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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Carta aberta a um amigo odiador de Cuba sobre os médicos cubanos por Lucia Helena I

O que aconteceu com você e com tantos amigos médicos? Por que tanto ódio aos médicos que salvaram milhares de vidas no Brasil, sobretudo de nossos irmãos mais pobres?


À esquerda, Lucia Helena Issa. À direita, médico cubano no Brasil em foto de Araquém Alcântara

Carta aberta a um amigo odiador de Cuba sobre os médicos cubanos
por Lucia Helena Issa



Querido amigo,

Tantos anos se passaram desde a nossa infância, desde as nossas férias de verão, quando brincávamos juntos no mar ainda verde esmeralda de Ubatuba, onde nossos pais tinham a casa de praia e onde vivemos grande parte da magia daqueles anos..

Você sempre sonhou em ser médico. Desde aquela tarde de janeiro em que levei 6 pontos na mão, depois de um tombo de bicicleta, quando você me socorreu e, antes de chamar minha mãe, amarrou sua camiseta no ferimento para parar o sangue que escorria pelas areias da rua que dava acesso ao mar de Ubatuba.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O MEDO CAUSADO PELA INTELIGÊNCIA

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável! Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta.

Ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pôde dar ao pupilo que se iniciava numa carreira difícil. Isso, na Inglaterra. Imaginem aqui, no Brasil!...

Não é demais lembrar a famosa trova de António Aleixo, poeta português: Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma Ciência.

A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência.

Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder.

Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas, com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.

Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos. É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social.

Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota, automaticamente, a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras, à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar.

Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas... Enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender.

É um paradoxo angustiante!

Infelizmente, temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues: Finge-te de idiota, e terás o céu e a terra.

O problema é que os inteligentes costumam brilhar! Que Deus os proteja, então, dos medíocres!...

Autor desconhecido

TEXTO REPLICADO DESTE ENDEREÇO:Blog do Professor Antomar Marins