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domingo, 28 de dezembro de 2014

Soberania alimentar: 5 passos para esfriar o planeta e alimentar sua população

Entre 44% e 57% de todas as emissões dos gases estufa provêm dos sistemas de alimentação globais. Entenda como isso funciona e as soluções para o problema.

La Via Campesina


Como a cadeia de produção global de alimentos contribui para o aquecimento global:


Desflorestamento: 15-18%


Antes que as plantações comecem, os tratores fazem seu trabalho. Pelo mundo todo, a agricultura industrial está se lançando sobre as savanas, as áreas úmidas e as florestas, lavrando uma enorme quantidade de terrenos. A FAO diz que a expansão da fronteira agrícola é responsável por volta de 70-90% do desflorestamento global, e a metade disto para a produção de alguns poucos commodities voltados à exportação. A parte agrícola do desflorestamento contribui com 15-18% das emissões globais de Gases do Efeito Estufa 


Agricultura: 11-15%


Se reconhece que a agricultura contribui com 11-15% de todos os gases estufa produzidos no mundo. A maior parte destas emissões resultam do uso de insumos industriais, como fertilizantes químicos e combustível para os tratores e maquinário agrícola, assim como o excesso de estrume gerado pela criação de gado.


Transporte: 5-6%


A cadeia produtiva da alimentação atua como uma agência de viagens global. Plantações para a alimentação de animais podem ser feitas na Argentina, para alimentarem frangos no Chile, que serão exportados para a China, onde serão processados e comidos em McDonalds dos EUA. Muita da nossa comida, produzida sob condições industriais em lugares distantes, viajam milhares de quilômetros antes de alcançarem nossos pratos. Nós podemos estimar que o transporte de comida está ligada a um quarto dos gases estufa produzidos pelo transporte mundial, ou 5-6% do total destas emissões.


Processamento e embalamento: 8-10%


O processamento é um passo altamente lucrativo da cadeia industrial do alimento. A transformação de alimentos em refeições prontas, salgadinhos e bebidas necessitam de uma enorme quantidade de energia, principalmente na forma de carbono. Assim como o embalamento e enlatamento desta comida.


Comercialização e refrigeração: 2-4%


A refrigeração é o sustentáculo das cadeias de supermercado e fast food. Onde quer que o sistema industrial de alimentos vá, a cadeia da refrigeração o acompanhará. Considerando que a refrigeração é responsável por 15% de todo consumo de eletricidade no mundo, e que o vazamento de químicos são uma grande fonte de gases estufa, podemos dizer com segurança que a refrigeração dos alimentos contribui para cerca de 1-2% de toda a emissão de gases estufa. O comércio varejista contribui para outros 1-2%.


Desperdício: 3-4%


O sistema industrial de alimentos descarta mais da metade de toda comida que ele produz, jogada fora na longa jornada entre as fazendas e os distribuidores, os processadores de alimentos e os varejistas e restaurantes. Boa parte do que é desperdiçado apodrece em montes de lixo e aterros sanitários, produzindo uma quantidade substantiva de gases estufa. Entre 3,5-4,5% das emissões globais destes gases vêm do lixo, e mais de 90% deles são produzidos por materiais originários do sistema de produção de comida.


Soberania alimentar: 5 passos para esfriar o planeta e alimentar sua população.

1- Tomar conta do solo.


A equação comida/clima está baseada na terra. A expansão da agricultura insustentável no século passado levou à destruição de cerca de 30-75% do material orgânico das terra aráveis, e 50% do material orgânico nas pastagens e pradarias. Esta perda massiva de matéria orgânica é responsável por entre 25% e 40% do atual excesso de CO2 na atmosfera terrestre. Mas a boa notícia é que este CO2 que mandamos à atmosfera pode ser devolvido ao solo apenas restaurando as práticas que pequenos agricultores desenvolveram por gerações. Se as políticas e incentivos corretos forem colocados em prática no mundo todo, a matéria orgânica do solo poderia ser restaurada a níveis pré-industriais dentro de 50 anos - que foi mais ou menos o tempo que a indústria levou para reduzi-la. Isto iria compensar entre 24% e 30% de todos os gases estufa atuais.


2- Agricultura natural, sem químicos.


O uso de químicos na agroindústria está sempre aumentando, enquanto os solos estão cada vez mais empobrecidos e as pestes estão se tornando imunes aos inseticidas e herbicidas. No entanto, pequenos agricultores pelo mundo ainda possuem o conhecimento e a diversidade de culturas e animais para plantar produtivamente sem o uso de químicos e diversificando os sistemas, integrando agricultura e criação de animais, incorporando tudo isso à vegetação nativa. Estas práticas aumentam a produtividade potencial da terra pois melhoram a fertilidade do solo e previnem a erosão. A cada ano mais matéria orgânica é produzida no solo, possibilitando a produção de mais e mais comida.


3- Acabar com a distância da comida e focar em alimentos frescos


A lógica corporativa que resulta nos envios de comida ao redor do mundo não faz nenhum sentido do ponto de vista ambiental ou de qualquer outra perspectiva importante. O comércio global de comida, da abertura de trechos de terras e florestas para a produção de commodities agrícolas até a comida congelada vendida nos supermercados: estes são os principais culpados do sistema na contribuição às emissões de gases estufa. Muitas das emissões do sistema poderiam ser eliminadas se a produção de comida fosse reorientada na direção dos mercados locais e dos alimentos frescos, e longe das carnes baratas e comidas processadas. Mas alcançar este patamar é provavelmente a luta mais dura, enquanto os governos e as corporações estão comprometidos com a expansão do comércio de alimentos.


4- Devolvam a terra aos agricultores e parem com as mega plantações.


Nos últimos 50 anos, 140 milhões de hectares - o tamanho de todas as terras de agricultura da Índia - foram tomados por quatro culturas que crescem predominantemente em grandes plantações: soja, dendê, canola e cana de açucar. A área global sob estes e outros commodities agrícolas - todos notáveis emissores de gases estufa - irá aumentar se as políticas públicas não mudarem. Hoje, pequenos agricultores estão espremidos em menos de um quarto das terras, mas produzem a maior parte da comida mundial - 80% de toda comida em países não-industrializados, segundo a FAO. Pequenos agricultores produzem estes alimentos de maneira muito mais eficiente do que as grandes plantações, e de uma maneira melhor para o planeta. Uma redistribuição mundial das terras aos pequenos agricultores, combinada com políticas que ajudem a reconstruir a fertilidade do solo e políticas que apoiem os mercados locais podem reduzir os gases estufa pela metade em poucas décadas.


5- Esqueça as soluções falsas e foque no que funciona


Há um crescente reconhecimento de que a comida é central nas mudanças climáticas. Os últimos relatórios do IPCC reconheceram que a comida e a agricultura são grandes contribuintes das emissões de gases estufa e que as mudanças climáticas impõem desafios gigantescos à nossa capacidade de alimentar uma população em crescimento. Ainda não houve nenhuma vontade política para desafiar o modelo dominante de distribuição e produção industrial de comida. Ao invés disso, os governos e corporações estão propondo inúmeras falsas soluções. Há uma proposta vazia do Climate Smart Agriculture, que é essencialmente apenas uma repaginação da Revolução Verde. Há tecnologias novas e arriscadas como culturas geneticamente modificadas, para resistirem a secas ou projetos de geoengenharia de larga escala. Há projetos de biocombustíveis, que estão levando à grilagem de terras no Sul. E há os mercados de carbono, que permitem que os piores agressores do meio ambiente não precisem cortar suas emissões apenas transformando florestas e a terra de camponeses e indígenas em áreas de conservação. Nenhuma destas “soluções” funcionarão, pois elas trabalham contra a única solução efetiva: uma mudança do sistema industrial globalizado de alimentos, governado pelas corporações, em direção de sistemas de alimentação locais que estejam nas mãos dos pequenos agricultores.

Tradução de Roberto Brilhante

Créditos da foto: CCAFS/2014/Prashanth Vishwanathan

Texto orIginal: CARTA MAIOR

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

É o sistema econômico que deve mudar, não o clima

A saída para a crise ecológica surgirá da organização dos povos: a luta por um mundo sem devastação deve ligar-se à luta por uma sociedade sem exploração

Esquerda.net

A crise climática iminente com que hoje somos confrontados é uma grave ameaça à preservação da vida no planeta. Muitos trabalhos acadêmicos e políticos confirmaram a fragilidade da vida na terra ante a mudança de temperatura. Basta uns poucos graus para que seja causada - e já está a ser causada - uma catástrofe climática com consequências incalculáveis. O derretimento do gelo, a contaminação da atmosfera, a subida dos níveis de água do mar, a desertificação e a intensidade crescente dos fenômenos meteorológicos são todos a prova disso.

Agora é importante perguntarmo-nos quem e o que está a por detrás destas alterações do clima. Precisamos com urgência de desmascarar as respostas abstratas, que procuram culpar toda a humanidade. Essas respostas abstratas desligam a situação atual das dinâmicas históricas que emergiram da industrialização assente nos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), que provoca aquecimento global, e a lógica do capitalismo, que assenta na apropriação privada da riqueza e na conquista do lucro. O lucro à custa da exploração social e da devastação ecológica: estas são duas caras do mesmo sistema, que é o culpado da catástrofe climática.

Neste panorama, a Conferência das Partes (COP), organizada por vários governos e financiada pelas grandes empresas, confirma a responsabilidadae do capitalismo pela crise climática, promovendo acontecimentos vazios sem quaisquer resoluções eficazes ou capazes de resolver o problema. De fato, estamos a andar para trás, um recuo bem expresso nos ridículos “fundos verdes” que lucram abertamente com a poluição. Infelizmente, esta dinâmica é aprofundada através das atitudes apoiadas por muitos governos - facilitando a poluição e colocando os lucros das empresas acima do bem-estar das pessoas. Isto pode ser visto mais claramente nos países do Sul, e é por isso fundamental entender que a dinâmica deste sistema tende a atirar o fardo da crise ecológica global para cima dos ombros dos oprimidos e explorados da terra.

É vital sublinharmos a importância das diversas lutas sociais e ecológicas por todo o mundo, que propõem parar as alterações climáticas e a crise ecológica através da lógica da solidariedade. É importante ter em conta que muitos destes processos são lançados e liderados por mulheres. Sem dúvida, o cenário da América Latina serve de exemplo a esta mistura de resistência, auto-organização e processos de transformação, baseados em projetos que podem unir novas propostas e cosmovisões ancestrais. Podemos encontrar um exemplo nas lutas corajosas dos povos indígenas e camponeses do Peru, em especial a sua resistência ao megaprojeto mineiro Conga. Também é útil focar a nossa atenção na experiência do Parque Yasuni, que foi iniciativa dos movimentos indígenas e ecologistas para proteger uma grande região da floresta amazónica da exploração petrolífera, em troca de pagamentos dos países ricos ao povo equatoriano. O governo de Rafael Correa aceitou a proposta há vários anos, mas decidiu recentemente abrir o parque às multinacionais do petróleo, provocando enormes protestos. Outro caso é o dos projetos de desenvolvimento que o governo brasileiro tem procurado implementar, e que ameaçam destruir uma boa parte da Amazónia. 

Deste ponto de vista, há muito pouca esperança na COP20 no próximo mês de dezembro em Lima, Peru. Se há alguma porta de saída para as alterações climáticas e a crise ecológica global, ela irá surgir do poder da luta e da organização dos povos explorados e oprimidos, tendo em consideração que a luta por um mundo sem devastação ecológica deve ligar-se à luta por uma sociedade sem opressão ou exploração. Esta mudança deve começar agora, juntando as lutas singulares, os esforços diários, os processos de auto-organização e as reformas para retardar a crise, com uma visão centrada numa mudança de civilização; uma nova sociedade em harmonia com a natureza. Esta é a proposta central do ecosocialismo, uma alternativa à nossa atual catástrofe ecológica.

Mude-se o sistema, não o clima!

Assinam:

Argentina: Manuel Ludueña, Paulo Bergel.
Bélgica: Christine Vanden Daelen, Daniel Tanuro.
Brasil: Joao Alfredo de Telles Melo, Marcos Barbosa, José Corrêa, Isabel Loureiro, Renato Roseno, Renato Cinco, Henrique Vieira, Flávio Serafini, Alexandre Araújo, Carlos Bittencourt, Renato Gomes.
Canadá: Jonatas Durand Folco (Quebec), Terisa Turner.
Espanha: Esther Vivas (Cataluña), Jaime Pastor, Justa Montero, Mariano Alfonso, Teresa Rodriguez, Manuel Gari, Jorge Riechmann, Joaquin Vega.
Estados Unidos: Ariel Salleh, Capitalism, Nature and Socialism (Revue, USA), Joel Kovel, Leigh Brownhill, Qunicy Saul , Salvatore Engel Di Mauro, Terran Giacomini.
França: Christine Poupin, Dominique Cellier, Henrik Davi, Mathieu Agostini, Michel Bello, Michael Löwy, Vincent Gay. Laurent Garrouste, Sophie Ozanne
Grécia: Yorgos Mitralias, Panos Totsikas
México : Andrés Lund, Samuel González Contreras. José Efraín Cruz Marín
Noruega: Anders Ekeland.
Perú: Hugo Blanco.
País Basco: Iñigo Antepara, Josu Egireun, Mikel Casado, Sindicato ELA. Ainhara Plazaola.
Suíça: Juan Tortosa, Mirko Locatelli. Anna Spillmann, Félix Dalang

Créditos da foto: Don Becker

Texto original: CARTA MAIOR

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O futuro do nosso planeta depende de 58 pessoas

Em 13 de abril, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas publicou a última parte de um relatório em que alerta sobre o aquecimento global.

Roberto Savio (*)

Apesar de para muitos o seguinte fato ter passado despercebido, em 13 de abril, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicou a terceira e última parte de um relatório em que, sem rodeios, alerta que temos apenas 15 anos para evitar ultrapassar um aquecimento global de no mínimo dois graus previstos. As consequências serão dramáticas. 

Apenas os mais míopes não se dão conta do que isso significa: desde o aumento do nível do mar até furacões e tempestades mais frequentes, além de um impacto adverso na produção de alimentos.

Em um mundo normal e participativo, onde 83% das pessoas que vivem atualmente existirão dentro de 15 anos, tal relatório teria provocado uma reação dramática. Em contrapartida, não houve um só comentário por parte dos líderes dos 196 países onde habitam os 7.5 bilhões de “consumidores” do planeta.

Os antropólogos que estudam as semelhanças e diferenças entre os seres humanos e outros animais já chegaram à conclusão há um bom tempo de que a humanidade não é superior em todos os aspectos. Por exemplo, o ser humano é menos adaptável à sobrevivência que muitos animais em casos de terremotos, furacões e outros desastres naturais. Mostram sinais de alerta e de mal-estar. 

A primeira parte do documento do IPCC, publicado em setembro de 2013 em Estocolmo, estabeleceu que os humanos são a causa principal do aquecimento global. A segunda parte, lançada em Yokohama em 31 de março, afirmou que “nas últimas décadas, as mudanças climáticas causaram impactos nos sistemas naturais e humanos em todos os continentes e em todos os oceanos”. 

O IPCC é composto por mais de dois mil cientistas de todo o mundo e esta é a primeira vez em que chegou a conclusões firmes desde sua criação pelas Nações Unidas em 1988. A principal conclusão é que, para parar esta locomotiva rumo a um caminho sem volta, as emissões globais precisam ser reduzidas entre 40% e 70% antes de 2050.

O relatório adverte que “apenas grandes mudanças institucionais e tecnológicas darão uma oportunidade maior que 50%” de o aquecimento global não ultrapassar o limite de segurança. Acrescenta ainda que as medidas precisam começar em 15 anos, sendo concluídas em 35. 

Vale a pena ressaltar que dois terços da humanidade têm menos de 21 anos e, em grande medida, são os que precisarão suportar os enormes custos da luta contra a mudança climática. 

A principal recomendação do IPCC é muito simples: as principais economias devem estabelecer um imposto sobre a poluição com dióxido de carbono, elevando o custo dos combustíveis fósseis para impulsionar o mercado de fontes limpas de energia, como a eólica, a solar ou a nuclear. 

Dez países causam 70% do total de poluição mundial com gases de efeito estufa, enquanto os Estados Unidos e a China são responsáveis por 55% dessa magnitude. Os dois países estão tomando medidas sérias para combater a poluição. 

O presidente norte-americano, Barack Obama, tentou, em vão, obter a permissão do Senado e precisou exercer sua autoridade com a Lei do Ar Limpo de 1970 para reduzir a poluição de carbono de veículos e instalações industriais, estimulando tecnologias limpas. Entretanto, não pode fazer mais nada sem apoio do Senado. 

O todo poderoso novo presidente da China, Xi Jinping, considera o meio ambiente uma prioridade, em parte porque fontes oficiais estimam em cinco milhões anuais o número de mortos em seu país pela poluição. Mas a China precisa de carbono para seu crescimento, e a postura de Xi é: “por que deveríamos frear nosso desenvolvimento, se os países ricos que criaram o atual problema querem que tomemos medidas que atrasem nosso crescimento?”.

E assim é criado um círculo vicioso. Os países do Sul querem que os países ricos financiem seus custos de redução da poluição e os do Norte querem que os demais deixem de poluir e assumam seus próprios custos. 

Como resultado, o resumo do relatório, que está destinado aos governantes, não contém as premissas que poderiam dar a entender a necessidade de que o Sul faça mais, enquanto os países ricos pressionaram para evitar uma linguagem que pudesse ser interpretada como a obrigatoriedade de que eles assumam obrigações financeiras. 

Isto deveria facilitar um brando compromisso na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Lima, de onde se espera um novo acordo global (vale lembrar do desastre da conferência de Copenhague em 2009).

A chave de qualquer acordo está nas mãos dos Estados Unidos. O Congresso norte-americano bloqueou toda iniciativa sobre o controle climático, proporcionando uma saída fácil para China, Índia e para o resto dos poluidores: “por que devemos assumir compromissos e sacrifícios, se os Estados Unidos não participam?”. 

O problema é que os republicanos transformaram as mudanças climáticas em uma de suas bandeiras de identificação. Na última vez em que se propôs um imposto ao carbono, em 2009, depois de um voto positivo na Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, o Senado, dominado pelos republicanos, rejeitou a proposta. Nas eleições de 2010, uma série de políticos que votou a favor do imposto ao carbono perderam suas cadeiras, o que contribuiu para que os republicanos assumissem o controle da Câmara. 

Agora, a única esperança para os que querem uma mudança é aguardar as eleições de 2016 e esperar que o novo presidente dos Estados Unidos seja capaz de mudar a situação. Este é um bom exemplo de por que os antigos gregos diziam que a esperança é a última deusa... 

O quadro é muito simples. O Senado norte-americano está integrado por 100 membros, o que significa que bastam 51 votos para liquidar qualquer projeto de lei sobre um imposto aos combustíveis fósseis. Na China, a situação é diferente. Na melhor das hipóteses, as decisões são tomadas pelo Comitê Permanente do Comitê Central, formado por sete membros, que são o verdadeiro poder no Partido Comunista.

Em outras palavras, o futuro do nosso planeta é decidido por 58 em uma população mundial de quase 7.7 bilhões de habitantes.

(*) Roberto Savio é fundador e presidente emérito da IPS – Agência de notícias Inter Press Service e publisher do site Other News.

Tradução: Daniella Cambaúva

Texto original: CARTA MAIOR

sábado, 11 de maio de 2013

Mudanças climáticas aumentarão chuvas intensas e secas, aponta Nasa


Um novo relatório da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, a Nasa, sugere que o nosso planeta deverá enfrentar mais extremos climáticos: regiões temperadas apresentarão mais secas no futuro, enquanto trópicos deverão passar por mais enchentes. O artigo é de Jéssica Lipinski, do Instituto CarbonoBrasil

Jéssica Lipinski - Instituto CarbonoBrasil

Nesta semana, mais uma investigação apresentada vem reforçar a relação entre as mudanças climáticas e o aumento na frequência de eventos extremos. Desta vez, a análise publicada foi desenvolvida pela Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, a NASA, um dos centros que mais tem contribuído para o estudo das ciências climáticas nos últimos tempos.

Segundo o relatório da agência, as mudanças climáticas irão aumentar as chuvas de maior intensidade em certas regiões do planeta, enquanto que em outras são as secas que se tornarão mais intensas. O documento aponta que as chuvas tenderão a aumentar nos trópicos, e as regiões temperadas devem vivenciar secas mais severas.

Embora outros estudos anteriores já indicassem a relação entre as mudanças climáticas e os eventos extremos, a investigação da NASA é a primeira a mostrar como as emissões de dióxido de carbono afetam os diferentes padrões de precipitação existentes, das regiões mais secas àquelas que vivenciam tempestades torrenciais.

De acordo com a análise, as mudanças climáticas devem aumentar a precipitação nas regiões que já apresentam altos padrões de chuva porque o ar mais quente deverá reter mais humidade. Entretanto, nos locais mais secos, o aumento das temperaturas significará períodos mais longos em chuva.

Colocando em números, para cada grau Fahrenheit (0,55 graus Celsius) de aumento na temperatura média global, as chuvas extremas aumentarão em 3,9%, enquanto as chuvas leves aumentarão 1%.

Entretanto, estima-se que o total global de precipitação não deva mudar muito, porque as chuvas moderadas devem diminuir 1,4%. Em se tratando das regiões de seca, os modelos preveem que para cada grau Fahrenheit de aquecimento a duração de períodos sem chuva aumentará em 2,6%.

No Hemisfério Norte, as áreas que provavelmente serão mais afetadas são os desertos e zonas áridas do sudoeste dos Estados Unidos, o México, o norte da África, o Médio Oriente, o Paquistão e o noroeste da China. No Hemisfério Sul, as secas provavelmente tornar-se-ão mais severas no sul da África, no noroeste da Austrália, na costa da América Central e no nordeste brasileiro.

“Em resposta ao aquecimento induzido pelo dióxido de carbono, o ciclo hídrico global sofrerá uma competição gigantesca por humidade, resultando num padrão global de aumento das chuvas extremas, diminuição das chuvas moderadas, e secas prolongadas em certas regiões”, colocou William Lau, principal autor do Centro Goddard de Voos Espaciais da NASA.

Lau explicou, no entanto, que as secas devem afetar mais a população mundial do que as chuvas extremas, já que estas últimas devem ocorrem principalmente em áreas acima dos oceanos.

“Grandes mudanças nas precipitações moderadas, assim como eventos prolongados sem chuva, podem ter um grande impacto na sociedade porque eles ocorrem em regiões onde a maioria das pessoas vive. Ironicamente, as regiões de chuvas mais pesadas, exceto pela [região] da monção asiática, podem ter menor impacto na sociedade, porque geralmente ocorrem sobre o oceano”, comentou.

A análise dos cientistas da NASA baseou-se na observação de 14 modelos climáticos que simularam períodos de 140 anos. As simulações começaram com concentrações de dióxido de carbono de cerca de 280 partes por milhão (PPM), similares aos níveis pré-industriais, e foram aumentadas em 1% ao ano. A taxa de aumento é semelhante à observada atualmente pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC).

Através da observação dos resultados dos modelos, os investigadores concluíram que, embora os modelos não especifiquem precisamente quanto de precipitação haverá numa determinada localidade, eles de facto podem apontar a tendência de precipitação para as regiões.

“Se observarmos todo o espectro dos tipos de precipitação, vemos que todos os modelos concordam de uma maneira muito fundamental – projetando mais chuvas pesadas, menos eventos de chuvas moderadas e secas prolongadas”, concluiu Lau.

Texto retirado : CARTA MAIOR

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os Terremotos e as TVs!!

Por Antônio Carlos Vieira


A televisão vem noticiando a ocorrência de terremotos cada vez mais devastadores. Inclusive, o último terremoto ocorrido no Japão se cogitou que o mesmo provocou um pequeno desvio no eixo da Terra. A pergunta que mais se ouve é: o que poderia está provocando o aumento da quantidade e o poder de devastação destes terremotos? Uma das  explicações é que os problemas decorrentes do desmatamento e mudanças no clima poderia ter influenciado no aumento dos terremotos e foi logo prontamente refugado pelos chamados especialistas apresentados pelas Redes de TVs. Esses especialistas sempre procuram deixar a influência do desmatamento e da poluição em segundo plano (clique aqui). 

Eu sou da opinião que os desmatamentos e a poluição atmosférica estão provocando mudanças no clima da terra (aumento da temperatura) e conseqüentemente influenciando no aumento e surgimento de terremotos onde nunca ocorreram.

A compreensão é muito simples, se realmente está aumentando a temperatura da atmosfera da Terra, consequentemente esse aumento de temperatura irá provocar o derretimento do gelo existentes nas calotas polares e no topo das grandes montanhas. Esse derretimento do gelo já está ocorrendo e já se pode ser comprovado em várias regiões da Terra (clique aqui).


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A SECA NA AMAZÔNIA




Todos os telejornais falam da estiagem que vem causando problemas de falta d'água na Região Amazônica e a mortalidade dos peixes pelo baixo volume de água dos rios locais. O estranho mesmo é que se lê nos livros de Geografia é que na Região Amazônica os rios têm enchentes no verão e baixam o nível do leito no inverno. Este fenômeno é devido em grande parte das águas dos rios da região (principalmente o Rio Amazonas) serem formadas pelo derretimento do gelo que se encontram nas grandes altitudes da Cordilheira dos Andes. Mas, por que os telejornais ou a chamada grande imprensa não tocam no assunto e ficam a especular que os rios estão secando por falta de chuvas.
Esses mesmo telejornais, no decorrer deste mês (dezembro de 2009), mostrou claramente o derretimento das camadas de gelo no Polo Norte e na Cordilheira do Himalaia. E porquê os grandes jornais não falam do mesmo problema na Cordilheira dos Andes e passam a ideia que os rios amazônicos estão começando a desaparecer por falta de chuvas? Será que estão querendo esconder que o aquecimento global também está afetando os padrões de cheia e consequentemente toda vida animal e florestal da Amazônia?
Vale ressaltar que os rios da Amazônia têm cheias no verão. Com o aquecimento da Atmosfera Terrestre e consequentemente o derretimento do gelo, que se acumula nas grandes altitudes da Cordilheira dos Andes, os rios da Amazônia irão ter secas no Verão e cheias no inverno, semelhantes ao rios das outras regiões brasileiras. As cheias e as secas, embora em sentidos opostos, serão cada vez mais destruidoras.