domingo, 25 de janeiro de 2026

O DESERTO


Quando criança adorava ir pro cinema. Naquela época era muito comum os filmes americanos de faroeste e os nome mais comuns nestes filmes era Django, Sartana, etc. O cenário era sempre as terras situadas a oeste do território americano e a grande maioria, dos filmes, ocorria nos desertos.

Na escola se aprendia que regiões desertas não nasciam árvores, com falta de água e sempre despovoadas. Tudo bem que em alguns filmes deixava escapar e mostrava áreas do deserto terraplanado e com marcas de rodas. Eram meros detalhes !!!

Quando o sujeito se perdia no deserto e não sabia as localizações dos oásis e fonte de água morria sozinho de sede e fome. Era comum mostrarem pessoas a cavalos viajando só pelo deserto ou em pequenos grupos. Mesmo as pessoas que viviam próximo aos oásis, viviam muito isoladas e muitas de vezes só.

Nesta mesma época, a outra grande novidade era viajar para o litoral e tomar banho na praia. As pessoas saiam em grupos de passeios geralmente aos domingos. O litoral de Sergipe é uma praia só, mas as praias mais escolhidas eram sempre de Atalaia (Aracaju) e Abais (Estância). As praias nessa época tinha muita vegetação, muitas pessoas andando, mas água potável !

Uma vez resolvi ir à praia de ônibus e sozinho, em uma terça feira. Sozinho cheguei e sozinho fiquei até o retorno. O que se via eram grupos de pessoas estiradas aos sol e outras sentadas em mesas consumindo cervejas. Na realidade, eu estava sozinho no meio da multidão. Era como se estivesse no meio do deserto, embora estivesse em local de fácil acesso a água e comida, você só mataria a sede e a fome se tivesse grana para comprar tais produtos. Foi que percebi que ir a praia sem os grupos de passeio se corre o risco de se sentir no meio do deserto, embora estivesse no meio da multidão !

Com o passar do tempo vim morar em Aracaju e sempre que posso vou dar uma voltinha de bicicleta na praia. Vou, dou uma voltinha e volto e às vezes não encontro ninguém conhecido, dou bom dia a todos que passo, mas a grande maioria não responde e os que respondem nem erguem a cabeça ! percebi que a praia continua como sempre “um deserto”.Claro que com o passar do tempo passei a criar os meus próprios oásis: na venda de Caldo de cana, no vendedor de pastel, compra de água, mas ainda é preferível ir a praia em grupos de passeio de bicicleta ou não !

Sempre vou à praia de bicicleta e neste último fim de semana fiquei impressionado com a quantidade de ciclistas que passavam que davam e respondia BOM DIA ! Notei que somente os ciclistas estavam se cumprimentando e como estamos no verão, a quantidade de ciclistas e pessoas praticando esportes é muito grande, mas quando o calor aumentou, isso ainda às oito da manhã, a praia virou deserto !


terça-feira, 22 de julho de 2025

Estranho sonho !

Praticamente sonho todas as noites, na grande maioria das vezes voando ou com eventos ocorridos quando ainda era jovem. Às vezes ocorre, antes de dormir, de ficar assistindo o noticiário da noite ou mesmo algum documentário no youtube e estranhamento ao dormir sonho com os temas vistos no noticiário ou documentário.

Quando do chamado ataque “11 de setembro” o noticiário nas primeiras horas davam conta que dois aviões tinham sidos jogados contras os edifícios conhecidos como “Torres Gêmeas” e nesse choque dos aviões contra os edifícios se vê claramente que os aviões penetram nos prédios e depois explodem ! Horas depois os dois edifícios desabam como se fossem implodidos ! Caíram em descida retilínea.

domingo, 20 de abril de 2025

Por que você fala assim?

 

O "R" caipira do interior de SP, MT, MG, PR e SC deve-se aos indígenas que aqui moravam não conseguiam falar o "R" dos portugueses, não havia o som dessa letra em muitos dos mais de 1200 idiomas da região.

Então na tentativa de se pronunciar o R, acabou-se criando essa jabuticaba brasileira, que não existe em Portugal. A isso também se deve o fato de muitas pessoas até hoje em dia trocarem L por R, como em farta (falta) e frecha (flecha).

terça-feira, 8 de abril de 2025

Armaria, caba da peste!

 

🐐
“Eita! Sertão do Nordeste/ Terra de cabra da peste/ Só sertanejo arrizeste.” E não é? Assim contava Luiz Gonzaga, na canção ‘Cabra da peste’, de 1955. Aí a gente percebe que ‘arrizeste’ é mais gostoso de falar do que ‘resiste’ e ‘cabra da peste’ expressa muito mais que ‘homem valoroso’.
Segundo estatísticas dalgum lugar, não há nordestino que não fale de vez em quando ‘cabra’ em vez de ‘homem’; e 93,52% da população do Nordeste já xingou ou elogiou alguém chamando-o de ‘cabra da peste’.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

ASSASSINANDO A LINGUA PORTUGUESA II

Cada dia mais aparecem pessoas que vivem a corrigir o que eles dizem serem erros de português. Para tal usam argumentos de todas as espécies. Os argumentos vão desde as ditas mudanças para facilitar o aprendizado da linguagem, incorporação de palavras estrangeiras para melhorar o português (sempre adicionam palavras inglesas) e apareceu até uma tal de justificativa dizendo que o idioma tem de ser neutro em relação ao gênero !!!

Durante o período iniciado na chamada Descoberta do Brasil até o ano de 1758, o Tupi (ou língua brasílica) era o idioma mais falado do Brasil. Até essa data, de cada três pessoas vivendo no Brasil apenas uma falava português. A Língua Tupi foi proibida por decreto do Marquês de Pombal com o objetivo de enfraquecer a Igreja Católica e os jesuítas que usavam o tupi para catequizar os nativos, ou seja, facilitar o controle da população na colônia por parte da Metrópole Portugal.

domingo, 3 de novembro de 2024

Tomando banho de sol

Durante o inverno era comum muitas pessoas se aquecerem sob o sol, da manhã, e amenizar o frio da madrugada. Durante as caminhadas que fazia nas idas aos sítios dos colegas e parentes, eu sempre percebia as pessoas de cócoras, nos pátios das casas, se aquecendo ao sol. Na realidade muitos estavam se aquecendo enquanto aguardavam o jantar da manhã (eles sempre falavam aguardando o café) para depois irem para o exaustivo trabalho na roça.

Os seres humanos não eram os únicos animais que aproveitavam o raiar do sol para se aquecer. Vários outros animais ficam postados ao sol e os urubus eram os mais comuns. Sempre pousavam em árvores muitas altas e ficavam de asas abertas para se aquecerem. Para os outros animais nem sempre era possível tal feito. Um coelho ou mesmo um preá não poderiam se dar ao luxo de ficarem expostos em locais altos tomando sol, pois poderiam ser vítimas de algum predador pelas redondezas.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Antigas profissões do cebolas XVI - Os Pequenos Engraxates

 Uma das profissões que tinha muitos menores trabalhando, nas décadas de 70 e 80 do século XX, era a de engraxate. Na década de 60 existia a figura do engraxate, mas a profissão era exercida por adultos, não eram ambulantes e era um serviço que a população geralmente procurava sempre aos sábados e domingos.


As mulheres geralmente mandavam levarem os sapatos até o engraxate, mas a grande maioria dos homens tinha o hábito de engraxar os sapatos indo até o engraxate (profissional que engraxava artefatos de couro) e na maioria das vezes faziam isso antes das missas. Claro que sempre se formava uma roda de conversa (popularmente conhecida como roda de fofocas) entre os clientes e o engraxate!

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Antigas profissões dos cebolas XV - O Artesão de Gaiolas

 O fabrico de gaiolas é atualmente uma profissão em extinção devido a forte pressão social em relação a preservação dos animais silvestres e nesse caso mais específico é em relação a preservação dos pássaros. Mas era muito comum a venda de gaiolas, décadas de 70 e 80 do século XX, na feira de Itabaiana e existia uma parte da feira que se chamava feira dos pássaros e lógico, também de gaiolas.



domingo, 13 de outubro de 2024

Antigas profissões dos cebolas XIV - Os vendedores de produtos milagrosos

 Nas décadas de 60 e 70, do século XX, os meios de comunicação não conseguia atingir todo o território nacional e mesmo para aquelas regiões onde o sinal poderia ser captado tinha o problema que nem todo mundo tinha rádio e televisores eram muitos mais raros.


Em decorrência das dificuldades das pessoas se informarem, era comum aparecerem, nas feiras, todo tipo de gente (comprando e vendendo), todo tipo de produto e quem nem sempre tinham alguma utilidade. Era comum aparecerem pessoas vendendo produtos para cura de tudo que era tipo e os mais comuns eram os vendedores de produtos para cura de mordida de cobra e os vendedores de Diosgenine em Pó. 


Equipamento muito usado por vendedores ambulantes na década de 60-70 do século XX


Todos os dois tipos de vendedores tinham serviço de alto-falantes, usavam, na maioria das vezes um microfone amarrado no peito, sempre carregavam uma cobra e alguns deles se vestiam usando ternos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

O encantador de cobras

 

Sempre achei impressionante as pessoas que ganham a vida mostrando um controle sobre as cobras (serpentes). Inicialmente, pensava que encantador de serpentes fosse coisa somente do mundo árabe, depois passei notar, vendo alguns filmes, que os indianos também praticam essa atividade. É bom lembrar, que essas ideias sobre pessoas encantando serpentes nos são ensinadas através de filmes no cinema e na tv.

Mas como o decorrer do tempo passei a notar que no Brasil, mais especificamente na minha terra natal, tínhamos nossos encantadores de serpentes No passado, quando ainda frequentava as feiras do interior, era comum vermos os chamados marreteiros se utilizando de serpentes para venderem seus produtos. Tudo bem que os encantadores de serpentes que víamos no cinema e na TV ganhavam a vida encantando as serpentes fazendo com que elas ficassem dançando e com isso as pessoas sempre pagavam com alguma quantia pelo espetáculo. Já no nosso querido Brasil, as serpentes era apenas um meio de atrair a atenção das pessoas para vender algum produto e o produto mais vendido usando serpentes era a famosa Diogenina em Pó.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Antigas profissões dos cebolas XII - Os aprumadores de ruas

 Toda criança observar com nitidez o lugar onde mora e sempre costuma comparar com os lugares que visita. Uma das coisas que sempre observava, quando criança, era as ruas por onde passava e comparando com as ruas das cidades vizinhas, eu sempre me perguntava: por que as ruas da minha cidade começam estreitas e terminam larga? Ou começam largas e terminam estreitas?


Rua Monsenhor Constantino (antigo Beco do Ouvidor) - Foto Google Maps


A rua onde morava, quando criança, só tinhas residências em um dos lados, mas a medida que se aproximava do centro da cidade (praça da matriz e feira) era com casa em ambos lados e a partir do local que ela tinha casa em ambos os lados, era estreita e quando chegava perto da feira a rua era larga!

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Uma onda em Itabaiana!

 


Foto conseguida no Grupo Itabaiana Grande (facebbook e adm. Robério Santos)
Uma das coisas que eram raras na minha cidade (ainda é) eram os parques de diversão. Aliás, não chamávamos os brinquedos de parque de diversão e sim de brinquedos de natal e isso porque esses brinquedos geralmente só apareciam justamente no período das festas natalinas (também eram conhecidas como feiras de natal).

Durante alguns anos as festas natalinas eram realizadas na Praça Santa Cruz (Praça do Cinema) e o brinquedo mais semelhante em pegar uma onda era brincar nas chamadas barcas, que simulavam um barco subindo e descendo as ondas do mar.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

OS DOIDOS E OS LOBISOMENS

 Uma das coisas mais fantásticas que sempre presenciei eram as rodas de conversas que existiam para falar de causos. Os assuntos mais falados eram lobisomens, carneiro de ouro, doidos, saci pererê, mula sem cabeça, fogo corredor, da vida dos outros e principalmente das filhas dos outros (fofoca).


Os doidos

Nestas rodas de conversas, os doidos eram todas pessoas que normalmente agiam diferentes dos ditos adultos, mas nem todos que eles diziam serem doidos, eram realmente doidos. .Bastava o sujeito beber mais que o normal ou a pessoa se vestir fora dos padrões conhecidos que já era taxado de doido.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Antigas profissões dos cebolas XI - Os desentupidores de fossa

 

Era conhecido como Tunel. 
Se pronuncia como se fosse
acentuado com acento
 agudo no e (tunél)
Ainda hoje existem os profissionais que trabalham desentupindo as fossas, mas vou falar como era realizando esse serviço antigamente. Atualmente são usados equipamentos modernos fabricados especialmente para esta finalidade, montados em um caminhão para esse tipo de trabalho que é feito de maneira rápida e limpa. Inclusive o serviço pode ser feito de dia sem o incômodo do mau cheiro e da sujeira peculiar da matéria prima em questão.

Equipamento utilizado

Era usado um equipamento simples e por isso só trabalhava no ofício quem tinha coragem. Todo o serviço era realizado usando luvas, pás, enxadas e o transporte utilizado era uma carroça de burro que em cima tinha um tambor de metal onde era colocado as fezes da dita fossa.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Antigas profissões dos cebolas X Os catadores de lavagem

Criar porcos ainda é um ofício em pleno exercício da atividade. Existem aos montes, mas nada tem em comparação aos antigos criadores de porcos existentes nas pequenas cidades do interior e neste caso mais específicos irei falar sobre os antigos criadores de porcos que existiam nas décadas sessenta e setenta do século XX, na cidade de Itabaiana (SE).

Os porcos eram criados em chiqueiros (pocilgas) onde o que prevalecia era a existência de muita lama e o mau cheiro que se espalhava pela redondeza. Muito desses chiqueiros pertenciam a moradores da área urbana, que gerava conflito com os vizinhos, justamente por causa do mau cheiro. Em algumas ocasiões, os vizinhos, dos chiqueiros, colocavam os chamados “bolos” (comida envenenada), na ausência dos donos, para matarem os porcos e se livrarem do chiqueiros e consequentemente do forte mal cheiro. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Antigas profissões dos cebolas IX - O acendedor

Uma profissional que eu sempre via todas as tardes e manhãs era o acendedor. Todo dia pela manhã e pela tarde vinha uma pessoa com uma vara enorme com um gancho na ponta. Esse gancho era usado para ligar a rede elétrica que iluminava as ruas durante a noite. Ante de se colocar a rede elétrica, com os postes de energia, já existia a figura do acendedor, mas ele acendia lampiões a querosene.

A tecnologia extinguiu a profissão


A passagem do uso de lampiões, a querosene, para rede elétrica proporcionou uma queda no número de acendedores. Para iluminar as ruas era obrigatório ir em cada lampião para acender a chama e com a substituição pela rede elétrica foram colocadas lâmpadas em cada poste. Uma única chave ligava todas a lâmpadas da rua, ou seja, o profissional não precisava mais se deslocar de poste em poste e apenas ir até a chave em cada rua.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Antigas profissões dos cebolas VIII - Vendendo o estranho flau

 

Durante muito tempo o único produto gelado, vendido por ambulantes, era o Picolé da Maravilha. Muita gente imagina que o picolé foi o primeiro produto a ser substituído por equivalentes industrializados, mas na realidade, pelo menos em Itabaiana, o Flau apareceu primeiro. Isso ocorre devido já serem vendidos o famoso Ki-suco. Eram encontrados no supermercado (só existia um na cidade) e nas bodegas da cidade (na época não se usava o termo mercearia). Era um produto que tinha sabor de frutas artificializado (nunca senti o gosto da fruta), já era consumido normalmente e aceito pela população.

domingo, 28 de julho de 2024

Antigas profissões dos cebolas VII - Vendendo o picolé da maravilha

 Eram dezenas de criança vendendo picolés, não existia adultos vendendo picolés, e o coro tradicional de atrair o provável consumidor era: olha aí o picolé da maravilha, quem tem dinheiro compra e quem não espia. Quando tinha garota bonita nas proximidades, tinha a brincadeira: mulher bonita não paga, mas também não leva.


Eram transportados em caixas de isopor pendurados no ombro por uma correia. Vendidos nas feiras, campo de futebol (melhor horário era antes do jogo) e em campinhos de peladas. Estranhamente, raramente eram vistos nas praças Fausto Cardoso (em frente a igreja) e na praça Santa Cruz (em frente ao cinema).

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Antigas profissões dos cebolas VI - O Vendedor ambulante de Manuês

 Quando alguém se referia a manuês estava falando de bolos de milho, arroz ou puba. Hoje ninguém usa mais o termo manuês e não existem vendedores ambulantes de manuês, mas podem ser encontrados vendedores de manuês, com produtos colocados à venda em bancas em praticamente todas as cidades do nordeste. Os locais mais comuns onde podem ser encontrados são nas feiras livres, mas também vendem seus produtos em bancas localizadas estrategicamente em praças e pontos de ônibus.

Formas onde eram assados os manuês e também eram usadas para transporte e venda.

Os vendedores eram garotos que ganhavam dinheiro vendendo os bolos pelas ruas e praças da cidade, mas não se encontrava eles vendendo nas feiras, pois nas feiras os bolos eram vendidos nas bancas juntamente com outros tipos de iguarias.

domingo, 2 de junho de 2024

Antigas profissões dos cebolas V - O vendedor ambulante de arroz-doce

 

O arroz-doce é uma iguaria que até hoje é vendida e consumida nas comunidades do Nordeste, mas é vendida juntamente com outras iguarias. Mesmo no meu tempo de criança já existiam vendas de arroz-doce, mingau de puba e mungunzá em pequenas bancas localizadas nas feiras e em locais de grande movimento. Mas o vendedor de arroz-doce ambulante faz tempo que sumiu das feiras onde era frequentemente encontrado.