitais

O trio de meninas MC Loma, de quinze anos, e as Gêmeas Lacração ganhou clipe de Kondzilla
“Filho, não é incrível como, daqui a mil anos, as pessoas poderão assistir a vídeos de nossas vidas?”. Era 2007, no Museu de Arte de São Paulo, quando meu pai lançou a questão e seguiu para o próximo quadro. Eu, paralisado, ainda me debato com ela.

Por mais simples que a pergunta possa parecer em um primeiro momento, suas implicações não são triviais: afinal, muito mais do que um exercício divertido de imaginação, vislumbrar um passado integralmente conservado em registros filmados concretiza a obsessão humana em armazenar – e portanto controlar – a experiência que a memória não pôde reter.

domingo, 22 de abril de 2018

Inteligência Artificial, novo pesadelo?


Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Em “Vida de Galileu”, provavelmente sua peça mais notável, Bertolt Brecht imagina a fala final do grande cientista do Renascimento a seus pares. A obra foi escrita durante o tormento da II Guerra Mundial, em meio os exílios do autor – por isso, o Galileu de Brecht já não compartilha o entusiasmo automático pela Ciência presente em outras obras da tradição iluminista e mesmo marxista. Diz ele, em tom de advertência quase desesperada: “O precipício entre vocês e a humanidade pode crescer tanto que ao grito alegre de vocês, grito de quem descobriu alguma coisa nova, responda um grito universal de horror”. Há duas semanas, a revista britânica Economist publicou um longo estudo sobre os novos avanços a Inteligência Artificial – especialmente seu uso nos locais de trabalho. Diante da leitura, é impossível não sentir de novo o calafrio que assombrou o dramaturgo alemão.